HC 907257 - DECISAO
Não se verifica ilegalidade manifesta apta a justificar a intervenção desta Corte: a prisão preventiva foi adequadamente fundamentada pela gravidade concreta do delito, uso de faca, periculosidade do agente e pelo fato de a imputação prever pena máxima superior a quatro anos (art. 313, I, CPP), de modo que as...
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- Parties
- Paciente: EDMILSON ROSENDO ALVES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 October 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Mérito (ordem Denegada E Liminar Cassada)
- Outcome
- Ordem denegada; liminar cassada
- Legal Topics
- Prisão Preventiva, Súmula N. 691/stf, Medidas Cautelares, Garantia Da Ordem Pública, Apelar Em Liberdade
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Parties
EDMILSON ROSENDO ALVES
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Mérito (ordem Denegada E Liminar Cassada)
Legal Issues
- 1 legalidade da prisão preventiva
- 2 cabimento de habeas corpus contra indeferimento de liminar pelo relator
- 3 necessidade de fundamentação idônea para manutenção da custódia
Ratio Decidendi
Não se verifica ilegalidade manifesta apta a justificar a intervenção desta Corte: a prisão preventiva foi adequadamente fundamentada pela gravidade concreta do delito, uso de faca, periculosidade do agente e pelo fato de a imputação prever pena máxima superior a quatro anos (art. 313, I, CPP), de modo que as medidas cautelares alternativas se mostram insuficientes; por isso a ordem é denegada e a liminar anteriormente deferida é cassada.
Court Disposition
Ordem denegada; liminar cassada
Orders
- Denega-se a ordem de habeas corpus.
- Cassa-se a liminar deferida.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, em favor de EDMILSON ROSENDO ALVES, impetrado contra decisão do Desembargador Relator do HC n. 2105852-42.2024.8.26.0000, do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que indeferiu o pedido urgente formulado. Consta nos autos que o paciente foi preso em flagrante delito no dia 16/04/2024, convertida a custódia em preventiva, tendo sido denunciado pela suposta prática do crime previsto no art. 148, caput e § 2º, do Código Penal. Inconformada, a Defesa impetrou habeas corpus perante o Tribunal de origem, tendo sido indeferido o pedido liminar. Neste writ, sustenta a parte impetrante, em síntese, a ilegalidade da prisão preventiva. Requer, em liminar e no mérito, a expedição de alvará de soltura em favor do paciente. Informações prestadas às fls. 70-77. O Ministério Público Federal, às fls. 82-85, opinou pela concessão da ordem, confirmando-se a liminar deferida. É o relatório. DECIDO. Em consulta ao endereço eletrônico da Corte de origem, observo que a Quinta Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo julgou prejudicado o habeas corpus originário em virtude do deferimento da liminar nos presentes autos. Ocorre, no entanto, que a decisão proferida neste writ possui caráter cautelar, não acarretando, portanto, a prejudicialidade da impetração originária. Nesse contexto, d eferida a liminar neste mandamus e julgado prejudicado pelo Tribunal a quo o writ originário, em razão de decisum precário aqui deferido, inequivocamente subsiste o interesse no julgamento do mérito deste habeas corpus (HC n. 409.733/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 12/6/2018, DJe de 22/6/2018; grifamos). A propósito, ainda: HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. TRÁFICO DE DROGAS (83,1G DE COCAÍNA E 31,3G DE MACONHA). IMPETRAÇÃO DIRIGIDA CONTRA DECISÃO DE DESEMBARGADOR RELATOR QUE INDEFERIU PEDIDO LIMINAR NA ORIGEM. SUPERVENIÊNCIA DE ACÓRDÃO DO TRIBUNAL A QUO JULGANDO PREJUDICADA A ORDEM. SUBSISTÊNCIA DO INTERESSE NO JULGAMENTO DO MÉRITO DA IMPETRAÇÃO. NEGATIVA DO DIREITO DE APELAR EM LIBERDADE. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. LIMINAR CONFIRMADA. ORDEM CONCEDIDA. 1. "Deferida a liminar per saltum, persiste o interesse da parte no julgamento de mérito da impetração, mesmo na hipótese de o Tribunal de origem julgar prejudicado o habeas corpus originário" (HC 513.625/RJ, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 06/08/2019, DJe 12/08/2019). 2. A despeito do óbice processual previsto na Súmula n.º 691/STF, deve preponderar, em casos excepcionais, a necessidade de se garantir a efetividade da prestação da tutela jurisdicional de urgência, para que flagrante constrangimento ilegal ao direito de liberdade possa ser imediatamente cessado. (..) 5. Ordem de habeas corpus concedida para, em conformidade com o parecer ministerial, confirmar a liminar e assegurar ao Paciente o direito de apelar em liberdade, se por al não estiver preso, advertindo-o da necessidade de permanecer no distrito da culpa e atender aos chamamentos judiciais, sem prejuízo de nova decretação de prisão provisória, por fato superveniente a demonstrar a necessidade da medida ou da fixação de medidas cautelares alternativas (art. 319 do Código de Processo Penal), desde que de forma fundamentada. (HC n. 570.880/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 19/5/2020, DJe de 2/6/2020; grifamos). No mais, ressalto que, de acordo com a orientação consolidada na Súmula n. 691 do Supremo Tribunal Federal, aplicável nesta Corte por analogia, não se conhece de habeas corpus impetrado contra decisão do Relator que indefere a liminar em outro writ requerido na origem, sob pena de supressão de instância. No entanto, havendo, na decisão impugnada, ilegalidade manifesta, abuso de poder ou teratologia, as Cortes Superiores têm entendido pela possibilidade de superação do mencionado óbice processual. Confira-se: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. SÚMULA N. 691 DO STF. DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINARMENTE O PEDIDO. TERATOLOGIA OU FALTA DE RAZOABILIDADE NÃO EVIDENCIADAS DE PLANO. JULGAMENTO MERITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte é firme na compreensão de que não tem cabimento o habeas corpus para desafiar decisão do relator que indeferiu o pedido liminar. Inteligência do enunciado sumular n. 691 do Supremo Tribunal Federal (precedentes). 2. Os rigores do mencionado verbete somente são abrandados nos casos de manifesta teratologia da decisão ou constatação de falta de razoabilidade. .. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 892.673/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 3/5/2024). Na hipótese, não verifico a existência de ilegalidade manifesta apta a ensejar a concessão da ordem pleiteada. Para a adequada apreciação da controvérsia, transcrevo os seguintes trechos do decreto prisional (fls. 39-40; grifamos): .. Consta do expediente que policiais em patrulhamento de rotina atenderam ocorrência comunicada por populares na qual o autuado teria adentrado ônibus portando faca de cozinha e a encostando no pescoço da vítima com o intuito de mantê-la em cárcere privado. Ainda segundo o relato das testemunhas e da vítima, esta conseguiu se desvencilhar do meliante e detê-lo mediante o uso de força. Analisando-se a folha de antecedentes e a certidão do distribuidor criminal acostada aos autos, verifica-se que o indiciado é primário e não registra maus antecedentes. Contudo, o fato é de natureza gravíssima, incluindo o uso de faca para ameaçar a vida da vítima, o que indica extraordinária periculosidade do agente, além de personalidade voltada à prática de delitos. Assim, a aplicação de medidas cautelares seriam insuficientes para afastá-lo do mundo marginal, autorizando, portanto, a prisão preventiva, nos termos do artigo 313, II, do C.P.P. O "modus operandi" da conduta criminosa demonstra indisciplina do investigado e total desprezo ao Poder Judiciário Estatal, sendo de rigor a sua manutenção no cárcere para preservação da ordem pública e conveniência da instrução criminal. Os péssimos antecedentes criminais, aliás, evidenciam comportamento antissocial voltado à criminalidade, extrema periculosidade e ousadia na reiteração de práticas criminosas, fatores esses que devem ser considerados por este magistrado, visando a credibilidade do Poder Judiciário e a efetiva aplicação da lei penal. Além disso, a prisão preventiva é necessária para garantia da ordem pública, para evitar o cometimento de novos crimes, para conveniência da instrução processual e para assegurar a aplicação da lei penal. Assim, outras medidas cautelares alternativas à prisão seriam inadequadas e inócuas, considerando as circunstâncias do caso concreto. Desta forma, a prisão preventiva é de rigor, pois há sérios indícios do envolvimento do averiguado em crimes graves que colocam em constante desassossego a sociedade, contribuindo para desestabilizar as relações de convivência social, estando, pois, presente o motivo da garantia da ordem pública, autorizador da decretação da prisão preventiva. E, ao indeferir o pedido de revogação da segregação provisória, o Juízo processante adotou os fundamentos da manifestação do Ministério Público, da qual destaco os seguintes trechos: O crime perpetrado é grave e foi cometido medianteviolência real e emprego de faca, em sua forma qualificada, para a qual a pena máxima cominada ésuperior a 04 anos. Em que pese a primariedade do denunciado, deve-se atentar para as circunstâncias concretas ora mencionadas, além do fato de que a vítima foi abordada enquantoconduzia veículo de grande porte, de modo que a conduta praticada ainda causou risco para a segurança púbica e viária de pedestres e outros condutores da via (extraído da página eletrônica do Tribunal de origem; grifamos). Conquanto tenha constado, por equívoco, no decreto prisional que o paciente teria péssimos antecedentes criminais, constato que o Juízo processante também justificou a necessidade da custódia preventiva na gravidade concreta dos fatos, evidenciada pelas circunstâncas da prática delitiva, o que, segundo o entendimento desta Corte Superior de Justiça, é suficiente para a imposição da segregação provisória como forma de garantia da ordem pública. Ademais, informou o Magistrado de origem que o paciente foi denunciado como incurso no art. 148, caput e § 2º, do Código Penal, que possui como pena máxima 08 (oito) anos de reclusão, estando preenchido, portanto, o requisito previsto no art. 313, inciso I, do Código de Processo Penal. Nessa conjuntura, não verifico constrangimento ilegal na decretação da prisão preventiva do réu. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ARMADA, TORTURA, SEQUESTRO E CÁRCERE PRIVADO. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. NECESSIDADE DA MEDIDA PARA O RESGUARDO DA ORDEM PÚBLICA. CONTEMPORANEIDADE E PRISÃO DOMICILIAR (ART. 318, VI, DO CPP). SUPRESSÃO DE INSTÃNCIA. 1. A tese de ausência de contemporaneidade da prisão preventiva não foi objeto de cognição pela Corte de origem, o que torna inviável a sua análise nesta sede, sob pena de incidir em indevida supressão de instância. 2. A prisão preventiva se encontra devidamente fundamentada em elementos do caso concreto, sobretudo na sua necessidade para a garantia da ordem pública, vulnerada em razão da gravidade concreta da conduta, da periculosidade do agente e do modus operandi utilizado - por causa de um furto que a vítima teria praticado em tese contra estabelecimento comercial de um dos investigados .. , em retaliação, Aparecido teria sido levado até local ermo em Capão Bonito e depois agredido a facadas e disparos de arma de fogo pelos investigados. 3. Agravo regimental improvido (AgRg no HC n. 812.204/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 11/9/2023, DJe de 14/9/2023; grifamos). AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. CRIMES DE ROUBO MAJORADO, EXTORSÃO, SEQUESTRO, RECEPTAÇÃO, CÁRCERE PRIVADO E ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA. GRAVIDADE CONCRETA DOS DELITOS. NEGATIVA DO APELO EM LIBERDADE. RÉU PRESO DURANTE A INSTRUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO DO DECRETO CONSTRITIVO IDÔNEA. PERICULUM LIBERTATIS EVIDENCIADO. CONDIÇÕES FAVORÁVEIS. IRRELEVÃNCIA. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO. INSUFICIÊNCIA. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a manutenção da custódia cautelar no momento da sentença condenatória, em hipóteses em que o Acusado permaneceu preso durante toda a instrução criminal, não requer fundamentação exaustiva, sendo suficiente para a satisfação do art. 387, § 1.º, do Código de Processo Penal o entendimento de que permanecem inalterados os motivos que levaram à decretação da medida extrema em um primeiro momento. 2. A sentença penal condenatória, ao negar ao Réu o direito de recorrer em liberdade, salientou a necessidade da manutenção da custódia cautelar para a garantia da ordem pública, já que inalterada a situação fática dos autos que justificou a prisão preventiva pela gravidade concreta das condutas perpetradas. 3. A suposta existência de condições pessoais favoráveis não tem o condão de, por si só, desconstituir a custódia antecipada, caso estejam presentes um dos requisitos de ordem objetiva e subjetiva que autorizem a decretação da medida extrema. 4. Demonstrada pelas instâncias originárias, com expressa menção às peculiaridades do caso concreto, a necessidade da imposição da prisão preventiva, não se mostra suficiente a aplicação de quaisquer das medidas cautelares alternativas à prisão, elencadas no art. 319 do Código de Processo Penal. 5. Agravo regimental desprovido (AgRg no RHC n. 176.883/SC, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 9/10/2023, DJe de 16/10/2023; grifamos). Desse modo, tendo sido concretamente demonstrada a necessidade da prisão preventiva nos autos, não se apresenta suficiente a aplicação de medidas cautelares mais brandas, nos termos do art. 282, inciso II, do Código de Processo Penal. Ante o exposto, denego a ordem de habeas corpus, cassando a liminar deferida. Publique-se. Intimem-se. EMENTA