AREsp 2703286 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o entendimento adotado é o de que é cabível a remição da pena por aprovação no ENEM ou ENCCEJA mesmo que o apenado já tenha concluído o ensino médio, tendo em vista que a aprovação pressupõe estudos durante a execução da pena e deve ser aproveitada conforme art. 126 da...
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- Parties
- Agravante: Ministério Público Federal; Agravado: Estevao Andrew de Oliveira Miranda
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 October 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Virtual Da Sexta Turma (sessão Virtual De 16/10/2025 a 22/10/2025)
- Outcome
- Agravo regimental improvido
- Legal Topics
- Remição Da Pena, Exame Nacional Do Ensino Médio (enem), ENCCEJA, Bis in Idem, Interpretação Extensiva in Bonam Partem
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Parties
Ministério Público Federal
Agravante
Estevao Andrew de Oliveira Miranda
Agravado
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Virtual Da Sexta Turma (sessão Virtual De 16/10/2025 a 22/10/2025)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de remição da pena por aprovação no ENEM mesmo que o apenado já tenha concluído o ensino médio
- 2 Remição por aprovação parcial no ENEM (aproveitamento de 2 das 5 áreas) e por aprovação no ENCCEJA
- 3 Aplicação do art. 126 da Lei de Execução Penal e da Recomendação n. 44/2013 do CNJ
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o entendimento adotado é o de que é cabível a remição da pena por aprovação no ENEM ou ENCCEJA mesmo que o apenado já tenha concluído o ensino médio, tendo em vista que a aprovação pressupõe estudos durante a execução da pena e deve ser aproveitada conforme art. 126 da Lei de Execução Penal, Recomendação n. 44/2013 do CNJ e jurisprudência consolidada do STJ (incluindo EREsp n. 1.979.591/SP). Assim, os argumentos do agravante não foram suficientes para infirmar a decisão agravada.
Court Disposition
Agravo regimental improvido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental interposto pelo Ministério Público Federal
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 16/10/2025 a 22/10/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Rogerio Schietti Cruz, Antonio Saldanha Palheiro, Carlos Pires Brandão e Og Fernandes votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. REMIÇÃO DA PENA POR APROVAÇÃO EM 2 DAS 5 ÁREAS DE CONHECIMENTO EXIGIDAS NO EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO - ENEM/2022. APROVAÇÃO NO ENCCEJA. APENADO VINCULADO A ATIVIDADES REGULARES DE ENSINO NO INTERIOR DO ESTABELECIMENTO PRISIONAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA IN BONAM PARTEM. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. Agravo regimental improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto pelo Ministério Público Federal contra a decisão que conheceu do agravo para dar provimento a recurso especial de Estevao Andrew de Oliveira Miranda (fls. 232/236). Assevera-se que, especificamente acerca da matéria sob análise, observa-se que a ambas as Turmas de Direito Criminal desse eg. Superior Tribunal de Justiça orientam-se no mesmo sentido do acórdão proferido pela Corte estadual, entendendo ser inviável a remição de pena decorrente de aprovação no ENEM ou no ENCCEJA quando, na mesma execução penal, o benefício já foi deferido em decorrência de aprovação anterior em exame de mesmo nível educacional (médio), sob pena de bis in idem (fl. 246). Ao final da peça recursal, o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL requer a Vossa Excelência que, em sede de juízo de retratação, reconsidere a decisão de fls. 232/236 e-STJ, ou submeta o presente agravo regimental à análise da Sexta Turma, para que seja conhecido e provido, com a consequente reforma da decisão monocrática e denegação da ordem (fl. 248). É o relatório. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. REMIÇÃO DA PENA POR APROVAÇÃO EM 2 DAS 5 ÁREAS DE CONHECIMENTO EXIGIDAS NO EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO - ENEM/2022. APROVAÇÃO NO ENCCEJA. APENADO VINCULADO A ATIVIDADES REGULARES DE ENSINO NO INTERIOR DO ESTABELECIMENTO PRISIONAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA IN BONAM PARTEM. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. Agravo regimental improvido. VOTO Os argumentos recursais não são suficientes para infirmar os fundamentos da decisão agravada. Com efeito, é cabível a remição pela aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM ainda que o apenado já tenha concluído o Ensino Médio anteriormente, pois a aprovação no exame demanda estudos por conta própria mesmo para aqueles que, fora do ambiente carcerário, já possuem o referido grau de ensino. Desse modo, é devido o aproveitamento dos estudos realizados durante a execução da pena com o objetivo específico de lograr aprovação nesta exigente avaliação nacional, nos termos do art. 126 da Lei de Execução Penal e da Recomendação n. 44/2013 do Conselho Nacional de Justiça. No julgamento do EREsp n. 1.979.591/SP, relatoria do Min. Messod Azulay Neto, a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça fixou o entendimento de que é possível a remição, mesmo nos casos de aprovação parcial no Enem ou em bis in idem, exatamente o que se pleiteou neste writ. Eis a ementa do julgado: EXECUÇÃO PENAL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. PROCESSO PENAL. REMIÇÃO DE PENA. APROVAÇÃO NO EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO. APÓS CONCLUSÃO DO ENSINO MÉDIO. POSSIBILIDADE DE CONCESSÃO DA BENESSE. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PROVIDOS. 1. O Exame Nacional de Certificação de Competências de Jovens e Adultos - ENCCEJA é a avaliação de âmbito nacional própria para a certificação do aproveitamento do conteúdo programático do ensino médio e do ensino fundamental àqueles que atingiram a idade de quinze anos (para o nível fundamental) ou dezoito anos (para o nível médio). Diferentemente do ENEM, o ENCCEJA não se presta, por si só, ao ingresso no ensino superior. 2. No caso dos autos, minha posição externada no julgamento do HC n. º 786.844, foi no sentido de que o paciente não faria jus à remição pelo estudo individual, uma vez que, conforme ressaltado pelo agravante, ao iniciar o cumprimento da pena, o agravado já havia concluído o ensino médio. Naquela oportunidade, o fundamento adotado era o de que a finalidade da remição pelo estudo não é simplesmente diminuir o tempo de encarceramento da pessoa presa, mas, facilitar a sua reintegração social por meio do aprendizado de novos conhecimentos. 3. Contudo, no julgamento do precitado HC n.º 786.844, realizado em agosto desta ano de 2023, restou consignado pela Quinta Turma deste STJ, por maioria de votos, a possibilidade de remição da pena na hipótese em exame, ou seja, mesmo após a conclusão do ensino médio e ainda que o sentenciado tenha obtido o diploma de curso superior antes do início do cumprimento da pena, como é o caso dos autos. 4. Em sendo assim, submeto os presentes embargos de divergência a esta Terceira Seção, para que se defina a posição deste colegiado em relação ao tema e se estabilize a jurisprudência desta Corte, de forma a se atender ao dever cooperativo de coerência enunciado pelo art. 926 do CPC. Embargos de divergência providos" (EREsp n. 1.979.591/SP, Terceira Seção, Min. Messod Azulay Neto, DJe de 13/11/2023). Em reforço: AgRg no HC n. 952.590/DF, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 17/12/2024, DJEN de 23/12/2024; AgRg no HC n. 928.497/SC, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 13/11/2024, DJe de 18/11/2024; e AgRg no REsp n. 2.070.298/MG, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 13/11/2024, DJe de 18/11/2024. Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental.