AREsp 2447463 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido por falta de demonstração do dissídio jurisprudencial exigido (ausência de cotejo analítico e indicação de similitude fática e jurídica) e por deficiência de fundamentação a que se aplica a Súmula 284/STF, razão pela qual o agravo foi conhecido para não conhecer do recurso especial.
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- Parties
- Agravante: KLEBER FERNANDO DA COSTA NASCIMENTO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Responsabilidade Civil Da Administração Pública, Acidente Em Serviço Militar, Cumulatividade De Indenização E Benefício Previdenciário Militar, Dissídio Jurisprudencial, Admissibilidade Do Recurso Especial, Súmula 284/stf
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Parties
KLEBER FERNANDO DA COSTA NASCIMENTO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Existência de ato ilícito da Administração em acidente de serviço militar
- 2 Possibilidade de cumulação de indenização civil com benefício previdenciário militar
- 3 Alegação de dissídio jurisprudencial envolvendo arts. 4º e 485, §§ 6º e 7º do CPC e Súmula 240/STJ
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido por falta de demonstração do dissídio jurisprudencial exigido (ausência de cotejo analítico e indicação de similitude fática e jurídica) e por deficiência de fundamentação a que se aplica a Súmula 284/STF, razão pela qual o agravo foi conhecido para não conhecer do recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Conheço do agravo
- Não conheço do recurso especial
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por KLEBER FERNANDO DA COSTA NASCIMENTO contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alínea "c", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO, assim resumido: APELAÇÃO. ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ACIDENTE EM SERVIÇO. REPARAÇÃO PELA REFORMA/AGREGAÇÃO DO MILITAR. APELAÇÃO IMPROVIDA. Quanto à primeira controvérsia, a parte recorrente alega a ocorrência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e julgados de outros tribunais na interpretação dos arts. 4º e 485, §§ 6º e 7º, ambos do Código de Processo Civil, e da Súmula n. 240/STJ, defende a ocorrência de ato ilícito devidamente comprovado, tendo em vista a conduta imprudente dos superiores hierárquicos do recorrente que provocou o acidente no treinamento militar. Argumenta: Esse foi o segundo fundamento para que o Egrégio Regional a quo, no sentido de afastar a responsabilidade civil em decorrência de acidente em serviço, por entender que não houvera qualquer ato ilícito perpetrado pela Administração Pública. Primeiramente, devemos relembrar que o próprio TRF5, nos ponto 08 que houve sim ilícito civil por conduta imprudente dos superiores hierárquicos do Recorrente, no momento da ordem do exercício militar que ocasionou o acidente, vejamos: .. Desta forma, reconhecido está o ilícito civil, que teve origem em conduta imprudente dos superiores hierárquicos, aos quais o Recorrente estava submetido à época dos fatos, consistindo em ordem que deveria ser cumprida compulsoriamente pelo Recorrente. Desta forma, há comprovação de que houve ilícito civil perpetrado pela Recorrida, quando vemos que a ordem proferida por superior hierárquico foi imprudente, ao determinar a realização do exercício de mergulho sem se certificar a segurança do local. Com isso, Colenda Corte, resta apenas a comprovação de que também são consideradas ilícitos atos imprudentes perpetrados por superiores hierárquicos quando ocorridos quando do acidentes em serviço. jurisprudencial desta Casa de Justiça, entendimento que converge para o provimento do Recurso, no sentido de reconhecer a ação ilícita também quando diante ocorrência de acidente em serviço, como ocorreu no caso dos Autos (fls. 407-408) Quanto à segunda controvérsia, a parte recorrente alega a ocorrência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e julgados de outros tribunais na interpretação dos arts. 4º e 485, §§ 6º e 7º, ambos do Código de Processo Civil, e da Súmula n. 240/STJ. Aduz a possibilidade da cumulação do recebimento de indenização civil em razão de acidente em treinamento militar com o benefício previdenciário militar, ainda que advindos do mesmo fato, uma vez que se tratam de obrigações jurídicas distintas, trazendo a seguinte argumentação: Sendo desta forma, pela delimitação posta pelo Egrégio Tribunal a quo, cabe-nos demonstrar a controvérsia sobre o fundamento que possibilita o ressarcimento por danos morais, materiais e estéticos, aplicando-se no caso o Código Civil, demonstrando que são distintas a responsabilidade civil e a previdenciária e que podem decorrer do mesmo fato. Além disso, a demonstração de que há sim danos morais e estéticos decorrentes de acidente militar e que os mesmos são comprovados in re ipsa ou seja, são presumíveis. .. Nesse primeiro fundamento, do entendimento proferido pela Emérita Corte a quo foi no sentido de que, não haveria possibilidade de haver condenação da Recorrida em danos morais no caso dos Autos, uma vez que a legislação castrense não preveria tal condenação, apenas e tão somente a possibilidade da reforma remunerada, como ocorreu com o Recorrente. Contudo, Eméritos Ministros, não há o que confundir a responsabilidade civil com a previdenciária, em que pese tratar dos mesmos fatos, no caso dos Autos, acidente ocorrido durante exercício militar. Esta Colenda Corte tem entendimento diverso do que foi explicitado pelo Egrégio Regional Federal a quo, uma vez que possui o entendimento de que são cumuláveis ambas as condenações, em que pese tratarem do mesmo fato, são oriundos de obrigações jurídicas distintas, uma de natureza previdenciária militar e outra de natureza civil (fls. 402-404). É, no essencial, o relatório. Decido. Inicalmente, destaca-se que, quanto à primeira e à segunda controvérsias, não foi comprovada a divergência jurisprudencial, uma vez que não cabe alegação de dissídio com súmula, ainda que vinculante, mas apenas com os julgados que lhe deram origem. Nesse sentido: "não é admissível a realização do cotejo analítico com súmula, mas apenas com os julgados que a originaram". (AgInt no REsp 1.681.656/RS, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe 27/6/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgRg no REsp 1.293.337/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 29/11/2016; AgInt no AREsp 959.727/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 20/10/2016; e AgRg no AREsp 468.219/RS, relator Ministro Sidnei Beneti, Terceira Turma, DJe de 13/6/2014. Ademais, para ambas as controvérsias, incide o óbice da Súmula n. 284/STF em razão da ausência de comando normativo dos dispositivos legais objeto do dissídio jurisprudencial, o que atrai, por conseguinte, o referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Segundo a jurisprudência do STJ, o óbice de ausência de comando normativo do artigo de lei federal apontado como violado ou como objeto de divergência jurisprudencial incide nas seguintes situações: quando não tem correlação com a controvérsia recursal, por versar sobre tema diverso; e quando sua indicação não é apta, por si só, para sustentar a tese recursal, seja porque o dispositivo legal tem caráter genérico, seja porque, embora consigne em seu texto comando específico, exigiria a combinação com outros dispositivo legais. Ressalte-se, por oportuno, que a indicação genérica do artigo de lei que teria sido contrariado induz à compreensão de que a violação alegada é somente de seu caput, pois a ofensa aos seus desdobramentos também deve ser expressamente indicada. Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPTU. IMUNIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. EXECUÇÃO FISCAL. RFFSA E UNIÃO. TRANSFERÊNCIA PATRIMONIAL. CURSO DA DEMANDA. SUCESSORA. REDIRECIONAMENTO. POSSIBILIDADE. SUBSTITUIÇÃO DA CDA. DESNECESSIDADE. 1. Os apontados arts. 130 e 131 do CTN não têm comando normativo para amparar a tese de imunidade do IPTU em favor da RFFSA, visto que tais dispositivos legais cuidam de tema diverso, referente à responsabilidade tributária por sucessão, sendo certo que a deficiência da irresignação recursal nesse ponto enseja a aplicação da Súmula 284 do STF. .. (AgInt no REsp n. 1.764.763/PR, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 27/11/2020.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BANCÁRIO. CÉDULO DE CRÉDITO BANCÁRIO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CÉRTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. FUNÇÃO DESEMPENHADA PELO CÉRTIFICADO DE DEPÓSITO INTERBANCÁRIO (CDI). REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. VIOLAÇÃO À SÚMULA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 284/STF. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. .. 4. No que tange à aduzida ofensa ao art. 12, § 1º, VI, da Lei n. 10.931/04, o presente recurso não merece prosperar, porquanto o referido dispositivo não confere sustentação aos argumentos engendrados. Incidência da Súmula 284/STF. 5. O mesmo óbice representado pelo enunciado da Súmula 284/STF incide no que diz respeito à alegada ofensa aos arts. 421 e 425 do Código Civil, que veiculam comandos normativos demasiadamente genéricos e que não infirmam as conclusões do Tribunal de origem. .. 7. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.674.879/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/03/2021.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: REsp n. 1.798.903/RJ, relator para o acórdão Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, DJe de 30/10/2019; AgInt no REsp n. 1.844.441/RN, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 14/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.524.220/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 18/5/2020; AgRg no AREsp n. 1.280.513/RJ, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 27/5/2019; AgRg no REsp n. 1.754.394/MT, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 17/9/2018; AgInt no REsp n. 1.503.675/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 27/3/2018; AgInt no REsp n. 1.846.655/PR, Terceira Turma, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 23/4/2020; AgInt nos EDcl no REsp n. 1.709.059/RJ, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 18/12/2020; AgInt no REsp n. 1.790.501/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 19/03/2021; AgInt no REsp n. 1.530.047/SC, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 02/05/2019; AgInt no REsp n. 1.471.114/PR, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, DJe de 28/10/2019. Por fim, não foi comprovado o dissídio jurisprudencial, uma vez que a parte recorrente não realizou o indispensável cotejo analítico, que exige, além da transcrição de trechos dos julgados confrontados, a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência, com a indicação da existência de similitude fática e identidade jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas indicados, não bastando, portanto, a mera transcrição de ementas ou votos. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu: "Esta Corte já pacificou o entendimento de que a simples transcrição de ementas e de trechos de julgados não é suficiente para caracterizar o cotejo analítico, uma vez que requer a demonstração das circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma, mesmo no caso de dissídio notório". (AgInt no AREsp n. 1.242.167/MA, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 05/04/2019.) Ainda nesse sentido: "A divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais impede o conhecimento do Recurso Especial, com base na alínea "c" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal". (AgInt no REsp n. 1.903.321/PR, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 16/03/2021.) Confiram-se também os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp n. 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp n. 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp n. 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp n. 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020; AgInt no AREsp n. 1.568.037/SP, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 12/05/2020; AgInt no REsp n. 1.886.363/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 28/04/2021; AgRg no REsp n. 1.857.069/PR, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 05/05/2021. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. EMENTA