HC 922283 - DECISAO
O Tribunal a quo equivocou-se ao exigir comprovação de vínculo a atividades regulares de ensino ou estudo no estabelecimento prisional para a remição, pois a orientação consolidada do Superior Tribunal de Justiça e a Resolução CNJ n. 391/2021 admitem a remição por aprovação no ENEM/ENCCEJA em caso de estudo por...
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- Parties
- Paciente: PASCHAL IKENNA UMEUGO; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO; Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 June 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão
- Outcome
- Ordem concedida para cassar o acórdão proferido no julgamento do Agravo em Execução n. 0003398-27.2023.8.26.0073 e restabelecer a decisão de primeiro grau.
- Legal Topics
- Remição De Pena Pelo Estudo, Aprovação No Enem/encceja, Estudo Por Conta Própria, Interpretação Do Art. 126 Da LEP, Resolução CNJ N. 391/2021
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Parties
PASCHAL IKENNA UMEUGO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Autoridade Coatora
MINISTÉRIO PÚBLICO
Agravante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão
Legal Issues
- 1 Possibilidade de remição de pena por aprovação no ENEM
- 2 Necessidade (ou não) de vínculo a atividade regular de ensino para fins de remição
- 3 Exigência de apresentação de histórico escolar
Ratio Decidendi
O Tribunal a quo equivocou-se ao exigir comprovação de vínculo a atividades regulares de ensino ou estudo no estabelecimento prisional para a remição, pois a orientação consolidada do Superior Tribunal de Justiça e a Resolução CNJ n. 391/2021 admitem a remição por aprovação no ENEM/ENCCEJA em caso de estudo por conta própria; assim, a ordem foi concedida para cassar o acórdão que revogou a remição e restabelecer a decisão de primeiro grau que a deferiu.
Court Disposition
Ordem concedida para cassar o acórdão proferido no julgamento do Agravo em Execução n. 0003398-27.2023.8.26.0073 e restabelecer a decisão de primeiro grau.
Orders
- Cassação do acórdão proferido no julgamento do Agravo em Execução n. 0003398-27.2023.8.26.0073
- Restabelecimento da decisão de primeiro grau que deferiu a remição
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em favor de PASCHAL IKENNA UMEUGO apontando como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, que negou provimento ao Agravo em Execução n. 0003398-27.2023.8.26.0073. Extrai-se dos autos que o Juízo das execuções deferiu o pedido de remição de pena formulado em benefício do paciente (e-STJ fls. 34/35). Irresignado, o Ministério Público interpôs agravo em execução perante o Tribunal de origem, o qual deu provimento ao recurso para cassar o benefício, nos termos do aresto acostado às e-STJ fls. 11/16, sem ementa. Daí o presente writ, no qual alega a defesa fazer jus o paciente à remição por tempo de estudo pela aprovação em todas as matérias do ENEM no ano de 2022. Requer, liminarmente e no mérito, a concessão da ordem para que seja restabelecida a decisão de primeiro grau. É o relatório. Decido. No caso dos autos, o Tribunal estadual cassou a remição concedida pelo Juízo das execuções, consignando o seguinte (e-STJ fls. 14/15): Assim, verifica-se que da leitura conjugada desses dois dispositivos legais, é possível concluir ser necessária a efetiva participação do reeducando em seu processo de ressocialização, na medida em que não há como ser atingida a finalidade educativa nem a produtiva sem que o sentenciado aperfeiçoe seus estudos ou realize alguma tarefa producente, de acordo com a legislação vigente e com a regras determinadas. Desse modo, ainda que seja louvável o reeducando tenha ingressado no Enem, tal fato, por si só, não pode ser utilizado para ensejar a concessão de um benefício que depende de um real envolvimento da pessoa do apenado em seu progresso educativo e ressocializador, com regras determinadas pela legislação aplicável à espécie. No caso em análise, não restou comprovado que o sentenciado se encontrava vinculado à atividade regular de ensino no interior do estabelecimento prisional, ou que tenha realizado estudo por conta própria. Desta forma, não deve ser concedida a benesse. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, esposada nas recomendações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), vem reforçando a tese de que a aprovação no ENEM, ainda que não comprovada a dedicação aos estudos, importa na remição da pena, mesmo que o agente já tenha concluído o ensino fundamental, excepcionando-se, apenas, os casos em que o reeducando ostenta diploma de nível superior. Confiram -se: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO PENAL. VIOLAÇÃO DO ART. 126, CAPUT, § 2º E § 5º, DA LEP. PLEITO DE DECOTE DO RECONHECIMENTO DA REMIÇÃO PELO ESTUDO POR CONTA PRÓPRIA. APROVAÇÃO EM ÁREAS DE CONHECIMENTO NO ENCCEJA. PRESCINDIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DO HISTÓRICO ESCOLAR E CERTIFICADO. INCENTIVO AO ESTUDO E À RESSOCIALIZAÇÃO COMO FINALIDADE PRECÍPUA DA PENA. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA DO ART. 126 DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL - LEP. POSSIBILIDADE. RECOMENDAÇÃO N. 44/2013 DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA - CNJ. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. No caso concreto, a Corte mineira dispôs que o agravante juntou aos autos o certificado emitido que comprova a sua aprovação no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA) e, consequentemente, atesta a conclusão do ensino médio (sequencial 307.1, do Sistema Eletrônico de Execução Unificado -SEEU). .. as entidades certificadoras do ENCCEJA não exigem a apresentação de histórico escolar para realização do exame. Por essa razão, o documento apresentado no sequencial 307.1 do SEEU não registra o histórico escolar completo do reeducando, na medida em que atesta somente as áreas de conhecimento que compuseram o Exame. .. , a remição de pena pelos estudos deve ser concedida, considerando que o reeducando comprovou sua aprovação no Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA) no ensino médio. 2. A Resolução CNJ n. 391/2021 prevê que faz jus à remição o apenado que, embora não esteja vinculado a atividades regulares de ensino, realiza estudos por conta própria e obtém aprovação nos exames nacionais que certificam a conclusão do ensino fundamental/médio. . .. , se a norma admite a remição da pena por aprovação no ENCCEJA mesmo que o apenado não esteja vinculado a atividades regulares de ensino no interior da unidade prisional, incoerente a exigência de apresentação do histórico escolar, exatamente porque o sentenciado realizou os estudos por conta própria, sem estar matriculado em instituição de ensino. .. A interpretação extensiva do art. 126, § 1º, I, da LEP aliada disposto na Resolução CNJ n. 391/2021, orientação deduzida na decisão agravada e que prestigia o estudo como método factível para o alcance da reintegração social, vem sendo adotada em decisões de ambas as Turmas que compõem a Terceira Seção desta Corte Superior de Justiça (AgRg no REsp n. 2.069.804/MG, Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe 14/9/2023). 3. "O Conselho Nacional de Justiça, por meio da Recomendação n. 44/2013, posteriormente substituída pela Resolução n. 391/2021, estabeleceu a possibilidade de remição de pena à pessoa privada de liberdade que, por meio de estudos por conta própria, vier a ser aprovada nos exames que certificam a conclusão do ensino fundamental ou médio (ENCCEJA ou outros) e aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio - ENEM." (AgRg no HC n. 828.464/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 28/8/2023, DJe de 30/8/2023.) .. Noutra vertente, " .. se a norma admite a remição da pena por aprovação no ENCCEJA mesmo que o apenado não esteja vinculado a atividades regulares de ensino no interior da unidade prisional, incoerente a exigência de apresentação do histórico escolar, exatamente porque o sentenciado realizou os estudos por conta própria, sem estar matriculado em instituição de ensino" (AgRg no REsp n. 2.069.804/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 11/9/2023, DJe de 14/9/2023.) - (AgRg no AREsp n. 2.290.488/MG, Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, DJe 1/12/2023). 4. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp n. 2.082.156/MG, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 11/3/2024, DJe de 14/3/2024.) EXECUÇÃO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. REMIÇÃO DA PENA PELO ESTUDO POR CONTA PRÓPRIA E CONCLUSÃO DO ENSINO FUNDAMENTAL PELO ENCCEJA -POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Como resultado de uma interpretação analógica in bonam partem da norma inserta no art. 126 da LEP, segundo jurisprudência desta Corte, é possível a hipótese de abreviação da reprimenda em razão de atividades que não estejam expressas no texto legal. 2. A Resolução CNJ n. 391/2021 prevê que faz jus à remição o apenado que, embora não esteja vinculado a atividades regulares de ensino, realiza estudos por conta própria e obtém aprovação nos exames nacionais que certificam a conclusão do ensino fundamental/médio. 3. A interpretação extensiva do art. 126, § 1º, I, da LEP aliada ao disposto na Resolução CNJ n. 391/2021, orientação deduzida na decisão agravada e que prestigia o estudo como método factível para o alcance da reintegração social, vem sendo adotada em decisões de ambas as Turmas que compõem a Terceira Seção desta Corte Superior de Justiça. 4. A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o EREsp 1.979.591/SP, relatado pelo Ministro Messod Azulay Neto e publicado em 13/11/2023, decidiu por unanimidade acompanhar o entendimento da Quinta Turma em que ficou estabelecido que a remição de pena pode ser concedida pela aprovação no ENEM, mesmo se o reeducando já possuía o diploma de ensino médio antes de iniciar o cumprimento da pena. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp n. 2.107.364/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 8/4/2024, DJe de 12/4/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. REMIÇÃO. APROVAÇÃO NO ENEM. APENADO PORTADOR DE DIPLONA DE NÍVEL SUPERIOR ANTES DE INGRESSAR NO SISTEMA PRISIONAL. 1. O Conselho Nacional de Justiça, por meio da Recomendação n. 44/2013, posteriormente substituída pela Resolução n. 391/2021, estabeleceu a possibilidade de concessão de remição de pena à pessoa privada de liberdade, que, por meio de estudos por conta própria, vier a ser aprovada nos exames que certificam a conclusão do ensino fundamental ou médio (Encceja ou outros) e aprovação no ENEM. 2. E o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EREsp n. 1.979.591/SP (DJe de 13/11/2023), da Terceira Seção, consolidou entendimento de que é admitida a remição da pena, por aprovação no ENEM ou no Encceja, dos apenados que ingressaram no sistema penitenciário após a conclusão do ensino médio. 3. No caso, contudo, o apenado, ao ingressar no sistema prisional, era portador de diploma de nível superior. Em hipóteses tais, não há aquisição de novos conhecimentos, razão pela qual não há que se falar em remição por aprovação no ENEM, sob pena de destoar do escopo da norma. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no HC n. 896.787/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 3/5/2024.) Ante o exposto, concedo a ordem para cassar o acórdão proferido no julgamento do Agravo em Execução n. 0003398-27.2023.8.26.0073 e restabelecer a decisão de primeiro grau. Publique-se. Intimem-se. EMENTA