REsp 1821649 - DECISAO
Negado provimento ao recurso especial em razão da orientação vinculante do Supremo Tribunal Federal (RE 1.027.633/SP, Tema 940) que estabelece que a ação por danos causados por agente público deve ser proposta contra o Estado, tornando ilegítimo o agente público para figurar no polo passivo; assim, manteve-se a...
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- Parties
- Recorrente: SANDER OTAVIO DE LIMA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 April 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Pelo Superior Tribunal De Justiça, Recurso Negado
- Outcome
- Nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Responsabilidade Civil Do Estado, Ilegitimidade Passiva Do Agente Público, Danos Morais, Recurso Especial
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Parties
SANDER OTAVIO DE LIMA
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Pelo Superior Tribunal De Justiça, Recurso Negado
Legal Issues
- 1 possibilidade de ajuizamento de ação indenizatória diretamente contra o agente público
- 2 ilegitimidade passiva do agente público com fundamento no art.37, §6º da CF
- 3 extinção do processo com fundamento no art.485, VI do CPC e alegação recursal de afronta ao art.485, IV do CPC
Ratio Decidendi
Negado provimento ao recurso especial em razão da orientação vinculante do Supremo Tribunal Federal (RE 1.027.633/SP, Tema 940) que estabelece que a ação por danos causados por agente público deve ser proposta contra o Estado, tornando ilegítimo o agente público para figurar no polo passivo; assim, manteve-se a extinção do processo sem resolução do mérito pelo Tribunal de origem.
Court Disposition
Nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intime-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por SANDER OTAVIO DE LIMA, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea c, da Constituição Federal (CF), no qual se insurge contra o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ assim ementado (fl. 538): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. SUPOSTA INSCRIÇÃO FRAUDULENTA EM CADASTRO MUNICIPAL DE BENEFICIÁRIOS DE CESTAS BÁSICAS. PRETENSÃO DE RESPONSABILIZAÇÃO DOS REQUERIDOS POR ATO PRÓPRIO DA FUNÇÃO DE AGENTES PÚBLICOS. ART.37, § 6º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA DO ESTADO. IMPOSSIBILIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO DIRETA DOS SERVIDORES PÚBLICOS. ENTENDIMENTO DO STF. ILEGITMIDADE PASSIVA. EXTINÇÃO DO PROCESSO, DE OFÍCIO, SEM RESOLUÇÃO DEMÉRITO. ART. 485, VI, DO CPC/15. RECURSO PREJUDICADO. Em suas razões recursais, a parte recorrente aponta dissídio jurisprudencial, defendendo a tese de que é possível propor ação indenizatória diretamente contra o agente público que causou danos à parte autora. Sustenta que, ao extinguir o processo sem resolução do mérito, o Tribunal de origem teria afrontado o art. 485, IV, do Código de Processo Civil. A parte adversa apresentou contrarrazões (fls. 614/622). O recurso foi admitido na origem (fls. 631/632). É o relatório. Trata-se na origem de ação de indenização por danos morais na qual a parte autora afirma que seu filho, falecido no ano de 2016, foi fraudulentamente inserido no cadastro de beneficiários de cestas básicas do Município de Palmas/PR, no ano de 2012. O Tribunal de origem extinguiu o processo sem resolução do mérito, com fundamento no art. 485, VI, do Código de Processo Civil, ao argumento de que, "tendo o prejuízo alegado pelo apelante decorrido de um atuar tipicamente administrativo, não se pode imputar ao agente estatal de forma direita e imediata a responsabilidade civil pelo suposto dano" (fl. 544). O acórdão recorrido está em consonância com a tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 1.027.633/SP, julgado em 14/8/2019 pelo rito da repercussão geral (Tema 940), nos seguintes termos: A teor do disposto no art. 37, § 6º, da Constituição Federal, a ação por danos causados por agente público deve ser ajuizada contra o Estado ou a pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público, sendo parte ilegítima para a ação o autor do ato, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. Tal orientação vem sendo seguida pela mais recente jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido: RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS. PERSEGUIÇÃO POLÍTICA. PRISÃO. TORTURA. MORTE. PERÍODO DE EXCEÇÃO INSTAURADO EM 1964. AÇÃO DIRIGIDA DIRETAMENTE CONTRA O AGENTE PÚBLICO. IMPOSSIBILIDADE. ENTENDIMENTO VINCULANTE DO STF NO RE 1.027.633/SP (TEMA 940) . CAUSA COM PEDIDO CONDENATÓRIO E NÃO MERAMENTE DECLARATÓRIO, FUNDAMENTADA NO DIREITO CIVIL. IMPRESCRITIBILIDADE AFASTADA. SÚMULA 647/STJ. INCIDÊNCIA RESTRITA AO DIREITO PÚBLICO. FATOS OCORRIDOS EM 1971. AÇÃO AJUIZADA EM 2010. DECURSO DE PRAZO DE MAIS DE 22 ANOS APÓS A CONSTITUIÇÃO DE 1988. PRESCRIÇÃO RECONHECIDA. 1. Em razão do decidido pelo Supremo Tribunal Federal no RE 1.027.633/SP, julgado sob o rito da repercussão geral (Tema 940), o agente estatal autor do ato ofensivo não tem legitimidade passiva para ser demandado diretamente pela vítima, devendo a ação ser ajuizada contra o Estado, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. .. 7. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp n. 2.054.390/SP, relator Ministro Marco Buzzi, relatora para acórdão Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 29/11/2023, DJe de 19/12/2023 - sem destaque no original.) ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. MATÉRIA JORNALÍSTICA. DECISÃO MONOCRÁTICA DO RELATOR. ART. 932, III E IV, DO CPC/2015. CONFIRMAÇÃO PELO COLEGIADO. EVENTUAL NULIDADE. SUPERAÇÃO. OFENSA A DECRETO REGULAMENTAR. ATO NORMATIVO QUE NÃO SE ENQUADRA NO CONCEITO DE TRATADO OU LEI FEDERAL. PRECEDENTES. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL A QUO ANCORADO EM PREMISSAS FÁTICAS. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. ILEGITIMIDADE DO AGENTE PÚBLICO. ACÓRDÃO RECORRIDO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STF FIRMADA SOB O RITO DA REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 940. DEVER DE INDENIZAR. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADO. .. 4. A orientação vinculante (Tema 940/STF) prevê que a ação por danos causados por agente público deve ser ajuizada contra o Estado ou a pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público, sendo parte ilegítima para a ação o autor do ato, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. .. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.230.776/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 16/11/2021, DJe de 19/11/2021 - sem destaque no original.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. ILEGITIMIDADE DO AGENTE PÚBLICO. JURISPRUDÊNCIA DO STF FIRMADA SOB O RITO DA REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 940. 1. Na origem, trata-se de ação indenizatória ajuizada contra Raul Chatagnier Filho e o Estado de Santa Catarina, requerendo a declaração de responsabilidade solidária dos requeridos por erro médico. 2. Verifica-se que o acórdão recorrido não se encontra em sintonia com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmada no julgamento do RE 1.027.633, submetido ao rito da repercussão geral (Tema 940). 3. Em julgamento concluído no dia 14.8.2019, o Pretório Excelso fixou a seguinte tese: "A teor do disposto no art. 37, § 6º, da Constituição Federal, a ação por danos causados por agente público deve ser ajuizada contra o Estado ou a pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço público, sendo parte ilegítima para a ação o autor do ato, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa". 4. Com efeito, o STJ deve submissão à tese vinculante exarada pelo STF, que, por sua vez, não confere supedâneo jurídico ao acórdão recorrido. 5. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.448.067/SC, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 29/4/2020, DJe de 7/5/2020 - sem destaque no original.) Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial. Publique-se. Intime-se. EMENTA