HC 888498 - DECISAO
Como o paciente já havia recebido remição parcial pela frequência a atividades regulares de ensino presencial, a concessão adicional pretendida em razão de aprovação no ENCCEJA configuraria duplicidade de benefício; a jurisprudência consolidada do STJ não admite remição em duplicidade para o mesmo nível/exame,...
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- Parties
- Paciente: ISAC SOBRINHO MIRANDA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Agravo em Execução Penal n. 0005715-48.2023.8.26.0509)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 March 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Denegatória
- Outcome
- Ordem denegada
- Legal Topics
- Remição De Pena, Remição Por Estudo, ENCCEJA, Duplicidade De Benefício, Art. 126 Da LEP
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Parties
ISAC SOBRINHO MIRANDA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Agravo em Execução Penal n. 0005715-48.2023.8.26.0509)
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Denegatória
Legal Issues
- 1 Possibilidade de remição por aprovação no ENCCEJA quando já houve remição por estudo presencial
- 2 Caracterização de duplicidade de concessão do mesmo benefício
- 3 Interpretação e aplicação do art. 126 da Lei de Execução Penal
Ratio Decidendi
Como o paciente já havia recebido remição parcial pela frequência a atividades regulares de ensino presencial, a concessão adicional pretendida em razão de aprovação no ENCCEJA configuraria duplicidade de benefício; a jurisprudência consolidada do STJ não admite remição em duplicidade para o mesmo nível/exame, motivo pelo qual a ordem foi denegada.
Court Disposition
Ordem denegada
Orders
- Denego a ordem, acolhido o parecer ministerial.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de ISAC SOBRINHO MIRANDA no qual se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (Agravo em Execução Penal n. 0005715-48.2023.8.26.0509). Depreende-se dos autos que o agente foi agraciado com remição de 115 dias pela aprovação no ENCCEJA, mas deseja obter 177 dias dada a aprovação total ainda que já tenha sido beneficiado com outros dias pelo estudo presencial. Neste writ, sustenta a defesa que "o sentido e o alcance do artigo 126 da Lei de Execução Penal podem ser ampliados pelo aplicador do direito, com o uso da hermenêutica, para abarcar atividades complementares como meio de estudo, como a simples leitura, ao fim de readaptação e de ressocialização do apenado, além de incentivar o bom comportamento e a disciplina" (e-STJ fl. 6). Pugna, ao final, pela concessão da ordem, a fim de conceder a remição de 177 dias o relatório. Decido. Alega a defesa, em síntese, que o paciente teria direito à remição de pena pela aprovação no ENCCEJA, mesmo que já beneficiado anteriormente com remição em razão de estudo presencial. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça se consolidou no sentido de que, em situações como a dos autos, haveria "mera reiteração da realização de uma prova para abatimento de pena, o que, obviamente, constitui concessão em duplicidade do benefício pelo mesmo fato, não restando configurado qualquer acréscimo intelectual" (AgRg no HC n. 592.511/SC, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 8/9/2020, DJe 15/9/2020). Desse modo, o entendimento firmado pelas instâncias ordinárias está em consonância com a jurisprudência desta Corte Superior, não merecendo reparo. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. REMIÇÃO POR ESTUDO. PLEITO EM DUPLICIDADE. BENESSE CONCEDIDA POR FREQUÊNCIA A ATIVIDADES REGULARES. IMPOSSIBILIDADE DE CONCESSÃO DA TOTALIDADE DE DIAS REMIDOS EM RAZÃO DE APROVAÇÃO NO ENCCEJA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Na hipótese, é " p acífica a jurisprudência desta Corte quanto à impossibilidade de conceder o benefício da remição da pena em duplicidade" (AgRg no HC n. 734.881/SC, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15/8/2022). 2. Agravo regimental não provido (AgRg no HC n. 774.389/SC, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 2/12/2022.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. REMIÇÃO. NOVA APROVAÇÃO NO ENCCEJA. DUPLICIDADE DE CONCESSÃO DO MESMO BENEFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO EVIDENCIADO. WRIT NÃO CONHECIDO. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a decisão agravada por seus próprios fundamentos. 2. O benefício da remição deve ser aplicado na situação em que o apenado obtém a aprovação no ENCCEJA ou ENEM, haja vista que configura aproveitamento dos estudos realizados durante a execução da pena, conforme dispõem o art. 126 da LEP e a Recomendação n. 44/2013 do CNJ. 3. Consolidou-se nesta Superior Corte entendimento no sentido de que a realização do mesmo exame não demonstra evolução, mas a mera reiteração da realização de uma prova para abatimento de pena, o que, obviamente, constitui concessão em duplicidade do benefício pelo mesmo fato, não restando configurado qualquer acréscimo intelectual (AgRg no HC 592.511/SC, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 08/09/2020, DJe 15/09/2020). 4 . Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 620.453/SC, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 23/2/2021, DJe de 1º/3/2021.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. REMIÇÃO PELO ESTUDO. CONCLUSÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL. POSTERIOR APROVAÇÃO NO EXAME NACIONAL DE CERTIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIAS DE JOVENS E ADULTOS - ENCCEJA - NÍVEL FUNDAMENTAL. IMPOSSIBILIDADE DE DUPLA REMIÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. É inviável a concessão de remição em duplicidade, assim considerada aquela que recai sobre o mesmo nível de ensino mais de uma vez, ainda que em meio presencial e por exame de competências. Precedentes. 2. Agravo Regimental no habeas corpus desprovido. (AgRg no HC n. 799.625/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 22/5/2023, DJe de 24/5/2023.) No mesmo sentido o Ministério Público Federal, de cujo parecer colaciono o seguinte excerto (e-STJ fls. 641/642): In casu, segundo consignado pela Corte deorigem, já havia sido concedida remição parcial da pena peloestudo quando o paciente esteve vinculado ao ensino regularno estabelecimento prisional, de forma que, com aapresentação do certificado de conclusão do ensino médio,tomou-se por base para novo cálculo as horas remanescentes,além do acréscimo previsto no art. 126, § 5º, da LEP, verbis: .. Assim, a concessão da ordem comopretendida implicaria duplicidade do benefício. A propósito,mutatis mutandis, os seguintes precedentes: Ante o exposto, denego a ordem, acolhido o parecer ministerial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA