AREsp 2972229 - DECISAO
A Lei n. 14.843/2024 instituiu a obrigatoriedade do exame criminológico, mas sendo norma de natureza mista/híbrida (processual penal material) que afeta o status libertatis, sua aplicação retroativa configuraria novatio legis in pejus vedada pela CF; assim, a obrigatoriedade do exame aplica‑se apenas a fatos posteriores à vigência da lei e, para fatos anteriores, a imposição do exame exige decisão fundamentada em elementos concretos, não se podendo exigir o exame com base apenas na gravidade abstrata do delito; por esse motivo, negou‑se provimento ao agravo do Ministério Público e manteve‑se a progressão de regime sem a realização do exame.
- Parties
- Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS - MPMG; Agravado: Fernando Junio Anastacio Ribeiro
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento E Julgamento Do Agravo Em Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e nego-lhe provimento
- Legal Topics
- Progressão De Regime, Exame Criminológico, Retroatividade, Novatio Legis in Pejus, Fundamentação Da Decisão, Súmula 439 STJ, Súmula 568 STJ
Case Brief
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS - MPMG
Agravante
Fernando Junio Anastacio Ribeiro
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento E Julgamento Do Agravo Em Recurso Especial
Legal Issues
- 1 É aplicável retroativamente a exigência de exame criminológico introduzida pela Lei n. 14.843/2024?
- 2 A gravidade abstrata dos crimes justifica, por si só, a realização do exame criminológico?
- 3 Houve violação ao art. 112 da LEP e ao art. 2º do CPP?
Ratio Decidendi
A Lei n. 14.843/2024 instituiu a obrigatoriedade do exame criminológico, mas sendo norma de natureza mista/híbrida (processual penal material) que afeta o status libertatis, sua aplicação retroativa configuraria novatio legis in pejus vedada pela CF; assim, a obrigatoriedade do exame aplica‑se apenas a fatos posteriores à vigência da lei e, para fatos anteriores, a imposição do exame exige decisão fundamentada em elementos concretos, não se podendo exigir o exame com base apenas na gravidade abstrata do delito; por esse motivo, negou‑se provimento ao agravo do Ministério Público e manteve‑se a progressão de regime sem a realização do exame.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego-lhe provimento
Orders
- Conheço do agravo para conhecer do recurso especial e, com fundamento na Súmula n. 568 do STJ, negar-lhe provimento.
- Publique-se.
Full Case Text
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