REsp 2161057 - DECISAO
Não conhecer do recurso especial porque o acórdão recorrido corretamente concluiu que não houve demonstração de dissolução irregular da sociedade nem comprovação do liame entre condutas atribuídas aos sócios e o inadimplemento tributário; o redirecionamento exige comprovação ou instauração de processo administrativo...
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- Parties
- Recorrente (exequente): DISTRITO FEDERAL; Recorrido (executada): DJ Logística e Transportes Ltda. - ME
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 September 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Recurso Especial não conhecido
- Legal Topics
- Redirecionamento Da Execução Fiscal, Dissolução Irregular Da Pessoa Jurídica, Microempresa, Presunção Relativa De Dissolução, Súmula 7/stj, Súmula 435/stj, Tema 630/stj, Tema 981/stj, Art. 135 Do CTN, Art. 9 Da Lei Complementar N. 123/2006
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Parties
DISTRITO FEDERAL
Recorrente (exequente)
DJ Logística e Transportes Ltda. - ME
Recorrido (executada)
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Viabilidade do redirecionamento da execução fiscal aos sócios-gerentes quando da dissolução irregular da sociedade empresária
- 2 Necessidade de comprovação do poder de gerência para inclusão dos sócios no polo passivo
- 3 Caracterização da dissolução irregular por ausência de funcionamento no domicílio fiscal
Ratio Decidendi
Não conhecer do recurso especial porque o acórdão recorrido corretamente concluiu que não houve demonstração de dissolução irregular da sociedade nem comprovação do liame entre condutas atribuídas aos sócios e o inadimplemento tributário; o redirecionamento exige comprovação ou instauração de processo administrativo para inclusão do sócio no polo passivo, e o reexame de fatos e provas é vedado pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Recurso Especial não conhecido
Orders
- Não conheço do recurso especial.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por DISTRITO FEDERAL, com amparo na alínea a do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, em desfavor do acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios assim ementado (e-STJ, fls. 70-71): AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE FUNCIONAMENTO NO DOMICÍLIO FISCAL. INCLUSÃO DO SÓCIO NO POLO PASSIVO DA EXECUÇÃO FISCAL. MICROEMPRESA. ART. 9º DA LC N. 123/2006. ART. 135 DO CTN. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO PODER DE GERÊNCIA. DISSOLUÇÃO IRREGULAR NÃO DEMONSTRADA. ENUNCIADO DE SÚMULA N. 435 DO STJ. NÃO APLICABILIDADE. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. O redirecionamento da execução fiscal, para a inclusão dos sócios da sociedade empresária no polo passivo, apenas é admitido, em regra, se estiverem na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica, e se constatada a existência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, conforme entendimento exarado pelo STF no RE n. 562.276, em repercussão geral. 2. Por sua vez, nos termos da jurisprudência do c. STJ (enunciado de súmula n. 435 e tema repetitivo n. 630), é possível o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente quando demonstrada a dissolução irregular da sociedade empresária, a qual presume-se ocorrida na hipótese em que deixa de funcionar no seu domicílio tributário, sem comunicar a mudança aos órgãos competentes. 3. Sublinhe-se que o entendimento deste e. Tribunal de Justiça é o de que a presunção de dissolução irregular é relativa, sendo necessária a instauração de procedimento administrativo fiscal com inclusão do sócio executado no polo passivo, e respectiva oportunização de contraditório e ampla defesa, a fim de averiguar se o responsável pela dissolução da sociedade empresária coincide, de fato, com o detentor da gerência na época da ocorrência do fato gerador que deu ensejo à dívida tributária. 4. Esse entendimento aplica-se também às microempresas, pois a previsão do art. 9º, § 5º, da Lei Complementar n. 123/06 não pode ser analisada de maneira isolada, devendo ser interpretada em consonância com o art. 135 do Código Tributário Nacional. 5. Na hipótese, o nome do sócio da pessoa jurídica executada não consta nas Certidões de Dívida Ativa objeto do presente feito, não tendo sido instaurado procedimento administrativo para sua inclusão. Ademais, registra-se que o fato de a situação cadastral da sociedade executada constar como "inapta" não implica comprovação de dissolução irregular, até mesmo porque consta como "ativa" na Junta Comercial. 6. Assim, apesar de a executada/agravada não estar mais em funcionamento no endereço constante na CDA executada e constar situação cadastral como "inapta", não se pode presumir que tenha ocorrido sua dissolução irregular na espécie, capaz de ensejar o automático redirecionamento da execução fiscal. 7. Recurso conhecido e desprovido. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ, fls. 116-120). Nas razões do recurso especial, o recorrente alega a ofensa aos arts. 134 e 135, ambos do Código Tributário Nacional, sustentando, em síntese, a viabilidade do redirecionamento da execução fiscal aos sócios-gerentes quando da dissolução irregular da sociedade empresária. O Tribunal de origem admitiu o recurso especial (e-STJ, fls. 154-156). Brevemente relatado, decido. A controvérsia refere-se, em síntese, à viabilidade, ou não, do redirecionamento da execução fiscal aos sócios-gerentes quando da dissolução irregular da sociedade empresária. O Tribunal de origem, ao dirimir a questão posta nos autos, assim consignou (e-STJ, fls. 72-80; sem grifo no original): Trata-se, na origem, de execução fiscal movida pelo Distrito Federal contra DJ Logística e Transportes Ltda. - ME, referente à cobrança dos débitos consubstanciados na Certidão de Dívida Ativa (CDA) n. 000008582483 e 000008582491. Determinada a citação e intimação da pessoa jurídica executada, o aviso de recebimento retornou com a informação de não cumprimento do ato ante a mudança do destinatário (ID 129997859). .. O exequente requereu, então, o redirecionamento da execução fiscal ao sócio administrador da pessoa jurídica devedora, em decorrência da presunção relativa de dissolução irregular, diante da ausência de funcionamento no domicílio fiscal e da situação da sociedade empresária como "inapta" no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (ID origem 132368910). Conforme relatado, o Juízo a quo indeferiu o pedido formulado, sob o fundamento de que não estar comprovada a dissolução irregular da sociedade empresária na espécie. Pertinente colacionar excerto da r. decisão (ID origem 164215221), ad litteris: .. Em regra, o redirecionamento da execução fiscal, para a inclusão dos sócios da sociedade empresária no polo passivo, apenas é admitido se estiverem na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica, e se constatada a existência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, conforme entendimento exarado pelo STF no RE n. 562.276, em repercussão geral. Confira-se, in verbis: .. Por sua vez, nos termos da jurisprudência do c. STJ, é possível o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente, quando demonstrada a dissolução irregular da sociedade empresária, a qual presume-se ocorrida na hipótese em que deixa de funcionar no seu domicílio tributário, sem comunicar a mudança aos órgãos competentes. .. No caso, observa-se dos elementos coligidos aos autos que, a despeito da pessoa jurídica DJ Logística e Transportes Ltda. - ME (agravada) não estar mais em funcionamento no endereço constante nas CDAs executadas, não se pode presumir que tenha ocorrido sua dissolução irregular na espécie, capaz de ensejar o automático redirecionamento da execução fiscal. Isso porque, apesar de a executada não funcionar no domicílio fiscal informado, tal circunstância não se revela suficiente para autorizar o redirecionamento da execução fiscal ao seu sócio administrador, quando o nome deste não estiver inserido na respectiva Certidão de Dívida Ativa. Nesse contexto, o entendimento deste e. Tribunal de Justiça é o de que a presunção de dissolução irregular é relativa, sendo necessária a instauração de processo administrativo fiscal com inclusão do sócio executado no polo passivo, e respectiva oportunização de contraditório e ampla defesa, a fim de averiguar se o responsável pela dissolução da sociedade empresária coincide, de fato, com o detentor da gerência na época da ocorrência do fato gerador que deu ensejo à dívida tributária. .. Por fim, registra-se que o fato de a situação cadastral da sociedade executada constar como "inapta" no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas não implica comprovação de dissolução irregular, até mesmo porque consta como "ativa" no registro da Junta Comercial (ID origem 131225592). .. Desta feita, haja vista o nome do sócio da pessoa jurídica executada não constar das Certidões de Dívida Ativa objeto do presente feito, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo fiscal para atestar a existência de liame entre as condutas ilícitas atribuídas aos sócios e o inadimplemento do tributo, na forma do art. 135 do CTN . Assim, 2 merece ser afastada, in casu, a aplicação do enunciado n. 435 da Súmula do c. STJ, com fundamento na ausência de funcionamento da sociedade executada no respectivo domicílio fiscal e de constar como "inapta" no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. Portanto, ausente comprovação, até o presente momento processual, de dissolução irregular na hipótese dos autos, mantém-se indene a decisão que indeferiu o redirecionamento da execução fiscal. Com efeito, segundo o entendimento desta Corte Superior firmado sob o rito dos recursos repetitivos (Tema n. 630/STJ), "em execução fiscal de dívida ativa tributária ou não-tributária, dissolvida irregularmente a empresa, está legitimado o redirecionamento ao sócio-gerente". Ademais, destaca-se que, nos termos do Tema n. 981/STJ, "o redirecionamento da execução fiscal, quando fundado na dissolução irregular da pessoa jurídica executada ou na presunção de sua ocorrência, pode ser autorizado contra o sócio ou o terceiro não sócio, com poderes de administração na data em que configurada ou presumida a dissolução irregular, ainda que não tenha exercido poderes de gerência quando ocorrido o fato gerador do tributo não adimplido, conforme art. 135, III, do CTN" (AgInt no REsp n. 2.199.660/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 12/8/2025, DJEN de 15/8/2025). Na mesma linha de cognição (sem grifo no original): PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. OFENSA AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. INOCORRÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO. SÓCIO COM PODERES DE ADMINISTRAÇÃO NA DATA DA DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA PESSOA JURÍDICA. ART. 135, III, DO CTN. TEMA N. 981/STJ. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - A Corte de origem apreciou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. II - Nos termos do entendimento firmado pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Tema 981, "o redirecionamento da execução fiscal, quando fundado na dissolução irregular da pessoa jurídica executada ou na presunção de sua ocorrência, pode ser autorizado contra o sócio ou o terceiro não sócio, com poderes de administração na data em que configurada ou presumida a dissolução irregular, ainda que não tenha exercido poderes de gerência quando ocorrido o fato gerador do tributo não adimplido, conforme art. 135, III, do CTN". III - Em regra, descabe a imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015 em razão do mero desprovimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. IV - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.199.660/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 12/8/2025, DJEN de 15/8/2025.) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. REDIRECIONAMENTO. TEMA 981. AGRAVO INTERNO PROVIDO. 1. Nos termos do entendimento firmado por este Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do Tema 981, "o redirecionamento da execução fiscal, quando fundado na dissolução irregular da pessoa jurídica executada ou na presunção de sua ocorrência, pode ser autorizado contra o sócio ou o terceiro não sócio, com poderes de administração na data em que configurada ou presumida a dissolução irregular, ainda que não tenha exercido poderes de gerência quando ocorrido o fato gerador do tributo não adimplido, conforme art. 135, III, do CTN". 2. Agravo interno provido. (AgInt no AREsp n. 1.841.265/SP, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, julgado em 19/3/2025, DJEN de 24/3/2025.) Na espécie, percebe-se que a irresignação do recorrente não merece prosperar, uma vez que afastar a conclusão do acórdão recorrido quanto à inviabilidade do redirecionamento da execução fiscal, haja vista a ausência de comprovação da dissolução irregular, bem como no tocante à inexistência de comprovação do liame entre as condutas ilícitas atribuídas aos sócios e o inadimplemento do tributo, ensejaria o revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, providência que esbarra no óbice constante da Súmula n. 7/STJ. A propósito, guardadas as particularidades do caso (sem grifo no original): TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC E AOS ARTS. 135 E 174 DO CTN. INOCORRÊNCIA. TRIBUNAL QUE JULGOU INTEGRALMENTE A LIDE. INCONFORMISMO DA PARTE COM RESULTADO CONTRÁRIO AOS SEUS INTERESSES. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE AFASTADA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. E REDIRECIONAMENTO AOS SÓCIOS-GERENTES: INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O simples descontentamento da parte com o resultado do julgamento não tem o condão de tornar cabíveis os embargos de declaração, visto que a pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no acórdão embargado, consubstanciada na mera insatisfação com o resultado da demanda, é incabível na via dos embargos de declaração. 2. O fato de o Tribunal de origem haver decidido a contenda de forma contrária à defendida pelo recorrente, elegendo fundamentos diversos daqueles por ele propostos, não configura omissão ou qualquer outra causa passível de exame mediante a oposição de embargos de declaração. 3. Para afastar as conclusões das instâncias ordinárias sobre a não ocorrência da prescrição intercorrente e sobre a dissolução irregular da pessoa jurídica com redirecionamento da execução fiscal para seus sócios-gerentes seria necessário o revolvimento de fatos e provas, o que não é viável no presente instrumento processual, conforme a Súmula n. 7 deste Superior Tribunal. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.923.499/SC, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, julgado em 30/9/2024, DJe de 3/10/2024.) Assim, melhor sorte não socorre ao recorrente. Ante o exposto, não conheço do recurso especial. Publique-se. EMENTA RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. MICROEMPRESA. DISSOLUÇÃO IRREGULAR NÃO DEMONSTRADA. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.