AREsp 2701937 - ACORDAO
Os embargos de declaração foram rejeitados porque não indicaram qualquer omissão, obscuridade, contradição ou erro material nos termos do art. 1.022 do CPC/2015 e buscavam, na prática, o reexame do julgado ou mero prequestionamento. Além disso, o agravo em recurso especial não foi conhecido por não atacar...
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- Parties
- Embargante: Rosana Maria dos Santos; Reclamado: Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 June 2025
- Procedural Posture
- Reclamação / Embargos De Declaração (rejeitados)
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados
- Legal Topics
- Reclamação, Embargos De Declaração, Inadmissibilidade Do Recurso Especial, Prequestionamento, Súmula 182/stj, Fundamentação Das Decisões (art. 489 Cpc)
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Parties
Rosana Maria dos Santos
Embargante
Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro
Reclamado
Procedural Posture
Reclamação / Embargos De Declaração (rejeitados)
Legal Issues
- 1 Inadmissibilidade do agravo em recurso especial por não atacar os fundamentos da decisão que negou seguimento
- 2 Requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração (art. 1.022 CPC/2015)
- 3 Impossibilidade de utilização dos embargos para reexame ou para mero prequestionamento de matéria constitucional
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados porque não indicaram qualquer omissão, obscuridade, contradição ou erro material nos termos do art. 1.022 do CPC/2015 e buscavam, na prática, o reexame do julgado ou mero prequestionamento. Além disso, o agravo em recurso especial não foi conhecido por não atacar especificamente os fundamentos da decisão que negou seguimento (incidência da Súmula 182/STJ).
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados
Orders
- Rejeitar os embargos de declaração
- Não conhecer do agravo em recurso especial por não atacar os fundamentos da decisão que negou seguimento (aplicação da Súmula n. 182/STJ)
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 22/05/2025 a 28/05/2025, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECLAMAÇÃO. INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. NESTA CORTE NÃO SE CONHECEU DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL QUE NÃO ATACOU OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO SEM INDICAÇÃO DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO. NÃO CONHECIMENTO DOS EMBARGOS. ALEGAÇÃO DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. INEXISTÊNCIA. I - Na origem, trata-se de reclamação em razão de decisão prolatada pela Terceira Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro que, nos autos da ação movida contra o Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, inadmitiu o recurso especial. II - No Tribunal de origem, não se conheceu da reclamação. Esta Corte não conheceu do agravo em recurso especial, por aplicação da Súmula n. 182/STJ. III - Opostos embargos de declaração, aponta a parte embargante vícios no acórdão embargado. IV - Os embargos aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. V - Os vícios apontados pela parte embargante, relacionados ao não conhecimento dos embargos de declaração, foram tratados no acórdão embargado, o que afasta a alegação de contradição. VI - N ão cabe a esta Corte Superior, ainda que para fins de prequestionamento, examinar na via especial suposta violação de dispositivo ou princípio constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal". (AgInt nos EREsp n. 1.544.786/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, DJe de 16/6/2020.) VII - Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO Negou-se conhecimento ao agravo em recurso especial interposto por Rosana Maria dos Santos, com fundamento no art. 105, III, a, da CF/1988. O recurso especial visa reformar acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, nos termos assim ementados: AGRAVO INTERNO EM RECLAMAÇÃO. PRETENSÃO DE IMPUGNAÇÃO DE JULGADO PROFERIDO PELA TERCEIRA VICE-PRESIDÊNCIA INADMITINDO RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO DE DESCONFORMIDADE DO JULGAMENTO COM JURISPRUDÊNCIA DO TJRJ E DO STJ. DECISÃO DE INADMISSÃO DA INICIAL. INCONFORMISMO MANIFESTADO PELA RECLAMANTE. 1- Como dito em sede de julgamento monocrático, a reclamação somente pode ser admitida quando a decisão proferida nos juizados contrariar entendimento firmado pelos Tribunais de Justiça em sede de Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas ou de Assunção de Competência, ou pelo STJ em julgamento de Recursos Repetitivos, ou ainda, tema afeto à súmula daquele Sodalício, o que não é a hipótese dos autos. 2- Via eleita inadequada. Taxatividade das hipóteses de cabimento de Reclamação. Inteligência do artigo 988 do CPC/15 e da Resolução 03/2016-STJ. 3- Decisão mantida. Recurso desprovido. Na origem, trata-se de reclamação em razão de decisão prolatada pela Terceira Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro que, nos autos da ação movida contra o Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, inadmitiu o recurso especial. No Tribunal de origem, não se conheceu da reclamação. Esta Corte não conheceu do agravo em recurso especial, por aplicação da Súmula n. 182/STJ. No recurso especial, Rosana Maria dos Santos alega ofensa ao art. 489, § 1º, IV, do Código de Processo Civil. A decisão recorrida tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, com base no art. 21-E, inciso V, c/c o art. 253, parágrafo único, inciso I, ambos do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial." A Segunda Turma negou provimento ao agravo interno, nos termos da seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECLAMAÇÃO. INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. NESTA CORTE NÃO CONHECIMENTO DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL QUE NÃO ATACA OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I - Na origem, trata-se de reclamação em razão de decisão prolatada pela Terceira Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro que, nos autos da ação movida contra o Fundo Único de Previdencia Social do Estado do Rio de Janeiro, inadmitiu o Recurso Especial. Esta Corte não conheceu do agravo em recurso especial, por aplicação da súmula n. 182/STJ. II - Por meio da análise dos autos, verifica-se que a decisão inadmitiu o Recurso Especial, considerando: ausência de afronta ao art. 1.022 do CPC e Súmula 284/STF. III - Entretanto, a parte agravante deixou de impugnar especificamente os referidos fundamentos. IV - Incumbe à parte, no agravo em recurso especial, atacar os fundamentos da decisão que negou seguimento ao recurso na origem. Não o fazendo, é correta a decisão que não conhece do agravo nos próprios autos. As alegações apresentadas, são insuficientes, pela sua generalidade, para impugnar os fundamentos específicos da decisão que negou seguimento ao recurso especial na origem. Cabia à parte, em conformidade com a jurisprudência, trazer argumentos que confrontassem os fundamentos de negativa de seguimento ao recurso especial, e não fundamentos genéricos e sem nenhuma vinculação dialética com a matéria tratada nos autos. V - Conforme a jurisprudência, a impugnação tardia dos fundamentos da decisão que negou seguimento ao recurso especial (somente por ocasião do manejo de agravo interno), além de caracterizar imprópria inovação recursal, não afasta o vício do agravo em recurso especial, ante a preclusão consumativa. Precedentes: AgInt no AREsp 888.241/ES, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 6/4/2017, DJe 19/4/2017; AgInt no AREsp 1.036.445/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 4/4/2017, DJe 17/4/2017; AgInt no AREsp 1.006.712/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 9/3/2017, DJe 16/3/2017. VI - Agravo interno improvido. Os embargos de declaração opostos não foram conhecidos, nos termos da seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO SEM INDICAÇÃO DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO. NÃO CONHECIMENTO DOS EMBARGOS. I - A jurisprudência deste Tribunal Superior é firme no sentido de que não preenche os requisitos de admissibilidade a petição dos embargos de declaração que apresenta razões dissociadas do acórdão embargado, não apresenta razões ou não indica nenhum dos vícios elencados no art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, caso dos autos, o que, por si só, é suficiente para o não conhecimento do recurso, na medida em que a deficiência da argumentação inviabiliza a compreensão exata da controvérsia a ser solvida. II - Embargos de declaração não conhecidos. Opostos novos embargos de declaração, aponta a parte embargante os seguintes vícios no acórdão embargado: .. a decisão judicial contida no acordão da Colenda TURMA do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA que decidiu não conhecer do primeiro recurso de Embargos de Declaração, data vênia, constitui em contradição a dispositivo de Lei, a teor do que disciplinado no art. 489 § 1º inciso IV do CPC, Lei Federal 13.105 de 2015. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECLAMAÇÃO. INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. NESTA CORTE NÃO SE CONHECEU DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL QUE NÃO ATACOU OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO SEM INDICAÇÃO DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO. NÃO CONHECIMENTO DOS EMBARGOS. ALEGAÇÃO DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. INEXISTÊNCIA. I - Na origem, trata-se de reclamação em razão de decisão prolatada pela Terceira Vice-Presidência do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro que, nos autos da ação movida contra o Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro, inadmitiu o recurso especial. II - No Tribunal de origem, não se conheceu da reclamação. Esta Corte não conheceu do agravo em recurso especial, por aplicação da Súmula n. 182/STJ. III - Opostos embargos de declaração, aponta a parte embargante vícios no acórdão embargado. IV - Os embargos aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. V - Os vícios apontados pela parte embargante, relacionados ao não conhecimento dos embargos de declaração, foram tratados no acórdão embargado, o que afasta a alegação de contradição. VI - N ão cabe a esta Corte Superior, ainda que para fins de prequestionamento, examinar na via especial suposta violação de dispositivo ou princípio constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal". (AgInt nos EREsp n. 1.544.786/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, DJe de 16/6/2020.) VII - Embargos de declaração rejeitados. VOTO Os embargos não merecem acolhimento. Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. Conforme entendimento pacífico desta Corte: O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. (EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016.) A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. Nesse sentido: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FINALIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. ART. 1.022 DO NOVO CPC. 1. A ocorrência de um dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC é requisito de admissibilidade dos embargos de declaração, razão pela qual a pretensão de mero prequestionamento de dispositivos constitucionais para a viabilização de eventual recurso extraordinário não possibilita a sua oposição. Precedentes da Corte Especial. 2. A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do novo CPC, razão pela qual inviável o seu exame em sede de embargos de declaração. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl nos EAREsp n. 166.402/PE, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 15/3/2017, DJe 29/3/2017.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA. CARÁTER PROCRASTINATÓRIO RECONHECIDO. APLICAÇÃO DE MULTA. 1. A contradição capaz de ensejar o cabimento dos embargos declaratórios é aquela que se revela quando o julgado contém proposições inconciliáveis internamente. 2. Sendo os embargos de declaração recurso de natureza integrativa destinado a sanar vício - obscuridade, contradição ou omissão -, não podem ser acolhidos quando a parte embargante pretende, essencialmente, a obtenção de efeitos infringentes. 3. Evidenciado o caráter manifestamente protelatório dos embargos de declaração, cabe a aplicação da multa prevista no parágrafo único do art. 538 do CPC/1973. 4. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa. (EDcl na Rcl n. 8.826/RJ, relator Ministro João Otávio de Noronha, Corte Especial, julgado em 15/2/2017, DJe 15/3/2017.) Os vícios apontados pela parte embargante, relacionados ao não conhecimento dos embargos de declaração, foram tratados no acórdão embargado, o que afasta a alegação de contradição, nos termos assim expostos: O caput do art. 1.023 do Código de Processo Civil de 2015 aponta expressamente o dever do embargante de indicar a omissão, obscuridade ou contradição na decisão, ônus do qual não se desincumbiu o recorrente. A ausência de indicação, nas razões dos embargos declaratórios, da presença de quaisquer dos supramencionados vícios implica o não conhecimento dos embargos de declaração por descumprimento dos requisitos legais. Cumpre ressaltar que os embargos aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. No caso dos autos, não há omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz, de ofício ou a requerimento, devia pronunciar-se, considerando que o acórdão apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. Não cabe a esta Corte Superior, ainda que para fins de prequestionamento, examinar na via especial suposta violação de dispositivo ou princípio constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. (AgInt nos EREsp n. 1.544.786/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, DJe de 16/6/2020.) Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É o voto.