RHC 198414 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque, embora a Lei de Execução Penal exija oitiva judicial prévia para regressão definitiva de regime, a jurisprudência do STJ admite a regressão cautelar sem a oitiva prévia do apenado; assim, a decisão que manteve a regressão cautelar foi considerada regular.
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- Parties
- Agravante (paciente No Habeas Corpus): MAICON JUNIOR DE ANDRADE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 July 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Recurso Em Habeas Corpus / Acórdão (julgamento Da Sexta Turma)
- Outcome
- Agravo regimental não provido
- Legal Topics
- Regressão Cautelar De Regime, Oitiva Prévia Do Apenado, Falta Grave, Regressão Definitiva De Regime
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Parties
MAICON JUNIOR DE ANDRADE
Agravante (paciente No Habeas Corpus)
Procedural Posture
Agravo Regimental No Recurso Em Habeas Corpus / Acórdão (julgamento Da Sexta Turma)
Legal Issues
- 1 Necessidade de prévia oitiva judicial para regressão de regime
- 2 Dispensa da oitiva em caso de regressão cautelar de regime
- 3 Aplicação do art. 118, § 2º da Lei de Execução Penal
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque, embora a Lei de Execução Penal exija oitiva judicial prévia para regressão definitiva de regime, a jurisprudência do STJ admite a regressão cautelar sem a oitiva prévia do apenado; assim, a decisão que manteve a regressão cautelar foi considerada regular.
Court Disposition
Agravo regimental não provido
Orders
- Nego provimento ao agravo regimental; manutenção da decisão que determinou a regressão cautelar de regime
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 25/06/2024 a 01/07/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Antonio Saldanha Palheiro, Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT) e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. INFRAÇÃO DISCIPLINAR GRAVE. REGRESSÃO CAUTELAR DE REGIME. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA OITIVA JUDICIAL. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Nos termos a jurisprudência consolidada desta Corte Superior, em caso de prática de fato definido como crime doloso ou falta grave, consoante exegese do art. 118, § 2º, da Lei de Execução Penal, é necessária a prévia oitiva judicial do apenado antes que se proceda à regressão de regime. 2. Referida audiência é dispensada tão-somente quando se trata, assim como na hipótese, de regressão cautelar de regime, visto que " a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça é sólida em reconhecer a legalidade da regressão cautelar de regime prisional sem a audiência do apenado, sendo este procedimento exigido somente quando da regressão definitiva" (AgRg no HC n. 736.226/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/8/2022). 3. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO MAICON JUNIOR DE ANDRADE agrava da decisão de fls. 96-99, em que indeferi o writ liminarmente, dada a ausência de patente ilegalidade na decisão que regrediu cautelarmente o apenado a regime mais severo. Para tanto, assere que "não se denota justo e necessário a regressão do recorrente que demonstra uma conduta de recuperação perante a sociedade, constituiu um trabalho digno e um ca rgo de valor em empresa reconhecida nacionalmente, além de uma família com filhos menores" (fl. 107). Requer, assim, "a reforma da decisão agravada, com o prosseguimento do Recurso em Habeas Corpus, assegurando-se a oitiva prévia do condenado antes da determinação de regressão cautelar de regime, em respeito aos princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa e legalidade" (fl. 107). EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. INFRAÇÃO DISCIPLINAR GRAVE. REGRESSÃO CAUTELAR DE REGIME. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA OITIVA JUDICIAL. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Nos termos a jurisprudência consolidada desta Corte Superior, em caso de prática de fato definido como crime doloso ou falta grave, consoante exegese do art. 118, § 2º, da Lei de Execução Penal, é necessária a prévia oitiva judicial do apenado antes que se proceda à regressão de regime. 2. Referida audiência é dispensada tão-somente quando se trata, assim como na hipótese, de regressão cautelar de regime, visto que " a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça é sólida em reconhecer a legalidade da regressão cautelar de regime prisional sem a audiência do apenado, sendo este procedimento exigido somente quando da regressão definitiva" (AgRg no HC n. 736.226/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/8/2022). 3. Agravo regimental não provido. VOTO Conforme já apontado na decisão vergastada, aduziu a defesa, perante a Corte de origem, "que não foi oportunizado à defesa se manifestar sobre o suposto cometimento de falta grave que ensejou a regressão cautelar do paciente, o que consiste em violação do princípio do contraditório" (fl. 69). Percebe-se que o Juízo da execução procedeu à regressão de regime do apenado, a despeito de não haver sido o sentenciado ouvido perante a autoridade judicial. A um primeiro olhar, esse entendimento contrariaria a jurisprudência consolidada desta Corte Superior, segundo a qual, em caso de prática de fato definido como crime doloso ou falta grave, consoante exegese do art. 118, § 2º, da Lei de Execução Penal, é necessária a prévia oitiva judicial do apenado antes que se proceda à regressão de regime. Confiram-se: .. 3. Na espécie, o Juízo da instância primeira e o Tribunal de origem determinaram a regressão definitiva ao regime prisional anterior, sem a oitiva do sentenciado, o que caracteriza flagrante ilegalidade. 4. Habeas Corpus não conhecido. Contudo, ordem concedida de ofício para anular a decisão proferida pelo Juízo da instância primeira, no que concerne à determinação da regressão definitiva de regime, a fim de que, quanto a esse aspecto, outra seja proferida com a observância da prévia oitiva judicial do condenado (HC n. 478.958/SC, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª T., DJe 19/12/2018, grifei). .. 2. Confirmada a não oitiva do paciente antes da decisão definitiva de regressão de regime prisional, resta violado o comando do artigo 118, § 2º da LEP, que não é suprido pela oitiva administrativa. 3. Embora não seja caso de liberdade ao paciente, porque corretamente caracterizada a decisão como cautelar, novo processamento, com oitiva e contraditório, deverá ser realizado para a adequada definição de regressão ou não do regime prisional. 4. Habeas corpus não conhecido, mas concedida a ordem de ofício para anular a decisão proferida pelo juízo da execução que determinou a regressão de regime sem prévia oitiva judicial do condenado e determinar que outra seja proferida, com a observância do contraditório e da ampla defesa .. (HC n. 301.622/RJ, Rel. Ministro Nefi Cordeiro, 6ª T., DJe 12/2/2015, destaquei). Todavia, na hipótese, não há mácula na manutenção da regressão cautelar de regime, porquanto " e sta Corte Superior possui entendimento pacífico no sentido de que, praticada falta grave pelo Condenado, é perfeitamente cabível a regressão cautelar do regime prisional, com fundamento na comunicação dessa infração ao Juízo, sem a oitiva prévia do Apenado, que somente é exigida na regressão definitiva (precedentes)" (HC n. 446.733/SE, Rel. Ministra Laurita Vaz, 6ª T., DJe 7/11/2018, destaquei). No mesmo sentido: .. 3- Evidenciando-se a prática de falta grave, consistente no descumprimento das condições imposta ao regime aberto, na modalidade prisão albergue domiciliar, é cabível a regressão cautelar do regime prisional pelo Juiz das execuções, sem a exigência da oitiva prévia do sentenciado, necessária apenas para a regressão definitiva ao regime mais severo. .. (AgRg no HC n.º 438.243/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 06/08/2019, DJe 13/08/2019) 4- Não houve violação da Resolução 474/2022 do CNJ, a qual prevê intimação do condenado por sentença definitiva para dar início ao cumprimento da pena, hipótese diversa dos autos em que o recorrente, a par não ter comparecido, desde setembro/2019, para cumprir a prestação de serviços comunitários inicialmente estabelecida em audiência admonitória, deixou de atender às intimações do Juízo e não foi encontrado por três vezes no endereço informado nos autos .. (AgRg no HC n. 806.034/MG, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 24/3/2023.) AGRAVO REGIMENTAL. EXECUÇÃO PENAL. REGISTRO DE INFRAÇÃO DISCIPLINAR GRAVE. REGRESSÃO CAUTELAR DE REGIME. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA OITIVA JUDICIAL. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, no caso de regressão cautelar, não é necessária a prévia instauração ou conclusão do procedimento administrativo, tampouco a oitiva do sentenciado em juízo, exigíveis apenas no caso de regressão definitiva. 2. Agravo regimental não provido (AgRg nos EDcl no HC n. 471.206/SC, relator Ministro Rogerio Schietti, Sexta Turma, DJe de 13/12/2018.) Por fim, deve-se frisar também que " a jurisprudência desta Corte Superior é no sentido de que o art. 118, inciso I, da Lei de Execução Penal, estabelece que o apenado ficará sujeito à transferência para qualquer dos regimes mais gravosos quando praticar fato definido como crime doloso ou falta grave, não havendo que se observar a forma progressiva estabelecida no art. 112 do normativo em referência (STJ. AgRg no REsp 1575529/MS, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 07/06/2016, DJe 17/06/2016) (AgRg no REsp 1672666/MS, Rel. Ministro NEFI CORDEIRO, SEXTA TURMA, j. 13/03/2018, DJe 26/03/2018)" (AgRg no REsp n. 1.773.347/RO, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª T., DJe 10/12/2018). À vista do exposto, nego provimento ao recurso.