AREsp 2908595 - ACORDAO
Apesar de reconhecer a regularidade da representação após a juntada de procuração posterior (o que afasta a Súmula 115/STJ), o agravo em recurso especial não foi conhecido porque o agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida (notadamente a incidência da Súmula 7/STJ); assim, nos...
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- Parties
- Agravante: CERVEJARIA TREZE TILIAS LTDA; Órgão Decisor: Ministro Presidente do Superior Tribunal de Justiça
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial (agravo Interno) / Agravo Interno Julgado Pela Quarta Turma; Agravo Interno Provido E Agravo Em Recurso Especial Não Conhecido
- Outcome
- Agravo interno provido; agravo em recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Representação Processual, Procuração E Substabelecimento, Impedimento De Conhecimento Por Falta De Impugnação Específica, Súmula 115/stj, Súmula 7/stj, Art. 932, III, Cpc/2015, Princípio Da Dialeticidade
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Parties
CERVEJARIA TREZE TILIAS LTDA
Agravante
Ministro Presidente do Superior Tribunal de Justiça
Órgão Decisor
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial (agravo Interno) / Agravo Interno Julgado Pela Quarta Turma; Agravo Interno Provido E Agravo Em Recurso Especial Não Conhecido
Legal Issues
- 1 Regularidade da representação processual (procuração e cadeia de substabelecimentos)
- 2 Aplicabilidade da Súmula 115/STJ em razão de juntada posterior de procuração
- 3 Obrigatoriedade de impugnação específica de todos os fundamentos de decisão que inadmite recurso especial
Ratio Decidendi
Apesar de reconhecer a regularidade da representação após a juntada de procuração posterior (o que afasta a Súmula 115/STJ), o agravo em recurso especial não foi conhecido porque o agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida (notadamente a incidência da Súmula 7/STJ); assim, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015, o relator não deve conhecer de recurso que não impugna especificamente os fundamentos da decisão recorrida, razão pela qual, em novo exame, o agravo em recurso especial não foi conhecido.
Court Disposition
Agravo interno provido; agravo em recurso especial não conhecido
Orders
- Dar provimento ao agravo interno
- Em novo exame, não conhecer do agravo em recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 02/09/2025 a 08/09/2025, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira, Marco Buzzi e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. SÚMULA 115/STJ. INAPLICABILIDADE. RECONSIDERAÇÃO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. AGRAVO NÃO CONHECIDO. 1. A ausência de impugnação específica, na petição de agravo em recurso especial, dos fundamentos da decisão que não admite o apelo nobre atrai a aplicação do art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015. 2. Agravo interno provido. Agravo em recurso especial não conhecido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por CERVEJARIA TREZE TILIAS LTDA contra a decisão de fls. 232-233, proferida pelo em. Ministro Presidente do Superior Tribunal de Justiça, que não conheceu do agravo em recurso especial, em razão da incidência da Súmula 115/STJ. Nas razões do agravo interno, sustenta a parte agravante, em síntese, que a decisão foi equivocada, pois "tanto o subscritor do Resp. quanto do AREsp. são advogados sócios-fundadores do escritório que patrocina a defesa da recorrente. Prova disso são as diversas ações em que ambos os advogados (Dr Bruno Luiz Martinazzo e Dr Marco A. V. Alencar Jr) atuam em conjunto na defesa dos direitos e interesses da recorrente. (..) A procuração, anexa, faz prova dos poderes que foram outorgados pela ora recorrente para ambos os procuradores, tanto no ajuizamento das ações supracitadas, e representação naquelas que sobrevierem, quanto no presente caso" (fls. 237-238). Requer, por isso, a reconsideração da decisão agravada, para que seja conhecido o recurso especial. Apresentada impugnação às fls. 250-259. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA. SÚMULA 115/STJ. INAPLICABILIDADE. RECONSIDERAÇÃO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. AGRAVO NÃO CONHECIDO. 1. A ausência de impugnação específica, na petição de agravo em recurso especial, dos fundamentos da decisão que não admite o apelo nobre atrai a aplicação do art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015. 2. Agravo interno provido. Agravo em recurso especial não conhecido. VOTO Assiste razão à parte agravante no que tange à regularidade da representação processual. O recurso não foi conhecido pela Presidência do STJ, em razão da ausência de procuração e/ou cadeia completa de substabelecimentos conferindo poderes ao subscritor do agravo em recurso especial, nos seguintes termos: "Por meio da análise do recurso de CERVEJARIA TREZE TILIAS LTDA, verifica-se que a parte recorrente não procedeu à juntada da procuração e/ou cadeia completa de substabelecimento conferindo poderes ao subscritor do Agravo, Dr. MARCO ANTONIO VASCONCELOS ALENCAR JUNIOR. Ademais, percebeu-se, no STJ, haver irregularidade na representação processual do recurso. A parte, embora regularmente intimada para sanar referido vício (fl. 221), em petição de regularização (fls. 225/229) trouxe a devida procuração em favor do subscritor do Resp, mas não regularizou quanto ao subscritor do ARESP, tendo em vista que os poderes consignados no substabelecimento de fl. 228, foram outorgados ao subscritor do recurso em data posterior à sua interposição." (fl. 232) Ocorre que, ao contrário do que foi consignado na decisão agravada, com a juntada de procuração que confere poderes de representação aos patronos da parte em momento posterior ao de interposição do recurso especial, tem-se por ratificados os atos praticados anteriormente, afastando-se, pois, a incidência da Súmula 115/STJ. Com efeito, o direito adjetivo deve ser interpretado de modo a dar proeminência ao direito substantivo, em homenagem à instrumentalidade do processo, sem a qual se corre o risco de uma inversão de valores. Desse modo, a decisão agravada deve ser reformada, para conhecer do agravo. Assim, reconsidera-se a decisão agravada e passa-se ao exame do recurso. Trata-se de agravo interposto por CERVEJARIA TREZE TILIAS LTDA, tirado de decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que não admitiu o recurso especial, sob os seguintes fundamentos: a) "Não ficou demonstrada a alegada vulneração aos dispositivos arrolados, pois as exigências legais na solução das questões de fato e de direito da lide foram atendidas pelo acórdão ao declinar as premissas nas quais assentada a decisão" (fl. 184); b) incidência da Súmula 7 desta Corte; c) ausência de demonstração do dissídio jurisprudencial. Passo a decidir. O recurso não merece sequer conhecimento. Observa-se que o agravo previsto no art. 1.042 do CPC/2015 tem por objetivo o processamento do recurso especial inadmitido pela Corte de origem. Assim, é imperioso que, nas razões recursais, o agravante demonstre expressamente o desacerto da decisão agravada. Na hipótese, a decisão que inadmitiu o recurso especial apresentou os seguintes fundamentos: a) ausência de comprovação de afronta a dispositivos de lei federal; b) aplicação da Súmula 7/STJ; e c) ausência de comprovação de dissídio jurisprudencial. Nas razões do agravo em recurso especial, a parte agravante não rebateu todos os fundamentos que ensejaram a inadmissão do apelo nobre, deixando de impugnar, especificamente, a incidência da Súmula 7/STJ. Assim, para que seja possível reformar a decisão que não admite o recurso especial, é necessário que a parte agravante ataque, de forma específica, os fundamentos do decisum agravado, de modo a demonstrar expressamente o desacerto do julgado. Isso, porque o princípio da dialeticidade, que rege os recursos processuais, impõe ao recorrente, como requisito para a própria admissibilidade do recurso, o dever de demonstrar a razão pela qual a decisão recorrida não deve ser mantida, evidenciando o seu desacerto, seja do ponto de vista procedimental (error in procedendo), seja do ponto de vista do próprio julgamento (error in judicando). A inobservância dessa regra atrai a incidência do disposto no art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015, in verbis: "Art. 932. Incumbe ao relator: .. III - não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida;" A propósito, confiram-se: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO DO MINISTRO PRESIDENTE QUE NÃO ADMITIU RECURSO ESPECIAL. PARTE QUE DEIXOU DE IMPUGNAR OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO PROFERIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM QUE NÃO ADMITIU O RECURSO ESPECIAL. APLICAÇÃO, POR ANALOGIA, DA SÚMULA 182/STJ. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE, QUE IMPÕE O ATAQUE ESPECÍFICO AOS FUNDAMENTOS. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O agravo que objetiva conferir trânsito ao recurso especial obstado na origem reclama, como requisito objetivo de admissibilidade, a impugnação específica aos fundamentos utilizados para a negativa de seguimento do apelo extremo. 2. Era esse o entendimento segundo a inteligência do disposto no inciso I, do § 4º, do art. 544 do Código de Processo Civil de 1.973, incluído pela Lei 12.322/2010, que tratava da sistemática dos agravos contra os despachos denegatórios dos recursos dirigidos a esta Corte e consigna ser dever do agravante atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada, sob pena de não conhecimento de sua irresignação. 3. Continua a ser esse o entendimento na vigência do Novo Código de Processo Civil, ao estipular que o relator não deve conhecer de recurso que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida (art. 932, III, Novo CPC). 4. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 888.667/RJ, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 11/10/2016, DJe de 18/10/2016) "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DECISÃO QUE INADMITIU O ESPECIAL. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. 1. A ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão que não admitiu o especial, caso em tela, impede o conhecimento do agravo em recurso especial, nos termos do que dispõe o art. 544, § 4º, I, do CPC/1973, normativo esse que também faz parte do contido no art. 932, III, do Novo Código de Processo Civil/2016 e no art. 253, parágrafo único, I, do RI/STJ (redação dada pela Emenda Regimental n. 22, de 2016). 2. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 821.472/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/09/2016, DJe de 6/10/2016) Cabe ressaltar que, por ocasião do julgamento dos EAREsps 701.404, 746.775 e 831.326, concluído na sessão do dia 19/9/2018, a Corte Especial, com a ressalva do entendimento pessoal desta relatoria em sentido contrário, consolidou a orientação de que, para se viabilizar o conhecimento do agravo em recurso especial, é necessário que o recorrente impugne especificamente a integralidade dos fundamentos da decisão agravada, autônomos ou não, o que não ocorreu na espécie. O entendimento foi mantido no julgamento dos EREsp 1.424.404/SP, ocasião na qual se consignou que o art. 1.002 do CPC/2015, que prevê que "A decisão pode ser impugnada no todo ou em parte", é aplicável a todos os recursos e "somente deve ser afastado quando há expressa e específica norma em sentido contrário, tal como ocorre com o agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no supracitado artigo 253, parágrafo único, inciso II, alínea "a", do RISTJ, segundo o qual compete ao relator não conhecer do agravo "que não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida" (EREsp 1.424.404/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 20/10/2021, DJe de 17/11/2021). Incide, na hipótese, o art. 932, III, do CPC/2015, que permite ao Relator não conhecer de recurso que não impugna especificamente os fundamentos da decisão recorrida. Ante o exposto, dá-se provimento ao agravo interno para, em novo exame, não conhecer do agravo em recurso especial. É como voto.