HC 1039568 - DECISAO
O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que a aprovação, ainda que parcial, no ENCCEJA/ENEM enseja remição da pena nos termos do art. 126 da LEP e das normas do CNJ, aplicando-se as bases de cálculo jurisprudenciais (p.ex. parametrização por horas mencionada), razão pela qual a conclusão do Tribunal de...
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- Parties
- Paciente: ANDERSON BARBOZA SILVEIRA DOS SANTOS; Agravante: Ministério Público; Órgão Prolator: Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo - 9ª Câmara de Direito Criminal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 October 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Concessão Da Ordem
- Outcome
- Ordem concedida para reestabelecer a decisão do Juízo da Vara de Execuções Penais que deferiu a remição pela aprovação parcial no ENCCEJA de 2024
- Legal Topics
- Remição Da Pena, Aprovação Parcial No Encceja/enem, Interpretação Do Art. 126 Da LEP, Jurisprudência Do STJ, Normativos Do CNJ
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Parties
ANDERSON BARBOZA SILVEIRA DOS SANTOS
Paciente
Ministério Público
Agravante
Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo - 9ª Câmara de Direito Criminal
Órgão Prolator
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Concessão Da Ordem
Legal Issues
- 1 Possibilidade de remição da pena por aprovação parcial no ENCCEJA/ENEM
- 2 Base de cálculo das horas/dias para remição
- 3 Aplicação da Resolução n. 391/2021 e Recomendação n. 44/2013 do CNJ
Ratio Decidendi
O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que a aprovação, ainda que parcial, no ENCCEJA/ENEM enseja remição da pena nos termos do art. 126 da LEP e das normas do CNJ, aplicando-se as bases de cálculo jurisprudenciais (p.ex. parametrização por horas mencionada), razão pela qual a conclusão do Tribunal de origem que negou o benefício contraria a orientação do STJ; por isso a ordem foi concedida para restabelecer a decisão do Juízo de Execuções Penais que deferiu a remição pela aprovação parcial no ENCCEJA 2024.
Court Disposition
Ordem concedida para reestabelecer a decisão do Juízo da Vara de Execuções Penais que deferiu a remição pela aprovação parcial no ENCCEJA de 2024
Orders
- Restabelecer a decisão do Juízo da Execução que concedeu remição pela aprovação parcial no ENCCEJA 2024
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de ANDERSON BARBOZA SILVEIRA DOS SANTOS apontando-se como ato coator o acórdão proferido pela 9ª Câmara de Direito Criminal do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, no Agravo de Execução Penal n. 0009625-36.2025.8.26.0502. Costa dos autos que o Juízo da Vara de Execuções Penais deferiu o pedido formulado pela defesa de remição por aprovação parcial no ENCCEJA 2024 (e-STJ fl. fls. 12/15). O Ministério Público interpôs agravo de execução penal perante o TJSP, que deu provimento ao recurso, por maioria, em acórdão que recebeu a seguinte ementa (e-STJ fl. 8): Agravo em Execução Penal - Ministério Público - Deferimento de remição da pena pelo estudo - Pretensão à cassação da decisão - Necessidade Aprovação parcial no "ENCCEJA" - Artigo 126, parágrafo 5º, da Lei de Execução Penal e Resolução nº 391/2021 do CNJ - Reprovação em duas das cinco áreas do conhecimento avaliadas no exame - Desempenho insuficiente à benesse Inteligência da Portaria nº 147/2008 do INEP - Por maioria de votos, recurso de agravo em execução provido. No presente writ, a parte impetrante alega que o sentenciado foi aprovado em quatro das cinco nas áreas de conhecimento no ENEM 2022, perfazendo nota superior a 400 nestas matérias. Aduz que realizou os estudos que lhe dão direito à remição de penas, não estando presentes os motivos para negar tal benefício. Requer, liminarmente e no mérito, que seja mantido o direito do paciente à remição parcial da pena pelo estudo, com base na aprovação em áreas do ENCCEJA. É o relatório. Decido. A iterativa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, esposada nas recomendações do Conselho Nacional de Justiça, vem reforçando a tese de que a aprovação, mesmo que parcial, no ENEM ou no ENCCEJA, ainda que não comprovada a dedicação do paciente aos estudos ou participação em instituto formal para tanto, importa na remição da pena, excepcionando-se se já foi agraciado com a mesma benesse de forma exaustiva anteriormente. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. REMIÇÃO DA PENA. APROVAÇÃO PARCIAL NO ENEM. ART. 126 DA LEP E NORMATIVOS DO CNJ. BASE DE CÁLCULO UTILIZADA PELAS INSTÂNCIAS DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. RECURSO DESPROVIDO. 1. O art. 126 da LEP possibilita ao condenado, em cumprimento dos regimes fechado ou semiaberto, a remição de parte do tempo de execução da pena por meio do trabalho ou do estudo. 1. Como resultado de uma interpretação analógica in bonam partem do art. 126 da LEP, a jurisprudência desta Corte entende ser possível a abreviação da reprimenda em razão de atividades que não estejam expressas no texto legal. 2. Nessa linha de raciocínio, o Conselho Nacional de Justiça editou a Recomendação n. 44 de 26/11/2013 e a Resolução n. 391/2021, que tratam da possibilidade de remir dias de pena pela aprovação nos exames nacionais que certificam a conclusão de ensino médio e fundamental, bem como no ENEM. 3. O objetivo deste conjunto de regras acerca da remição da pena por aproveitamento dos estudos é incentivar ao apenado a dedicação de seu tempo aos estudos, favorecendo, desse modo, a readaptação ao convívio social, bem como o ingresso no mercado de trabalho. 4. Quanto à base de cálculo, "a jurisprudência desta Corte e do Supremo Tribunal Federal é assente no sentido de que as 1.200 horas, correspondentes ao ensino médio, divididas por 12 (1 dia de pena a cada 12 horas de estudo) resultam em 100 dias remidos .. " e que " .. Idêntica forma de parametrar a contagem do tempo a ser remido é aplicável ao ENEM, com a exceção de que o apenado aprovado em todas as áreas do ENEM, a partir de 2017, não faz jus ao acréscimo de 1/3 (um terço) previsto no art. 126, § 5º, da LEP." (AgRg no HC n. 786.844/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, relator para acórdão Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 8/8/2023, DJe de 13/9/2023). 5. Hipótese em que não se verifica flagrante ilegalidade, apta a ensejar a concessão da ordem, de ofício, na determinação judicial para que fossem remidos 40 dias de pena do reeducando, relativos à sua aprovação em duas áreas do conhecimento do ENEM. 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 935.988/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 30/9/2024, DJe de 4/10/2024.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO - ENEM. APROVAÇÃO EM 2 ÁREAS DO CONHECIMENTO. ORDEM CONCEDIDA PARA REMIR 40 DIAS DE PENA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. DECISÃO MANTIDA. 1. Conforme orientação jurisprudencial desta Corte, "deixar de reconhecer o direito do apenado à remição de pena por aprovação total ou parcial no ENEM é negar vigência à Resolução 391 do CNJ" (AgRg no HC 786.844/SP, relator para o acórdão o Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 08/08/2023, DJe de 13/09/2023, grifos acrescidos). 2. Agravo regimental não provido. Decisão mantida. (AgRg no HC n. 864.702/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 13/8/2024, DJe de 16/8/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. REMIÇÃO DA PENA. APROVAÇÃO PARCIAL NO ENEM (EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO). INCENTIVO AO ESTUDO E À RESSOCIALIZAÇÃO COMO FINALIDADE PRECÍPUA DA PENA. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA DO ART. 126 DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL - LEP. POSSIBILIDADE. RECOMENDAÇÃO N. 44/2013 DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA - CNJ. PRECEDENTES. QUESTÃO NÃO SUSCITADA NAS CONTRARRAZÕES DO APELO NOBRE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, DESPROVIDO. 1. Segundo firme entendimento desta Corte Superior, há direito à remição da pena, pelo estudo, em decorrência da aprovação parcial no Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM. 2. O tema encontra-se atualmente pacificado em consonância com a jurisprudência prevalente na Quinta Turma desta Corte, no sentido de considerar como bases de cálculo para a remição pela aprovação no ENCCEJA os totais de 1600 (mil e seiscentas) horas para os anos finais do ensino fundamental e 1200 (mil e duzentas) horas para o ensino médio, o que corresponde a 50% (cinquenta por cento) da carga horária legalmente prevista para os referidos níveis de ensino, nos termos da Lei n. 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) e Recomendação n. 44/2013 do Conselho Nacional de Justiça. 3. O Agravado foi aprovado em 4 (quatro) das 5 (cinco) áreas de conhecimento do ENEM, razão pela qual, conforme a jurisprudência dominante nesta Corte Superior, tem direito à remição de 80 (oitenta) dias de pena. 4. O Agravante, ao oferecer as contrarrazões ao recurso especial defensivo, não suscitou a alegação de que o Agravado não teria comprovado que não havia concluído anteriormente o ensino médio, o que, no seu entender, impediria a concessão da remissão, vindo a trazer tal questionamento tão-somente no presente regimental, o que configura indevida inovação, inadmissível no recurso interno, pela preclusão consumativa. 5. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa extensão, desprovido. (AgRg no REsp n. 1.995.491/MG, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 7/6/2022, DJe de 13/6/2022.) Nesse contexto, a conclusão exposta pelo Tribunal de origem não está em consonância com a orientação do Superior Tribunal de Justiça. Ante o exposto, concedo a ordem para reestabelecer a decisão do Juízo da execução concedeu o benefício da remição, pela aprovação parcial no ENCCEJA de 2024. Publique-se. Intimem-se. EMENTA