Rcl 42346 - DECISAO
Não conhecer da Reclamação por ausência das hipóteses autorizadoras do art. 988 do CPC/2015 e por inadequação da via reclamacional contra acórdão envolvendo interesse da Fazenda Pública no âmbito do Juizado Especial da Fazenda Pública Estadual, haja vista a existência de procedimento próprio previsto na Lei...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 October 2021
- Procedural Posture
- Reclamação / Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço da Reclamação.
- Legal Topics
- Reclamação, Competência Do STJ, Juizado Especial Da Fazenda Pública, Sucedâneo Recursal
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Procedural Posture
Reclamação / Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Cabimento da Reclamação nos termos do art. 105, I, f da CF e art. 988 do CPC/2015
- 2 Cabimento de Reclamação contra acórdão do Juizado Especial da Fazenda Pública Estadual envolvendo interesse da Fazenda Pública
- 3 Utilização da Reclamação como sucedâneo recursal
Ratio Decidendi
Não conhecer da Reclamação por ausência das hipóteses autorizadoras do art. 988 do CPC/2015 e por inadequação da via reclamacional contra acórdão envolvendo interesse da Fazenda Pública no âmbito do Juizado Especial da Fazenda Pública Estadual, haja vista a existência de procedimento próprio previsto na Lei 12.153/2009, e por insuficiência de argumentos para desconstituir a decisão atacada.
Court Disposition
Não conheço da Reclamação.
Orders
- Não conheço da Reclamação.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Reclamação ajuizada com base no art. 105, I, "f", da CF/1988 c/c art. 988, IV, do CPC/2015 contra acórdão da 2ª Turma Recursal Mista das Turmas Recursais do Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso do Sul assim ementado: RECURSO INOMINADO - AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER C/C COBRANÇA - AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE - PRETENSÃO DE PERCEBIMENTO DE INCENTIVO ADICIONAL FEDERAL - VERBA DEVIDA A PARTIR DA LEI N. 12.994/14 - SENTENÇA MANTIDA - RECURSO IMPROVIDO. Conforme previsão expressa do ato normativo regulamentador, o incentivo adicional é vinculado à atuação dos Agentes Comunitários de Saúde, representando uma parcela a ser paga diretamente ao servidor público, após efetivo repasse do Ministério da Saúde para o respectivo Fundo Municipal de Saúde. Em que pese a Portaria nº 674/2003 ter sido revogada pela Portaria nº 648/2006, também revogada através da edição da Portaria nº 2.488, de 21 de outubro de 2011, é certo que o pagamento do adicional manteve-se, uma vez que teve continuidade o respectivo repasse de verbas pelo Ministério da Saúde para tal fim, apenas com a manutenção de seus valores. Assim, posteriormente, a Lei nº 12.994/2014, alterando a Lei nº 11.350/2006, instituiu o piso salarial profissional nacional e as diretrizes para o plano de carreira dos Agentes Comunitários de Saúde e dos Agentes de Combate às Endemias, prevendo em seus artigos 9º-C e 9º-D, o incentivo financeiro. No caso, restou demonstrado nos autos que a autora é funcionária pública municipal, e que exerce a função de Agente Comunitária, portanto, faz jus ao recebimento ao incentivo pleiteado, observado o prazo prescricional disposto na sentença. Recurso conhecido e, no mérito, improvido. Em síntese, limitou-se a afirmar queo acórdão suprarreferidocontraria entendimento consolidado pelos demais Tribunais de Justiça e a transcrever ementas de julgados do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins. As ementas transcritas, consignam que o benefício de incentivo financeiro adicional, previsto na Portaria 1.350/2002 do Ministério da Saúde, destina-se à promoção e incremento de atividades relacionadas à área de saúde do Município, não constituindo verba remuneratória aos agentes comunitários de saúde, que somente podem ser instituídas por meio de lei específica, na forma dos art. 37, X, e 61, § 1º, "c", da Constituição Federal. É o relatório. Decido. Na hipótese dos autos não estão presentes as hipótese que autorizam a a propositura de Reclamação descritas no art. 988 do CPC/2015. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que Reclamação visa,nos termos do art. 105, I, f da CF,garantir a autoridade das decisões do STJ, no próprio caso concreto, no qual o reclamante tenha figurado como parte, ou à preservação de sua competência, não servindo como sucedâneo recursal. Além disso, o STJ entende que, noâmbito do Juizado Especial da Fazenda Pública Estadual, em se tratando de acórdão envolvendo interesse da Fazenda Pública, não é cabível o ajuizamento da Reclamação, pois a Lei 12.153/2009 prevê procedimento específico. Nesse sentido: PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. JUIZADO ESPECIAL.FAZENDA PÚBLICA. DESCABIMENTO. MECANISMO PRÓPRIO DE UNIFORMIZAÇÃO.QUESTÃO DE DIREITO PROCESSUAL. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "No âmbito do Juizado Especial da Fazenda Pública Estadual, em se tratando de acórdão envolvendo interesse da Fazenda Pública, não é cabível o ajuizamento da Reclamação, porquanto a Lei n. 12.153/09 prevê procedimento específico". (AgInt na Rcl 40.272/AC, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 20/10/2020, DJe 23/10/2020). 2. No caso, ainda que superado o referido óbice, tem-se que o reclamante veicula pretensão uniformizadora sobre questão de índole processual - deserção recursal - o que não encontra guarida no regime legal dos juizados especiais. 3. A autorização do cabimento excepcional da reclamação pelo STF, no julgamento do RE 571.572 ED/BA, enquanto não instituídas as turmas de uniformização dos juizados especiais cíveis estaduais, não tem o condão de instituir um incidente processual mais amplo do que o previsto na lei de regência, devendo prevalecer o disposto no art. 14 da Lei 12.259/01, o qual restringe o cabimento do pedido de uniformização de lei às questões de direito material. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt nos EDcl na Rcl 41.421/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 18/08/2021, DJe 23/08/2021) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. RECLAMAÇÃO. ART. 105, I, F, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. ART. 988 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. INCIDENTE PROCESSUAL DESTINADO À PRESERVAÇÃO DA COMPETÊNCIA DESTE SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E GARANTIR A AUTORIDADE DE SUAS DECISÕES. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. ACÓRDÃO ENVOLVENDO INTERESSE DA FAZENDA PÚBLICA. JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA. NÃO CABIMENTO. PROCEDIMENTO ESPECÍFICO.SUCEDÂNEO RECURSAL. INVIABILIDADE. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - A Reclamação, prevista no art. 105, I, f, da Constituição da República, bem como no art. 988 do Código de Processo Civil de 2015 (redação da Lei n. 13.256/2016), constitui incidente processual destinado à preservação da competência deste Superior Tribunal de Justiça (inciso I), a garantir a autoridade de suas decisões (inciso II) e à observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência (inciso IV e § 4º). III - No âmbito do Juizado Especial da Fazenda Pública Estadual, em se tratando de acórdão envolvendo interesse da Fazenda Pública, não é cabível o ajuizamento da Reclamação, porquanto a Lei n. 12.153/09 prevê procedimento específico. IV - A Reclamação, a teor do art. 105, I, f da Constituição da República, destina-se a garantir a autoridade das decisões desta Corte, no próprio caso concreto, em que o Reclamante tenha figurado como parte, ou à preservação de sua competência, não servindo como sucedâneo recursal. Precedentes. VI - Não apresentação de argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VII - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. VIII - Agravo Interno improvido. (AgInt na Rcl 40.272/AC, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 20/10/2020, DJe 23/10/2020) Ante o exposto, não conheço da Reclamação. Publique-se. Intimem-se.