REsp 2096710 - DECISAO
Conhecer do recurso especial e dar-lhe provimento, determinando que o juízo da execução aplique o benefício da remição por estudo com o acréscimo de 1/3 em razão da aprovação do recorrente no ENCCEJA, dispensando a apresentação de histórico escolar, por interpretação do art.126 da LEP em consonância com a Resolução...
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- Parties
- Recorrente: GLEISSON ROCHA LOPES; Agravante: Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais; Órgão Prolator Do Acórdão Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais; Manifestante: Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 March 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Recurso especial conhecido e provido
- Legal Topics
- Remição Da Pena Pelo Estudo, ENCCEJA, Histórico Escolar, Interpretação Do Art. 126 Da LEP, Resolução CNJ Nº 391/2021, Recomendação CNJ N.44/2013
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Parties
GLEISSON ROCHA LOPES
Recorrente
Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais
Agravante
Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais
Órgão Prolator Do Acórdão Recorrido
Ministério Público Federal
Manifestante
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Possibilidade de remição da pena por aprovação no ENCCEJA mesmo quando o apenado estudou por conta própria
- 2 Exigibilidade do histórico escolar para a concessão da remição por estudos por conta própria
- 3 Aplicação do acréscimo de 1/3 quando há certificação de conclusão do curso, nos termos do art. 126, §5º, da LEP
Ratio Decidendi
Conhecer do recurso especial e dar-lhe provimento, determinando que o juízo da execução aplique o benefício da remição por estudo com o acréscimo de 1/3 em razão da aprovação do recorrente no ENCCEJA, dispensando a apresentação de histórico escolar, por interpretação do art.126 da LEP em consonância com a Resolução CNJ nº 391/2021 e a jurisprudência desta Corte.
Court Disposition
Recurso especial conhecido e provido
Orders
- Determinar que o Juízo da execução aplique o benefício da remição por estudo com o acréscimo de 1/3, em decorrência da aprovação do recorrente no ENCCEJA, dispensando-se a apresentação de histórico escolar.
- Publique-se. Intimem-se.
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DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por GLEISSON ROCHA LOPES contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais no Agravo em Execução n.º 0070043-36.2016.8.13.0301. A Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais interpôs agravo em execução contra decisão do Juízo da Vara de Execuções Criminais da Comarca de Ribeirão das Neves/MG, que indeferiu o pedido de remição de pena pelo estudo por conta própria, uma vez ausente a juntada de histórico escolar completo e atualizado do sentenciado. O Tribunal de Justiça Mineiro manteve a decisão de primeira instância, sob o fundamento de que não houve juntada do histórico escolar completo e atualizado, o que inviabilizaria a aferição da existência de período de estudo formal, conforme ementa que ora destaco (e-STJ fls. 470-474): AGRAVO EM EXECUÇÃO - REMIÇÃO DA PENA PELO ESTUDO - CONCLUSÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL POR MEIO DA APROVAÇÃO NO ENCCEJA - ACRÉSCIMO DE UM TERÇO - HISTÓRICO ESCOLAR - NECESSIDADE - 1. A previsão do acréscimo de 1/3 (um terço) no tempo a remir em função das horas de estudo é destinado, exclusivamente, àqueles reeducandos que logram concluir um dos referidos níveis de ensino durante o cumprimento da pena. 2. O histórico escolar completo é documento necessário para a verificação de conclusão do ensino regular (fundamental, médio ou superior), especialmente para demonstração da conclusão de etapa no curso do cumprimento da sanção penal imposta. Interpostos Embargos de Declaração, o recurso foi rejeitado (e-STJ fls. 496-499). Diante da decisão desfavorável, a Defensoria Pública interpôs recurso especial com fundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal, alegando violação aos artigos 126, §5º, da Lei de Execução Penal e 3º, parágrafo único, da Resolução nº 391/2021 do Conselho Nacional de Justiça. Argumenta que a conclusão do ensino fundamental pelo ENCCEJA, devidamente certificada por órgão competente, seria suficiente para concessão do benefício da remição da pena. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo conhecimento parcial do recurso e não provimento (e-STJ fls. 546-560). É o relatório. Decido. A iterativa jurisprudência desta Corte Superior, esposada nas recomendações do CNJ, vem reforçando a tese de que a aprovação, mesmo que parcial, no ENEM ou no ENCCEJA, ainda que não comprovada a dedicação do agente aos estudos ou participação em instituto formal para tanto, importa na remição da pena, mesmo que o reeducando já tenha concluído o ensino fundamental, excepcionando-se, apenas, se ostenta diploma de nível superior ou já foi agraciado com a mesma benesse de forma exaustiva anteriormente. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. VIOLAÇÃO DO ART. 126, CAPUT, § 2º E § 5º, DA LEP. PLEITO DE DECOTE DO RECONHECIMENTO DA REMIÇÃO PELO ESTUDO POR CONTA PRÓPRIA. APROVAÇÃO EM ÁREAS DE CONHECIMENTO NO ENCCEJA. PRESCINDIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DO HISTÓRICO ESCOLAR E CERTIFICADO. INCENTIVO AO ESTUDO E À RESSOCIALIZAÇÃO COMO FINALIDADE PRECÍPUA DA PENA. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA DO ART. 126 DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL - LEP. POSSIBILIDADE. RECOMENDAÇÃO N. 44/2013 DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA - CNJ. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. No caso concreto, a Corte mineira dispôs que o agravante juntou aos autos o certificado emitido que comprova a sua aprovação no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA) e, consequentemente, atesta a conclusão do ensino médio (sequencial 307.1, do Sistema Eletrônico de Execução Unificado -SEEU). .. as entidades certificadoras do ENCCEJA não exigem a apresentação de histórico escolar para realização do exame. Por essa razão, o documento apresentado no sequencial 307.1 do SEEU não registra o histórico escolar completo do reeducando, na medida em que atesta somente as áreas de conhecimento que compuseram o Exame. .. a remição de pena pelos estudos deve ser concedida, considerando que o reeducando comprovou sua aprovação no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA) no ensino médio. 2. A Resolução CNJ n. 391/2021 prevê que faz jus à remição o apenado que, embora não esteja vinculado a atividades regulares de ensino, realiza estudos por conta própria e obtém aprovação nos exames nacionais que certificam a conclusão do ensino fundamental/médio. .. se a norma admite a remição da pena por aprovação no ENCCEJA mesmo que o apenado não esteja vinculado a atividades regulares de ensino no interior da unidade prisional, incoerente a exigência de apresentação do histórico escolar, exatamente porque o sentenciado realizou os estudos por conta própria, sem estar matriculado em instituição de ensino. .. A interpretação extensiva do art. 126, § 1º, I, da LEP aliada disposto na Resolução CNJ n. 391/2021, orientação deduzida na decisão agravada e que prestigia o estudo como método factível para o alcance da reintegração social, vem sendo adotada em decisões de ambas as Turmas que compõem a Terceira Seção desta Corte Superior de Justiça (AgRg no REsp n. 2.069.804/MG, Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe 14/9/2023). 3. "O Conselho Nacional de Justiça, por meio da Recomendação n. 44/2013, posteriormente substituída pela Resolução n. 391/2021, estabeleceu a possibilidade de remição de pena à pessoa privada de liberdade que, por meio de estudos por conta própria, vier a ser aprovada nos exames que certificam a conclusão do ensino fundamental ou médio (ENCCEJA ou outros) e aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM." (AgRg no HC n. 828.464/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 28/8/2023, DJe de 30/8/2023.) .. Noutra vertente, " .. se a norma admite a remição da pena por aprovação no ENCCEJA mesmo que o apenado não esteja vinculado a atividades regulares de ensino no interior da unidade prisional, incoerente a exigência de apresentação do histórico escolar, exatamente porque o sentenciado realizou os estudos por conta própria, sem estar matriculado em instituição de ensino" (AgRg no REsp n. 2.069.804/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 11/9/2023, DJe de 14/9/2023.) - (AgRg no AREsp n. 2.290.488/MG, Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, DJe 1/12/2023). 4. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp n. 2.082.156/MG, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 11/3/2024, DJe de 14/3/2024.) Grifo nosso. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. REMIÇÃO DA PENA POR ESTUDOS. ART. 126 DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL LEP. RECOMENDAÇÃO N. 44/2013 DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA CNJ. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 24, I, E 35 DA LEI 9.394/1996. APROVAÇÃO PARCIAL NO ENSINO MÉDIO. EMBARGOS ACOLHIDOS. 1. A Terceira Seção desta Corte Superior, no julgamento do HC 602.425/SC, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, DJe 6/4/2021, unificou o entendimento no sentido de que a remição pelo estudo decorrente da aprovação no Exame Nacional de Certificação de Competências de Jovens e Adultos - ENCCEJA, nos termos da Recomendação n. 44/2013, do Conselho Nacional de Justiça - CNJ, deve se dar, em nível médio, na proporção de 20 dias de desconto da pena para a aprovação em cada uma das 5 áreas, e de 26 dias, na hipótese do exame de nível fundamental, somando-se, ainda, 1/3 (um terço), se houver conclusão certificada do curso, nos termos do § 5º, do art. 126, da Lei de Execuções Penais - LEP. 2. A hipótese dos autos trata de aprovação parcial em uma área de conhecimento do ensino médio. 3. Embargos de declaração acolhidos, para conceder a ordem, de ofício, e determinar que sejam considerados apenas 20 dias de remição na pena do embargado. (EDcl no AgRg no HC n. 600.513/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 3/8/2021, DJe de 6/8/2021.) Nesse contexto, a conclusão exposta pelas instâncias ordinárias não está em consonância com a orientação do Superior Tribunal de Justiça. Ante o exposto, conheço do recurso e dou-lhe provimento para determinar que o Juízo da execução aplique o benefício da remição por estudo com o acréscimo de 1/3, em decorrência da aprovação do recorrente no ENCCEJA, ficando dispensada a apresentação de histórico escolar. Publique-se. Intimem-se. EMENTA