HC 687192 - DECISAO
A petição inicial foi indeferida liminarmente por ausência de prova pré-constituída e documentação essencial (notadamente o acórdão impugnado), de modo que a instrução deficitária impede a apreciação do pedido de remição pelo estudo, incumbindo à defesa formar adequadamente os autos.
Source-derived case information.
- Parties
- Impetrante Paciente: JORGE ORION PEREIRA DOS SANTOS; Autoridade Coatora: Tribunal de Justiça Militar do Estado do Rio Grande do Sul
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 20 August 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Petição Inicial Indeferida Liminarmente
- Outcome
- Petição inicial indeferida liminarmente
- Legal Topics
- Remissão Pelo Estudo, Instrução Processual, Prova Pré Constituída, Indeferimento Liminar
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
JORGE ORION PEREIRA DOS SANTOS
Impetrante Paciente
Tribunal de Justiça Militar do Estado do Rio Grande do Sul
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Petição Inicial Indeferida Liminarmente
Legal Issues
- 1 Concessão de remissão pelo estudo
- 2 Necessidade de prova pré-constituída no habeas corpus
- 3 Instrução deficiente impede o conhecimento do writ
Ratio Decidendi
A petição inicial foi indeferida liminarmente por ausência de prova pré-constituída e documentação essencial (notadamente o acórdão impugnado), de modo que a instrução deficitária impede a apreciação do pedido de remição pelo estudo, incumbindo à defesa formar adequadamente os autos.
Court Disposition
Petição inicial indeferida liminarmente
Orders
- Indefiro liminarmente a petição inicial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor próprio por JORGE ORION PEREIRA DOS SANTOS apontando como autoridade coatora o Tribunal de Justiça Militar do Estado do Rio Grande do Sul. Consta dos autos que o Impetrante-Paciente cumpre desde 11/06/2018, pena de 6 (seis) anos e 9 (nove) meses de reclusão, em regime inicial fechado, por infração ao delito de peculato previsto no art. 303 do Código Penal Militar. O Juízo das Execuções indeferiu o pedido de remição pelo estudo, ao argumento que cursos realizados pela mera leitura de apostilas não se equivalem a educação à distância (fls. 87-88), entretanto, concedeu a remição de 4 (quatro) dias d e remissão da pena pela leitura (fl. 115). Narra a inicial que a decisão foi impugnada "nos autos do processo de Execução penal número 1000287-64.2018.9.21.0003, e confirmada pelo Egrégio Tribunal de Justiça Militar Sulista nos autos do writ n.º 00 90079-21.2019.9.21.0000" (fl. 1), em acórdão não juntado aos autos, que teria sido proferido em sede de agravo regimental interposto contra a decisão monocrática do Desembargador Relator que não conheceu da impetração. Defende o Impetrante-Paciente que é possível conceder a remissão pelo estudo e liminarmente e no mérito (fl. 4): "pugna o paciente pelo reconhecimento da remição pelo estudo promovido e certificado pela escola CENED na proporção de 1 (um) dia de pena para cada 12 (doze) horas de estudo. Devendo assim, ser determinada a correção no período remição pelo estudo dos quatro cursos concluídos pelo peticionário com carga horário de 180 horas cada, ensejando um somatório de 60 dias remidos." É o relatório. Decido. Verifico não ser possível analisar a viabilidade do pleito deduzido, diante da instrução deficitária do writ, visto que o Impetrante não acostou aos autos o acórdão impugnado. Consta dos autos apenas a decisão do Juízo da Execuções concedendo a remissão pela leitura e diversos documentos que comprovam a participação do Impetrante-Paciente em cursos de capacitação. Isso impede a devida apreciação do pedido, por não haver como examinar apropriadamente e de forma segura as alegações defensivas. Ou seja, a Parte Impetrante não se desincumbiu do seu ônus de formar adequadamente os autos. Como se sabe, "revela-se insuscetível de exame o habeas corpus desacompanhado de elementos que evidenciem o alegado constrangimento ilegal, porquanto a impetração deve fundamentar-se em inequívoca prova pré-constituída" (STF, HC 146.216-AgR, Rel. Ministro LUIZ FUX, TRIBUNAL PLENO, julgado em 27/10/2017, DJe 10/11/2017). Portanto, compete à Defesa narrar e instruir completa e adequadamente o habeas corpus (ou seu respectivo recurso) - v.g.: STJ, HC 245.430/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, julgado em 21/02/2013, DJe 28/02/2013. No caso, a pretensão ora formulada não pode ser conhecida, pois a documentação trazida aos presentes autos é incompleta. Com igual conclusão, cito os seguintes precedentes do Superior Tribunal de Justiça: "AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS. INDEFERIMENTO LIMINAR. .. . AUSÊNCIA DE PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA. ÔNUS DA DEFESA. IMPOSSIBILIDADE DE JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. .. . DESPROVIMENTO DO RECLAMO. 1. .. . 2. O mandamus não foi instruído com a íntegra do acórdão impugnado, peça processual indispensável para a análise das ilegalidades suscitadas. 3. O rito do habeas corpus e do recurso ordinário em habeas corpus pressupõe prova pré-constituída do direito alegado, devendo a parte demonstrar, de maneira inequívoca, por meio de documentos que evidenciem a pretensão aduzida, a existência do aventado constrangimento ilegal suportado pelo acusado, ônus do qual não se desincumbiu a defesa, exercida por profissional da advocacia. 4. Cumpre à defesa zelar pela correta formação do caderno processual que será apresentado à apreciação judicial, em respeito ao princípio dispositivo que vige no ordenamento jurídico pátrio, resguardando-se, assim, a necessária imparcialidade do órgão julgador. 5. É ônus do impetrante instruir corretamente a ação constitucional com toda documentação necessária à apreciação das alegações nele formuladas no momento da sua apresentação, não se admitindo a posterior juntada de documentos imprescindíveis ao exame do pedido e que não foram anexados tempestivamente. Precedentes. 6. .. . 7. Agravo regimental desprovido." (AgRg no HC 547.736/MA, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 03/12/2019, DJe 16/12/2019; sem grifos no original.) "AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. INSTRUÇÃO E NARRATIVA DEFICIENTE. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO E ESCLARECIMENTOS ESSENCIAIS À ANÁLISE DA CONTROVÉRSIA. MANUTENÇÃO DA DECISÃO DE INDEFERIMENTO LIMINAR DA PETIÇÃO INICIAL QUE SE IMPÕE. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Compete à Defesa narrar e instruir completa e adequadamente o remédio constitucional do habeas corpus (ou seu respectivo recurso), por cuidar-se de procedimento que "pressupõe prova pré-constituída do direito alegado" (STJ, HC 437.808/RJ, Rel. Min. JORGE MUSSI, Quinta Turma, DJe de 28/06/2018). Assim, ao não se desincumbir do ônus de formar e narrar adequadamente os autos quando da impetração do writ, a Parte Impetrante impede a apreciação do mérito do writ. 2. Agravo regimental desprovido." (AgRg no HC 526.388/SP, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 05/09/2019, DJe 17/09/2019; sem grifos no original.) Ante o exposto, INDEFIRO LIMINARMENTE a petição inicial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. REMISSÃO PELO ESTUDO. INSTRUÇÃO DEFICIENTE. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO ESSENCIAL À ANÁLISE DA CONTROVÉRSIA. PETIÇÃO INICIAL INDEFERIDA LIMINARMENTE.