HC 941469 - ACORDAO
A manutenção da prisão preventiva foi considerada legal e adequadamente fundamentada porque o juízo de origem demonstrou a presença de indícios de autoria e prova da materialidade, bem como a periculosidade dos réus e a gravidade concreta dos crimes, mantendo inalterados os motivos que autorizaram a custódia...
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- Parties
- Agravante: MARCNEY MAURICIO GOMES PEREIRA; Co Réu: MATHEUS OLIVEIRA DE SOUZA; Ministério Público: Ministério Público
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgamento Colegiado Pela Sexta Turma Do STJ (sessão Virtual De 22/05/2025 a 28/05/2025)
- Outcome
- Agravo regimental improvido
- Legal Topics
- Prisão Preventiva, Sentença De Pronúncia, Habeas Corpus, Gravidade Concreta, Excesso De Prazo, Garantia Da Ordem Pública
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Parties
MARCNEY MAURICIO GOMES PEREIRA
Agravante
MATHEUS OLIVEIRA DE SOUZA
Co Réu
Ministério Público
Ministério Público
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgamento Colegiado Pela Sexta Turma Do STJ (sessão Virtual De 22/05/2025 a 28/05/2025)
Legal Issues
- 1 Legalidade da manutenção da prisão preventiva na sentença de pronúncia
- 2 Existência de fundamentação idônea para custódia cautelar
- 3 Presença dos requisitos do art. 312 do CPP (fumus commissi delicti e periculum libertatis)
Ratio Decidendi
A manutenção da prisão preventiva foi considerada legal e adequadamente fundamentada porque o juízo de origem demonstrou a presença de indícios de autoria e prova da materialidade, bem como a periculosidade dos réus e a gravidade concreta dos crimes, mantendo inalterados os motivos que autorizaram a custódia cautelar nos termos do art. 312 do CPP; não houve demonstração de constrangimento ilegal nem excesso de prazo capaz de justificar a revogação da prisão.
Court Disposition
Agravo regimental improvido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Manter a prisão preventiva do agravante
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 22/05/2025 a 28/05/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. DUPLO HOMICÍDIO. ROUBO MAJORADO. PRISÃO PREVENTIVA MANTIDA NA SENTENÇA DE PRONÚNCIA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA NÃO COMPROVADA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. A regra, em nosso ordenamento jurídico, é a liberdade. Assim, a prisão de natureza cautelar revela-se cabível tão somente quando, a par de indícios do cometimento do delito (fumus commissi delicti), estiver concretamente comprovada a existência do periculum libertatis, nos termos do art. 312 do Código de Processo Penal. 2. A prisão preventiva encontra-se devidamente motivada, pois destacou o magistrado a periculosidade dos réus e a ausência de alteração fática capaz de demonstrar a desnecessidade da custódia cautelar. 3. No mais, "a manutenção da custódia cautelar no momento da sentença de pronúncia, nos casos em que o Acusado permaneceu preso durante toda a instrução criminal, não requer fundamentação exaustiva, sendo suficiente o entendimento de que permanecem inalterados os motivos que levaram à decretação da medida extrema em um primeiro momento, desde que estejam, de fato, preenchidos os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo Penal" (AgRg no HC n. 775.947/MG, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 6/12/2022, DJe de 15/12/2022). 4. Agravo regimental improvido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO (Relator): Trata-se de agravo regimental interposto por MARCNEY MAURICIO GOMES PEREIRA contra a decisão de fls. 101-106 que denegou a ordem de habeas corpus. Aduz a defesa a ausência de fundamentação idônea na decisão que manteve a prisão preventiva do agravante, bem como que a decisão agravada enfrentou questões não suscitadas no writ, deixando de se manifestar sobre o argumento que baseou a impetração (e-STJ fl. 112). Busca a reconsideração da decisão para que seja revogada a prisão preventiva da parte agravante ou a submissão do recurso ao colegiado. É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. DUPLO HOMICÍDIO. ROUBO MAJORADO. PRISÃO PREVENTIVA MANTIDA NA SENTENÇA DE PRONÚNCIA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA NÃO COMPROVADA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. A regra, em nosso ordenamento jurídico, é a liberdade. Assim, a prisão de natureza cautelar revela-se cabível tão somente quando, a par de indícios do cometimento do delito (fumus commissi delicti), estiver concretamente comprovada a existência do periculum libertatis, nos termos do art. 312 do Código de Processo Penal. 2. A prisão preventiva encontra-se devidamente motivada, pois destacou o magistrado a periculosidade dos réus e a ausência de alteração fática capaz de demonstrar a desnecessidade da custódia cautelar. 3. No mais, "a manutenção da custódia cautelar no momento da sentença de pronúncia, nos casos em que o Acusado permaneceu preso durante toda a instrução criminal, não requer fundamentação exaustiva, sendo suficiente o entendimento de que permanecem inalterados os motivos que levaram à decretação da medida extrema em um primeiro momento, desde que estejam, de fato, preenchidos os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo Penal" (AgRg no HC n. 775.947/MG, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 6/12/2022, DJe de 15/12/2022). 4. Agravo regimental improvido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO ANTONIO SALDANHA PALHEIRO (Relator): A pretensão recursal não merece acolhimento, uma vez que os fundamentos apresentados no agravo regimental não evidenciam qualquer equívoco na decisão recorrida. Conforme consta da decisão agravada (e-STJ fls. 102-105): "Insta consignar que a regra, em nosso ordenamento jurídico, é a liberdade. Nesse contexto, a prisão de natureza cautelar revela-se cabível tão somente quando, a par de indícios do cometimento do delito (fumus commissi delicti), estiver concretamente comprovada a existência do periculum libertatis, nos termos do art. 312 do CPP. No caso, são estes os fundamentos invocados para a decretação da prisão preventiva (e-STJ fls. 64-69): "Em razão da suspeita de ser um dos autores do duplo homicídio praticado contra as vítimas PAULO DO NASCIMENTO SANTOS e ANNY BEATRIZ GONÇALVES SANTOS, ocorrido no dia 26/12/2020, fundamentando a necessidade de resguardar a ordem pública e evitar a reiteração delitiva. "Com relação aos "fundamentos" da prisão preventiva, além de haver registro de maus antecedentes dos agentes, a gravidade concreta do ato supostamente praticado pelos representados justifica a decretação da medida para a garantia da ordem pública e evitar a reiteração delitiva. Assim, além da existência de condições subjetivas desfavoráveis dos representados, a prisão preventiva pode e deve ser decretada, sobretudo se presentes, como ocorre in casu, os requisitos motivadores insertos no artigo 312 do Código de Processo Penal. Assim, mostra-se patente o perigo gerado pelo estado de liberdade dos representados, pois, segundo as investigações, são apontados como suspeitos de terem praticado homicídio qualificado, em via pública, contra 02 vítimas, crimes estes com características de execução, e visando assegurar o domínio do tráfico de entorpecentes na região. Diante dessas circunstâncias, entendo que a prisão cautelar é necessária para garantia de manutenção da ordem pública, constantemente abalada em razão da sensação de impunidade produzida pela soltura dos representados, pois, em liberdade, sentem-se estimulados a prosseguir em suas práticas delituosas. A prática de condutas graves como esta gera grande intranquilidade e revolta no seio da comunidade, e deve reclamar uma postura mais ativa do Estado para prevenir e reprimir tais delitos, de repercussão social negativa e que, portanto, devem ser submetidos a critérios mais rigorosos para impedir novas práticas delitivas dessa espécie." O Juízo Criminal prestou informações sobre o andamento processual: "Inicialmente, os réus MARKLEN MAURÍCIO GOMES PEREIRA e MATHEUS OLIVEIRA DE SOUZA tiveram suas prisões temporárias decretadas em 26/01/2022, nos autos do processo n.º 202121800507,em razão da suspeita da prática dos crimes tipificados no art. 121, §2º, incisos I e IV, do Código Penal (por duas vezes) e art. 157, §2º, inciso II, c/c §2º, inciso I, do Código Penal. O mandado de prisão do paciente foi cumprido em 16/02/2022. Em 16/03/2022 este juízo converteu a prisão temporária dos investigados em preventiva, em razão do preenchimento dos requisitos do art. 312 do CPP, conforme decisão exarada no processo n.º 202221800097. O Ministério Público ofereceu denúncia em 19/03/2022 imputando aos réus MARKLEN MAURÍCIO GOMES PEREIRA e MATHEUS OLIVEIRA DE SOUZA a prática do crime tipificado no art.121, §2º, incisos I e IV, do Código Penal (por duas vezes) e art. 157, §2º, inciso II, c/c §2º, inciso II, do Código Penal. Através de decisão de 23/03/2022, este juízo recebeu a denúncia e determinou a citação dos réus. O processo teve seu regular prosseguimento, com a realização de audiências de instrução em quatro oportunidades. Durante a tramitação do processo foram adotadas diversas diligências para a localização das testemunhas arroladas pelas partes, e nesse ínterim, este juízo analisou regularmente a necessidade de manutenção da custódia cautelar dos réus, em obediência ao art. 316, parágrafo único, do CPP, bem como nos pedidos de liberdade provisória formulados pela defesa, conforme decisões proferidas nos processos n.º2022218000681, 202321800657 e 202321800880. Finalizada a instrução e apresentadas as alegações finais pelas partes, em 04/07/2024 sobreveio decisão que pronunciou os réus e os submeteu a julgamento perante o tribunal do júri pela prática do crime previsto no art.121, §2º, incisos I e IV, do Código Penal (homicídio qualificado consumado), por 02 (duas)vezes, e art. 157, §2º, II e §2º-A, I, do Código Penal (roubo majorado), por 02 (duas) vezes, ambos praticados contra as vítimas PAULO DO NASCIMENTO SANTOS e ANNY BEATRIZ GONÇALVES. Na oportunidade, este juízo manteve a prisão preventiva dos réus, diante da inexistência de alteração no panorama fático que autorizou a decretação da custódia cautelar, permanecendo hígidos os requisitos autorizadores do art. 312 do CPP. A defesa do paciente interpôs recurso em sentido estrito em 09/07/2024. Recebido o recurso interposto e intimado o Ministério Público para apresentação de contrarrazões recursais, foi proferida decisão, nos termos do art. 589 do CPP, que manteve na íntegra a decisão de pronúncia. O processo encontra-se aguardando o julgamento do recurso em sentido estrito n.º 202400349942 para posterior prosseguimento nesta 1ª instância." Verifica-se que a prisão preventiva atende os requisitos do art. 312 do Código de Processo Penal, indicando a presença dos indícios de autoria e prova da materialidade, fundamentada na periculosidade do agente e a gravidade concreta do crime. O réu foi pronunciado em 04/07/2024, os autos estão aguardando o julgamento do recurso em sentido estrito n.º 202400349942 para posterior prosseguimento na 1ª instância. Nesse contexto, não vislumbro ilegalidade. Nesse mesmo sentido, guardadas as devidas peculiaridades: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO E OCULTAÇÃO DE CADÁVER. PRISÃO PREVENTIVA. RISCO CONCRETO DE REITERAÇÃO DELITIVA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. RÉU FORAGIDO. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS. INSUFICIÊNCIA, NA HIPÓTESE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Hipótese em que as instâncias ordinárias apresentaram fundamentação idônea para a imposição da prisão cautelar do agravante como forma de resguardar a ordem pública .. 2. Ademais, (a)s instâncias ordinárias classificaram o réu como foragido, o que reforça a necessidade da cautela para garantir a aplicação da lei penal (AgRg no HC n. 904.633/RJ, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 4/9/2024). 3. Tendo sido concretamente demonstrada a necessidade da prisão preventiva nos autos, não se mostra suficiente a aplicação de medidas cautelares mais brandas, nos termos do art. 282, inciso II, do Código de Processo Penal. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 952.172/PE, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, julgado em 12/2/2025, DJEN de 17/2/2025.) PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL RECURSO NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. MODUS OPERANDI. AGRAVANTE FORAGIDO. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. A prisão preventiva pode ser decretada antes do trânsito em julgado da sentença condenatória desde que estejam presentes os requisitos previstos no art. 312 do CPP. 2. No caso, a custódia cautelar está fundamentada na gravidade concreta do delito, tendo em vista a suposta prática de homicídio qualificado por motivo fútil, com recurso que dificultou a defesa da vítima. 3. Além disso, a prisão é necessária para garantir a aplicação da lei penal, considerando as informações de que o agravante teria fugido do local do crime e de que atualmente se encontra foragido. .. 6. Agravo regimental improvido. (AgRg no RHC n. 203.236/SP, relator Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em 12/2/2025, DJEN de 18/2/2025.) PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. CRIMES DE HOMICÍDIO DOLOSO QUALIFICADO, PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO E PORTE DE DROGAS PARA CONSUMO PESSOAL. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA NÃO VERIFICADA. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. RÉU FORAGIDO. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA E DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO VERIFICADO. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. .. 3. Para a decretação da prisão preventiva, é indispensável a demonstração da existência da prova da materialidade do crime e a presença de indícios suficientes da autoria. Exige-se, mesmo que a decisão esteja pautada em lastro probatório, que se ajuste às hipóteses excepcionais da norma em abstrato (art. 312 do CPP), demonstrada, ainda, a imprescindibilidade da medida. Julgados do STF e STJ. 4. No caso, a prisão preventiva foi mantida pelo Tribunal estadual por entender ser necessária a medida para garantir a ordem pública, para conveniência da instrução processual e assegurar a aplicação da lei penal, enfatizando que o acusado encontra-se foragido. Portanto, mostra-se legítimo, no caso, o decreto de prisão preventiva, uma vez ter demonstrado, com base em dados empíricos, ajustados aos requisitos do art. 312 do Código de Processo Penal. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no HC n. 971.169/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 11/2/2025, DJEN de 19/2/2025.) No mais, frise-se que as condições subjetivas favoráveis do acusado, por si sós, não impedem a prisão cautelar, caso se verifiquem presentes os requisitos legais para a decretação da segregação provisória. Ao ensejo: .. 2. Condições pessoais favoráveis do recorrente não têm, em princípio, o condão de, isoladamente, ensejar a revogação da prisão preventiva, se há nos autos elementos suficientes a demonstrar a necessidade da custódia cautelar. 3. Recurso em habeas corpus improvido. (RHC n. 64.879/SP, relator Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, DJe 21/3/2016.) Como bem salientou o r. do Ministério Público, " já foi prolatada sentença de pronúncia (04/07/2024), superando a alegação de excesso de prazo para instrução nos termos da súmula 21 do STJ; e, tampouco, se verifica inércia do Poder Judiciário, ante as peculiaridades mencionadas." Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PRISÃO PREVENTIVA. AGRAVANTE PRONUNICADO. ARTIGO 121, CAPUT, DO CÓDIGO PENAL . EXCESSO DE PRAZO PARA JULGAMENTO DO RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE DESÍDIA OU INÉRCIA DO TRIBUNAL. COMPLEXIDADE DO FEITO . INTERPOSIÇÃO DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO TAMBÉM PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. RECURSO CONCLUSO PARA JULGAMENTO. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. AGRAVO DESPROVIDO . 1. A Constituição Federal, no art. 5º, inciso LXXVIII, prescreve: a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. No entanto, essa garantia deve ser compatibilizada com outras de igual estatura constitucional, como o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório que, da mesma forma, precisam ser assegurados às partes no curso do processo . 2. O agravante foi preso preventivamente em 3/1/2023. A decisão de pronúncia foi prolatada em 21/8/2023. A defesa do acusado interpôs recurso em sentido estrito em 28/8/2023 . O Ministério Público também interpôs RESE, sendo as razões do parquet juntadas em 27/9/2023, pleiteando a pronúncia do agravante pela prática, em tese, do crime de Homicídio Qualificado, descrito no artigo 121, § 2º, inciso IV (recurso que dificultou a defesa do ofendido), por quatro vezes, na forma do artigo 70, caput, ambos do CP, bem como artigos 304 e 305, todos do CTB. As contrarrazões da defesa foram juntados aos autos, respectivamente, nas datas de 3/10/2023 e 10/10/2023. O parecer da PGJ de ambos os apelos foi emitido em 20/5/2024, encontrando-se o processo concluso para julgamento. 3 . Considerados os dados do processo, com sua excepcional complexidade, considerando, a interposição de Recurso em sentido estrito pela defesa e também pelo Ministério Público, ainda, a informação de que o recurso já se encontra concluso para julgamento, não vislumbro ofensa aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da Constituição Federal), o que afasta o acolhimento da tese defensiva de excesso de prazo. 4. Agravo regimental a que se nega provimento . (STJ - AgRg no HC: 924639 MT 2024/0231710-8, Relator.: Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Data de Julgamento: 07/10/2024, T5 - QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJe 14/10/2024) Ante todo o exposto, denego a ordem." Ademais, destaca-se que na sentença de pronúncia, o Juízo de piso manteve a prisão da seguinte forma (e-STJ fl. 51): VI - Da prisão preventiva/outras cautelares (art. 413, §3º, do CPP) Diante da ausência de alteração fática capaz de demonstrar a desnecessidade da custódia cautelar dos réus, MANTENHO a prisão preventiva decretada nos autos de n. 202221800097, pelos pressupostos e fundamentos anteriormente declinados, notadamente para assegurar a garantia da ordem pública, diante da periculosidade concreta dos réus. Portanto, embora de forma sucinta, a custódia preventiva encontra-se devidamente motivada, pois destacou o magistrado a periculosidade dos réus e a ausência de alteração fática capaz de demonstrar a desnecessidade da custódia cautelar. O exame dos excertos acima transcritos, contidos na sentença de pronúncia e no decreto de prisão preventiva, evidencia que o disposto no art. 387, § 1º, do CPP foi devidamente observado, pois foram indicados fundamentos concretos para a manutenção da prisão cautelar anteriormente imposta ao agente. Segundo o disposto no referido comando normativo, "o juiz decidirá, fundamentadamente, sobre a manutenção ou, se for o caso, a imposição de prisão preventiva ou de outra medida cautelar, sem prejuízo do conhecimento de apelação que vier a ser interposta". Além disso, vale lembrar que "a manutenção da custódia cautelar no momento da sentença de pronúncia, nos casos em que o Acusado permaneceu preso durante toda a instrução criminal, não requer fundamentação exaustiva, sendo suficiente o entendimento de que permanecem inalterados os motivos que levaram à decretação da medida extrema em um primeiro momento, desde que estejam, de fato, preenchidos os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo Penal" (AgRg no HC n. 775.947/MG, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 6/12/2022, DJe de 15/12/2022). A propósito: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO E FRAUDE PROCESSUAL. PARCIAL CONHECIMENTO. LEGALIDADE DA FUNDAMENTAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA, MANTIDA NA SENTENÇA DE PRONÚNCIA. SUPRESSÃO E INSTÂNCIAS. MATÉRIA NÃO CONHECIDA PELO TRIBUNAL LOCAL, POR REPRESENTAR REITERAÇÃO DE PEDIDO ANTERIOR. PRISÃO DOMICILIAR INDEFERIDA. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. PAI NÃO É O ÚNICO RESPONSÁVEL PELOS CUIDADOS DE FILHO MENOR. CRIME COMETIDO COM VIOLÊNCIA REAL. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. A defesa se insurge contra a decisão monocrática desta relatoria que não conheceu do habeas corpus mas afastou, de ofício, a existência constrangimento ilegal hábil a permitir a substituição da prisão preventiva do agravante por prisão domiciliar. 2. Recurso parcialmente conhecido. A questão da legalidade da fundamentação da prisão preventiva do agravante, mantida na sentença de pronúncia, não foi enfrentada pelo Tribunal de origem no acórdão impugnado e por isso esta matéria não foi revisada por esta Corte Superior. Registrou-se apenas excertos das decisões originárias e o entendimento de que "A manutenção da custódia cautelar no momento da sentença de pronúncia, nos casos em que o Acusado permaneceu preso durante toda a instrução criminal, não requer fundamentação exaustiva, sendo suficiente o entendimento de que permanecem inalterados os motivos que levaram à decretação da medida extrema em um primeiro momento, desde que estejam, de fato, preenchidos os requisitos legais do art. 312 do Código de Processo Penal" (AgRg no HC n. 775.947/MG, relatora Ministra LAURITA VAZ, Sexta Turma, julgado em 6/12/2022, DJe de 15/12/2022). 3. Prisão domiciliar de pai indeferida. Ausência dos requisitos legais. Embora se reconheça a relevância do pai na assistência aos filhos, no caso, agravante não é único responsável pelos cuidados da criança, como determina a lei. Sua filha é amparada pela mãe, pela avó materna, bem como pelo pai do agente. Ademais, se trata de crime cometido com violência real, circunstância que, em regra, afasta a possibilidade de concessão da prisão domiciliar. 4. Agravo regimental parcialmente conhecido e não provido. (AgRg no HC n. 875.911/BA, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024.) Grifo próprio. Ainda, frisa-se que, compulsando o recurso em sentido estrito, denota-se que foi julgado em 28.11.2024, mantendo a sentença de pronúncia e a prisão preventiva do agravante, cuja ementa segue abaixo: RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. CRIMES DE HOMICÍDIO QUALIFICADO (ART. 121, §2º, I E IV, DO CP - DUAS VEZES) E DE ROUBO QUALIFICADO (ART. 157, §2º, II, E §2º-A, I, DO CP - DUAS VEZES). PLEITO DE IMPRONÚNCIA. NÃO ACATADO. PROVA DA MATERIALIDADE E INDÍCIOS SUFICIENTES DE AUTORIA. DECISÃO NÃO LASTREADA EM ELEMENTOS COLHIDOS APENAS DURANTE O INQUÉRITO POLICIAL NEM EM TESTEMUNHOS INDIRETOS. CONTEXTO PROBATÓRIO A RESPEITO DA AUTORIA DELITIVA: DEPOIMENTOS JUDICIALIZADOS, RELATÓRIO TÉCNICO E INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA. PRONÚNCIA QUE SE IMPÕE EM NOME DO PRINCÍPIO IN DUBIO PRO SOCIETATE QUE VIGORA NESTA FASE PROCESSUAL. PRECEDENTES DESTA CORTE. PRISÃO PREVENTIVA. MANUTENÇÃO. REQUISITOS ANALISADOS RECENTEMENTE NOS AUTOS DO HC Nº 202400338823. DECISÃO MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. (Recurso em Sentido Estrito Nº 202400349942 Nº único: 0014197-50.2024.8.25.0000 - CÂMARA CRIMINAL, Tribunal de Justiça de Sergipe - Relator(a): Diógenes Barreto - Julgado em 28/11/2024) Portanto, inexiste demonstração de excesso de prazo, e o agravante não trouxe fundamentos aptos a reformar a decisão agravada, que se mantém por seus próprios fundamentos, sugerindo-se ao Juízo de origem apenas que designe a sessão plenária de júri para data próxima, caso não tenha feito, por se tratar de processo com réu preso. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É como voto. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO Relator