Rcl 49420 - DECISAO
Indefere-se a liminar porque a reclamação não demonstrou aderência estrita entre o ato reclamado e provimento específico do STJ no mesmo caso/partes, configurando tentativa de sucedâneo recursal para discutir divergência jurisprudencial, razão pela qual inexiste desrespeito à autoridade de decisão do STJ que...
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- Parties
- Reclamante: RAPHAEL ANGELO DE FREITAS NUNES; Reclamado: desembargador relator do TJMG
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 July 2025
- Procedural Posture
- Reclamação / Inicial Com Pedido De Liminar Indeferido
- Outcome
- Indefiro liminarmente a presente reclamação
- Legal Topics
- Reclamação Constitucional (art. 105, I, F, Cf), Cabimento Da Reclamação, Súmula N. 302 Do STJ, Gratuidade De Justiça, Negativa De Cobertura Contratual Em Situação De Urgência, Precedentes Do STJ, Art. 187 Do Regimento Interno Do STJ, Art. 927 Do CPC
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Parties
RAPHAEL ANGELO DE FREITAS NUNES
Reclamante
desembargador relator do TJMG
Reclamado
Procedural Posture
Reclamação / Inicial Com Pedido De Liminar Indeferido
Legal Issues
- 1 Incompatibilidade entre decisão do TJMG e Súmula n. 302 do STJ e precedentes desta Corte
- 2 Cabimento da reclamação e sua vedação como sucedâneo recursal
- 3 Eficácia da gratuidade de justiça para todas as instâncias
Ratio Decidendi
Indefere-se a liminar porque a reclamação não demonstrou aderência estrita entre o ato reclamado e provimento específico do STJ no mesmo caso/partes, configurando tentativa de sucedâneo recursal para discutir divergência jurisprudencial, razão pela qual inexiste desrespeito à autoridade de decisão do STJ que justifique o processamento da reclamação.
Court Disposition
Indefiro liminarmente a presente reclamação
Orders
- Indefiro liminarmente a presente reclamação, prejudicado o pedido liminar
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação com pedido de liminar ajuizada por RAPHAEL ANGELO DE FREITAS NUNES contra decisão monocrática proferida pelo desembargador relator do TJMG, em que se alega a incompatibilidade entre o que ficou decidido no provimento reclamado e a súmula n. 302 do Superior Tribunal de Justiça, bem como em relação a precedentes desta Corte Superior (AgRg no AREsp n. 718.634, AgRg no REsp n. 1.325.733 e AgRg no AREsp n. 702.266). Na inicial, a parte reclamante alega, em síntese, que a decisão impugnada afronta diretamente a jurisprudência consolidada desta Corte que entende pela abusividade da negativa de cobertura contratual em situações de urgência, ainda que o procedimento esteja relacionado a doença ou lesão preexistente ou sob cláusula de cobertura parcial temporária. Afirma que a cirurgia se mostra necessária, urgente, prescrita por profissional da saúde e seu adiamento representa risco grave e concreto ao direito fundamental à saúde. É o relatório. De início, registra-se que a parte apresentou documento comprobatório do deferimento da gratuidade de justiça na origem (fls. 17-18). Segundo entendimento do STJ, "a concessão da assistência judiciária gratuita, por compor a integralidade da tutela jurídica pleiteada, comporta eficácia para todos os atos processuais, em todas as instâncias, alcançando, inclusive, as ações incidentais ao processo de conhecimento, os recursos, as rescisórias, assim como o subsequente processo de execução e eventuais embargos à execução, independentemente de novo pedido". (AgRg nos EAR Esp n. 86.915/SP, DJe de 4.3.2015.) No mais, a reclamação que é da atribuição desta Corte Superior está prevista no art. 105, I, f, da Constituição Federal e constitui garantia constitucional destinada à preservação da competência do Superior Tribunal de Justiça ou à garantia da autoridade de suas decisões, em caso de descumprimento de seus julgados. No tocante à alegação de descumprimento de julgado deste Tribunal Superior, o cabimento da reclamação exige a demonstração de que há aderência estrita entre o objeto do ato reclamado e o conteúdo do provimento jurisdicional especificamente proferido pelo STJ para a relação processual originária. A propósito do tema, veja-se o que dispõe o artigo 187 do Regimento Interno do STJ: Art. 187. Para preservar a competência do Tribunal, garantir a autoridade de suas decisões e a observância de julgamento proferido em incidente de assunção de competência, caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público desde que, na primeira hipótese, haja esgotado a instância ordinária. No caso dos autos, os atos reclamados não desrespeitaram decisão ou ordem do STJ que tenha sido vertida em caso relacionado ao da parte reclamante, sendo pacífico o entendimento de que não se admite o ajuizamento de reclamação como sucedâneo recursal, isto é, para dirimir divergência jurisprudencial entre o provimento reclamado e a orientação constante de súmulas e precedentes desta Corte Superior. A propósito (destaques acrescidos): AGRAVO REGIMENTAL NA RECLAMAÇÃO. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO JULGAMENTO PROFERIDO PELO STJ NOS CONFLITOS DE COMPETÊNCIA N. 170.247/SC, 170.252/SC, 170.253/SC E 170.258/SC. PRETENSÃO DE AMPLIAÇÃO DA EXTENSÃO DO JULGADO. NÃO CABIMENTO. AGRAVO DESPROVIDO. 1. A reclamação é medida excepcional, cabível no âmbito desta Corte exclusivamente nas seguintes hipóteses: (a) preservação da competência constitucional do Superior Tribunal de Justiça; e (b) manutenção da autoridade de decisão proferida nesta Corte Superior na análise do caso concreto (envolvendo as mesmas partes da decisão reclamada). 2. In casu, o reclamante alega que houve desrespeito à decisão proferida por este Tribunal Superior no julgamento dos Conflitos de Competência n. 170.247/SC, 170.252/SC, 170.253/SC e 170.258/SC, em que se reconheceu a competência do Juízo Federal da 5ª Vara de Santos - SJ/SP para processar o inquérito policial n. 5004098-41.2020.4.03.6104 e os seus associados, em que se apura a prática do crime de lavagem de capitais. A conclusão foi tomada com base nos arts. 76, II e III, e 78, II, a, do Código de Processo Penal e no fato de que os delitos que antecederiam o crime de lavagem de capitais seriam o de tráfico internacional de entorpecentes e o de associação para o mesmo fim, que foram objeto do processo de n. 0000334-69.2019.403.6104 (Operação Alba Vírus) perante o Juízo Federal da 5ª Vara de Santos - SJ/SP. 3. A presente reclamação tem por objeto os autos 50144781420224047208/SC, os quais não foram motivo de análise por esta Corte e cujos investigados são diversos daqueles denunciados nas ações penais que tramitaram perante o Juízo Federal paulista. 4. O reclamante, ao alegar que os fatos teriam relação direta com aqueles processados em Santos/SP, pretende dar ao julgado desta Corte extensão maior do que a que efetivamente tem, o que desautoriza o manejo da reclamação. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg na Rcl n. 45.646/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Terceira Seção, julgado em 18/6/2024, DJe de 21/6/2024.) AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. DECISÃO QUE NEGOU SEGUIMENTO À RECLAMAÇÃO. 1. A presente reclamação não foi conhecida ao fundamento de que a alegação de violação de Súmula do STJ e de julgados desta Corte não proferidos no caso concreto, envolvendo as mesmas partes e a mesma demanda, não se enquadra nas hipóteses de cabimento da reclamação. 2. Inconformada, a reclamante interpõe agravo interno aduzindo, em síntese, que os precedentes por ela indicados se encaixam no art. 927 do CPC, e, portanto, devem ser aplicados com força vinculante para o caso em questão. 3. "A reclamação, em razão de sua natureza incidental e excepcional, destina-se a preservação da competência e garantia da autoridade dos julgados somente quando objetivamente violados, não podendo servir como sucedâneo recursal para discutir o teor da decisão hostilizada" (AgRg na Rcl n. 6.199/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, DJe de 19/12/2011). 4. A alegação de violação de súmula e de julgados proferidos em casos genéricos não se enquadram nas hipóteses de cabimento da reclamação, nos termos da jurisprudência pacificada desta Corte superior. 5. Não verificada, no momento, a presença dos requisitos autorizadores para condenação em litigância de má-fé. Agravo interno improvido. (AgInt na Rcl n. 46.219/AP, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Seção, julgado em 5/3/2024, DJe de 8/3/2024.) Ante o exposto, indefiro liminarmente a presente reclamação, prejudicado o pedido liminar. Publique-se. Intimem-se. EMENTA