HC 955320 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo porque, diante da reincidência do réu e da negativação fundamentada das circunstâncias judiciais (culpabilidade e conduta social), é justificável a fixação do regime inicial fechado conforme art. 33, § 2º, c, e § 3º, do Código Penal e Súmula 269 do STJ, mesmo com pena inferior a 4 anos.
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- Parties
- Agravante: ADEMIR ARCANGELO FIOREZE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Acórdão Julgamento Em Sessão Virtual (27/02/2025 a 05/03/2025)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo regimental
- Legal Topics
- Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Reincidência, Circunstâncias Judiciais, Habeas Corpus
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Parties
ADEMIR ARCANGELO FIOREZE
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental / Acórdão Julgamento Em Sessão Virtual (27/02/2025 a 05/03/2025)
Legal Issues
- 1 Se o regime inicial fechado é justificável para réu reincidente e com circunstâncias judiciais desfavoráveis, mesmo quando a pena é inferior a 4 anos
- 2 Negativação dos maus antecedentes com base em condenação extinta há mais de 10 anos
- 3 Alegação de desproporcionalidade do agravante quanto ao regime inicial
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque, diante da reincidência do réu e da negativação fundamentada das circunstâncias judiciais (culpabilidade e conduta social), é justificável a fixação do regime inicial fechado conforme art. 33, § 2º, c, e § 3º, do Código Penal e Súmula 269 do STJ, mesmo com pena inferior a 4 anos.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo regimental
Orders
- Negado provimento ao agravo regimental
- Mantida a decisão agravada
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 27/02/2025 a 05/03/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Og Fernandes, Rogerio Schietti Cruz, Antonio Saldanha Palheiro e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. EMENTA Direito penal. Agravo regimental. Regime inicial de cumprimento de pena. Reincidência e circunstâncias judiciais desfavoráveis. Agravo não provido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que indeferiu liminarmente habeas corpus, mas concedeu a ordem de ofício para redimensionamento da pena, em razão dda negativação dos maus antecedentes com base em condenação extinta há mais de 10 anos. 2. O agravante busca a fixação de regime inicial de cumprimento de pena menos gravoso que o fechado, alegando desproporcionalidade, uma vez que a reincidência, por si só, não impõe o regime máximo. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se o regime inicial fechado é justificável para réu reincidente e com circunstâncias judiciais desfavoráveis, mesmo quando a pena seja inferior a 4 anos. III. Razões de decidir 4. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça orienta que o regime inicial fechado é justificável para réu reincidente e com circunstâncias judiciais desfavoráveis, em conformidade com o art. 33, § 2º, c, e § 3º, do Código Penal e com a Súmula n. 269 do STJ. 5. No caso, além da reincidência do réu, foram negativadas, com fundamentos concretos e válidos, as circunstâncias judiciais da culpabilidade e da conduta social. IV. Dispositivo e tese 6. Agravo não provido. Tese de julgamento: "O regime inicial fechado é justificável para réu reincidente e com circunstâncias judiciais desfavoráveis, mesmo quando a pena seja inferior a 4 anos". Dispositivos relevantes citados: Código Penal, art. 33, § 2º, c, e § 3º. Jurisprudência relevante citada: STJ, HC 938.763/SP, Rel. Min. Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 03.12.2024; STJ, AgRg no HC 927.922/PI, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 13.11.2024; STJ, AgRg no HC 915.402/PR, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 04.11.2024.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por ADEMIR ARCANGELO FIOREZE contra a decisão, da minha lavra, em que indeferi liminarmente o habeas corpus, concedendo, contudo a ordem de ofício, assim ementada (fl. 591): PENAL. HABEAS CORPUS. CONTRABANDO DE CIGARROS. PRETENSÃO DE REVISAR A CONDENAÇÃO IMPOSTA E MANTIDA PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS TRANSITADA EM JULGADO. INADMISSIBILIDADE. COAÇÃO ILEGAL MANIFESTA. EXISTÊNCIA. DOSIMETRIA. NEGATIVAÇÃO DOS MAUS ANTECEDENTES. CONDENAÇÃO ANTERIOR EXTINTA HÁ MAIS DE 10 ANOS. IMPOSSIBILIDADE. REDIMENSIONAMENTO DA PENA. Writ indeferido liminarmente. Habeas Corpus concedido de ofício nos termos do dispositivo. Pretende o agravante a fixação de regime inicial de cumprimento da pena menos gravoso que o fechado, ao argumento de que se afigura desproporcional, porquanto a reincidência, por si só, não impõe o regime máximo e, de outro lado, a medida protetiva que justificou a negativação da culpabilidade foi instaurada por simples comunicação da suposta vítima, sem qualquer procedimento a mais (fl. 601). Defende, assim que, em análise ao caso concreto, considerado todos os fatores que levam a configurar as circunstâncias judiciais como desfavoráveis, REQUER seja observado em contraponto, a ausência de desproporcional "gravidade do crime", sendo o Agravante um senhor de idade que por poucos anos não é acolhido pela atenuante do art. 65, inc. I do CP, com "personalidade" que não indicam maior "periculosidade". Aliás, o próprio cumprimento/vencimento da medida protetiva demonstra tal fato (fl. 601). Requer, assim, o provimento do recurso, a fim de que seja fixado o regime inicial semiaberto. É o relatório. EMENTA Direito penal. Agravo regimental. Regime inicial de cumprimento de pena. Reincidência e circunstâncias judiciais desfavoráveis. Agravo não provido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão que indeferiu liminarmente habeas corpus, mas concedeu a ordem de ofício para redimensionamento da pena, em razão dda negativação dos maus antecedentes com base em condenação extinta há mais de 10 anos. 2. O agravante busca a fixação de regime inicial de cumprimento de pena menos gravoso que o fechado, alegando desproporcionalidade, uma vez que a reincidência, por si só, não impõe o regime máximo. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se o regime inicial fechado é justificável para réu reincidente e com circunstâncias judiciais desfavoráveis, mesmo quando a pena seja inferior a 4 anos. III. Razões de decidir 4. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça orienta que o regime inicial fechado é justificável para réu reincidente e com circunstâncias judiciais desfavoráveis, em conformidade com o art. 33, § 2º, c, e § 3º, do Código Penal e com a Súmula n. 269 do STJ. 5. No caso, além da reincidência do réu, foram negativadas, com fundamentos concretos e válidos, as circunstâncias judiciais da culpabilidade e da conduta social. IV. Dispositivo e tese 6. Agravo não provido. Tese de julgamento: "O regime inicial fechado é justificável para réu reincidente e com circunstâncias judiciais desfavoráveis, mesmo quando a pena seja inferior a 4 anos". Dispositivos relevantes citados: Código Penal, art. 33, § 2º, c, e § 3º. Jurisprudência relevante citada: STJ, HC 938.763/SP, Rel. Min. Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 03.12.2024; STJ, AgRg no HC 927.922/PI, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 13.11.2024; STJ, AgRg no HC 915.402/PR, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 04.11.2024. VOTO Não obstante os judiciosos argumentos apresentados pelo agravante, a decisão agravada merece ser mantida, porquanto em consonância com os precedentes jurisprudenciais desta Corte. Com efeito, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) orienta que o regime inicial fechado é justificável para réu reincidente e com circunstâncias judiciais desfavoráveis, mesmo quando a pena seja inferior a 4 anos, em conformidade com o art. 33, § 2º, c, e § 3º, do Código Penal e com a Súmula n. 269 do STJ (HC n. 938.763/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 3/12/2024, DJe de 9/12/2024). No mesmo sentido: AgRg no HC n. 927.922/PI, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 13/11/2024, DJe de 18/11/2024; AgRg no HC n. 915.402/PR, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 4/11/2024, DJe de 7/11/2024. Na hipótese, além da reincidência do réu, foram negativadas, com fundamentos concretos e válidos, as circunstâncias judiciais da culpabilidade e da conduta social. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental.