HC 712362 - DECISAO
Concedeu-se o habeas corpus para determinar que o juiz da execução refaça os cálculos da remição por aprovação no ENCCEJA em conformidade com o entendimento da Terceira Seção: adotar como base 1.600 horas (ensino fundamental) ou 1.200 horas (ensino médio) — valores considerados equivalentes a 50% da carga horária...
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- Parties
- Paciente: MAYCON ROBIN
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 December 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Concessão Liminar
- Outcome
- Habeas corpus concedido liminarmente para determinar que o juiz refaça os cálculos da remição por aprovação no ENCCEJA, nos termos das diretrizes da Terceira Seção.
- Legal Topics
- Remição Por Estudo, Remição Por Aprovação No ENCCEJA, Cálculo Da Remição, Recomendação N. 44/2013 Do CNJ, Resolução N. 3/2010 Do CNE
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Parties
MAYCON ROBIN
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Concessão Liminar
Legal Issues
- 1 Se a aprovação no ENCCEJA enseja remição da pena nos termos do art. 126 da LEP
- 2 Qual a base de cálculo (quantidade de horas) a ser adotada para remição por estudo em caso de aprovação no ENCCEJA
- 3 Incidência do acréscimo de 1/3 do §5º do art.126 da LEP em caso de conclusão certificada
Ratio Decidendi
Concedeu-se o habeas corpus para determinar que o juiz da execução refaça os cálculos da remição por aprovação no ENCCEJA em conformidade com o entendimento da Terceira Seção: adotar como base 1.600 horas (ensino fundamental) ou 1.200 horas (ensino médio) — valores considerados equivalentes a 50% da carga horária definida legalmente pela Recomendação n.44/2013 do CNJ — dividir o total por 12 para apurar os dias (133 ou 100 dias) e aplicar, quando for o caso, o acréscimo de 1/3 previsto no §5º do art.126 da LEP.
Court Disposition
Habeas corpus concedido liminarmente para determinar que o juiz refaça os cálculos da remição por aprovação no ENCCEJA, nos termos das diretrizes da Terceira Seção.
Orders
- Determinar que o Juiz refaça os cálculos da remição por aprovação no ENCCEJA adotando 1.600h (ensino fundamental) ou 1.200h (ensino médio) como base, dividindo o total por 12 e considerando a aprovação parcial por áreas e o acréscimo de 1/3 quando cabível.
- Publique-se e intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO MAYCON ROBINalega sofrer constrangimento ilegal em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal a quo no Agravo em Execução n. 0003331-85.2019.8.24.0064, em que foi mantida a remição por estudo concedida nos moldes da Resolução n. 3/2010 do Conselho Nacional de Educação. Alega a defesa que "a aprovação total no ENCCEJA dá direito à remição de 133 dias (mais 1/3): 1.600 horas equivalentes aos 50% da carga horária do ensino fundamental divididos pelas 12 horas de estudo que servem à remição de 1 dia de pena (1.600 / 12 = 133 dias) acrescidos da bonificação de 1/3 pela conclusão do ensino fundamental (1/3 de 133 dias = 44 dias), resultando em 177 dias a serem remidos" (fl. 10), razão pela qual requer a reforma da decisão vergastada. Decido. No caso vertente, a Corte de origem negou provimento ao agravo em defensivo para manter a decisão de primeiro grau e deferir a remição por estudo com fulcro na Recomendação n. 3/2010 do CNE. Segundo o acórdão impugnado: Como se vê, nos casos de aprovação no ENCCEJA, a Resolução do CNJ determina que o cálculo dos dias a serem remidos seja elaborado com base nas 1.600 (mil e seiscentas) horas previstas como carga horária ao ensino fundamental, o que deve ser dividido na metade e resulta, portanto, em 800 (oitocentas) horas de estudo. Esse resultado, analisado sob a ótica de que o exame é composto por 5 (cinco) áreas de conhecimento - 1. Língua portuguesa, língua estrangeira moderna, artes e educação física; 2. Matemática; 3. História e geografia; 4. Ciências naturais; e 5. Redação, implica no reconhecimento de que cada área corresponde a 160 horas de estudo. Referido valor, ainda, deve ser divido por 12 (doze), que corresponde à quantidade de horas relativas à frequência escolar necessária para remir 1 (um) dia de pena, conforme preceitua o art. 126, § 1º, I, da LEP, o que resulta em 13 (treze) dias por área de conhecimento Nesse sentido, considerando que o agravante foi aprovado em 2 (duas) áreas de conhecimento e, ainda, teve descontado 1/3 (um terço) dos dias a serem remidos em razão do cometimento de falta grave (fls. 400-403 do PEC), correto o cálculo procedido pelo Juízo a quo,devendo ser mantida a remição de18 (dezoito) dias de pena (FLS. 67-68, destaquei). Com efeito, consoante o entendimento desta Corte Superior, " a norma do art. 126 da LEP, ao possibilitar a abreviação da pena, tem por objetivo a ressocialização do condenado, sendo possível o uso da analogia in bonam partem, que admita o benefício em comento, em razão de atividades que não estejam expressas no texto legal" (REsp n. 744.032/SP, Rel. Ministro Felix Fischer, 5ª T., DJe 5/6/2006). Aliás, conforme o art. 1º, I, da Recomendação n. 44 do Conselho Nacional de Justiça, foi aconselhado aos Tribunais que: .. para fins de remição pelo estudo (Lei nº 12.433/2011), sejam valoradas e consideradas as atividades de caráter complementar, assim entendidas aquelas que ampliam as possibilidades de educação nas prisões, tais como as de natureza cultural, esportiva, de capacitação profissional, de saúde, entre outras, conquanto integradas ao projeto político-pedagógico (PPP) da unidade ou do sistema prisional local e sejam oferecidas por instituição devidamente autorizada ou conveniada com o poder público para esse fim (destaquei). "Ademais, em atenção ao princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, a política criminal na execução da pena deve ser voltada à sua humanização, de forma a estimular instrumentos sancionatórios mais humanos e que evitem o máximo possível a privação da liberdade" (HC n. 376.324/PR, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, 6ª T., DJe 15/5/2017). Dessa forma, a aprovação no ENCCEJA ou no ENEM tem o condão de ensejar a remição da pena, com fulcro no art. 126, § 1º, I, e § 5º, da Lei de Execução Penal, e na supramencionada Recomendação n. 44/2013 do Conselho Nacional de Justiça. Conforme o art. 1º, IV, da Recomendação n. 44/2013 do CNJ, na hipótese de o apenado não estar, circunstancialmente, vinculado a atividades regulares de ensino no interior do estabelecimento penal e realizar estudos por conta própria, ou com simples acompanhamento pedagógico, logrando, com isso, obter aprovação nos exames nacionais que certificam a conclusão do ensino fundamental Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (ENCCEJA) ou médio Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), a fim de se dar plena aplicação ao disposto no § 5º do art. 126 da LEP (Lei n. 7.210/84), considerar, como base de cálculo para fins de cômputo das horas, visando à remição da pena pelo estudo, 50% (cinquenta por cento) da carga horária definida legalmente para cada nível de ensino fundamental ou médio - art. 4º, incisos II, III e seu parágrafo único, todos da Resolução n. 03/2010, do CNE , isto é, 1600 (mil e seiscentas) horas para os anos finais do ensino fundamental e 1200 (mil e duzentas) horas para o ensino médio ou educação profissional técnica de nível médio (destaquei). Nesse sentido, dispõe a Resolução n. 3/2010 do Conselho Nacional de Educação, art. 4º, II, que, " q uanto à duração dos cursos presenciais de EJA, mantém-se a formulação do Parecer CNE/CEB nº 29/2006, acrescentando o total de horas a serem cumpridas, independentemente da forma de organização curricular: .. III - para o Ensino Médio, a duração mínima deve ser de 1.200 (mil e duzentas) horas" (grifei). Portanto, consoante entendimento por mim encampado, a carga horária utilizada como base de cálculo para a obtenção dos dias remidos seria aquela referente a metade da duração dos cursos presenciais de EJA para o ensino médio, qual seja, 600 h, a qual, a priori, teria sido adequadamente utilizada pelo Juízo da execução penal. Todavia, a Terceira Seção, em 10/3/2021, ao julgar o HC n. 602.425/RJ, por maioria, nos termos do voto do Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, ainda não publicado, uniformizou a jurisprudência conflitante existente entre a Quinta e a Sexta Turmas sobre o cálculo de remição de pena dos detentos aprovados no ENCCEJA. Após debates e pedidos de vista, prevaleceu a compreensão de que a quantidade de horas declarada na Recomendação n. 44/2013 do CNJ já equivale a 50% da carga definida legalmente para cada nível de ensino. O colegiado concluiu, por decisão majoritária, que a Lei n. 9.394/1996 pode ser utilizada como critério de interpretação da norma aberta oriunda do art. 1º, IV, da Recomendação n. 44/2013 do CNJ, o que não afronta o art. 4º, II e III, da Resolução n. 03/2010, do CNE. Assim, doravante, em conformidade com o precedente da Terceira Seção, na hipótese de o apenado realizar estudos por conta própria e lograr, com isso, a aprovação no ENCCEJA, adotar-se-á, para o cálculo da remição prevista na Recomendação n. 44/2013 do CNJ, 1.600h ou 1.200h, o que corresponde a 50% da carga horária definida legalmente para os ensinos fundamental e médio. Esse total, dividido por 12 (133 ou 100 dias), orientará a declaração do benefício, a depender da aprovação total ou parcial das áreas de conhecimento e, ainda, do acréscimo de 1/3, nos termos do § 5º, do art. 126, da Lei de Execuções Penais, em caso de conclusão certificada do curso. À vista do exposto, concedo, in limine, o habeas corpus para determinar que o Juiz refaça os cálculos da remição por aprovação no ENCCEJA, consoante as diretrizes apontadas na decisão. Publique-se e intimem-se.