HC 947391 - DECISAO
Indefere-se a liminar porque a matéria não foi examinada pelo tribunal de origem e não se demonstrou flagrante ilegalidade ou teratologia que justifique afastar a Súmula 691 do STF; a decisão de origem apresenta fundamentação sobre a necessidade da custódia cautelar (reincidência, antecedentes, outros inquéritos,...
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- Parties
- Paciente: MARCIO CLOVIS BALDI DA SILVA; Órgão De Origem: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ; Notificado: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 September 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Monocrática Sobre Pedido De Liminar
- Outcome
- liminar indeferida
- Legal Topics
- Prisão Preventiva, Habeas Corpus, Súmula 691/stf, Art. 171 Do Código Penal, Reincidência
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Parties
MARCIO CLOVIS BALDI DA SILVA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ
Órgão De Origem
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Notificado
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Monocrática Sobre Pedido De Liminar
Legal Issues
- 1 Cabimento de habeas corpus contra indeferimento de liminar por relator de Tribunal Superior
- 2 Legalidade da prisão preventiva e requisitos do art. 312 do CPP
- 3 Possível teratologia ou flagrante ilegalidade da decisão de origem
Ratio Decidendi
Indefere-se a liminar porque a matéria não foi examinada pelo tribunal de origem e não se demonstrou flagrante ilegalidade ou teratologia que justifique afastar a Súmula 691 do STF; a decisão de origem apresenta fundamentação sobre a necessidade da custódia cautelar (reincidência, antecedentes, outros inquéritos, pena abstrata superior a quatro anos considerando o §4º do art.171 e risco de continuidade delitiva), de modo que não há motivo para intervenção nesta Corte antes do julgamento do mérito na instância a quo.
Court Disposition
liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de MARCIO CLOVIS BALDI DA SILVA em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de Desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ que indeferiu o pedido de liminar formulado no HC n. 0090431-25.2024.8.16.0000. Consta dos autos a prisão preventiva do paciente, decorrente de suposta prática do delito capitulado no art. 171, § 4º, do Código Penal, termos em que denunciado. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, em razão da nulidade da decisão que indeferiu a liminar na origem, por não ter enfrentado todas as teses suscitadas no Habeas Corpus. Alega que não estão presentes as condições de admissibilidade elencadas no art. 313 do CPP e os requisitos autorizadores da prisão preventiva previstos no art. 312 do aludido diploma legal. Defende que " .. a vítima, através de termo de acordo extrajudicial, anexo, mostrou o seu desejo de não representar em desfavor do PACIENTE, com data anterior ao oferecimento da denúncia .. " (fl. 08), bem como que não houve dolo na conduta do paciente. Requer, assim, liminarmente e no mérito, a revogação da prisão cautelar, ainda que mediante a aplicação de medidas cautelares alternativas não prisionais. É o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes julgados: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 16.11.2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 27.9.2022.) In casu, não vislumbro manifesta ilegalidade a autorizar que se excepcione a aplicação do referido verbete sumular, porquanto, ao menos em uma análise perfunctória, as decisões de orige m não se revelam teratológicas. Isso porque, compulsando os autos, verifica-se que a prisão foi decretada com base na seguinte motivação, adotada na origem: Além disso, o representado responde a dois Inquéritos Policiais .. por crimes da mesma natureza, praticados, em tese, com o mesmo modus operandi, causando, teoricamente, danos financeiros à diferentes pessoas (fl.14). .. Verifica-se, ainda, que o representado é reincidente e registra antecedentes criminais por crimes patrimoniais, cumpre pena em regime semiaberto voltou a delinquir, demonstrando assim total desídia com a justiça, restando necessária, por ora, a custódia cautelar, também para estancar a continuidade delitiva (fl. 17). Quanto à tese de inadmissibilidade da prisão preventiva, não há flagrante ilegalidade, pois a pena máxima abstratamente cominada ao crime previsto no art. 171, caput, é superior a 4 (quatro) anos, devendo, ainda, ser considerada a causa de aumento de pena prevista no § 4º do referido dispositivo legal. Além disso, o paciente, em princípio, é reincidente e cumpre, portanto, o requisito previsto no inciso II do art. 313 do CPP para prisão preventiva, que independe da pena cominada ao delito. Quanto ao mais, trata-se de matéri as sensíveis e que demandam maior reflexão, sendo prudente, portanto, aguardar o julgamento definitivo do Habeas Corpus impetrado no tribunal a quo antes de eventual intervenção desta Corte Superior. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA