REsp 2128558 - DECISAO
Diante da jurisprudência desta Corte e do comando do art. 134 do CTB, reconheceu-se que a responsabilidade solidária do alienante pelo cometimento de infrações de trânsito perdura até a comunicação da transferência ao órgão de trânsito; assim, deu-se provimento ao recurso especial para reconhecer a responsabilidade...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: SSP DEPARTAMENTO ESTADUAL DE TRÂNSITO DE MS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 March 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Provimento (decisão)
- Outcome
- Dou provimento ao recurso especial para reconhecer a responsabilidade solidária do alienante pela infração de trânsito cometida antes da comunicação da transferência do veículo.
- Legal Topics
- Responsabilidade Solidária, Alienação De Veículo, Art. 134 Do CTB, Comunicação Ao DETRAN, Súmula 585/stj, IPVA
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
SSP DEPARTAMENTO ESTADUAL DE TRÂNSITO DE MS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Provimento (decisão)
Legal Issues
- 1 Aplicação do art. 134 do Código de Trânsito Brasileiro
- 2 Responsabilidade do ex-proprietário por infrações cometidas após a alienação até a comunicação ao órgão de trânsito
- 3 Mitigação da responsabilidade prevista na Súmula 585/STJ
Ratio Decidendi
Diante da jurisprudência desta Corte e do comando do art. 134 do CTB, reconheceu-se que a responsabilidade solidária do alienante pelo cometimento de infrações de trânsito perdura até a comunicação da transferência ao órgão de trânsito; assim, deu-se provimento ao recurso especial para reconhecer a responsabilidade solidária do alienante pela infração cometida antes da comunicação da transferência do veículo.
Court Disposition
Dou provimento ao recurso especial para reconhecer a responsabilidade solidária do alienante pela infração de trânsito cometida antes da comunicação da transferência do veículo.
Orders
- DOU PROVIMENTO ao recurso especial para reconhecer a responsabilidade solidária do alienante pela infração de trânsito cometida antes da comunicação da transferência do veículo.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por SSP DEPARTAMENTO ESTADUAL DE TRÂNSITO DE MS, com respaldo nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL, assim ementado (e-STJ fl. 169): EMENTA - APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER -ALIENAÇÃO DE VEÍCULO - AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO DA VENDA AO DETRAN/MS - AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DO EXPROPRIETÁRIO EM RELAÇÃO ÀS INFRAÇÕES DE TRÂNSITO COMETIDAS APÓS A VENDA DO BEM -MITIGAÇÃO DO ART. 134 DO CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO -PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - RECURSO NÃO PROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça vem mitigando a interpretação do art. 134 do CTB, no sentido de afastar a responsabilidade do antigo proprietário pelas infrações verificados após a alienação, independentemente da ausência de comunicação da transferência ao órgão de trânsito. No caso, ainda que a alienante do veículo não tenha realizado a comunicação de venda do automóvel junto ao Detran/MS, não pode ser responsabilizado pelas infrações cometidas após a data da venda. 2. Apelação conhecida e não provida. Em suas raz ões, a parte recorrente aponta, além de dissídio jurisprudencial, violação do art. 134 do Código de Trânsito Brasileiro, sustentando que a parte alienante deve comunicar a transferência da propriedade no órgão executivo de trânsito no prazo de 30 dias, sob pena de responder solidariamente pelas infrações de trânsito. Aduz que, conforme a jurisprudência do STJ, a referida responsabilidade solidária só poderia ser ilidida em relação aos tributos pertinentes à propriedade e desde que não exista legislação estadual prevendo tal responsabilidade, o que não é o caso. Contrarrazões às e-STJ fls. 193/198. Juízo positivo de admissibilidade pelo Tribunal de origem às e-STJ fls. 200/204. Passo a decidir. Inicialmente, cumpre registrar a redação do art. 134 do CTB: "No caso de transferência de propriedade, o proprietário antigo deverá encaminhar ao órgão executivo de trânsito do Estado dentro de um prazo de trinta dias, cópia autenticada do comprovante de transferência de propriedade, devidamente assinado e datado, sob pena de ter que se responsabilizar solidariamente pelas penalidades impostas e suas reincidências até a data da comunicação." Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, por ocasião do julgamento do PUIL 1556/SP, firmou a orientação de que "a responsabilidade solidária do ex-proprietário, prevista no art. 134 do CTB, somente pode ser mitigada na hipótese da Súmula 585/STJ: "A responsabilidade solidária do ex-proprietário, prevista no art. 134 do Código de Trânsito Brasileiro CTB, não abrange o IPVA incidente sobre o veículo automotor, no que se refere ao período posterior à sua alienação"". Confira-se a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. PUIL. AGRAVO INTERNO NO PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO DE INTERPRETAÇÃO DE LEI. JULGAMENTO MONOCRÁTICO. POSSIBILIDADE. ALIENAÇÃO DE VEÍCULO. AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO AO DETRAN PELO VENDEDOR. ART. 134 DO CTB. MULTAS DE TRÂNSITO. INFRAÇÕES OCORRIDAS EM MOMENTO POSTERIOR À VENDA DO VEÍCULO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ANTIGO PROPRIETÁRIO. SÚMULA 585/STJ. (..) 2. Na forma da jurisprudência desta Corte, "a parte alienante do veículo deve comunicar a transferência de propriedade ao órgão competente, sob pena de responder solidariamente em casos de eventuais infrações de trânsito, prevista no art. 134 do Código de Trânsito Brasileiro" (AgInt no AREsp 1.365.669/TO, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 22/4/2019). Nesse mesmo sentido: AREsp 438.156/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe 16/12/2019; AgInt no REsp 1.653.340/RS, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, DJe 30/05/2019. 3. A responsabilidade solidária do ex-proprietário, prevista no art. 134 do CTB, somente pode ser mitigada na hipótese da Súmula 585/STJ: "A responsabilidade solidária do ex-proprietário, prevista no art. 134 do Código de Trânsito Brasileiro CTB, não abrange o IPVA incidente sobre o veículo automotor, no que se refere ao período posterior à sua alienação". 4. Agravo interno não provido. (AgInt no PUIL 1.556/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2020, DJe 17/06/2020) Com base naquele julgamento, ficou estabelecido que a responsabilidade solidária do alienante do veículo perdurará até o momento da comunicação da venda ao respectivo órgão de trânsito. Nesse mesmo: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ALIENAÇÃO DE VEÍCULO. DÉBITOS VINCULADOS AO BEM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DEVER DO ALIENANTE DE INFORMAR, AO DETRAN, A TRANSFERÊNCIA DA PROPRIEDADE DO BEM. ART. 134 DO CÓDIGO DE TRÂNSITO BRASILEIRO. DESCUMPRIMENTO. PEDIDO DE BLOQUEIO ADMINISTRATIVO DO VEÍCULO, PARA FINS DE RENOVAÇÃO DO LICENCIAMENTO E DA TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE DO BEM. TERMO INICIAL DO BLOQUEIO A CONTAR DA CITAÇÃO DO RÉU, NA PRESENTE AÇÃO. ALEGAÇÃO DE INEXEQUIBILIDADE DA MEDIDA ADMINISTRATIVA. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ SOBRE O TEMA. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESSA EXTENSÃO, IMPROVIDO. I. Recurso Especial interposto contra acórdão publicado na vigência do CPC/2015. II. Na origem, trata-se de Ação de Obrigação de Fazer ajuizada pela parte recorrida em face do Departamento Estadual de Trânsito - DETRAN/CE, objetivando o bloqueio administrativo do veículo, a fim de afastar sua responsabilidade solidária com o atual proprietário por atos praticados pelo condutor, a contar da venda do bem, ou, subsidiariamente, a partir da propositura da presente ação. A sentença julgou procedente, em parte, o pedido, para determinar o bloqueio administrativo do veículo em relação a seu licenciamento e transferência. O acórdão recorrido deu provimento parcial ao reexame necessário, para ajustar a data do bloqueio administrativo do veículo, para fins de renovação do licenciamento e da sua eventual transferência, para a data da citação do réu, na presente ação. III. O art. 134 do Código de Trânsito Brasileiro não possui comando normativo apto a sustentar a tese recursal no sentido de que "a decisão que determina a desvinculação do veículo do nome do demandante sem indicar o novo proprietário é fatalmente inexequível", de forma a atrair a incidência da Súmula 284 do STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia"). IV. A Primeira Seção do STJ, ao apreciar o PUIL 1.556/SP, consolidou entendimento sobre a responsabilidade solidária prevista no art. 134 do Código Nacional de Trânsito, no sentido de que ""a parte alienante do veículo deve comunicar a transferência de propriedade ao órgão competente, sob pena de responder solidariamente em casos de eventuais infrações de trânsito, prevista no art. 134 do Código de Trânsito Brasileiro" (AgInt no AREsp 1.365.669/TO, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 22/4/2019). Nesse mesmo sentido: AREsp 438.156/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe 16/12/2019; AgInt no REsp 1.653.340/RS, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, DJe 30/05/2019". Entendeu-se, ainda, que "a responsabilidade solidária do ex-proprietário, prevista no art. 134 do CTB, somente pode ser mitigada na hipótese da Súmula 585/STJ: "A responsabilidade solidária do ex-proprietário, prevista no art. 134 do Código de Trânsito Brasileiro CTB, não abrange o IPVA incidente sobre o veículo automotor, no que se refere ao período posterior à sua alienação"" (STJ, AgInt no PUIL 1.556/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 17/06/2020). V. No caso em apreciação, o acórdão do Tribunal de origem afastou a responsabilidade solidária do ora recorrido apenas a contar da citação para a contestação, no presente feito, com fundamento no art. 240 do CPC/2015. Com efeito, o acórdão recorrido encontra-se em consonância com o entendimento desta Corte, no sentido da responsabilidade solidária do antigo proprietário em relação aos débitos vinculados ao veículo até a data da comunicação da alienação ao órgão de trânsito, que, pelas peculiaridades fáticas do caso concreto, foi considerada efetivada pela citação válida do réu, na presente ação. VI. Recurso Especial parcialmente conhecido, e, nessa extensão, improvido. (REsp n. 1.935.790/CE, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 24/8/2021, DJe de 31/8/2021.) ADMINISTRATIVO. VEÍCULO. ALIENAÇÃO. COMUNICAÇÃO AO DETRAN. AUSÊNCIA. MULTAS DE TRÂNSITO. INFRAÇÕES POSTERIORES À VENDA. ANTIGO PROPRIETÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. RECONHECIMENTO. 1. A Primeira Seção desta Corte, por ocasião do julgamento do PUIL 1.556/SP, firmou a orientação de que "a responsabilidade solidária do ex-proprietário, prevista no art. 134 do CTB, somente pode ser mitigada na hipótese da Súmula 585 do STJ: "A responsabilidade solidária do ex-proprietário, prevista no art. 134 do Código de Trânsito Brasileiro CTB, não abrange o IPVA incidente sobre o veículo automotor, no que se refere ao período posterior à sua alienação"". 2. Hipótese em que a responsabilidade solidária do alienante do veículo deve perdurar até o momento da comunicação da venda ao respectivo órgão de trânsito, que, no caso em tela, ocorreu com a citação do Departamento de Trânsito do Distrito Federal. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.964.367/DF, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 14/11/2022, DJe de 12/12/2022.) No caso, verifica-se que não há controvérsia de que a infração questionada ocorreu após a data da venda, porém antes da realização da transferência pelo comprador (e-STJ fls. 129 e 197). O Tribunal de origem manteve a sentença que afastou a responsabilidade da alienante por infração cometida após a venda do veículo ao fundamento de que, devido à mitigação do art. 134 do CTB, ainda que a alienante não tenha realizado a comunicação da venda do veículo ao Detran, não pode ser responsabilizada pelas infrações cometidas após a data da venda (e-STJ fls. 171/172). Nesse passo, constata-se que tal entendimento está em descompasso com a jurisprudência desta Casa e Justiça. Confiram-se, ainda: AgInt no REsp n. 2.041.265/ES, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 25/4/2023, DJe de 3/5/2023; e AgInt no AgInt no AREsp n. 1.793.208/MS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 4/4/2022, DJe de 7/4/2022. Ante o exposto, com base no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, DOU PROVIMENTO ao recurso especial para reconhecer a responsabilidade solidária do alienante pela infração de trânsito cometida antes da comunicação da transferência do veículo. Publique-se. Intimem-se. EMENTA