HC 1005547 - DECISAO
Não conheço do habeas corpus porque a impetração busca, em essência, a reapreciação de matéria fático-probatória e substituição de recurso próprio; ademais, não há ilegalidade flagrante a autorizar concessão de ofício, e a prisão preventiva foi suficientemente fundamentada pelas instâncias ordinárias com base na...
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- Parties
- Paciente: FABRÍCIO FLAUSINO BALBI; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS; Corréu: SAMUEL PIRES RODRIGUES; Corréu: LUIS HENRIQUE ARANTES LOURENÇO SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Não Conhecido
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Prisão Preventiva, Tráfico De Drogas, Medidas Cautelares, Garantia Da Ordem Pública, Habeas Corpus, Supressão De Instância
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Parties
FABRÍCIO FLAUSINO BALBI
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Autoridade Coatora
SAMUEL PIRES RODRIGUES
Corréu
LUIS HENRIQUE ARANTES LOURENÇO SANTOS
Corréu
Procedural Posture
Habeas Corpus / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Validade da prisão preventiva e suficiência da fundamentação
- 2 Aplicabilidade de medidas cautelares alternativas (art. 319 do CPP)
- 3 Possibilidade de utilização do habeas corpus como sucedâneo de recurso
Ratio Decidendi
Não conheço do habeas corpus porque a impetração busca, em essência, a reapreciação de matéria fático-probatória e substituição de recurso próprio; ademais, não há ilegalidade flagrante a autorizar concessão de ofício, e a prisão preventiva foi suficientemente fundamentada pelas instâncias ordinárias com base na gravidade concreta dos fatos (quantidade e diversidade de drogas, arma, balanças e dinheiro), justificando a necessidade de resguardar a ordem pública nos termos do art. 312 do CPP e da jurisprudência do STJ.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus
Orders
- Com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de FABRÍCIO FLAUSINO BALBI em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS. Consta dos autos que o paciente foi preso em flagrante em 16/1/2025, posteriormente convertida a custódia em preventiva, pela suposta prática da conduta descrita nos arts. 33 da Lei n. 11.343/2006 e 16 da Lei n. 10.826/2003. O impetrante sustenta que a segregação processual do paciente não apresenta fundamentação idônea e que não estão presentes os requisitos autorizadores da medida extrema, previstos no art. 312 do CPP. Aduz que a prisão preventiva foi decretada com base na gravidade abstrata do delito e na informação equivocada de que o paciente já respondia a outra ação penal pelo mesmo crime, o que não condiz com a realidade dos autos. Afirma que se encontra em idêntica situação fático-processual ao corréu Samuel Pires Rodrigues, beneficiado com a liberdade provisória. Alega que o Tribunal de origem agregou fundamentação à decisão de primeiro grau. Entende adequadas e suficientes as medidas cautelares alternativas positivadas no art. 319 do CPP, realçando os predicados pessoais favoráveis do paciente. Requer, liminarmente e no mérito, a concessão de liberdade ao paciente, com a expedição do alvará de soltura. É o relatório. O Superior Tribunal de Justiça entende ser inviável a utilização do habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio, previsto na legislação, impondo-se o não conhecimento da impetração. A esse respeito: AgRg no HC n. 933.316/MG, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 20/8/2024, DJe de 27/8/2024; e AgRg no HC n. 749.702/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 29/2/2024. Em atenção ao disposto no art. 647-A do CPP, verifico que o julgado impugnado não possui ilegalidade flagrante que permita a concessão da ordem de ofício, conforme se depreende da fundamentação a ser exposta a seguir. A prisão cautelar foi assim fundamentada (fl. 163 - grifei): No mais, em relação aos autuados Fabrício Flausino Balbi e Luiz Henrique Arantes Lourenço Santos, vejo que o APFD revelou prova da materialidade e indícios de autoria, considerando as declarações colhidas, inclusive de que Luiz Henrique foi visualizado pelos policiais arremessando a sacola e que Fabrício estava em poder de arma de fogo, balança e drogas, bem como o auto de apreensão, laudos periciais, tudo a revelar, em linha de princípio, a gravidade concreta dos fatos, tendo em vista a grande quantidade de drogas (9 barras de maconha, aproximadamente 6 kg) e variedade de substâncias entorpecentes apreendidas, balança de precisão e arma de fogo com numeração suprimida, o que afasta, em linha de princípio a figura do tráfico ocasional, deixando em evidência o risco à ordem pública, tudo a deixar patente que as medidas cautelares diversas da prisão se mostram insuficientes para o caso em questão, até porque os dois autuados estão respondendo a outros processos por tráfico de drogas, e mesmo assim se envolveram novamente em ocorrências policiais pelo mesmo delito. Importante ressaltar que o delito em apuração tem pena máxima superior a 04 anos, se mostrando presente também o requisito estabelecido no art. 313, I, do C. P. P. Quanto as considerações feitas pela Defesa entendo que não merecem prosperar nesse momento, com exceção do autuado Samuel, considerando as razões acima expostas, pelo que entendo que o pedido de liberdade provisória deve ser indeferido quanto aos autuados Luiz Henrique e Fabrício. O acórdão recorrido consignou ainda que (fl. 266): Durante a abordagem, relataram que possuíam armas e drogas na residência. Ao todo, foi apreendido 01 (um) revólver calibre .38 de numeração raspada, 05 (cinco) munições intactas, 09 (nove) barras de maconha, 05 (cinco) buchas de maconha, 11 (onze) pinos de cocaína, 01 (uma) pedra de crack, 02 (duas) balanças de precisão e R$304,00 (trezentos e quatro reais) em moeda nacional. Ademais, em exames preliminares de drogas de abuso (doc. 28/30;32), constatou-se que o paciente tinha em sua posse 5.946,6g (cinco quilogramas, novecentos e quarenta e seis gramas e sessenta centigramas) de maconha, 16g (dezesseis gramas) de crack e 8,9g (oito gramas e nove centigramas) de cocaína. Tudo isso, demonstra os indícios de autoria e materialidade por ora. Por outro lado, o periculum libertatis, como bem pontua o d. magistrado de piso, encontra respaldo na garantia de ordem pública, diante, sobretudo, da gravidade concreta da conduta, considerando a imensa quantidade e variedade de entorpecentes apreendidos, aliados à quantia em dinheiro e aos objetos comumente utilizados para porcionar a droga, o que evidencia, não apenas o suposto envolvimento do paciente na prática, mas também seu elevado grau de periculosidade. No caso, ao revés do que alega a defesa, não se observa acréscimo de fundamentação pelo Tribunal de origem, tampouco fundamentação genérica do decreto prisional. Verifica-se que a custódia cautelar está suficientemente fundamentada na necessidade de garantir a ordem pública, considerando a gravidade da conduta delituosa, pois, por ocasião da prisão em flagrante, foram apreendidos 5.946,6 g de maconha, 16 g de crack e 8,9 g de cocaína , bem como balança de precisão, arma de fogo com numeração suprimida, e munições. Tal entendimento está alinhado com a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, que reconhece que a quantidade, a natureza e a diversidade das substâncias entorpecentes apreendidas constituem fundamentos adequados para a decretação da prisão preventiva. No ponto: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. TRÁFICO DE DROGAS. NEGATIVA DE AUTORIA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA VIA ELEITA. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DOS FATOS. NECESSIDADE DE RESGUARDAR A ORDEM PÚBLICA. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A tese de negativa de autoria não comporta conhecimento, por demandar a reapreciação do conjunto fático-probatório dos autos, inadmissível na via do habeas corpus. Precedentes. 2. Hipótese em que a prisão preventiva foi adequadamente fundamentada a partir da análise particularizada da situação fática dos autos, tendo sido amparada na especial gravidade do delito, evidenciada a partir da quantidade de substância entorpecente apreendida, o que justifica a custódia cautelar, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, como forma de resguardar a ordem pública. 3. A suposta existência de condições pessoais favoráveis, por si só, não assegura a desconstituição da custódia antecipada, caso estejam presentes os requisitos autorizadores da custódia cautelar, como ocorre na hipótese em apreço. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 896.066/SP, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo - Desembargador convocado do TJSP, Sexta Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 27/6/2024 - grifei.) Além disso, eventuais condições pessoais favoráveis não garantem a revogação da prisão processual se estiverem presentes os requisitos da custódia cautelar, como no presente caso. No mesmo sentido: AgRg no HC n. 940.918/RS, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 7/10/2024, DJe de 10/10/2024; e AgRg no HC n. 917.903/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 23/9/2024, DJe de 30/9/2024. Ademais, havendo a indicação de fundamentos concretos para justificar a custódia cautelar, não se revela cabível a aplicação de medidas cautelares alternativas à prisão, visto que insuficientes para resguardar a ordem pública. A esse respeito: AgRg no HC n. 801.412/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 7/3/2023, DJe de 13/3/2023; AgRg no HC n. 771.854/ES, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 9/3/2023. Por outro lado, quanto à alegação de que faz jus à extensão do benefício concedido ao corréu, destaca-se que o Tribunal de origem não a examinou, circunstância que inviabiliza o exame da questão pelo Superior Tribunal de Justiça, sob pena de indevida supressão de instância. Não debatida a questão pela Corte de origem, é firme o entendimento de que "fica obstada sua análise a priori pelo Superior Tribunal de Justiça, sob pena de dupla e indevida supressão de instância, e violação dos princípios do duplo grau de jurisdição e devido processo legal" (RHC n. 126.604/MT, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 7/12/2020, DJe de 16/12/2020). Nesse sentido, destaca-se: PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. PRISÃO PREVENTIVA. ALEGADA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. NÃO CONFIGURADA. ART. 312 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. NECESSIDADE DE INTER ROMPER OU REDUZIR ATIVIDADE DE GRUPO CRIMINOSO. EXCESSO DE PRAZO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS. IRRELEVÂNCIA. MEDIDAS CAUTELARES MAIS BRANDAS. INSUFICIÊNCIA E INADEQUAÇÃO. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. A prisão preventiva foi ordenada e mantida pelas instâncias ordinárias, nos termos do art. 312 do Código de Processo Penal, notadamente para a garantia da ordem pública. 2. No caso, a periculosidade da paciente foi revelada em minuciosa investigação levada a efeito no âmbito da Operação ARAITAK, uma vez que integraria associação criminosa estruturalmente ordenada e com emprego de arma de fogo, ligada ao à facção KATIARA, voltada para a prática de tráfico de drogas e de armas em vários Municípios do Estado da Bahia, desempenhando a função de Olheira/Apoio Operacional, subordinada diretamente a gerente de pista, ficando responsável por informar sobre a movimentação de viaturas policiais e repassar informações sobre membros da facção rival, além de fornecer sua conta bancária para depósitos referentes à venda de drogas. 2. O alegado excesso de prazo para a formação da culpa não foi sequer apreciado pelo Tribunal estadual, o que impede o exame da matéria por esta Corte, sob pena de indevida supressão de instância. 3. Condições pessoais favoráveis não têm o condão de, isoladamente, desconstituir a prisão cautelar ou autorizar medidas cautelares alternativas quando há nos autos elementos hábeis que autorizam sua manutenção, como ocorre no caso. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 905.056/BA, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 5/8/2024, DJe de 23/8/2024 - grifei.) Em vista disso, "entende esta Corte que o porte de arma ou munição, no contexto de tráfico de drogas, poderá justificar a manutenção da prisão, por evidenciar a periculosidade do acusado e a necessidade da segregação como forma de acautelar a ordem pública. Sobre o tema: RHC n. 137.054/CE, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 20/4/2021, DJe 27/4/2021" (AgRg no HC n. 915.358/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato -Desembargador convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 16/8/2024). Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA