AREsp 2357392 - ACORDAO
Conheceu-se do agravo e deu-se parcial provimento ao recurso especial porque, embora a remição pretendida pelo curso à distância de segurança do trabalho devesse ser negada por ausência de instituição conveniada/credenciada e controle da carga horária pela autoridade prisional, a aprovação do agravante no ENEM/2019...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Acórdão
- Outcome
- Agravo conhecido para dar provimento em parte ao recurso especial.
- Legal Topics
- Remição De Pena, Remição Por Estudo, Aprovação No ENEM, Ensino À Distância, Curso Profissionalizante, Art. 126 Da LEP, Resolução CNJ Nº 391/2021, Recomendação N. 44/2013 Do CNJ, Súmulas N. 7 E 83/stj
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Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Acórdão
Legal Issues
- 1 É cabível a remição de pena pela aprovação no ENEM mesmo que o apenado já tenha concluído o ensino médio antes do início do cumprimento da pena?
- 2 É possível a remição de pena por curso à distância realizado sem supervisão ou integração ao projeto político-pedagógico da unidade prisional?
- 3 Requisitos para a remição por curso à distância (instituição autorizada/convênio; controle da carga horária pela autoridade prisional).
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e deu-se parcial provimento ao recurso especial porque, embora a remição pretendida pelo curso à distância de segurança do trabalho devesse ser negada por ausência de instituição conveniada/credenciada e controle da carga horária pela autoridade prisional, a aprovação do agravante no ENEM/2019 em todas as cinco áreas justifica a remição de 100 dias de pena (1.200 horas equivalentes), nos termos da jurisprudência do STJ e da Resolução CNJ nº 391/2021.
Court Disposition
Agravo conhecido para dar provimento em parte ao recurso especial.
Orders
- Conceder remição de 100 dias da pena do recorrente em razão da aprovação no ENEM/2019.
- Manter indeferimento da remição relativa ao curso à distância de segurança do trabalho por ausência de instituição conveniada/credenciada e de controle da carga horária pela autoridade prisional.
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, conhecer do agravo e dar parcial provimento ao recurso especial, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. REMIÇÃO DE PENA. CURSO À DISTÂNCIA. INSTITUIÇÃO NÃO CONVENIADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CARGA HORÁRIA. ÓBICES DAS SÚMULAS N. 7 E 83/STJ. APROVAÇÃO NO ENEM APÓS A CONCLUSÃO DO ENSINO MÉDIO. POSSIBILIDADE. REMIÇÃO DE 20 DIAS DA PENA POR MATÉRIA APROVADA. VEDADO ACRESCIMO DE 1/3 DO ART. 126, §5º DA LEI DAS EXECUÇÕES. AGRAVO CONHECIDO PARA DAR PROVIMENTO EM PARTE AO RECURSO ESPECIAL. I. CASO EM EXAME 1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial, no qual se pleiteia a remição de pena por estudo, com base na aprovação no ENEM e na realização de curso à distância de segurança do trabalho. 2. Fato relevante. O agravante obteve notas satisfatórias no ENEM de 2019 e realizou curso à distância de segurança do trabalho. O pedido de remição foi negado pela juíza de primeiro grau, com base em parecer técnico que indicou que o agravante já havia concluído o ensino médio antes de ingressar no sistema prisional e que o curso à distância não estava integrado ao projeto político-pedagógico da unidade prisional. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 3. A questão em discussão consiste em saber se é possível a remição de pena pela aprovação no ENEM, mesmo que o apenado já tenha concluído o ensino médio antes do início do cumprimento da pena. 4. A questão também envolve a possibilidade de remição de pena por curso à distância realizado sem supervisão ou integração ao projeto político-pedagógico da unidade prisional. III. RAZÕES DE DECIDIR 5. A remição de pena por curso à distância requer que o curso seja oferecido por instituição autorizada ou conveniada com o Poder Público e que haja controle da carga horária pela autoridade prisional, o que não ocorreu no caso em análise. 6. A jurisprudência desta Corte admite a remição de pena pela aprovação no ENEM, mesmo que o apenado já tenha concluído o ensino médio anteriormente, pois a aprovação no exame demanda estudos por conta própria. 7. No caso, o agravante faz jus à remição de 100 dias de pena por ter obtido aprovação em todas as áreas de conhecimento do ENEM, conforme entendimento consolidado desta Corte. IV. AGRAVO CONHECIDO PARA DAR PROVIMENTO EM PARTE AO RECURSO ESPECIAL.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial manejado pelo ora agravante. Contraminuta apresentada, onde a parte recorrida postula o não conhecimento do recurso ou o seu não provimento. É o relatório. EMENTA PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. REMIÇÃO DE PENA. CURSO À DISTÂNCIA. INSTITUIÇÃO NÃO CONVENIADA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE CARGA HORÁRIA. ÓBICES DAS SÚMULAS N. 7 E 83/STJ. APROVAÇÃO NO ENEM APÓS A CONCLUSÃO DO ENSINO MÉDIO. POSSIBILIDADE. REMIÇÃO DE 20 DIAS DA PENA POR MATÉRIA APROVADA. VEDADO ACRESCIMO DE 1/3 DO ART. 126, §5º DA LEI DAS EXECUÇÕES. AGRAVO CONHECIDO PARA DAR PROVIMENTO EM PARTE AO RECURSO ESPECIAL. I. CASO EM EXAME 1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial, no qual se pleiteia a remição de pena por estudo, com base na aprovação no ENEM e na realização de curso à distância de segurança do trabalho. 2. Fato relevante. O agravante obteve notas satisfatórias no ENEM de 2019 e realizou curso à distância de segurança do trabalho. O pedido de remição foi negado pela juíza de primeiro grau, com base em parecer técnico que indicou que o agravante já havia concluído o ensino médio antes de ingressar no sistema prisional e que o curso à distância não estava integrado ao projeto político-pedagógico da unidade prisional. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 3. A questão em discussão consiste em saber se é possível a remição de pena pela aprovação no ENEM, mesmo que o apenado já tenha concluído o ensino médio antes do início do cumprimento da pena. 4. A questão também envolve a possibilidade de remição de pena por curso à distância realizado sem supervisão ou integração ao projeto político-pedagógico da unidade prisional. III. RAZÕES DE DECIDIR 5. A remição de pena por curso à distância requer que o curso seja oferecido por instituição autorizada ou conveniada com o Poder Público e que haja controle da carga horária pela autoridade prisional, o que não ocorreu no caso em análise. 6. A jurisprudência desta Corte admite a remição de pena pela aprovação no ENEM, mesmo que o apenado já tenha concluído o ensino médio anteriormente, pois a aprovação no exame demanda estudos por conta própria. 7. No caso, o agravante faz jus à remição de 100 dias de pena por ter obtido aprovação em todas as áreas de conhecimento do ENEM, conforme entendimento consolidado desta Corte. IV. AGRAVO CONHECIDO PARA DAR PROVIMENTO EM PARTE AO RECURSO ESPECIAL. VOTO O agravo é tempestivo e o agravante impugnou os fundamentos da decisão recorrida, então merece ser conhecido. Os demais requisitos de admissibilidade também estão devidamente preenchidos, visto que a matéria objeto deste recurso está prequestionada, isto é, foi tratada pelo acórdão impugnado. Cinge-se a controvérsia em verificar se o Tribunal de origem imprimiu a correta aplicação da lei federal quando negou o pedido de remição com base em parecer técnico que indicou que o agravante já havia concluído o ensino médio antes de ingressar no sistema prisional e que o curso à distância não estava integrado ao projeto político-pedagógico da unidade prisional. Acerca da controvérsia, o Tribunal de origem assim fundamentou: O recurso não merece provimento. Segundo consta dos autos, o sentenciado teria obtido notas satisfatórias no ENEM realizado em 2019 (certificado de fls. 24). Ademais, teria realizado curso à distância de segurança do trabalho, com 732 horas aula, ministrado pelo "Conselho Brasileiro de Teologia" (diploma e histórico escolar de fls. 21/23). Com base em tais circunstâncias, o reeducando requereu remição da pena por estudo, no total de 720 horas em relação ao curso à distância de segurança do trabalho, e de 1.200 horas por conta da aprovação no ENEM, totalizando 160 dias de pena. Tal pleito foi fundamentadamente negado pela Juíza a quo, a fls. 14/16, com base no parecer de fls. 34/36, emitido por diretor técnico da unidade prisional. De acordo com o referido parecer, "o preso já havia concluído o ensino médio quando de seu ingresso no sistema prisional", ou seja, "não obteve o certificado de conclusão do referido nível de ensino através do exame que pretende obter a remição", já que não realizou as atividades regulares de estudo durante o cumprimento da pena. Relatou-se, com efeito, que o reeducando, quando ingressou na unidade prisional, "já havia concluído o ensino médio, tendo em seu pedido de inscrição para participação no Enem declarado que concluiu o ensino médio no ano de 2000", sendo tal informação "ratificada através de registros constantes no site da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo". Ainda no parecer em questão, no que diz respeito ao curso à distância realizado, consignou-se que: .. os reeducandos que realizam cursos à distância, o fazem por iniciativa própria, ou seja, não são oferecidos pela Unidade, e os fazem no interior das celas, pois as salas de aula são utilizadas para o ensino formal e cursos presenciais oferecidos pela Unidade em parceira com órgãos estatais ou outra entidade educacional com certificação reconhecida. Estes, não estão integrados ao projeto político-pedagógico do sistema prisional local conforme o art. 2º, inc. II, da Resolução nº 391/2021 do Conselho Nacional de Justiça, refere-se a curso à distância e informo que não há como emitir grades de frequência desses cursos realizados por correspondência, tendo em vista que foram realizados no interior da cela, durante o tempo ocioso ou após o processo de fechamento da mesma assim, não houve controle do tempo usado diariamente pelo reeducando para concluir os referidos cursos, tampouco dos dias efetivamente utilizados para a realização dos mesmos. Com base em tais informações, a Magistrada a quo indeferiu o pleito de remição de pena por conta do resultado do ENEM e em razão do curso à distância de segurança do trabalho, nos seguintes termos, extraídos de fls. 14/16: Quanto ao estudo à distância, é certo que com a nova redação do artigo 126 e seus parágrafos, da Lei de Execução Penal, foi incluído o estudo no texto legal como causa de remição das penas (Lei Federal nº 12.433, de 2011). Com efeito, conforme expressa redação do artigo 126, § 1º, inciso I, da Lei de Execução Penal, a frequência escolar abrange as atividades de ensino fundamental, médio, inclusive profissionalmente, ou superior, ou ainda de requalificação profissional, que poderão ser desenvolvidas, conforme o § 2º do aludido dispositivo, de forma presencial ou por metodologia de ensino à distância e deverão ser certificadas pelas autoridades educacionais competentes dos cursos frequentados. Ocorre que, de acordo com o parecer de págs. 345/347, o curso que o sentenciado alega ter realizado era à distância e sem acompanhamento ou supervisão do estabelecimento penitenciário, eis que sem integração ao projeto político- pedagógico da unidade prisional, conforme determina o inciso II, do parágrafo único, do artigo 2º, da Resolução nº 391/2021 do CNJ. Nesse sentido, não se pode olvidar que, de acordo com expressa previsão legal (art. 126, § 1º, inc. I, da LEP), as 12 horas de abatimento de frequência escolar, utilizadas para abatimento de 1 dia de pena, devem ser divididas em 3 dias, ou seja, somente é possível que o sentenciado estude até 4 horas diárias. Na hipótese sub judice, as circunstâncias nas quais o curso foi realizado pelo sentenciado inviabilizam a verificação do atendimento ao aludido requisito, recaindo incertezas acerca da dedicação do apenado de 732 horas-aula no período de 6 meses, pois para atingir tal número teria que concluir pouco mais de 4 horas diárias de estudos, inclusive aos sábados, domingos e feriados, sem qualquer interrupção. .. Observa-se, nesse contexto, que a remição no presente caso não é admissível, porquanto o estudo foi realizado em instituição não conveniada ao poder público com tal finalidade e, ainda, por não ter sido possível o aludido controle pela autoridade prisional. Diante do exposto, indefiro o pleito de remição de pena por estudo à distância embasado nos documentos de págs. 318/320. Com relação à aprovação no ENEM de 2019, melhor sorte não assiste ao postulante, pois ele já havia concluído o ensino médio no ano de 2000, ou seja, antes mesmo de dar início à execução da pena, conforme informado no parecer de págs. 345/347, nada justificando, portanto, a realização do aludido exame. Diante disso, indefiro o pedido de remição por aprovação no ENEM de 2019 formulado com base no documento de pág. 321. Destaque-se, desde logo, que a remição da pena em razão do estudo visa a estimular os reeducandos inseridos no sistema prisional a utilizarem o tempo de cumprimento de pena na preparação para futura vida em liberdade. Pontue-se, ademais, que a recomendação n. 44 do CNJ, que não possui efeito vinculante, é clara ao dispor a respeito do estudo por conta própria no interior de estabelecimento prisional: .. Feitas tais considerações, verifica-se que a decisão recorrida se mostrou absolutamente correta. No que diz respeito ao resultado do ENEM de 2019, consoante se infere dos autos, é inequívoco que o ora agravante, ao ingressar no sistema penitenciário para início de cumprimento de pena, já havia concluído há anos o ensino médio. Logo, não tendo concluído o ensino médio durante o cumprimento da reprimenda, obviamente não se cogita de remição de 1.200 horas por estudo, nos termos requeridos. Completamente inviável, ainda, o pleito de remição por estudo, considerando 720 horas aulas do curso à distância de segurança do trabalho, justamente porque, além de o curso em questão ter sido realizado em instituição não conveniada ao Poder Público, não foi efetuado controle pela autoridade prisional da efetiva carga horária estudada. Em suma, conquanto a frequência a curso de ensino formal seja causa de remição de parte do tempo de execução de pena, para que a remição se opere é necessário o preenchimento dos requisitos previstos no art. 126 da LEP e na Recomendação n. 44/2013 do CNJ, sobretudo no que diz respeito à apresentação de certificação pela autoridade educacional competente do curso realizado em instituição autorizada ou conveniada com o Poder Público para tal finalidade. No tocante à remição em decorrência da participação em curso profissionalizante, o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência desta Corte, a qual se firmou no sentido de que "a remição de pena pelo estudo somente é possível quando o curso for oferecido por instituição devidamente autorizada ou conveniada com o Poder Público para esse fim" (HC 724.388/SP, relatora a Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 24/05/2022, DJe de 31/05/2022.) A propósito: PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. REMIÇÃO DE PENA. ENSINO À DISTÂNCIA. ENTIDADE EDUCACIONAL. NECESSIDADE DE CREDENCIAMENTO JUNTO AO "SISTEC" DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CONVÊNIO COM A UNIDADE PRISIONAL. REQUISITOS NÃO CUMPRIDOS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Nos termos do art. 126, § 2º, da Lei de Execução Penal e da Resolução n. 391, de 10/05/2021, do Conselho Nacional de Justiça (publicada no DJe/CNJ n. 120/2021, de 11/05/2021), a remição de pena em virtude de estudo realizado pelo apenado na modalidade capacitação profissional à distância deve atender os requisitos previstos nos arts. 2º e 4º da mencionada resolução, dentre os quais (1) demonstração de que a instituição de ensino que ministra o curso à distância é autorizada ou conveniada com o poder público para esse fim; (2) demonstração da integração do curso à distância realizado ao projeto político-pedagógico (PPP) da unidade ou do sistema prisional; (3) indicação da carga horária a ser ministrada e do conteúdo programático; (4) registro de participação da pessoa privada de liberdade nas atividades realizadas. 2. No caso, extrai-se do acórdão p recorrido que a entidade educacional denominada Centro de Educação Profissional - Escola CENED não está cadastrada junto à unidade prisional, tampouco está devidamente autorizada ou conveniada com o Poder Público para tal fim. Não há, outrossim, evidência de que a entidade, emissora do certificado do curso, seja credenciada junto ao Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica (SISTEC) do Ministério da Educação para ofertar os cursos realizados pelo agravante, não sendo possível aferir se a certificação possui respaldo das autoridades educacionais competentes, na forma do art. 129 da LEP. 3. Não se olvida da orientação jurisprudencial de que o apenado não pode ser prejudicado pela inércia do Estado na fiscalização, no caso, contudo, não se cuida de falha na fiscalização, o que se verifica, na verdade, é a efetiva ausência de prévio cadastramento da entidade de ensino com a unidade prisional e o poder público para a finalidade pretendida, conforme expressamente consignado pelo Juízo das Execuções Penais. 4. Em situações análogas esta Corte Superior já se posicionou pela impossibilidade de remição de pena em virtude de conclusão de curso à distância oferecido por entidade não credenciada. Precedentes: REsp n. 2.082.457, Ministro Messod Azulay Neto, DJe de 04/12/2023; REsp n. 2.053.661, Ministro Joel Ilan Paciornik, DJe de 10/11/2023; REsp n. 2.062.003, Ministro Rogerio Schietti Cruz, DJe de 10/10/2023; e REsp n. 1.965.900, Ministro Messod Azulay Neto, DJe de 01/08/2023. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 2.105.666/MG, relator o Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 27/02/2024, DJe de 01/03/2024). Quanto à remição em decorrência do ENEM, o entendimento exarado pelo Tribunal de origem está em desacordo com a jurisprudência desta Corte, pois "Esta Corte possui o entendimento de que é cabível a remição pela aprovação no ENEM, ainda que o apenado já tenha concluído o ensino médio anteriormente, pois a aprovação no exame demanda estudos por conta própria mesmo para aqueles que, fora do ambiente carcerário, já possuem o referido grau de ensino." (AgRg no AREsp n. 2.341.242/MG, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 12/3/2024, DJe de 18/3/2024.) Nesse sentido: RECURSO ESPECIAL MINISTERIAL. EXECUÇÃO PENAL. REMIÇÃO DA PENA PELO ESTUDO POR CONTA PRÓPRIA EM RAZÃO DA APROVAÇÃO NO ENEM. RECLUSO COM PRÉVIO DIPLOMA DE CURSO SUPERIOR. IRRELEVÂNCIA. NORMAS EXECUTÓRIAS RELACIONADAS À REMIÇÃO PELO ESTUDO QUE DEVEM SER INTERPRETADAS FAVORAVELMENTE AO APENADO. INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA IN BONAM PARTEM. AUSÊNCIA DE CRÉDITO PERANTE A JUSTIÇA. EFETIVA APROVAÇÃO NO EXAME NACIONAL. AUSÊNCIA DE LIMITAÇÃO LEGAL À CONCESSÃO DO DIREITO EXECUTÓRIO. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. Como resultado de uma interpretação analógica in bonam partem da norma inserta no art. 126 da LEP, segundo jurisprudência desta Corte, é possível hipóteses de abreviação da reprimenda em razão de atividades que não estejam expressas no texto legal. 2. A Resolução CNJ n. 391/2021 prevê que faz jus à remição o apenado que, embora não esteja vinculado a atividades regulares de ensino, realiza estudos por conta própria e obtém aprovação nos exames nacionais que certificam a conclusão do ensino fundamental ou médio. Quanto à abrangência dessa hipótese, a Terceira Seção desta Corte Superior de Justiça, no julgamento dos Embargos de Divergência em Recurso Especial 1.979.591/SP decidiu, à unanimidade, que é possível a remição da pena por aprovação no ENEM ainda que o reeducando já tenha concluído o ensino médio anteriormente ao início do resgate da reprimenda. 3. No caso, a tese ministerial no sentido de ser incabível a concessão da remição pela aprovação no ENAM em razão de o apenado ser portador de prévio diploma de nível superior não merece acolhimento. De fato, as normas da execução penal, notadamente aquela relacionada à remição pelos estudos, deve ser interpretada de modo mais favorável ao réu, especialmente em razão de inexistir, na regra contida no art. 126 da LEP, restrição à concessão do referido direito àqueles que já tenham concluído o ensino médio ou superior. É esse caminho interpretativo que o Superior Tribunal de Justiça tem adotado nas controvérsias relacionadas ao tema, porquanto vem considerando devidas benesses executórias que, apesar de não terem expressa previsão legal, prestigiam a ressocialização do recluso, como na espécie. Não se trata, ademais, de se conferir crédito contra a justiça, porquanto a remição não é concedida pelo simples fato de o apenado já ter formação superior, mas, sim, por ele ter obtido êxito na aprovação do Exame Nacional do Ensino Médio por meio de conhecimentos por ele adquiridos. 4. Em julgados recentes, a Quinta Turma do STJ tem considerado válida a concessão do mencionado direito executório ao condenado que já concluiu o ensino superior: AgRg no HC n. 790.202/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 4/3/2024, DJe de 11/3/2024; AgRg nos EDcl no HC n. 746.292/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 29/2/2024. 5. Recurso especial ministerial não provido. (REsp n. 2.156.059/MS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 5/11/2024, DJe de 13/11/2024.) No caso, consoante se verifica do documento acostado às e-STJ fl. 24, o paciente obteve as seguintes notas no ENEM/2019: 1) Ciências da Natureza e suas Tecnologias - 540,5; 2) Ciências Humanas e suas Tecnologias - 592.3; 3) Linguagens, Códigos e suas Tecnologias -559.1; 4) Matemática e suas Tecnologias - 450; e 5) Redação - 600. Dessa forma, faz ele jus a remição de 100 dias de pena por ter obtido aprovação em 5 das 5 áreas de conhecimento no ENEM. Nesse sentido: EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. REMIÇÃO DE PENA. APROVAÇÃO NO ENEM APÓS CONCLUSÃO DO ENSINO MÉDIO. POSSIBILIDADE DA BENESSE. VEDADO O ACRÉSCIMO DE 1/3 DO ART. 126, § 5º, DA LEP. BASE DE CÁLCULO. REMIÇÃO DE 20 (VINTE) DIAS DE PENA POR MATÉRIA QUE HOUVE APROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NOVOS ARGUMENTOS HÁBEIS A DESCONSTITUIR A DECISÃO IMPUGNADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I - O agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a decisão agravada pelos próprios fundamentos. II - É possível a remição da pena pela aprovação no ENEM, ainda que o sentenciado tenha concluído o ensino médio antes do início do cumprimento da pena, ressalvado o acréscimo de 1/3 (um terço) com fundamento no art. 126, § 5º, da Lei de Execução Penal. III - A Resolução n. 391/2021, CNJ determina que, para a remição decorrente do estudo individual com a aprovação total no Enem ou no Encceja, será considerada como base de cálculo para fins de cômputo das horas visando à remição da pena 50% (cinquenta por cento) da carga horária definida legalmente para cada nível de ensino, fundamental ou médio, o que corresponde o montante de 1.600 (mil e seiscentas) horas para os anos finais do ensino fundamental e 1.200 (mil e duzentas) horas para o ensino médio ou educação profissional técnica de nível médio. IV - O Superior Tribunal de justiça tem entendido de forma reiterada que o total de 1.200 horas, pela aprovação em exame que certifica a conclusão do ensino médio, deve incidir na proporção de 1 dia de pena para cada 12 horas de estudo, resultando em 100 dias de remição, o que equivale a 20 dias de remição para cada uma das cinco áreas de conhecimento avaliadas no exame. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 792.658/SP, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 1/7/2024, DJe de 2/8/2024, grifos acrescidos) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer do recurso especial e, dar-lhe parcial provimento, a fim de remir 100 dias da pena do recorrente. É o voto.