HC 985660 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque a matéria de fundo objeto do habeas corpus não foi apreciada na instância originária, de modo que o conhecimento pelo Superior Tribunal de Justiça implicaria indevida supressão de instância; além disso, não se verificou flagrante ilegalidade que autorizasse a concessão...
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- Parties
- Agravante: JONATHAN ANTUNES MARTINS DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Julgado Negado Provimento Pela Sexta Turma Em Sessão Virtual De 08/05/2025 a 14/05/2025
- Outcome
- Negado provimento ao agravo regimental
- Legal Topics
- Prisão Preventiva, Tráfico De Drogas, Supressão De Instância, Reiteração De Impetração
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Parties
JONATHAN ANTUNES MARTINS DA SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Habeas Corpus / Julgado Negado Provimento Pela Sexta Turma Em Sessão Virtual De 08/05/2025 a 14/05/2025
Legal Issues
- 1 Matéria de fundo não apreciada na instância originária (supressão de instância)
- 2 Possibilidade de conhecimento per saltum de habeas corpus
- 3 Legalidade da prisão preventiva decretada
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque a matéria de fundo objeto do habeas corpus não foi apreciada na instância originária, de modo que o conhecimento pelo Superior Tribunal de Justiça implicaria indevida supressão de instância; além disso, não se verificou flagrante ilegalidade que autorizasse a concessão da ordem de ofício, sendo a prisão preventiva fundamentada na garantia da ordem pública diante da reincidência e das circunstâncias descritas na sentença (uso de máquina de cartão, vultosa movimentação financeira e utilização de apetrechos).
Court Disposition
Negado provimento ao agravo regimental
Orders
- Negado provimento ao agravo regimental
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 08/05/2025 a 14/05/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz, Antonio Saldanha Palheiro e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PRISÃO PREVENTIVA. TRÁFICO DE DROGAS. MATÉRIA DE FUNDO NÃO APRECIADA NA INSTÂNCIA ORIGINÁRIA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. A matéria debatida no presente habeas corpus não foi objeto de apreciação na instância originária, como constou na decisão agravada. 2. Inexistindo no ato impugnado deliberação sobre a matéria de fundo, inviável o conhecimento do pedido, que não pode ocorrer em desacordo com o sistema de competências definido pela Constituição Federal. 3. Ao contrário do quanto alegado no recurso, o Tribunal de origem não examinou o mérito do habeas corpus, pois apenas manteve a decisão monocrática que deixou de conhecer o writ por se tratar de reiteração de impetração anterior. 4. Inexistência de flagrante ilegalidade que autorize a concessão da ordem de ofício, pois a prisão preventiva do agravante foi decretada para garantia da ordem pública, visto que é reincidente, bem como considerando as circunstâncias do crime de tráfico de drogas, que foi praticado com a utilização de máquina de cartão de crédito, vultosa movimentação financeira, além da utilização de diversos apetrechos na empreitada criminosa, como constou da sentença condenatória. 5. Agravo regimental improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por JONATHAN ANTUNES MARTINS DA SILVA contra a decisão que não conheceu do habeas corpus em face do não exame da questão discutida no ato objeto da impetração. A parte agravante aduz que o Tribunal de origem examinou a matéria "em decisão monocrática e em sessão com participação dos Desembargadores, devidamente apreciado, a qual contém 14 laudas, em voto 47789". É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PRISÃO PREVENTIVA. TRÁFICO DE DROGAS. MATÉRIA DE FUNDO NÃO APRECIADA NA INSTÂNCIA ORIGINÁRIA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. A matéria debatida no presente habeas corpus não foi objeto de apreciação na instância originária, como constou na decisão agravada. 2. Inexistindo no ato impugnado deliberação sobre a matéria de fundo, inviável o conhecimento do pedido, que não pode ocorrer em desacordo com o sistema de competências definido pela Constituição Federal. 3. Ao contrário do quanto alegado no recurso, o Tribunal de origem não examinou o mérito do habeas corpus, pois apenas manteve a decisão monocrática que deixou de conhecer o writ por se tratar de reiteração de impetração anterior. 4. Inexistência de flagrante ilegalidade que autorize a concessão da ordem de ofício, pois a prisão preventiva do agravante foi decretada para garantia da ordem pública, visto que é reincidente, bem como considerando as circunstâncias do crime de tráfico de drogas, que foi praticado com a utilização de máquina de cartão de crédito, vultosa movimentação financeira, além da utilização de diversos apetrechos na empreitada criminosa, como constou da sentença condenatória. 5. Agravo regimental improvido. VOTO Conforme consignado na decisão agravada, a impetração do habeas corpus envolve matéria de fundo não apreciada no ato judicial impugnado, o que impede o conhecimento do pedido pelo Superior Tribunal de Justiça, sob pena de indevida supressão de instância. Vale acrescentar que, ao contrário do quanto alegado no recurso, o Tribunal de origem não examinou o mérito do habeas corpus, pois apenas manteve a decisão monocrática que deixou de conhecer o writ por se tratar de reiteração de impetração anterior. A ausência de apreciação da questão pelo órgão colegiado inviabiliza o conhecimento do habeas corpus, nos termos da pacífica jurisprudência: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. PROVA DECLARADA NULA. NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE NOVA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO DE JULGAMENTO. IMPEDIMENTO DO JUÍZO DE PRIMEIRO GRAU E DESEMBARGADORES QUE ATUARAM ORIGINARIAMENTE NO FEITO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DE CONHECIMENTO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO VERIFICADO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O pleito defensivo relativo à declaração de impedimento dos julgadores não foi analisado pelas instâncias ordinárias, o que obsta a análise diretamente por este Tribunal Superior, sob pena de indevida supressão de instância, sendo certo que o incidente de impedimento ou suspeição deve ser requerido junto ao Juízo que conduzirá o processo, mediante demonstração do justo impedimento, a teor do disposto no Código de Processo Penal. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EDcl no HC n. 805.331/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 19/8/2024, DJe de 23/8/2024 - grifo próprio.) AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM HABEAS CORPUS. MATÉRIAS DEDUZIDAS NO WRIT QUE NÃO FORAM APRECIADAS PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PETIÇÃO INICIAL LIMINARMENTE INDEFERIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Não tendo sido abordada, pelo Tribunal de origem, a nulidade vergastada sob o ângulo pretendido na impetração, resta inviável seu conhecimento per saltum por esta Corte Superior. Supressão de instância inadmissível. 2. Precedentes de que, até mesmo as nulidades absolutas devem ser objeto de prévio exame na origem a fim de que possam inaugurar a instância extraordinária (AgRg no HC n. 395.493/SP, Sexta Turma, rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, DJe de 25/05/2017). 3. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EDcl no HC n. 906.517/SP, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo - Desembargador convocado do TJSP, Sexta Turma, julgado em 20/8/2024, DJe de 23/8/2024 - grifo próprio.) Não há, ademais, teratologia ou manifesta ilegalidade para justificar a concessão da ordem de ofício. Consoante se extrai dos autos, a prisão preventiva do agravante foi decretada para g arantia da ordem pública, visto que é reincidente, bem como considerando as circunstâncias do crime de tráfico de drogas, que foi praticado com a utilização de máquina de cartão de crédito, vultosa movimentação financeira, além da utiliza ção de diversos apetrechos na empreitada criminosa, como constou da sentença condenatória (fl. 56). Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto.