RHC 219356 - DECISAO
Negou-se provimento ao recurso ordinário porque a decretação da prisão preventiva estava adequadamente fundamentada nos elementos constantes dos autos — especialmente na possibilidade concreta de reiteração delitiva, na fuga/ocultação dos acusados e na conveniência da instrução e da aplicação da lei penal — e porque...
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- Parties
- Recorrente / Paciente: JOYCE KELLY DE ARAUJO ALMEIDA; Manifestante: Ministério Público Federal; Vítima: Daniela Regina Caparroz Camazano
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 August 2025
- Procedural Posture
- Recurso Ordinário Em Habeas Corpus / Decisão De Mérito (recurso Ordinário) Negado Provimento
- Outcome
- Recurso ordinário desprovido (nego provimento)
- Legal Topics
- Prisão Preventiva, Garantia Da Ordem Pública, Periculum Libertatis, Reiteração Delitiva, Excesso De Prazo, Medidas Cautelares Alternativas, Indícios De Autoria E Materialidade
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Parties
JOYCE KELLY DE ARAUJO ALMEIDA
Recorrente / Paciente
Ministério Público Federal
Manifestante
Daniela Regina Caparroz Camazano
Vítima
Procedural Posture
Recurso Ordinário Em Habeas Corpus / Decisão De Mérito (recurso Ordinário) Negado Provimento
Legal Issues
- 1 Legalidade e fundamentação da prisão preventiva
- 2 Caracterização do periculum libertatis por reiteração delitiva
- 3 Efeito da fuga/ocultação sobre excesso de prazo
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao recurso ordinário porque a decretação da prisão preventiva estava adequadamente fundamentada nos elementos constantes dos autos — especialmente na possibilidade concreta de reiteração delitiva, na fuga/ocultação dos acusados e na conveniência da instrução e da aplicação da lei penal — e porque a via estreita do habeas corpus não comporta o reexame aprofundado da prova. Ademais, a condição de foragido afasta a alegação de excesso de prazo na formação da culpa.
Court Disposition
Recurso ordinário desprovido (nego provimento)
Orders
- Negar provimento ao recurso ordinário em habeas corpus.
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso ordinário interposto por JOYCE KELLY DE ARAUJO ALMEIDA desafiando acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (HC n. 2085949-84.2025.8.26.0000). Depreende-se dos autos que a recorrente e o corréu estão sendo criminalmente processados como incursos no art. 168, § 1º, inciso III, c/c o art. 29, caput, e art. 71, caput, todos do Código Penal, por fato ocorrido entre o dia 31 de dezembro de 2021 e 4 de março de 2022. A autoridade policial, em 28 de setembro de 2023, representou pela decretação da prisão preventiva da paciente e do corréu. A custódia cautelar da recorrente foi decretada em 19 de dezembro de 2024. Nas razões do presente inconformismo, sustenta a defesa "que a prisão preventiva da recorrente estaria fundamentada na garantia da ordem pública e na necessidade de assegurar a aplicação da lei penal, com base na gravidade dos crimes imputados e na suposta evasão da recorrente do distrito da culpa. Contudo, tal fundamentação é genérica, abstrata e desprovida de elementos concretos que justifiquem a segregação" (e-STJ fl. 280). Salienta que, a "imputação de apropriação indébita qualificada carece de elementos concretos que demonstrem sua participação direta nos fatos, sendo a prisão fundamentada em meras suposições. Ademais, a alegação de reiteração criminosa é igualmente frágil, pois a menção a outras persecuções penais não foi acompanhada de condenações transitadas em julgado" (e-STJ fl. 281). Reverbera, outrossim, o excesso de prazo na formação da culpa. Pondera que "a demora injustificada na realização da audiência configura constrangimento ilegal, impondo-se a revogação da prisão preventiva ou, ao menos, a substituição por medidas cautelares alternativas" (e-STJ fl. 281). Diante dessas considerações, pede "pelo provimento do presente Recurso Ordinário em Habeas Corpus, a fim de que, em caráter liminar e urgente, determine-se a revogação da prisão preventiva decretada em desfavor de JOYCE KELLY DE ARAUJO ALMEIDA ou alternativamente a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares diversas e que se encontram previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal" (e-STJ fl. 284). O pedido liminar foi indeferido. Ouvido, o Ministério Público Federal manifestou-se pelo desprovimento do presente recurso ordinário. É o relatório. Decido. Há sempre de conter efetiva e concreta fundamentação o ato judicial que decreta a prisão, tais as disposições do nosso ordenamento jurídico. Com efeito, antes do trânsito em julgado da condenação, a prisão somente é cabível quando demonstrado o periculum libertatis, sendo vedado o recolhimento de alguém ao cárcere caso se mostrem inexistentes os pressupostos autorizadores da medida extrema, previstos na legislação processual penal. Ora, considerando-se que ninguém será preso senão por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, bem como que a fundamentação das decisões do Poder Judiciário é condição absoluta de sua validade (Constituição da República, art. 5º, inciso LXI, e art. 93, inciso IX, respectivamente), há de se exigir que o decreto de prisão preventiva venha sempre concretamente motivado, não fundado em meras conjecturas. A propósito do tema, a jurisprudência desta Casa, embora ainda um pouco oscilante, optou pelo entendimento de que o risco à ordem pública se constataria, em regra, pela reiteração delituosa ou pela gravidade concreta do fato. Nesse tear, parece-me importante relembrar que "o juízo sobre a gravidade genérica dos delitos imputados ao réu, a existência de indícios de autoria e materialidade do crime, a credibilidade do Poder Judiciário, bem como a intranquilidade social não constituem fundamentação idônea a autorizar a prisão para a garantia da ordem pública, se desvinculados de qualquer fato concreto, que não a própria conduta, em tese, delituosa" (HC n. 48.381/MG, relator Ministro Gilson Dipp, Quinta Turma, DJ 1º/8/2006, p. 470). Assim, demonstrada a gravidade concreta do crime praticado, revelada, na maioria das vezes, pelos meios de execução empregados, ou a contumácia delitiva do agente, a jurisprudência desta Casa autoriza a decretação ou a manutenção da segregação cautelar, dada a afronta às regras elementares de bom convívio social. Além disso, na apreciação das justificativas da custódia cautelar, "o mundo não pode ser colocado entre parênteses. O entendimento de que o fato criminoso em si não pode ser conhecido e valorado para a decretação ou a manutenção da prisão cautelar não é consentâneo com o próprio instituto da prisão preventiva, já que a imposição desta tem por pressuposto a presença de prova da materialidade do crime e de indícios de autoria. Assim, se as circunstâncias concretas da prática do crime indicam periculosidade, está justificada a decretação ou a manutenção da prisão para resguardar a ordem pública" (STF, HC n. 105.585, relatora Ministra Rosa Weber, Primeira Turma, julgado em 7/8/2012, DJe de 21/8/2012). À vista desse raciocínio e dos vetores interpretativos estabelecidos, passo à análise da legalidade da medida excepcional. A prisão preventiva foi decretada nos termos seguintes (e-STJ fl. 228): Os denunciados foram denunciados porque previamente ajustados, agindo com unidade de vontades, apropriaram-se, quatro vezes, da quantia de R$ 14.962,00,00 (quatorze mil e novecentos e sessenta e dois reais) relativo ao pagamento de caução no valor de R$ 7.500,00 (sete mil e quinhentos reais) e três alugueis, sendo dois no valor de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) e um no valor de R$ 2.462,00 (dois mil, quatrocentos e sessenta e dois reais), de que tinham a posse em razão do ofício, pertencentes, à Daniela Regina Caparroz Camazano. Os denunciados, como proprietários da denominada "Imobiliária Riqueza" firmaram contrato de administração de imóveis da vítima deixando de repassar valores que eram pagos pelo inquilino diretamente na conta da referida imobiliária. Ao que tudo indica, várias foram as tentativas de solução amigável pela vítima, porém sem resposta por parte dos denunciados, que se evadiram do distrito da culpa, sendo determinada, inclusive a citação por edital, de ambos. Além disso, mesmo após constituir defensor, ainda continuam se ocultando, com a intenção de não responder pela acusação, já que nos endereços informados, não foram localizados. Destaca-se que os comprovantes de endereços apresentados, além de distantes deste município, não são carreados de provas aptas a comprovar que residem no local, pois se encontram em nome de terceiros. A conduta dos denunciados revela comportamento desrespeitoso frente ao poder judiciário e demonstra a necessidade da prisão porque ostentam, ao que parece, conduta desregrada, logo, para a garantia da ordem pública devem ser afastados do convívio social. Para não influir na colheita da prova, também se justifica a prisão, ou seja, para a conveniência da instrução processual exige-se, também, o afastamento dos denunciados, evitando-se eventuais interferências no curso da ação penal. Por fim, porque necessária a aplicação futura da lei, devem ser detidos os acusados, já que demonstraram pretender não responder pela conduta em análise ao deixar o distrito da culpa. Depreende-se da leitura do decisum combatido que a decretação da prisão teve como fundamento a possibilidade concreta de reiteração delitiva. A propósito, destacaram as instâncias de origem "que a paciente se evadiu do distrito de culpa e mesmo após o fato gerador do presente feito, envolveu-se em outras persecuções penais também relativas ao crime de apropriação indébita qualificada" (e-STJ fl. 271). Dessa forma, justifica-se a imposição da prisão preventiva da agente pois, como sedimentado em farta jurisprudência desta Corte, maus antecedentes, reincidência, atos infracionais pretéritos ou até mesmo outras ações penais em curso justificam a imposição de segregação cautelar como forma de evitar a reiteração delitiva e, assim, garantir a ordem pública. Nesse sentido os seguintes precedentes desta Corte: RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. FURTO. PRISÃO PREVENTIVA. ART. 312 DO CPP. PERICULUM LIBERTATIS. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. MEDIDAS CAUTELARES DIVERSAS DA PRISÃO. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO NÃO PROVIDO. .. 4. A jurisprudência desta Corte de Justiça é firme ao asseverar que a existência de inquéritos, ações penais em curso ou condenações definitivas denotam o risco de reiteração delitiva e, assim, constituem também fundamentação idônea a justificar a segregação cautelar. 5. O Juízo de primeiro grau destacou que o recorrente registra em sua folha de antecedentes a prática de outros delitos, já havendo sido preso anteriormente, o que reforça a necessidade de sua prisão provisória. 6. Configurada a dedicação aparentemente habitual ao cometimento de crimes e o descumprimento de medida cautelar imposta em oportunidade pretérita, a substituição pleiteada pela defesa não constitui instrumento eficaz para obstar a reiteração delitiva, o que se mostra atingível apenas mediante a custódia preventiva do réu. .. (RHC n. 76.929/MG, relator Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 17/11/2016, DJe 29/11/2016, grifei.) HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ORDINÁRIO. INADMISSIBILIDADE. PRECEDENTES. TRÁFICO DE DROGAS, ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO, IMPEDIR/DIFICULTAR A REGENERAÇÃO NATURAL DE VEGETAÇÃO EM ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO E MUNIÇÕES. PRISÃO PREVENTIVA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. RISCO CONCRETO DE REITERAÇÃO DELITIVA. JUSTIFICATIVA IDÔNEA. PRECEDENTES. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. .. 2. As circunstâncias do flagrante indicam atuação intensiva no tráfico de drogas, em razão da quantidade de arbustos plantados para comercialização (25 mil pés de maconha), bem como a ousadia do paciente, que, segundo a acusação, cultivava a droga em área de preservação ambiental permanente. Além do entorpecente, foram apreendidas armas e munições. Ademais, há risco concreto de reiteração criminosa, diante dos maus antecedentes e da reincidência do acusado. .. (HC n. 389.098/SP, relator Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 23/5/2017, DJe 31/5/2017, grifei.) HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ORDINÁRIO. ESTELIONATO, EXTORSÃO E ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. PRISÃO PREVENTIVA DEVIDAMENTE JUSTIFICADA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. MODUS OPERANDI. RISCO CONCRETO DE REITERAÇÃO CRIMINOSA. EXCESSO DE PRAZO. INOCORRÊNCIA. AÇÃO PENAL COMPLEXA. DIVERSOS RÉUS. NECESSIDADE DE EXPEDIÇÃO DE CARTAS PRECATÓRIAS. IMPULSO REGULAR PELO MAGISTRADO CONDUTOR DO FEITO. HABEAS CORPUS NÃO CONHECIDO. .. 3. Na hipótese, havendo prova da materialidade do delito e indícios de autoria, justifica-se a prisão preventiva para garantia da ordem pública. A gravidade concreta das condutas imputadas e o modus operandi revelam articulada organização voltada para a prática de ilícitos contra o patrimônio. O paciente responde a 18 ações penais por crimes contra o patrimônio, cometidos em diversas comarcas do estado, havendo fortes elementos, portanto, de que o acusado fazia do crime um meio de vida. 4. Nos termos da jurisprudência desta Corte, a existência de ações penais em curso, ainda que sem o trânsito em julgado, pode autorizar a prisão preventiva para garantia da ordem pública, à luz das peculiaridades do caso concreto, consubstanciando forte indicativo de dedicação à atividades criminosas. .. (HC n. 364.847/RS, relator Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 18/10/2016, DJe 27/10/2016.) HABEAS CORPUS. IMPETRAÇÃO ORIGINÁRIA. SUBSTITUIÇÃO AO RECURSO ORDINÁRIO CABÍVEL. IMPOSSIBILIDADE. TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES. PRISÃO EM FLAGRANTE CONVERTIDA EM PREVENTIVA. SUPERVENIÊNCIA DE CONDENAÇÃO. NEGATIVA DO APELO EM LIBERDADE. MESMOS FUNDAMENTOS DO DECRETO PREVENTIVO. AUSÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE. SEGREGAÇÃO FUNDADA NO ART. 312 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. HISTÓRICO CRIMINAL DO AGENTE. ATOS INFRACIONAIS. FUNDADO RISCO DE REITERAÇÃO DELITIVA. CIRCUNSTÂNCIAS DO DELITO. RÉU QUE PERMANECEU CUSTODIADO DURANTE A INSTRUÇÃO PROCESSUAL. CONSTRIÇÃO JUSTIFICADA E NECESSÁRIA. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS. IRRELEVÂNCIA. COAÇÃO ILEGAL NÃO EVIDENCIADA. WRIT NÃO CONHECIDO. .. 4. O fato de o paciente possuir anotações anteriores pela prática de atos infracionais, inclusive por delito análogo ao tráfico de entorpecentes, é circunstância que revela a sua periculosidade social e a sua inclinação à prática de crimes, demonstrando a real possibilidade de que, solto, volte a delinquir. .. (HC n. 442.874/SP, relator Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 26/6/2018, DJe 1º/8/2018.) RECURSO EM HABEAS CORPUS. ROUBO CIRCUNSTANCIADO PELO EMPREGO DE ARMA E PELO CONCURSO DE AGENTES E CORRUPÇÃO DE MENORES. ART. 312 DO CPP. PERICULUM LIBERTATIS. RISCO DE REITERAÇÃO DELITIVA. REGISTRO DE CRIMES E ANOTAÇÕES DE ATOS INFRACIONAIS. CRITÉRIOS ADOTADOS NO RHC N. 63.855/MG. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. RECURSO NÃO PROVIDO. .. 3. Consoante entendimento firmado pela 3ª Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do RHC n. 63.855/MG, não constitui constrangimento ilegal a manutenção da custódia ante tempus com fulcro em anotações registradas durante a menoridade do agente se a prática de atos infracionais graves, reconhecidos judicialmente e que não distam da conduta em apuração, é apta a demonstrar a periculosidade do custodiado. 4. Recurso não provido. (RHC n. 76.801/MG, relator Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 17/11/2016, DJe 29/11/2016, grifei.) De mais a mais, o ora paciente empreendeu fuga após o delito, permanecendo foragida até os dias atuais. Diante desse contexto, justificada está a necessidade de segregação cautelar também para garantir a aplicação da lei penal e a instrução criminal. Nesse mesmo sentido, os seguintes precedentes desta Corte: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. CUSTÓDIA PREVENTIVA. EXPRESSIVA QUANTIDADE DE DROGA. RÉU FORAGIDO POR DEZ ANOS. ATUALIDADE DA ORDEM DE PRISÃO. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. A decisão impugnada está devidamente motivada nos termos do art. 312 do Código de Processo Penal, na medida em que foi destacada a necessidade de se assegurar a ordem pública, a conveniência da instrução criminal e a aplicação da lei penal, pois, além da gravidade do fato apurado (apreensão de 22 quilos de maconha), o paciente está foragido há mais de 10 anos, desde a decretação da prisão cautelar. .. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 653.295/PR, relator Ministro RIBEIRO DANTAS, QUINTA TURMA, julgado em 27/4/2021, DJe 30/4/2021.) PROCESSO PENAL. RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO. ASSOCIAÇÃO CRIMINOSA ARMADA. PRISÃO PREVENTIVA. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. GRAVIDADE CONCRETA. MODUS OPERANDI. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ARMADA. RECORRENTE QUE PERMANECEU FORAGIDO POR 4 ANOS. REITERAÇÃO DELITIVA. .. 4. A prisão preventiva encontra-se justificada para assegurar a aplicação da lei penal e garantir a instrução criminal em razão de o recorrente ter permanecido foragido durante 4 anos, tendo o feito sido desmembrado devido a isso, além de haver faltado à audiência mesmo devidamente intimado. .. 7. Recurso ordinário desprovido. (RHC n. 90.363/MG, de minha relatoria, SEXTA TURMA, julgado em 13/8/2019, DJe 23/8/2019.) No que se refere à alegação de ausência de indícios de autoria, cumpre esclarecer que a via estreita do habeas corpus (e do seu recurso ordinário) não comporta o "exame da veracidade do suporte probatório que embasou o decreto de prisão preventiva. Isso porque, além de demandar o reexame de fatos, é suficiente para o juízo cautelar a verossimilhança das alegações, e não o juízo de certeza, próprio da sentença condenatória" (STF, RHC n. 123.812, relator Ministro Teori Zavascki, Segunda Turma, DJe de 20/10/2014). Nesse sentido: PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO TENTADO E FURTO QUALIFICADO. CÓDIGO PENAL. PRISÃO CAUTELAR. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS DE AUTORIA E MATERIALIDADE. ANÁLISE FÁTICO-PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. PERICULUM LIBERTATIS. REITERAÇÃO DELITIVA. GRAVIDADE CONCRETA. PERICULOSIDADE. MOTIVAÇÃO IDÔNEA. OCORRÊNCIA. PROBLEMAS DE SAÚDE. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA GRAVIDADE E DA AUSÊNCIA DE ESTRUTURA NO ESTABELECIMENTO PRISIONAL. ORDEM DENEGADA. 1. A aferição da existência de indícios de autoria e materialidade delitiva demanda revolvimento fático-probatório, não condizente com a angusta via do writ, devendo ser a questão dirimida no trâmite da instrução criminal. .. 4. Ordem denegada. (HC n. 380.198/DF, relatora Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em 16/2/2017, DJe 24/2/2017.) HABEAS CORPUS SUBSTITUTO DE RECURSO PRÓPRIO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES. ALEGAÇÃO DE INOCÊNCIA. NÃO CABIMENTO. PRISÃO PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. COAÇÃO ILEGAL NÃO DEMONSTRADA. .. 2. A alegação de ausência de provas da autoria configura tese de inocência, que não encontra espaço para análise na estreita via do habeas corpus, uma vez que demanda o exame do contexto fático-probatório. Precedentes. .. 5. Habeas corpus não conhecido. (HC n. 315.877/SP, relator Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 15/3/2016, DJe 28/3/2016.) Por derradeiro, rememoro que "a fuga do paciente constitui obstáculo ao reconhecimento de constrangimento ilegal por excesso de prazo. Nesse sentido: "Estando o acusado foragido desde o início da ação penal, não há que se falar em constrangimento ilegal por excesso de prazo, pois esta Corte Superior de Justiça possui entendimento de que tal condição afasta a aludida coação" (AgRg no RHC n. 181.862/MG, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 14/8/2023, DJe de 18/8/2023)" (AgRg no HC n. 917.881/MT, relator Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, DJEN de 2/12/2024). No mesmo caminhar, o parecer do Ministério Público Federal: Melhor sorte não socorre a defesa no que tange à tese de excesso de prazo para a formação da culpa. É que, como bem consignado no acórdão objurgado, "não se demonstrou, de plano, como era de rigor, dadas as especificidades e limites desta via jurisdicional, qualquer irregularidade concreta do desenvolvimento da persecução penal, ou desídia por parte da Digna Autoridade Judiciária apontada como coatora, de modo a ensejar a caracterização de indevido excesso de prazo para o encerramento da instrução processual." (fls. 269/270). Corroboram tal entendimento as informações prestadas pelo juízo da 4ª Vara Criminal de São José do Rio Preto, segundo o qual "a denúncia foi recebida em 28/11/2023 (fls. 104/105) e os réus compareceram espontaneamente ao feito e apresentaram respostas escritas à acusação, por intermédio de advogados constituídos (fls. 133/139 e 165/169), ratificando-se o recebimento da denúncia e designando-se o dia 26/09/2025 para realização da audiência de instrução e julgamento (fls. 195/195). Após pedido do representante do parquet (fls. 131/132), decretou-se a prisão preventiva dos acusados com fundamento na garantia da ordem pública, da conveniência da instrução processual e da aplicação da lei penal, notadamente por não se ter notícia nos autos do endereço onde possam a paciente e seu corréu serem encontrados (fls. 221/222)" (fl. 315). De todo modo, somente a título de argumentação, urge consignar que o excesso de prazo não resulta de um critério aritmético, mas de uma aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo abusivo e injustificado na prestação jurisdicional. Registre-se que o Superior Tribunal de Justiça apregoa a imprescindibilidade de se raciocinar com o juízo de razoabilidade na avaliação do tema em voga, o que, na espécie, foi levado a efeito pelos juízos de primeiro e de segundo graus, ex vi das seguintes ementas .. . Ante o exposto, nego provimento ao recurso ordinário. Publique-se. Intimem-se. EMENTA