AREsp 2630455 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem decidiu a matéria com fundamentação suficiente, a pretensão recorrente demandaria reexame fático-probatório (vedado pelo enunciado n. 7 do STJ) e parte das questões invocadas não foi prequestionada, impedindo o conhecimento do recurso, além de haver...
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- Parties
- Agravado: Agravado; Agravante: Agravante
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 September 2024
- Procedural Posture
- Ação De Rito Comum / Agravo Em Recurso Especial (conhecimento Do Agravo; Recurso Especial Não Conhecido)
- Outcome
- Conheço do agravo; não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Residência Médica, Auxílio Moradia, Conversão Em Pecúnia, Prequestionamento, Prescrição Quinquenal, Honorários Advocatícios
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Parties
Agravado
Agravado
Agravante
Agravante
Procedural Posture
Ação De Rito Comum / Agravo Em Recurso Especial (conhecimento Do Agravo; Recurso Especial Não Conhecido)
Legal Issues
- 1 Conversão do benefício de moradia em pecúnia
- 2 Obrigatoriedade do fornecimento de moradia ao médico residente (art.4 Lei 6.932/81)
- 3 Vedação ao reexame fático-probatório (Súmula 7 do STJ)
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem decidiu a matéria com fundamentação suficiente, a pretensão recorrente demandaria reexame fático-probatório (vedado pelo enunciado n. 7 do STJ) e parte das questões invocadas não foi prequestionada, impedindo o conhecimento do recurso, além de haver jurisprudência pacificada sobre a possibilidade de conversão em pecúnia do benefício de moradia.
Court Disposition
Conheço do agravo; não conheço do recurso especial.
Orders
- Caso exista prévia fixação de honorários advocatícios, determino sua majoração em 1% sobre o valor já fixado, em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Na origem, trata-se de ação de rito comum ajuizada pelo ora Agravado em face do ora Agravante, requerendo a conversão em pecúnia do benefício de moradia no período de 2019 a setembro de 2021. Na sentença, julgou-se improcedente o pedido. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada, para julgar procedente o pedido. O valor da causa foi fixado em R$ 33.555,73 (Trinta e três mil, quinhentos e cinquenta e cinco reais e setenta e três centavos). O recurso especial foi interposto no TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO contra acórdão com o seguinte resumo de ementa: COMPETÊNCIA - ENSINO - RESIDÊNCIA MÉDICA - AUXÍLIO MORADIA - PRETENSÃO DE QUE O INSTITUTO SÓCRATES GUANAES ARQUE COM OS CUSTOS DE MORADIA DO AUTOR, MÉDICO RESIDENTE, COM FUNDAMENTO NA LEI 12.514/11 - PRETENSÃO DE CONVERSÃO DO DIREITO DE MORADIA EM PECÚNIA - ARTIGO 3º, I.6, DA RESOLUÇÃO Nº 623/2013 - RECURSO NÃO CONHECIDO - COMPETÊNCIA PREFERENCIAL DE UMA DAS CÂMARAS DA SEÇÃO DE DIREITO PÚBLICO DESTE E. TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSO NÃO CONHECIDO, COM DETERMINAÇÃO. Após interposição de agravo em recurso especial, vieram os autos ao Superior Tribunal de Justiça. É o relatório. Decido. O recurso especial não deve ser conhecido. A Corte de origem bem analisou a controvérsia com base nos seguintes fundamentos: .. De outra parte, o artigo 4º da Lei Federal nº 6.932/81, na redação da Lei Federal nº 12.514/12, assegura, ainda, ao Médico Residente, durante o período de vigência do respectivo Programa de Residência, a disponibilização de moradia, nos seguintes termos: .. Como se vê, a concessão do Benefício de Moradia ao Médico Residente, não configura mera faculdade da instituição responsável pelo Programa de Residência. Ao contrário, a hipótese é de obrigatoriedade, em acréscimo ao adimplemento da respectiva Bolsa. .. Portanto, a procedência da ação de procedimento comum é de absoluto rigor, invertido o resultado inicial da lide, para determinar a conversão em pecúnia do Benefício de Moradia, a título de indenização, em favor da parte autora, no valor correspondente a 30%,incidente sobre o montante da Bolsa, com relação ao exercício da respectiva Residência Médica, no período compreendido entre 1.3.20 e 28.2.21, nos exatos termos da fundamentação. Arcará a parte ré com o pagamento das respectivas diferenças pecuniárias em atraso, observada a prescrição quinquenal e reconhecido o caráter alimentar, apostilando-se os títulos. .. Não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 (antigo art. 535 do CPC/1973) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/73 e do art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. Conforme entendimento pacífico desta Corte, "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. Quanto à matéria de fundo, (arts. 421 e 422 do CC/2002) verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às demais alegações de violação, (art. 11 do CPC/2015), esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ, quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. Ademais, verifica-se que o Tribunal de origem decidiu a matéria em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Incide, portanto, o disposto no enunciado n. 83 da Súmula do STJ, segundo o qual: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida". Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. RESIDÊNCIA MÉDICA. DIREITO À ALIMENTAÇÃO E ALOJAMENTO/MORADIA. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. INÉRCIA ADMINISTRATIVA. POSSIBILIDADADE DE CONVERSÃO EM PECÚNIA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O art. 4o. da Lei 6.932/81 assegura que as instituição de saúde responsáveis por programas de residência médica tem o dever legal de oferecer aos residentes alimentação e moradia no decorrer do período de residência. Assim existindo dispositivo legal peremptório acerca da obrigatoriedade no fornecimento de alojamento e alimentação, não pode tal vantagem submeter-se exclusivamente à discricionariedade administrativa, permitindo a intervenção do Poder Judiciário a partir do momento em que a Administração opta pela inércia não autorizada legalmente. 2. Ancorada nesses princípios, esta Corte reformou sua orientação jurisprudencial consolidando a orientação de que a simples inexistência de previsão legal para conversão de auxílios, que deveriam ser fornecidos in natura, em pecúnia não é suficiente para obstaculizar o pleito recursal. Precedente: REsp. 1339798/RS, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, 2T, DJe 07.03.2013. 3. Esta Corte reformou sua orientação jurisprudencial consolidando a orientação de que a simples inexistência de previsão legal para conversão de auxílios que deveriam ser fornecidos in natura em pecúnia não é suficiente para obstaculizar o pleito recursal. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 2.104.455/RN, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 8/4/2024, DJe de 11/4/2024.) Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino a sua majoração, em desfavor da parte recorrente, no importe de 1% sobre o valor já fixado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, observados, se aplicáveis: i. os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do já citado dispositivo legal; ii. a concessão de gratuidade judiciária. Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA