AREsp 2514078 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a pretensão de absolvição por atipicidade exigiria revolver o conjunto fático-probatório, providência vedada em recurso especial nos termos da Súmula 7 do STJ, razão pela qual a matéria não poderia ser apreciada nesta Corte.
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- Parties
- Agravante: APARECIDO AUGUSTO RESENIA DOS SANTOS; Vítima: Ana Flávia
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Resistência (art. 329 Cp), Atipicidade Da Conduta, Admissibilidade De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Reexame Fático Probatório
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Parties
APARECIDO AUGUSTO RESENIA DOS SANTOS
Agravante
Ana Flávia
Vítima
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Admissão De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Se estava configurado o crime de resistência previsto no art. 329 do Código Penal
- 2 Se o recurso especial poderia ser conhecido sem revolvimento do conjunto fático-probatório (aplicação da Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a pretensão de absolvição por atipicidade exigiria revolver o conjunto fático-probatório, providência vedada em recurso especial nos termos da Súmula 7 do STJ, razão pela qual a matéria não poderia ser apreciada nesta Corte.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por APARECIDO AUGUSTO RESENIA DOS SANTOS contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS, assim resumido: PENAL. RESISTÊNCIA. MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS. TIPICIDADE DA CONDUTA. FUNDADA SUSPEITA DE CRIME DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA NO LOCAL. ORDEM LEGAL. RESISTÊNCIA E AGRESSÕES INJUSTIFICADAS. SENTENÇA MANTIDA. Quanto à controvérsia recursal, alega violação do art. 329 do CP, no que concerne à necessidade de absolvição do recorrente quanto ao crime de resistência por atipicidade da conduta, tendo em vista que não foi configurada a conduta de resistir a ato legal, ou seja, não havia fundada suspeita para que os policiais realizassem a abordagem, o que torna o ato da autoridade policial ilegal, trazendo a seguinte argumentação: O oferecimento das razões de apelação (ID 46512663) traz em seu escopo o entendimento de que a execução de um ato legal deve seguir a estrita observância da Lei Infraconstitucional e a estrita escrita em seus artigos. Ocorre que, ao observar o caso em questão, o chamamento de força policial para averiguar uma suposta questão de violência doméstica contra mulher no endereço do recorrente e, ao se chegar, não foi verificado quaisquer ameaças. Observa-se no voto do relator Jansen Fialho de Almeida, na lauda de ID 48144315 pág.5, a seguinte afirmação inegável a existência de fundadas suspeitas de que o acusado estivesse ameaçando e importunando Ana Flávia, diante do total estado de embriaguez e a maneira como foi encontrado na residência dela. . Pode-se perceber que houve uma prisão ilegal fundada em uma suspeita, ato este que não é suficiente para configuração de um crime e, por conseguinte a prisão em flagrante, uma vez que não houve fundada justificativa e sequer indícios de tal ato elencado no crime de resistência, para que se faça uma prisão em flagrante do chamado de força policial que sequer aconteceu, fato este confirmado pela suposta vítima que negou quaisquer acontecimentos, demonstrando assim uma subjetividade e um mero ato de escolha não discricionária e muito menos legítima por parte dos policiais que foram alocados para atender a ocorrência. Portanto, é demonstrado que a parte recorrente agiu dentro dos limites legais e sua alteração de humor se deu em razão da abordagem feita por uma falsa denúncia de um ato condenável de agressão doméstica, somada ao fato do carro de polícia parado em frente a sua residência, policiais armados em sua porta utilizando de força e armas como método de intimidação e ainda pela prisão ilegal realizada, impossibilitaria qualquer pessoa de manter a calma diante de tal situação .. Sendo assim demonstrada a violação ao Código Penal, em seu art.329, do qual não há possibilidade de se qualificar tal ato delitivo uma vez que, a ocorrência da denúncia não se demonstrou fundada e muito menos verídica, gerando assim, a existência da atipicidade de conduta, tendo como resultado a absolvição como previsto no art.386, III, do CPP. Deste modo, fazendo um breve resumo dos fatos e fundamentos trazidos, houve uma denúncia com a alegação de que o recorrente estava agredindo sua esposa e, no momento que a força policial chegou ao local para averiguar, foi negado pela sua suposta vítima quaisquer atos lesivos, mas, a polícia suspeitando do recorrente, utilizou da força e assim, na denúncia realizada, foi caracterizado o crime previsto no art.329, do CP, crime este que não se configura pela atipicidade da conduta (fls. 359-360). É, no essencial, o relatório. Decido. Na espécie, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: A Defesa alega a atipicidade da conduta, diante da inexistência de ordem legal dos policiais, já que não havia indícios de crime de violência doméstica no local. Sem razão. A conduta típica do crime de resistência consiste na vontade de não permitir, mediante violência ou ameaça, a realização de ato legal. No caso, houve resistência contra os policiais que prenderam e conduziam o réu à Delegacia para apuração da violência doméstica narrada pela companheira do apelante. Inegável a existência de fundadas suspeitas de que o acusado estivesse ameaçando e importunando Ana Flávia, diante do total estado de embriaguez e a maneira como foi encontrado na residência dela. Os policiais agiram nos estritos limites da legalidade ao abordarem o recorrente, não havendo justificativa para a prática das agressões físicas e verbais aos policiais em serviço. Não há, pois, que se falar em atipicidade da conduta (fls. 340-341, grifo meu). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que para dissentir da conclusão do Tribunal de origem seria necessária a incursão no conjunto fático-probatório carreado aos autos. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados desta Corte: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIMES CONTRA A HONRA. CALÚNIA. ART. 138, CAPUT, COMBINADO COM ART. 141, II, AMBOS DO CÓDIGO PENAL. .. PLEITO ABSOLUTÓRIO.AUSÊNCIA DE DOLO, ERRO DE TIPO E ATIPICIDADE DA CONDUTA. ÓBICE DO REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO, CONFORME SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. .. 2. Ante o que constou no acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça, para se concluir pela absolvição do agravante por falta de dolo, erro de tipo ou atipicidade da conduta, seria necessário o revolvimento fático-probatório, vedado conforme Súmula n. 7 do STJ. (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.127.790/MG, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 12/02/2020.) PENAL E PROCESSO PENAL. .. AFRONTA AOS ARTS. 17 E 18, AMBOS DO CP. CARACTERIZAÇÃO DE CRIME IMPOSSÍVEL. DOLO DA CONDUTA. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. VEDAÇÃO. PEDIDO DE DESCLASSIFICAÇÃO E DE DIMINUIÇÃO DO QUANTUM FIXADO À TÍTULO DE MULTA. MATÉRIAS PROBATÓRIAS. IMPOSSIBILIDADE. PLEITO DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. REEXAME DE PROVAS. VEDAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. .. . .. 2. Cabe ao aplicador da lei, em instância ordinária, fazer um cotejo fático probatório a fim de analisar a existência de provas suficientes a embasar o decreto condenatório, ou a ensejar a absolvição, bem como analisar a existência de dolo na conduta do agente e as possíveis excludentes de ilicitude ou mesmo eventual ocorrência de uma das excludentes de culpabilidade aplicáveis ao caso. Compete, também, ao Tribunal a quo, examinar o quantum a ser fixado a título de prestação pecuniária, com base nas condições econômicas do acusado. Incidência da Súmula 7 deste Tribunal. 3. É assente que "a averiguação da existência ou não do nexo de dependência entre as condutas, capaz de afirmar pela incidência ou não do princípio da consunção, esbarra no óbice da Súmula 07 desta Corte, na medida em que exige incursão na matéria fático-probatória dos autos, o que é inviável na via especial." (REsp 810.239/RS, Rel, Min. GILSON DIPP, QUINTA TURMA, DJ 09/10/2006) . .. 7. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp n. 824.317/RS, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 28/03/2016.) PENAL E PROCESSO PENAL. RECURSO ESPECIAL. .. 3. CONTROVÉRSIA SOBRE A JUSTA CAUSA. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DO ARCABOUÇO FÁTICO PROBATÓRIO. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. 4. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. .. 3. O entendimento da Corte local se assentou no arcabouço probatório que subsidiou o oferecimento da denúncia. Assim, eventual conclusão em sentido contrário, para se afirmar que há justa causa para a ação penal, demandaria indevida incursão no arcabouço dos autos, o que não se admite na via eleita, nos termos do óbice do enunciado n. 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Como é de conhecimento, a análise de eventual violação da norma infraconstitucional não pode demandar o revolvimento dos fatos e das provas carreados aos autos, porquanto as instâncias ordinárias são soberanas no exame do acervo probatório. Dessa forma, não é dado a esta Corte Superior se imiscuir nas conclusões alcançadas pelas instâncias ordinárias, acerca da ausência de justa causa para a ação penal, em virtude da ausência de indícios mínimos de autoria. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp n. 1.624.540/RJ, relator Ministro Reynaldo Soares Da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 04/12/2018, DJe 14/12/2018.) Ainda nesse sentido: "O STJ já proclamou não ser possível revisar as conclusões adotadas pela instância precedente quanto a desnecessidade da juntada de prova e ao indeferimento da prova pericial sem reexaminar o conjunto fático-probatório dos autos, providência que é vedada em recurso especial a teor da Súmula n. 7 do STJ. Precedentes. (AgInt no REsp 1588756/SC, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, DJe 11/3/2021)." (AgRg no AREsp n. 1.846.562/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 16/11/2021, DJe de 19/11/2021.) De igual sorte: "Em recurso especial não é possível o reexame fático-probatório, por vedação do verbete n. 7 da Súmula do STJ, não sendo viável, por isso, analisar a tese de absolvição por ausência de prova de autoria e materialidade delitiva, ou ainda pela absoluta improbidade do objeto da conduta delitiva (crime impossível)." (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.841.900/PR, relator Ministro Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Sexta Turma, julgado em 15/2/2022, DJe de 21/2/2022.) Confiram-se também os seguintes precedentes quanto à aplicação do enunciado da Súmula 7/STJ: AgRg no AREsp 1.648.761/RS, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 13/10/2020; AgRg no AgRg no AREsp 1.780.664/PB, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 22/02/2021; AgRg no AREsp 1.375.089/SP, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 09/12/2019; AgRg no REsp 1.821.134/MT, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 10/12/2019; AgRg no AREsp 1.275.084/TO, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/06/2019; AgRg no AREsp 1.348.814/SP, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 04/02/2019; AgRg no AREsp 1.480.030/BA, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 23/06/2020; AgRg no AREsp 1.681.129/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 02/06/2020; AgRg no AREsp 1.681.129/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 02/06/2020; AgRg no AgRg nos EDcl no AREsp 1.344.238/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 12/12/2018; AgRg no AREsp 589.412/MG, relator. Ministro Gurgel de Faria, Quinta Turma, DJe de 02/02/2015; AgRg no AREsp 1.433.019/RS, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 05/04/2019; AgRg no AREsp 1.733.622/GO, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 08/02/2021; REsp 1.621.899/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 07/12/2020; AgRg nos EDcl no AREsp 1.713.529/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 21/09/2020; REsp n. 1.777.169/AL, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 23/05/2019; AgRg no REsp n. 1.767.963/PR, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 26/08/2020; AgRg no AREsp n. 1.738.871/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 27/11/2020; AgRg no AgRg no REsp n. 1.845.089/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 23/11/2020; AgRg no REsp n. 1.679.603/GO, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 19/02/2018; AgRg no REsp n. 1.857.774/RS, relator Ministro Reynaldo Soares Da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 30/06/2020; AgRg no AREsp n. 1.213.878/PR, relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 09/12/2019. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA