AREsp 1938125 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque o agravante não impugnou especificamente, de forma arrazoada, os fundamentos da decisão que negou seguimento ao recurso especial, em especial a incidência da Súmula 735 do STF; aplicou-se o NCPC conforme Enunciado Administrativo nº 3, de modo que o não atendimento ao art. 932, III,...
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- Parties
- Autor: ANTÔNIO SONEGO; Autor: GILDELENA PEREIRA GHIZONI; Réu: JOSÉ ALEXANDRE RIBEIRO DO NASCIMENTO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão
- Outcome
- Negar provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Requisitos De Admissibilidade Recursal, Súmula 735 STF, Súmulas 7 E 83 Do STJ, Agravo Interno, Art. 932, III, NCPC
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Parties
ANTÔNIO SONEGO
Autor
GILDELENA PEREIRA GHIZONI
Autor
JOSÉ ALEXANDRE RIBEIRO DO NASCIMENTO
Réu
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão
Legal Issues
- 1 Ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão denegatória de admissibilidade de recurso especial
- 2 Aplicação do art. 932, III, do NCPC (art. 544, § 4º, I, do CPC/73)
- 3 Incidência da Súmula 735 do STF em recurso especial que busca reexame de tutela provisória
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque o agravante não impugnou especificamente, de forma arrazoada, os fundamentos da decisão que negou seguimento ao recurso especial, em especial a incidência da Súmula 735 do STF; aplicou-se o NCPC conforme Enunciado Administrativo nº 3, de modo que o não atendimento ao art. 932, III, do NCPC tornou inviável o agravo em recurso especial, devendo ser mantida a decisão agravada.
Court Disposition
Negar provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão que não conheceu do agravo em recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Paulo de Tarso Sanseverino e Marco Aurélio Bellizze votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo de Tarso Sanseverino.
RELATÓRIO Da leitura da minuta do agravo de instrumento que deu origem ao presente recurso, pode-se aferir que ANTÔNIO SONEGO e GILDELENA PEREIRA GHIZONI (ANTÔNIO e outra)ajuizaram ação de despejo cumulada comcobrança contra JOSÉ ALEXANDRE RIBEIRO DO NASCIMENTO (JOSÉ). No curso da ação, o d. Juízo de primeiro grau deferiu o pedido liminar de despejo formulado por ANTÔNIO e outra. Contra essa decisão interlocutória, JOSÉ interpôs agravo de instrumento, que não foi provido peloTribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, nos termos doacórdãoassim ementado: AGRAVO DE INSTRUMENTO. LOCAÇÃO. AÇÃO DE DESPEJO C/C COBRANÇA. A presente ação de despejo por falta de pagamento se funda em contrato de locação residencial desprovido de garantias, de modo que, ainda que observadas as peculiaridades do caso em comento, cabível o despejo liminar determinado (art. 59, § 1º, IX, e § 3º, da Lei n.8.245/1991), observada a faculdade prevista no § 3º, do art. 59, da Lei n. 8.245/1991. NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO. UNÂNIME(e-STJ, fl. 184). Os embargos de declaração opostos por JOSÉ foram rejeitados (e-STJ, fls. 234/238). Inconformado, JOSÉ manejou recurso especial com fulcro no art. 105, III, c, da CF, apontando a violação do art. 300 do NCPC, ao sustentar que (1) não foram preenchidos os requisitos autorizadores para a concessão da liminar de despejo; e (2) suscitou dissídio jurisprudencial. O apelo nobre não foi admitido pelo Tribunal estadual diante da incidência das Súmulas nºs 7 e 83, do STJ e 735do STF(e-STJ, fls. 299/306). Seguiu-se o agravo em recurso especial interposto por JOSÉ que, em decisão monocrática da relatoria do Ministro Presidente do STJ, não foi conhecido, com amparo no art. 21-E, V, c/c 253, parágrafo único, I, do RISTJ, porque não foramatacados especificamente os fundamentos da decisão agravadaquanto aincidência das Súmulas nºs 735do STF e 83do STJ (e-STJ, fls. 387/388). Nas razões do presente agravo interno, JOSÉ sustentou que houve impugnação de todos os fundamentos. Não foi apresentada impugnação. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB AÉGIDE DO NCPC. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DENEGATÓRIA DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PRECONIZADOS PELO ART. 932, III, NCPC (ART. 544, § 4º, I, DO CPC/73). AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-seo NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Não se mostra viável o agravo em recurso especial que, apresentado em desacordo com os requisitos preconizados pelo art. 932, III, do NCPC (544, § 4º, I, do CPC/73), não impugna os fundamentos da respectiva inadmissibilidade (incidência da Súmula nº 735do STF). 3.Agravo interno não provido. VOTO O recurso não merece provimento. De plano, vale pontuar que o presente agravo interno foi interposto contra decisão publicada na vigência do novo Código de Processo Civil, razão pela qual devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma nele prevista, nos termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. O inconformismo agora manejado não merece provimento por não ter trazido nenhum elemento apto a infirmar as conclusões externadas na decisão recorrida. Da análise do presente inconformismo se verifica que, conforme consignado na decisão impugnada, o agravo em recurso especial não se dirigiu especificamente contra todos os fundamentos da decisão que negou seguimento ao apelo nobre, pois JOSÉ, na ocasião, não refutou, de forma arrazoada,a incidência da Súmula nº 735do STF. E isso não fez porque se limitoua repisar as razões do recurso especial, bem como sustentou somente a inaplicabilidade dasSúmulas nºs 7 e 83do STJ, nem sequer mencionando a Súmula nº 735do STF. Assim, repita-se, não houve a demonstração do adequado enfrentamento dofundamentoda decisão agravada no que tange àincidência da Súmula nº 735do STF. Cumpre registrar que, na hipótese em que se pretende impugnara incidência da Súmula nº 735 do STF, deve a parte refutar o citado óbice mediante a clara demonstração de que não houve a interposição do apelo nobre para reexaminar decisão que defere ou indefere pedido liminar ou antecipação de tutela, em razão de sua natureza precária que está sujeita à modificação a qualquer tempo pela sentença de mérito. Desse modo, observa-se que o agravo em recurso especial não impugnou adequadamente oóbiceanteriormente mencionado, e nada trazido neste agravo interno é capaz de contrariar tal entendimento. Conforme já decidiu o STJ: .. à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, deve a parte recorrente impugnar todos os fundamentos suficientes para manter o acórdão recorrido, de maneira a demonstrar que o julgamento proferido pelo Tribunal de origem merece ser modificado, ou seja, não basta que faça alegações genéricas em sentido contrário às afirmações do julgado contra o qual se insurge. (AgRg no Ag 1.056.913/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJe 26/11/2008 - sem destaque no original) Por isso, o agravo em recurso especial não se mostrou viável, uma vez que apresentado em desacordo com os requisitos preconizados pelo art. 932, III, do NCPC (544, § 4º, I, do CPC/1973), devendo ser mantida a decisão agravada. Nesse sentido, seguem os precedentes: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DO FUNDAMENTO DA DECISÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM QUE NÃO ADMITIU O PROCESSAMENTO DO RECURSO ESPECIAL. ART. 932, III, DO CPC/2015. FIXAÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS RECURSAIS EM CONFORMIDADE COM O DISPOSTO NO ART. 85, § 11, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, as razões do agravo em recurso especial devem infirmar os fundamentos da decisão de inadmissibilidade recursal proferida pelo Tribunal de origem, sob pena de não conhecimento do reclamo por esta Corte Superior, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015. 2. Consoante o entendimento da Segunda Seção do STJ, nas hipóteses de não conhecimento ou de improvimento dos recursos interpostos na vigência do Código de Processo Civil de 2015, é cabível o arbitramento dos honorários advocatícios recursais, ante a incidência da norma do art. 85, § 11, do referido diploma processual. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp 1.620.321/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Terceira Turma, j. 30/3/2020, DJe 6/4/2020) AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA COLETIVA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. PLANO VERÃO (JANEIRO DE 1989). NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.JUROS REMUNERATÓRIOS. COISA JULGADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INOVAÇÃO ARGUMENTATIVA. .. 4. Nos termos dos artigos 932, inciso III, e 1.021, § 1º, do Código de Processo Civil/2015, do artigo 259 do Regimento Interno do STJ e da Súmula 182/STJ, é inviável o agravo interno que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada. 5. Tese mencionada no agravo interno, mas não ventilada no recurso especial, não merece conhecimento por configurar inovação argumentativa. 6. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1.643.618/DF, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, Quarta Turma, j. 23/3/2020, DJe 26/3/2020) Assim, como JOSÉ não demonstrou o equívoco nos fundamentos da decisão agravada, deve ser mantido o não conhecimento do agravo em recurso especial, já que não é admissível a impugnação de seus fundamentos somente no âmbito do agravo interno, em virtude da preclusão. Nessas condições, pelo meu voto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno.