RHC 141231 - DECISAO
Negou-se provimento ao recurso porque ficou demonstrado o preenchimento dos requisitos do art. 312 do CPP (gravidade concreta do crime praticado mediante simulação de arma, risco de reiteração, antecedentes e progressões de regime), tornando inadequadas as medidas cautelares do art. 319 do CPP; ademais, a aplicação...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: DERLI PEREIRA CAMPISTA; Recorrente: LUCAS DE PAULA OLIVEIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 September 2021
- Procedural Posture
- Recurso Em Habeas Corpus / Decisão
- Outcome
- Nego provimento ao recurso ordinário em habeas corpus.
- Legal Topics
- Prisão Preventiva, Habeas Corpus, Medidas Cautelares, Recomendação CNJ N. 62/2020
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
DERLI PEREIRA CAMPISTA
Recorrente
LUCAS DE PAULA OLIVEIRA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Em Habeas Corpus / Decisão
Legal Issues
- 1 Legalidade da prisão preventiva decretada de ofício
- 2 Preenchimento dos requisitos do art. 312 do CPP
- 3 Possibilidade de substituição por medidas do art. 319 do CPP
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao recurso porque ficou demonstrado o preenchimento dos requisitos do art. 312 do CPP (gravidade concreta do crime praticado mediante simulação de arma, risco de reiteração, antecedentes e progressões de regime), tornando inadequadas as medidas cautelares do art. 319 do CPP; ademais, a aplicação da Recomendação CNJ n. 62/2020 exige requisitos não comprovados pelos impetrantes.
Court Disposition
Nego provimento ao recurso ordinário em habeas corpus.
Orders
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso em habeas corpus com pedido de liminar interposto por DERLI PEREIRA CAMPISTA eLUCAS DE PAULA OLIVEIRA contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE RONDÔNIA (Processo n. 0807305-18.2020.8.22.0000). Os recorrentes foram condenadoscomo incursos nas sanções do art.157, § 2º,II, do Código Penal. Na ocasião da sentença, foi mantida a segregação cautelar anteriormente imposta. Em suas razões, alegamconstrangimento ilegal, uma vez que não foram preenchidos os requisitos ensejadores da segregação cautelar. Aduzem que a prisão preventiva, que foi decretada de ofício pelo Juízo singular, está eivada de ilegalidade, já que estaria em desacordo com o art. 311 do CPP. Sustentam que a situação de risco decorrente da pandemia de covid-19 fornece as bases necessárias para que seja concedida a liberdade provisória, de acordo com a Recomendação CNJ n. 62/2020. Requerem a concessão da ordem a fim de que a prisão preventiva seja revogada, expedindo-se alvará de soltura, ainda que com a imposição das medidas cautelares diversas da prisão previstas no art. 319 do CPP. A liminar foi indeferida, nos termos da decisão de fls. 165-166. As informações foram prestadas às fls. 171-217. O Ministério Público Federal apresentou parecer pelo desprovimento do recurso em habeas corpus (fls. 159-163). É o relatório. Decido. De início, cumpre destacar que a sentença condenatória proferida na origem prejudica a discussão a respeito de eventual decretação da prisão preventiva de ofício pelo juízo competente, na medida em que constata-se a representação do órgão ministerial pela condenação e manutenção da custódia cautelar, o que inviabiliza a discussão acerca desta tese defensiva. No que diz respeito àprisão preventiva, sabe-se que ela é cabível mediante decisão fundamentada em dados concretos, quando evidenciada a existência de circunstâncias que demonstrem a necessidade da medida extrema, nos termos dos arts. 312, 313 e 315 do Código de Processo Penal (HC n. 527.660/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 2/9/2020). No caso, está justificada a manutenção da prisão preventiva, pois foi demonstrado o preenchimento dos requisitos do art. 312 do CPP, não sendo recomendável a aplicação de medida cautelar referida no art. 319 do CPP. A propósito, assim se manifestou o Tribunal a quo (fl. 106): Dos documentos trazidos à colação, verifica-se que no dia 02/09/2020, na cidade de Cerejeiras, os pacientes, foram presos pela prática, em tese, do delito previsto no art. 157, § 2º, II, c/c art. 29, ambos do CP. Consta do incluso caderno investigatório, que os pacientes, mediante simulação de portar arma de fogo, anunciaram o assalto e subtraíram para si, 01 celular Samsung Galaxy, modelo A30, pertencente a vítima Maria de Lurdes da Silva Colombo. Ato contínuo, os pacientes, empreenderam fuga, utilizando uma motocicleta Honda/CG Titan, cor azul. In casu, em que pesem os argumentos trazidos pela impetrante, razão não lhe assiste, já que o decreto prisional encontra-se fundamentado nas circunstâncias fáticas, destacando, na gravidade concreta em razão da forma ameaçadora do crime, como os pacientes anunciaram o roubo (praticado mediante simulação de porte de arma de fogo), tudo a fim de gerar maior temor na vítima e garantir a eficácia da empreitada criminosa, e ainda, como forma de garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal, já que os pacientes ostentam antecedentes criminais por furto, sendo que o paciente Derli foi progredido ao regime aberto em 16.01.2020 (autos n. 000918-20.2016.8.22.0013) e o paciente Lucas, em 16.06.2020 (autos n.400001135.2020.8.22.0013). Como se vê, o apontamento do elemento circunstancial a indicar gravidade da conduta demonstra ousadia e periculosidade dos pacientes, visto que a vítima foi surpreendida no portão de sua residência, local de circulação de pessoas. Outrossim, faz-se imperiosa manter a medida extrema, visto que crimes dessa natureza afrontam a moralidade e a paz pública, trazendo revolta e indignação à sociedade, exigindo uma resposta imediata do Estado, portanto, a prisão preventiva do pacientes e faz indispensável para resguardo da ordem pública, conveniência da instrução processual e futura aplicação da leipenal. Verifica-se, portanto, que o decreto prisional fundamentou-se nas circunstâncias concretas do delito praticado, a gravidade da empreitada criminosa, o risco de reiteração delitiva e no fato de alguns dos corréus terem praticado a conduta típica no momento que havia progredido de regime por outro crime, o que inviabiliza a aplicação de medidas cautelares menos gravosas. O entendimento acima está em consonância com a jurisprudência do STJ de que, tendo a necessidade de prisão cautelar sido exposta de forma fundamentada e concreta, é incabível a substituição por medidas cautelares mais brandas (RHC n. 133.153/MG, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 21/9/2020). No que diz respeito à aplicação da Recomendação CNJ n. 62/2020, o STJ firmou o entendimento de que a flexibilização da medida extrema não ocorre de forma automática (AgRg no HC n. 574.236/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 11/5/2020; e HC n. 575.241/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, DJe de 3/6/2020). Para tanto, é necessária a demonstração de que o preso preenche os seguintes requisitos: a) inequívoco enquadramento no grupo de vulneráveis à covid-19; b) impossibilidade de receber tratamento no estabelecimento prisional em que se encontra; e c) exposição a mais risco de contaminação no estabelecimento onde está segregado do que no ambiente social (AgRg no HC n. 561.993/PE, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 4/5/2020). No caso, os recorrentes não demonstraramo alegado constrangimento ilegal decorrente da decisão impugnada. Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XVIII, b, do RISTJ, nego provimento ao recurso ordinário em habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se.