HC 637872 - DECISAO
Indefere-se a liminar por ausência de demonstração de ilegalidade patente e por não ter sido comprovado que o paciente preenche os requisitos estabelecidos para flexibilização segundo a jurisprudência do STJ e a Recomendação CNJ n. 62/2020 (ausência de comorbidade, existência de estrutura de saúde no presídio e...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: DAVID YOU SAN WANG; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo - Plantão Judiciário de Segunda Instância
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 January 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Interlocutória (indeferimento De Liminar)
- Outcome
- pedido de liminar indeferido
- Legal Topics
- Recomendação CNJ N. 62/2020, Saída Temporária, Prisão Domiciliar, Covid 19, Medida Liminar
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
DAVID YOU SAN WANG
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo - Plantão Judiciário de Segunda Instância
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Interlocutória (indeferimento De Liminar)
Legal Issues
- 1 concessão de liminar em habeas corpus para autorizar o paciente a não retornar ao estabelecimento prisional até ser imunizado
- 2 aplicação da Recomendação CNJ n. 62/2020 e requisitos para flexibilização de medida extrema
- 3 verificação de ilegalidade patente na decisão originária
Ratio Decidendi
Indefere-se a liminar por ausência de demonstração de ilegalidade patente e por não ter sido comprovado que o paciente preenche os requisitos estabelecidos para flexibilização segundo a jurisprudência do STJ e a Recomendação CNJ n. 62/2020 (ausência de comorbidade, existência de estrutura de saúde no presídio e adoção de medidas de prevenção).
Court Disposition
pedido de liminar indeferido
Orders
- Solicitem-se informações ao Tribunal de origem, que deverão ser prestadas preferencialmente por malote digital e com senha de acesso para consulta ao processo.
- Após, dê-se vista ao Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de DAVID YOU SAN WANGem que se aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo - Plantão Judiciário de Segunda Instância. Opaciente encontra-se preso (art.304, c/c art. 29, caput, c/c o art. 297, caput, c/c o art. 71, caput e art. 333, único, todos do Código Penal brasileiro). Oimpetrante requer a concessão de liminar para que autorize o paciente a não retornar à unidade prisional atéque seja imunizado contra o coronavírus, pois está com 70 anos de idade. É, no essencial, o relatório. Decido. O deferimento de liminar em habeas corpus é medida excepcional, cabível apenas em hipóteses de patente ilegalidade, demonstrada de plano. No que diz respeito à aplicação da Recomendação CNJ n. 62/2020, ressalte-se que o STJ firmou o entendimento de que a flexibilização da medida extrema não ocorre de forma automática (AgRg no HC n. 574.236/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 11/5/2020; e HC n. 575.241/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, DJe de 3/6/2020). Para tanto, é necessária a demonstração de que o paciente preenche os seguintes requisitos: a) inequívoco enquadramento no grupo de vulneráveis à Covid-19; b) impossibilidade de receber tratamento no estabelecimento prisional em que se encontra; e c) exposição a mais risco de contaminação no estabelecimento onde está segregado do que no ambiente social (AgRg no HC n. 561.993/PE, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 4/5/2020). No caso, a parte impetrante não demonstrou a a ilegalidade da decisão atacada, principalmente porque o relator na origem expôs o seguinte (fls. 27-30): No caso dos autos, não se verifica, de pronto, que eventual descumprimento do paciente em retornar ao estabelecimento prisional ao cabo da saída temporária gerará efeitos ilegais. Ao revés disso, inexiste suporte jurídico, ao menos verificável nesse momento, para que o paciente se abstenha de retornar à unidade onde resgata sua pena, donde a lisura de eventuais consequências administrativas e judiciais. .. É verdade, também, que o paciente é idoso, porém, não menos induvidoso é que, conforme decidido na origem, quando do indeferimento do pedido de prisão domiciliar:" (..) verifica-se que o detento não é possuidor de comorbidade prognóstica que predispõe ao desenvolvimento do COVID-19 com resultado letal, bem como não há nos autos notícia de que, caso a presente alguma enfermidade, o mesmo não possa seráacompanhado na própria unidade prisional, onde se mantém estrutura de saúde permanente e profissional da área médica para atendimento à população carcerária. Importante frisar, ainda, que o ora postulante se encontra atualmente em bom estado geral, ativo, eupneico, afebril, não havendo queixas ou intercorrências dignas de nota, conforme relatório médico acostado aos autos. Ademais, a direção administrativa do presídio adotou as medidas urgentes de prevenção à infecção e à propagação do vírus, a fim de tentar reduzir os riscos epidemiológicos de transmissão e preservar a saúde dos indivíduos confinados, bem como da sociedade civil como um todo"(fls. 23/24) Não se verifica, portanto, em juízo sumário, o desrespeito à Recomendação CNJ n. 62/2020. Ante o exposto, indefiro o pedido de liminar. Solicitem-se informações ao Tribunal de origem, que deverão ser prestadas preferencialmente por malote digital e com senha de acesso para consulta ao processo. Após, dê-se vista ao Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se.