HC 954581 - ACORDAO
A alteração trazida pela Lei n. 14.843/2024 que passou a exigir exame criminológico constitui novatio legis in pejus e, portanto, não é aplicável retroativamente às condenações por crimes cometidos antes de sua vigência; ademais, mesmo sob a redação anterior, a determinação do exame só é admissível de forma excepcional e mediante fundamentação que aponte elementos concretos e recentes do curso da execução, o que não ocorreu no caso, pois o Tribunal de origem fundamentou a exigência apenas na lei posterior e na gravidade abstrata dos crimes, configurando constrangimento ilegal, motivo pelo qual restabeleceu-se a decisão de primeiro grau que deferiu a progressão de regime.
- Parties
- Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO; Paciente: JOSÉ EDUARDO ALVES DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgamento Colegiado Na Sexta Turma (decisão De Negar Provimento Ao Agravo Regimental)
- Outcome
- Agrav o regimental desprovido; negar provimento ao recurso do Ministério Público do Estado de São Paulo
- Legal Topics
- Progressão De Regime, Exame Criminológico, Novatio Legis in Pejus, Irretroatividade
Case Brief
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
Agravante
JOSÉ EDUARDO ALVES DA SILVA
Paciente
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Julgamento Colegiado Na Sexta Turma (decisão De Negar Provimento Ao Agravo Regimental)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade retroativa da Lei n. 14.843/2024 ao processo de execução penal
- 2 Obrigatoriedade ou necessidade do exame criminológico para concessão de progressão de regime
- 3 Fundamentação suficiente para determinar exame criminológico baseada apenas na gravidade abstrata do delito
Ratio Decidendi
A alteração trazida pela Lei n. 14.843/2024 que passou a exigir exame criminológico constitui novatio legis in pejus e, portanto, não é aplicável retroativamente às condenações por crimes cometidos antes de sua vigência; ademais, mesmo sob a redação anterior, a determinação do exame só é admissível de forma excepcional e mediante fundamentação que aponte elementos concretos e recentes do curso da execução, o que não ocorreu no caso, pois o Tribunal de origem fundamentou a exigência apenas na lei posterior e na gravidade abstrata dos crimes, configurando constrangimento ilegal, motivo pelo qual restabeleceu-se a decisão de primeiro grau que deferiu a progressão de regime.
Court Disposition
Agrav o regimental desprovido; negar provimento ao recurso do Ministério Público do Estado de São Paulo
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental interposto pelo Ministério Público do Estado de São Paulo
- Restabelecer a decisão do Juízo da execução que deferiu a progressão de regime do paciente (promoção ao regime semiaberto)
Full Case Text
Judgment text and source record
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