RHC 235471 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o recorrente não apresentou prova idônea da debilidade extrema exigida pelo art. 318, II, do CPP e porque o agravo não trouxe novos argumentos, de modo que a modificação da decisão exigiria revolvimento fático-probatório incompatível com o habeas corpus.
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- Parties
- Impetrante: JOSÉ SOUSA GONÇALVES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 June 2026
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Recurso Em Habeas Corpus / Julgamento Colegiado Em Sessão Virtual Decisão (negado Provimento)
- Outcome
- Agravo regimental não provido; decisão agravada mantida.
- Legal Topics
- Prisão Domiciliar Ad Cautelam, Art. 318, II, CPP, Prova Idônea, Agravo Regimental, Habeas Corpus, Dilação Probatória
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Parties
JOSÉ SOUSA GONÇALVES
Impetrante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Recurso Em Habeas Corpus / Julgamento Colegiado Em Sessão Virtual Decisão (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 Concessão de prisão domiciliar por motivo de doença grave e exigência de debilidade extrema
- 2 Necessidade de apresentação de prova idônea da situação de saúde
- 3 Impossibilidade de revolver o conjunto fático-probatório em recurso ordinário em habeas corpus
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o recorrente não apresentou prova idônea da debilidade extrema exigida pelo art. 318, II, do CPP e porque o agravo não trouxe novos argumentos, de modo que a modificação da decisão exigiria revolvimento fático-probatório incompatível com o habeas corpus.
Court Disposition
Agravo regimental não provido; decisão agravada mantida.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Manter a decisão agravada por seus próprios fundamentos.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 21/05/2026 a 27/05/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Carlos Pires Brandão, Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do TJDFT), Og Fernandes e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. PRISÃO DOMICILIAR AD CAUTELAM. REAPRECIAÇÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE NA VIA ELEITA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Nos termos do art. 318, II, do Código de Processo Penal, a prisão domiciliar poderá ser concedida quando o acusado ou o indiciado estiver "extremamente debilitado por motivo de doença grave". Ademais, o parágrafo único do referido dispositivo determina a apresentação de prova idônea da situação alegada. Logo, não bastam meras alegações de que o agente está acometido de enfermidade, sem a demonstração inequívoca da debilidade extrema, nem de que há impossibilidade de tratamento no estabelecimento prisional, sem provas pré-constituídas. 2. Esta Corte Superior de Justiça compreende que o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a decisão impugnada pelos próprios fundamentos. 3. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ: JOSÉ SOUSA GONÇALVES interpõe agravo regimental contra decisão de minha relatoria que indeferiu liminarmente o recurso em habeas corpus por ele impetrado, ocasião em que postulava a substituição da prisão preventiva pela custódia domiciliar ad cautelam, nos termos do art. 318, II, do Código de Processo Penal. Nas razões deste regimental, a defesa reitera, em suma, o pleito e requer, assim, a reconsideração da decisão anteriormente proferida ou a submissão do feito a julgamento pelo órgão colegiado, para que seja provido o recurso. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. PRISÃO DOMICILIAR AD CAUTELAM. REAPRECIAÇÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE NA VIA ELEITA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Nos termos do art. 318, II, do Código de Processo Penal, a prisão domiciliar poderá ser concedida quando o acusado ou o indiciado estiver "extremamente debilitado por motivo de doença grave". Ademais, o parágrafo único do referido dispositivo determina a apresentação de prova idônea da situação alegada. Logo, não bastam meras alegações de que o agente está acometido de enfermidade, sem a demonstração inequívoca da debilidade extrema, nem de que há impossibilidade de tratamento no estabelecimento prisional, sem provas pré-constituídas. 2. Esta Corte Superior de Justiça compreende que o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a decisão impugnada pelos próprios fundamentos. 3. Agravo regimental não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ (RELATOR): Em que pesem os argumentos despendidos pela defesa, entendo que não lhe assiste razão. Mantenho, assim, a decisão agravada por seus próprios fundamentos. Na ocasião do indeferimento liminar do recurso em habeas corpus, verifica-se que fundamentei a decisão impugnada nos seguintes termos (fls. 215-219, destaquei): .. Nos termos do art. 318, II, do Código de Processo Penal, a prisão domiciliar poderá ser concedida quando o acusado ou o indiciado estiver "extremamente debilitado por motivo de doença grave". Ademais, o parágrafo único do referido dispositivo determina a apresentação de prova idônea da situação alegada. Desse modo, não bastam meras alegações de que o agente se encontra acometido de enfermidade, mas se exige a demonstração inequívoca da debilidade extrema e da impossibilidade de tratamento no estabelecimento prisional. Na espécie, vê-se que a Corte local ressaltou a insuficiência de provas a respeito da debilidade extrema do estado de saúde do postulante, que conta com 62 anos de idade. Contudo, para alterar esse entendimento, seria necessário o amplo revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, providência incabível no âmbito do recurso ordinário em habeas corpus. .. Logo, as circunstâncias acima delineadas constituem situação a obstar a substituição da prisão preventiva pela domiciliar, motivo por que não se há de falar em flagrante ilegalidade na decisão ora combatida .. . Nos termos do art. 318, II, do Código de Processo Penal, a prisão domiciliar poderá ser concedida quando o acusado ou o indiciado estiver "extremamente debilitado por motivo de doença grave". Ademais, o parágrafo único do referido dispositivo determina a apresentação de prova idônea da situação alegada. Desse modo, reitero: não bastam alegações de que o agente está acometido de enfermidade grave sem a demonstração inequívoca da debilidade extrema, nem de que há impossibilidade de tratamento no estabelecimento prisional. Na espécie, vê-se que o Tribunal de origem ressaltou a insuficiência de provas a respeito do quadro de saúde do postulante e para alterar esse entendimento, seria necessário o amplo revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos (dilação probatória), providência incabível no âmbito do recurso ordinário em habeas corpus. Logo, afigura-se evidente a busca indevida de efeitos infringentes, em virtude da irresignação decorrente do resultado do julgamento, com vistas à rediscussão de matéria já apreciada na via eleita. A propósito, é o entendimento jurisprudencial desta Corte Superior: .. é assente nesta Corte Superior de Justiça que o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a r. decisão vergastada pelos próprios fundamentos .. (AgRg no HC n. 749.888/RS, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), 5ª T., DJe 26/8/2022). À vista do exposto, nego provimento ao agravo regimental.