AREsp 2926411 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por deficiência de fundamentação: a parte não demonstrou de forma analítica e correlacionada como os dispositivos infraconstitucionais (arts. 186, 927 e 944 do CC) teriam sido violados, incindindo a Súmula 284/STF; igualmente não foi comprovado o...
Source-derived case information.
- Parties
- Requerente: LUZINETE DE ARAUJO SILVA; Requerente: RODRIGO BASTOS DE LIMA; Réu: SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM; Réu/agravante: ROBERTO BARBOSA BASTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 October 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E De Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido.
- Legal Topics
- Reparação De Danos Materiais, Danos Morais, Súmula 284/stf, Dissídio Jurisprudencial (cotejo Analítico), Dever De Informação, Laqueadura Não Realizada, Honorários Advocatícios
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
LUZINETE DE ARAUJO SILVA
Requerente
RODRIGO BASTOS DE LIMA
Requerente
SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM
Réu
ROBERTO BARBOSA BASTOS
Réu/agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento Do Agravo E De Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 deficiência de fundamentação do recurso especial
- 2 incidência da Súmula 284/STF quanto à insuficiência de fundamentação
- 3 ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial por falta de cotejo analítico e similitude fática
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial por deficiência de fundamentação: a parte não demonstrou de forma analítica e correlacionada como os dispositivos infraconstitucionais (arts. 186, 927 e 944 do CC) teriam sido violados, incindindo a Súmula 284/STF; igualmente não foi comprovado o dissídio jurisprudencial por ausência de cotejo analítico e similitude fática, motivo pelo qual, com fundamento no art. 932, III, do CPC, o recurso especial não foi conhecido.
Court Disposition
Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido.
Orders
- Conheço do agravo em recurso especial
- Não conheço do recurso especial, com fundamento no art. 932, III, do CPC
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial interposto por ROBERTO BARBOSA BASTOS contra decisão que inadmitiu recurso especial fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional. Agravo em recurso especial interposto em: 19/8/2024. Concluso ao gabinete em: 25/7/2025. Ação: de reparação de danos materiais c/c compensação por danos morais, ajuizada por LUZINETE DE ARAUJO SILVA e RODRIGO BASTOS DE LIMA, em face de SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM e ROBERTO BARBOSA BASTOS, na qual requer o reembolso do valor pago pela laqueadura não realizada e o custeio das despesas do parto subsequente, além da compensação por danos morais. Sentença: julgou parcialmente procedente os pedidos para condenar o agravante a: i) reembolsar R$ 700,00 (setecentos reais); ii) pagar as despesas da quarta cesariana, a apurar em liquidação; iii) pagar compensação por danos morais de R$ 7.000,00 (sete mil reais) para cada requerente. Acórdão: negou provimento ao recurso de apelação interposto por ROBERTO BARBOSA BASTOS, nos termos da seguinte ementa: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO INDENIZATÓRIA - CIRURGIA DE LAQUEADURA - NÃO REALIZAÇÃO - AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO AO PACIENTE - GRAVIDEZ INESPERADA - DANO MORAL CONFIGURADO - LEGITIMIDADE DO MÉDICO QUE RECEBEU E NÃO REALIZOU O PROCEDIMENTO - RECURSO IMPROVIDO. I - Segundo a literatura médica, é possível que mesmo após a realização de procedimento de laqueadura a paciente engravide, embora seja escassas as chances. Nesse caso, é preciso que a paciente comprove eventual erro médico. II - Diversamente dessa hipótese ocorre quando o médico contratado deixa de proceder com a laqueadura e ainda não informa o fato a paciente após a realização da cesariana. III - A gravidez inesperada decorrente da falha no dever de informação do médico acerca da não realização da esterilização que a paciente acreditava ter feito é hábil a ensejar a condenação dele a reparação civil, seja ela de ordem moral ou material. IV - Recurso improvido. (e-STJ fl. 907) Recurso especial: alega violação dos arts. 186, 927, 944 do CC, bem como dissídio jurisprudencial. Afirma que a condenação por falta de informação diverge da causa de pedir e não se sustenta em ilícito do recorrente. Aduz que inexiste nexo causal com a gravidez, pois a laqueadura não foi realizada por vedação legal e hospitalar. Argumenta que o valor da compensação por danos morais é desproporcional e deve ser reduzido. Assevera que a ilegitimidade ativa do segundo autor é matéria de ordem pública e deveria ter sido enfrentada. RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. - Da fundamentação deficiente Constata-se, da leitura das razões do recurso especial, que quanto à tese de ilegitimidade passiva, a parte agravante não alega violação de qualquer dispositivo infraconstitucional, o que importa na inviabilidade do recurso especial ante a incidência da Súmula 284/STF. Nesse sentido: AgInt no AREsp 2.158.801/RJ, Quarta Turma, DJe 6/11/2023; e AgInt no REsp n. 1.974.581/RS, Terceira Turma, DJe 17/8/2022. Ademais, é essencial que se descreva detalhadamente como o dispositivo legal foi infringido, pois isso possibilitará ao STJ analisar a questão em conjunto com os elementos constantes nos autos. No entanto, na presente hipótese, essa correlação entre a violação apontada e os fatos do processo não foi devidamente estabelecida quanto à alegada ofensa aos arts. 186, 927, 944 do CC, os quais foram apenas citados ao final das razões do apelo especial, o que faz incidir a Súmula 284 do STF. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.947.682/SP, Terceira Turma, DJe 20/12/2023; e AgInt no AREsp 2.138.858/SP, Quarta Turma, DJe 15/6/2023. - Da divergência jurisprudencial A comprovação da divergência jurisprudencial demanda que a parte recorrente realize uma análise comparativa detalhada entre o acórdão recorrido e o paradigma, de modo a identificar as semelhanças entre as situações de fato e a existência de interpretações jurídicas diferentes sobre mesmo dispositivo legal, além de observar os requisitos formais, consoante previsão dos arts. 1029, § 1º, do CPC e 255, §§ 1º e 3º, do RISTJ. No entanto, neste recurso, não se constata a presença dos elementos essenciais necessários para comprovar a existência do dissídio, o que inviabiliza a análise da divergência jurisprudencial. Nesse sentido: AgInt no AREsp 2.396.088/PR, Terceira Turma, DJe de 22/11/2023, e AgInt no AREsp 2.334.899/SP, Quarta Turma, DJe de 7/12/2023. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III, do CPC, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, considerando o trabalho adicional imposto ao advogado da parte agravada em virtude da interposição deste recurso, majoro os honorários fixados anteriormente em 10% sobre o valor da condenação (e-STJ fls. 825) para 15% (quinze por cento), observada eventual concessão da gratuidade de justiça. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar sua condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS MATERIAIS C/C COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS. PLANO DE SAÚDE. FUNDAMENTAÇÃO. DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO E SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. 1. Ação de reparação de danos materiais c/c compensação por danos morais. 2. A ausência de fundamentação ou a sua deficiência importa no não conhecimento do recurso quanto ao tema. 3. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 4. Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido.