HC 951387 - ACORDAO
A prisão preventiva foi mantida por estar fundamentada na garantia da ordem pública, ante a gravidade concreta da conduta demonstrada pela apreensão de significativa quantidade de entorpecente (174 g de crack), munições e parte mecânica de fuzil, bem como indícios de participação em organização criminosa,...
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- Parties
- Agravante: RODOLFO DOS SANTOS SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgamento Da Quinta Turma Acórdão
- Outcome
- Agravo regimental desprovido
- Legal Topics
- Prisão Preventiva, Habeas Corpus, Tráfico De Drogas, Associação Para O Tráfico, Medidas Cautelares, Gravidade Concreta, Garantia Da Ordem Pública, Art. 312 Do CPP
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Parties
RODOLFO DOS SANTOS SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgamento Da Quinta Turma Acórdão
Legal Issues
- 1 Se a prisão preventiva do agravante está devidamente fundamentada
- 2 Se é possível a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas
Ratio Decidendi
A prisão preventiva foi mantida por estar fundamentada na garantia da ordem pública, ante a gravidade concreta da conduta demonstrada pela apreensão de significativa quantidade de entorpecente (174 g de crack), munições e parte mecânica de fuzil, bem como indícios de participação em organização criminosa, preenchendo os requisitos do art. 312 do CPP; as condições pessoais favoráveis do agravante não bastam para revogar a custódia cautelar e a substituição por medidas do art. 319 do CPP foi consideradas inadequadas no caso concreto.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Manter a prisão preventiva do agravante
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA Direito processual penal. Agravo regimental NO HABEAS CORPUS. Prisão preventiva. Tráfico de drogas E ASSOCIAÇÃO. Recurso desprovido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus, no qual se pleiteava a revogação da prisão preventiva do agravante, sob o argumento de que a decisão seria genérica e que haveria possibilidade de substituição por medidas cautelares diversas. 2. A decisão originária homologou a prisão em flagrante e a converteu em prisão preventiva, fundamentando-se na gravidade concreta da conduta delitiva, evidenciada pela apreensão de considerável quantidade de crack e munições, além de indícios de participação em organização criminosa. 3. O Tribunal de origem manteve a prisão preventiva, destacando a presença dos requisitos do art. 312 do CPP, a gravidade concreta da conduta e a periculosidade do agente, além de considerar que as condições pessoais favoráveis não são suficientes para desconstituir a custódia cautelar. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se a prisão preventiva do agravante está devidamente fundamentada e se há possibilidade de substituição por medidas cautelares diversas. III. Razões de decidir 5. A prisão preventiva está fundamentada na garantia da ordem pública, em razão da gravidade concreta da conduta delitiva, evidenciada pela quantidade e natureza da droga, munições apreendidas e possível "participação em organização criminosa. 6. A jurisprudência do STJ e do STF reconhece que a gravidade concreta da conduta e a necessidade de interromper a atuação de integrantes de organização criminosa são fundamentos idôneos para a decretação da prisão preventiva. 7. As condições pessoais favoráveis do agravante, como primariedade e residência fixa, não são suficientes para afastar a prisão preventiva quando presentes os requisitos do art. 312 do CPP. 8. A substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas não é viável, pois a gravidade concreta da conduta delituosa indica que a ordem pública não estaria acautelada com a soltura do agravante. IV. Dispositivo e tese 9. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. A prisão preventiva pode ser mantida quando fundamentada na gravidade concreta da conduta delitiva e na necessidade de garantir a ordem pública. 2. Condições pessoais favoráveis não são suficientes para afastar a prisão preventiva quando presentes os requisitos do art. 312 do CPP. 3. A substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas não é viável quando a gravidade concreta da conduta delituosa indica risco à ordem pública". Dispositivos relevantes citados: CPP, arts. 312, 313, 319. Jurisprudência relevante citada: STJ, HC 393.308/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 20/03/2018; STJ, HC 425.704/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 27/02/2018; STF, RHC 122182, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 19/08/2014.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por RODOLFO DOS SANTOS SILVA, de decisão na qual não conheci do habeas corpus. Pleiteia o agravante a revogação da prisão preventiva, ao argumento de que a decisão é totalmente genérica e vem sido mantida até o presente momento. Aponta a possibilidade de substituição por medidas cautelares diversas d medida extrema. Destaca as condições pessoais favoráveis do agravante que corroboram para sua soltura. Reitera que a decisão originária não aponta nenhum argumento válido para a prisão preventiva o que a torna ilegal. Pleiteia a reconsideração da decisão ou o julgamento pelo órgão colegiado. É o relatório. EMENTA Direito processual penal. Agravo regimental NO HABEAS CORPUS. Prisão preventiva. Tráfico de drogas E ASSOCIAÇÃO. Recurso desprovido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus, no qual se pleiteava a revogação da prisão preventiva do agravante, sob o argumento de que a decisão seria genérica e que haveria possibilidade de substituição por medidas cautelares diversas. 2. A decisão originária homologou a prisão em flagrante e a converteu em prisão preventiva, fundamentando-se na gravidade concreta da conduta delitiva, evidenciada pela apreensão de considerável quantidade de crack e munições, além de indícios de participação em organização criminosa. 3. O Tribunal de origem manteve a prisão preventiva, destacando a presença dos requisitos do art. 312 do CPP, a gravidade concreta da conduta e a periculosidade do agente, além de considerar que as condições pessoais favoráveis não são suficientes para desconstituir a custódia cautelar. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se a prisão preventiva do agravante está devidamente fundamentada e se há possibilidade de substituição por medidas cautelares diversas. III. Razões de decidir 5. A prisão preventiva está fundamentada na garantia da ordem pública, em razão da gravidade concreta da conduta delitiva, evidenciada pela quantidade e natureza da droga, munições apreendidas e possível "participação em organização criminosa. 6. A jurisprudência do STJ e do STF reconhece que a gravidade concreta da conduta e a necessidade de interromper a atuação de integrantes de organização criminosa são fundamentos idôneos para a decretação da prisão preventiva. 7. As condições pessoais favoráveis do agravante, como primariedade e residência fixa, não são suficientes para afastar a prisão preventiva quando presentes os requisitos do art. 312 do CPP. 8. A substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas não é viável, pois a gravidade concreta da conduta delituosa indica que a ordem pública não estaria acautelada com a soltura do agravante. IV. Dispositivo e tese 9. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. A prisão preventiva pode ser mantida quando fundamentada na gravidade concreta da conduta delitiva e na necessidade de garantir a ordem pública. 2. Condições pessoais favoráveis não são suficientes para afastar a prisão preventiva quando presentes os requisitos do art. 312 do CPP. 3. A substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas não é viável quando a gravidade concreta da conduta delituosa indica risco à ordem pública". Dispositivos relevantes citados: CPP, arts. 312, 313, 319. Jurisprudência relevante citada: STJ, HC 393.308/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 20/03/2018; STJ, HC 425.704/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 27/02/2018; STF, RHC 122182, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 19/08/2014. VOTO Apesar das considerações da parte agravante, razão não lhe assiste. De início, destaca-se que, se as instâncias ordinárias reconheceram a existência de indícios de autoria delitiva, aptos a demonstrar a presença do fumus comissi delicti exigido pelo art. 312, caput, do Código de Processo Penal, maiores incursões acerca do tema, demandaria revolvimento do conjunto fático-comprobatório dos autos, o que não é permitido na via estreita do recurso em habeas corpus. Consta na decisão originária que decretou a segregação cautelar: " .. Logo, entendo cabível a homologação do APFD. Por seu turno, analisando o auto, entendo que o caso é de prisão preventiva em relação aos autuados. De logo, porque a materialidade do delito está demonstrada, conforme auto de apreensão e de constatação preliminar de substância entorpecente. Já quanto à autoria, tenho que suficientemente demonstrada, em razão da prova testemunhal produzida na Depol. Por sua vez, entendo também presentes os requisitos para a decretação da prisão preventiva. Isso, porque a quantidade de droga apreendida é razoável e as circunstâncias da prisão indicam ser o caso de tráfico de drogas, ainda mais diante da apreensão de várias munições de armas de fogo, balanças de precisão e várias sacolas plásticas para a embalagem da droga. Logo, há fortes indícios que a droga agora apreendida era para o tráfico de drogas. Por sua vez, ressalto, por oportuno, que normalmente a droga não só está relacionada, mas também aumenta consideravelmente a violência, especialmente de crimes de alto potencial ofensivo, como roubos e homicídios, coincidentemente ou não, os delitos mais praticados atualmente na região. Sobre a periculosidade dos autuados, entendo que se encontra manifesta no auto, diante de suas condutas ousadas e destemidas no cometimento do tráfico, ainda mais se utilizando, possivelmente, de armas de fogo como forma de assegurar o proveito do tráfico e há informes no auto de envolvim ento de uma organização criminosa responsável pelo tráfico de drogas no local. Note-se que foram apreendidas munições de diversos calibre indicando ou a existência de armas de fogo ou o tráfico de armas e munições, demonstrando que a liberdade dos autuados põem em risco a integridade física e patrimonial dos cidadãos. Assim, a prisão tem por escopo impedir a reiteração de delitos pelos autuados e resguardar a integridade física da comunidade. Observe-se que a prova testemunhal, no momento, mostra-se coerente com a documentação produzida no auto, cabendo ser reconhecido, ainda que provisoriamente, a validade dos indíci os contra os imputados. Ressalto que a presente prisão observa a nova redação do art. 313, inc. I, do CPP. Também, não cabe aplicar as medidas cautelares do art. 319, do CPP, como substituição da prisão preventiva, vez que pelo tipo de crime imputado (tráfico de drogas), tornaria a medida inócua. De logo, porque não há qualquer estrutura para fiscalizar as medidas cautelares do art. 319, do CPP. Ressalto: não falo em dificuldade de fiscalizar o cumprimento da medida. Falo de não haver qualquer tipo de estrutura física e de pessoal de fiscalização na região de acusados de crimes. Inclusive, nem a Polícia Civil nem a Polícia Militar, tem efetivo suficiente para exercer tal função. E nem é tal função de tais Polícias. Além disso, não há como se aplicar a medida cautelar prevista no art. 317, do CPP, visto que os autuados não se enquadram nas hipóteses da prisão domiciliar. Enfim, a medida que se impõe é o cárcere dos autuados. Ante o exposto, com base no art. 310, inc. II, do CPP, HOMOLOGO A PRISÃO EM FLAGRANTE DELITO e, com base nos arts. 311 e ss, do CPP, CONVERTO A PRISÃO EM FLAGRANTE DELITO EM PRISÃO PREVENTIVA" (e-STJ, fl. 43, grifou-se). A prisão preventiva foi mantida pelo Tribunal de origem nos termos do acórdão combatido: " .. Compulsando os autos originários, observa-se que a prisão preventiva em análise se encontra devidamente fundamentada em elementos concretos inseridos no processo, os quais demonstram, inequivocamente, a sua necessidade e adequação. Vejamos, por oportuno, o que consignou o Juízo singular ao indeferir o pedido de liberdade provisória do paciente: " ( ). No caso dos autos, entendo que a hipótese é de manutenção da prisão preventiva dos acusados. Isso porque a droga e munições, encontradas em poder dos acusados destoa daquilo que comumente ocorre, visto que com eles, foram encontradas 174 gramas (cento e setenta e cinco) gramas e substância entorpecente popularmente conhecida como "crack", distribuída em 09 (nove) invólucros, além de 10 (dez) munições de calibre .40, intactas, 10 (dez) munições de calibre .38, 06 (seis) munições de calibre .12 e uma parte mecânica de fuzil Mosquefal (cano e parte do mecanismo) calibre 7.62, de uso restrito. Há ainda, informes de que os acusados participam de uma organização criminosa denominada OKD, voltada ao tráfico de entorpecentes no Bairro Francisco Cordeiro, em Itambé, sendo que a apreensão só foi possível, após campana realizada pela polícia, em um canavial próximo ao local onde os acusados foram presos. (..)" Restando, assim, demonstrado o fumus boni iuris e o periculum libertatis, e, consequentemente, a imprescindibilidade da prisão preventiva com a finalidade de salvaguardar a ordem pública e a aplicação da lei penal, de acordo com o art. 312 do CPP. Assim tem se manifestado este Egrégio Tribunal de Justiça: .. Com efeito, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é assente quanto à gravidade concreta da conduta constituir fundamento plenamente idôneo para lastrear a prisão preventiva. .. Vale destacar que os requisitos necessários à decretação da prisão preventiva, dispostos no art. 312 do Código de Processo Penal, encontram-se preenchidos, dado que existem nos autos originários provas do crime e indícios suficientes da autoria. Ademais, o recolhimento cautelar em comento possui amparo legal, também, no o art. 313, inciso I, do Código de Processo Penal, pois os delitos imputados ao paciente possuem penas privativas de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos. Importante salientar, ainda, que não possui respaldo legal o argumento apresentado pelo impetrante de que as existências das condições pessoais favoráveis do paciente têm o condão de, por si só, desconstituírem a custódia antecipada. O Tribunal de Justiça de Pernambuco pacificou a matéria ao editar a Súmula 86. Súmula 86 do TJPE- " As condições pessoais favoráveis ao acusado, por si sós, não asseguram o direito à liberdade provisória, se presentes os motivos da prisão preventiva. " O retromencionado entendimento sumular encontra-se em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: .. " (e-STJ, fls. 18-20, grifou-se). Nos termos do art. 312 do Código de Processo Penal, poderá ser decretada para garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal, desde que presentes prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria. No caso, segundo se infere, a custódia cautelar está suficientemente fundamentada na garantia da ordem pública, haja vista a gravidade concreta da conduta delitiva, pois foi apreendido expressiva quantidade de crack - 174 g, além de 10 munições de calibre .40, intactas, 10 munições de calibre .38, 06 munições de calibre .12 e uma parte mecânica de fuzil Mosquefal (cano e parte do mecanismo) calibre 7.62, de uso restrito. Esta Corte, inclusive, possui ente ndimento reiterado de que a quantidade e a natureza dos entorpecentes encontrados, quando evidenciarem a maior reprovabilidade do fato, podem servir de fundamento para a prisão preventiva. A propósito: " .. 2. Em vista da natureza excepcional da prisão preventiva, somente se verifica a possibilidade da sua imposição quando evidenciado, de forma fundamentada e com base em dados concretos, o preenchimento dos pressupostos e requisitos previstos no art. 312 do Código de Processo Penal - CPP. Deve, ainda, ser mantida a prisão antecipada apenas quando não for possível a aplicação de medida cautelar diversa, nos termos previstos no art. 319 do CPP. No caso dos autos, a prisão preventiva foi adequadamente mantida na sentença, a qual indeferiu o direito de recorrer em liberdade com base em elementos concretos, a gravidade concreta da conduta e a periculosidade do agente, evidenciadas pela natureza e elevada quantidade das drogas apreendidas (177 porções de "cocaína", com peso de 40,36g e 01 uma porção de "maconha", com peso de 23,59g), o que denota a necessidade da prisão para resguardar a ordem pública, não havendo falar em existência de evidente flagrante ilegalidade. .. Habeas corpus não conhecido." (HC 393.308/SP, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 20/3/2018, DJe 6/4/2018). "HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTOS. GRAVIDADE CONCRETA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. PARECER ACOLHIDO. 1. A prisão preventiva constitui medida excepcional ao princípio da não culpabilidade, cabível, mediante decisão devidamente fundamentada e com base em dados concretos, quando evidenciada a existência de circunstâncias que demonstrem a necessidade da medida extrema, nos termos do art. 312 e seguintes do Código de Processo Penal. 2. No caso, a prisão cautelar foi decretada para a garantia da ordem pública, com base na gravidade concreta do delito, evidenciada pela quantidade e natureza da droga apreendida (170 invólucros plásticos, contendo cocaína, pesando 68,1 g e 20 invólucros plásticos contendo maconha, pesando 40,5 g), aliada às circunstâncias em que se deu a prisão em flagrante. 3. É consabido que eventuais condições subjetivas favoráveis ao paciente não são impeditivas à decretação da prisão cautelar, caso estejam presentes, como na hipótese, os requisitos autorizadores da referida segregação. 4. Ordem denegada." (HC 425.704/SP, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 27/2/2018, DJe 8/3/2018). Saliente-se que o Supremo Tribunal Federal já se manifestou no sentido de que "a custódia cautelar visando a garantia da ordem pública legitima-se quando evidenciada a necessidade de se interromper ou diminuir a atuação de integrantes de organização criminosa. Precedentes: HC 110.902, PRIMEIRA TURMA, de que fui Relator, DJe de 03.05.13; HC 118.228, SEGUNDA TURMA, Relator o Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, DJ de 19.11.13; HC117.746, PRIMEIRA TURMA, de que fui Relator, DJ de 21.10.13; RHC 116.946, PRIMEIRA TURMA, Relator o Ministro DIAS TOFFOLI, DJ de 04.10.13" (RHC 122182, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/08/2014). Sobre o tema, os seguintes precedentes: "PROCESSUAL PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. EXCESSO DE PRAZO. MATÉRIA NÃO ANALISADA NO TRIBUNAL A QUO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. ALEGAÇÃO DE SER USUÁRIO. INVIABILIDADE DE ANÁLISE NA VIA ELEITA. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. ALEGADA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO DECRETO PRISIONAL. SEGREGAÇÃO CAUTELAR DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA NA GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. RECURSO ORDINÁRIO DESPROVIDO. .. III - A segregação cautelar deve ser considerada exceção, já que tal medida constritiva só se justifica caso demonstrada sua real indispensabilidade para assegurar a ordem pública, a instrução criminal ou a aplicação da lei penal, ex vi do artigo 312 do Código de Processo Penal. IV - No caso, o decreto prisional encontra-se devidamente fundamentado em dados concretos extraídos dos autos, que evidenciam que a liberdade do ora recorrente acarretaria risco à ordem pública, notadamente se considerado que seria integrante de "uma sólida associação criminosa voltada ao tráfico de drogas na cidade de Pouso Alegre/MG, com ramificações em outras cidades do Sul de Minas Gerais". Tal circunstância, a meu ver, indica reprovabilidade da conduta, em tese, praticada e justifica a indispensabilidade da imposição da medida extrema. V - "A necessidade de se interromper ou diminuir a atuação de integrantes de organização criminosa, enquadra-se no conceito de garantia da ordem pública, constituindo fundamentação cautelar idônea e suficiente para a prisão preventiva" (HC n. 95.024/SP, Primeira Turma, Relª. Minª. Cármen Lúcia, DJe de 20/2/2009). VI - Condições pessoais favoráveis, tais como primariedade, ocupação lícita e residência fixa, não têm o condão de, por si sós, garantirem ao paciente a revogação da prisão preventiva se há nos autos elementos hábeis a recomendar a manutenção de sua custódia cautelar. Pela mesma razão, não há que se falar em possibilidade de aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, o que ocorre na hipótese. Recurso ordinário Desprovido" (RHC 95.938/MG, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 3/4/2018, DJe 11/4/2018). "PROCESSUAL PENAL E PENAL. HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. SUBSTITUIÇÃO POR PRISÃO DOMICILIAR. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. REVISÃO DE REGIME PRISIONAL E APLICAÇÃO DE DETRAÇÃO PENAL. APELAÇÃO PENDENTE DE JULGAMENTO. MANIFESTAÇÃO PREMATURA. NÃO CONHECIMENTO. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA. ILEGALIDADE. AUSÊNCIA. EXCESSO DE PRAZO PARA JULGAMENTO DE APELO CRIMINAL. NÃO IDENTIFICADO. HABEAS CORPUS CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, DENEGADO. .. 2. Apresentada fundamentação concreta para a decretação da prisão preventiva, evidenciada em associação criminosa, com diversos integrantes, posições definidas, ligação com organização criminosa denominada PCC, não há que se falar em ilegalidade do decreto de prisão preventiva. .. 4. Habeas corpus conhecido em parte e, nessa extensão, denegado." (HC 389.003/SP, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 16/05/2017, DJe 24/05/2017). Consigne-se, ainda, ser inviável a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas, pois a gravidade concreta da conduta delituosa indica que a ordem pública não estaria acautelada com a soltura da paciente. Sobre o tema: RHC 81.745/MG, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 01/06/2017, DJe 09/06/2017; RHC 82.978/MT, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA, julgado em 01/06/2017, DJe 09/06/2017; HC 394.432/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 01/06/2017, DJe 09/06/2017). Além disso, o fato de o agravante possuir condições pessoais favoráveis, por si só, não impede a decretação de sua prisão preventiva, consoante pacífico entendimento desta Corte: RHC 95.544/PA, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 22/3/2018, DJe 2/4/2018; e RHC 68.971/MG, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 26/9/2017, DJe 9/10/2017. Ademais, o argumento de desproporcionalidade da custódia cautelar à provável futura pena não comporta acolhimento, pois apenas a conclusão do processo será capaz de revelar se o acusado será beneficiado com a fixação de regime prisional diverso do fechado, sendo inviável essa discussão neste momento processual. Nessa linha: RHC 94.204/MG, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 10/4/2018, Dje 16/4/2018; e RHC 91.635/MG, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 20/3/2018, DJe 5/4/2018. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.