HC 1008512 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido porque a matéria não havia sido examinada pelo Tribunal de origem e não se demonstrou flagrante ilegalidade capaz de permitir a superação da Súmula 691 do STF; assim, manteve-se o óbice processual e indeferiu-se liminarmente o pedido com fundamento no RISTJ.
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- Parties
- Paciente: MARCIO ALECIO DE ANDRADE; Ator Do Ato Coator: Desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 June 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida (decisão Monocrática)
- Outcome
- Liminar indeferida
- Legal Topics
- Prisão Temporária, Habeas Corpus, Súmula 691 STF
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Parties
MARCIO ALECIO DE ANDRADE
Paciente
Desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ
Ator Do Ato Coator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida (decisão Monocrática)
Legal Issues
- 1 legalidade da prisão temporária
- 2 requisitos da Lei n. 7.960/1989 para prisão temporária
- 3 competência para conhecer habeas corpus contra indeferimento de liminar
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido porque a matéria não havia sido examinada pelo Tribunal de origem e não se demonstrou flagrante ilegalidade capaz de permitir a superação da Súmula 691 do STF; assim, manteve-se o óbice processual e indeferiu-se liminarmente o pedido com fundamento no RISTJ.
Court Disposition
Liminar indeferida
Orders
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus
- Cientifique-se o Ministério Público Federal
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de MARCIO ALECIO DE ANDRADE em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de Desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ que indeferiu o pedido de liminar formulado no HC n. 0625296-59.2025.8.06.0000. Consta dos autos a prisão temporária do paciente decorrente de suposta prática do delito capitulado no art. 121, §2º, IV do Código Penal. Em suas razões, sustenta a impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto a segregação processual do paciente encontra-se despida de fundamentação idônea. Alega que não estão presentes os requisitos autorizadores da prisão temporária, previstos na Lei n. 7.960/1989. Aduz que "a manutenção da prisão temporária do paciente configura flagrante ilegalidade, seja pela decretação inicial por prazo superior ao legalmente permitido para o crime imputado na própria decisão, seja pela ausência de fundamentação idônea para a prorrogação da custódia" (fl. 4). Afirma que "a prisão temporária foi decretada pelo prazo inicial de 30 (trinta) dias, a despeito de o crime, conforme fundamentado na própria decisão, ser o de homicídio simples (art. 121, caput, CP), o qual não se encontra no rol de crimes hediondos, cujo prazo máximo seria de 5 (cinco) dias, prorrogável por igual período (total 10 dias), nos termos do art. 2º, caput, da Lei nº 7.960/89" (fl. 3). Pondera que "a ausência de reconhecimento de crime hediondo na manifestação judicial atinente ao f umus comissi delicti e a fixação de prisão temporária com base nos prazos da Lei nº 8.072/1990 trata-se de erro grosseiro e ilegalidade manifesta, que vicia a prisão, inclusive, porque o seu cumprimento já supera 50 (cinquenta) dias, configurando constrangimento ilegal insanável" (fl. 7). Pontua que o paciente possui predicados pessoais favoráveis e que foi desconsiderado o disposto no art. 282, § 6º, do CPP, tendo em vista que deixaram de ser explicitados os motivos que levaram à não aplicação das medidas cautelares alternativas à prisão, as quais se revelam adequadas e suficientes para o caso concreto. Requer, assim, liminarmente e no mérito, o relaxamento da prisão cautelar ou sua revogação, ainda que mediante a aplicação de medidas cautelares alternativas não prisionais. É o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo Tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes julgados: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 16.11.2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 27.9.2022.) In casu, não vislumbro manifesta ilegalidade a autorizar que se excepcione a aplicação do referido verbete sumular, porquanto, ao menos em uma análise perfunctória, as decisões de origem não se revelam teratológicas. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA