REsp 2101896 - ACORDAO
Foram acolhidos os embargos de declaração para reconhecer a necessidade de aguardar o julgamento do paradigma afetado (REsp n. 2.005.469/RJ - Tema 1.225/STJ), determinando a suspensão, quanto ao ponto, dos feitos pendentes que versem sobre a mesma matéria (art. 1.036 CPC/2015) e a devolução dos autos ao Tribunal de...
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- Parties
- Recorrente: Município do Rio de Janeiro; Exequente/autora: Sônia Maria Gazoni Pereira; Ré Originária (ex Permissionária): Feital Transportes e Turismo Ltda.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo De Instrumento (cumprimento De Sentença) / Embargos De Declaração No Superior Tribunal De Justiça (decisão Colegiada)
- Outcome
- Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos; decisões proferidas nesta Corte tornadas sem efeito; devolução dos autos ao Tribunal de origem; prejudicadas as demais insurgências recursais.
- Legal Topics
- Responsabilidade Subsidiária Do Ente Público, Redirecionamento Da Execução, Insolvência De Concessionária De Serviço Público, Termo Inicial Da Prescrição Quinquenal, Recursos Repetitivos (tema 1.225/stj), Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem / Juízo De Conformidade
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Parties
Município do Rio de Janeiro
Recorrente
Sônia Maria Gazoni Pereira
Exequente/autora
Feital Transportes e Turismo Ltda.
Ré Originária (ex Permissionária)
Procedural Posture
Agravo De Instrumento (cumprimento De Sentença) / Embargos De Declaração No Superior Tribunal De Justiça (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de redirecionamento da execução à pessoa jurídica de direito público que não participou da fase de conhecimento
- 2 Termo inicial do prazo prescricional quinquenal para fins de redirecionamento da execução contra o ente público
- 3 Suspensão de processos pendentes que versem sobre a mesma matéria (art. 1.036 CPC/2015)
Ratio Decidendi
Foram acolhidos os embargos de declaração para reconhecer a necessidade de aguardar o julgamento do paradigma afetado (REsp n. 2.005.469/RJ - Tema 1.225/STJ), determinando a suspensão, quanto ao ponto, dos feitos pendentes que versem sobre a mesma matéria (art. 1.036 CPC/2015) e a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que, após o julgamento do recurso repetitivo, seja realizado o juízo de conformidade, tornando sem efeito as decisões desta Corte indicadas no voto e declarando prejudicadas as demais insurgências recursais.
Court Disposition
Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos; decisões proferidas nesta Corte tornadas sem efeito; devolução dos autos ao Tribunal de origem; prejudicadas as demais insurgências recursais.
Orders
- Tornar sem efeito as decisões de fls. 457-463 e 497-499 proferidas nesta Corte
- Determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a devida baixa nesta Corte
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 06/08/2024 a 12/08/2024, por unanimidade, acolher os embargos de declaração, com efeitos modificativos, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. INSOLVÊNCIA DA CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO. POSSIBILIDADE DE REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO A ENTE PÚBLICO QUE NÃO PARTICIPOU DA FASE DE CONHECIMENTO. TERMO INICIAL DA PRESCRIÇÃO. TEMA N. 1.225/STJ. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM PARA REALIZAR O JUÍZO DE CONFORMAÇÃO DA MATÉRIA. I - Na origem, cuida-se de agravo de instrumento interposto pelo Município do Rio de Janeiro contra decisão proferida nos autos de cumprimento de sentença, que incluiu o ente público no processo de execução, para responder subsidiariamente por débitos de ex permissionária de serviço público de transporte, oriundos de ação indenizatória originariamente proposta por Sônia Maria Gazoni Pereira contra Feital Transportes e Turismo Ltda., em decorrência de danos provocados por acidente de trânsito, na data de 13/10/2004. No Tribunal a quo, a decisão foi mantida. II - Nesta Corte, o recurso especial do ente público foi conhecido em parte, e, nessa extensão, desprovido, sendo a decisão mantida após apreciação de agravo interno, julgado na sessão virtual de 2/4/2024 a 8/4/2024. III - A controvérsia dos autos, relativa à possibilidade de redirecionamento da execução ao ente público que não participou da fase de conhecimento, tem sido decidida de modo divergente pelas Turmas integrantes da Primeira e Segunda Seções do STJ. Em decorrência de tanto, a Corte Especial admitiu o EAREsp n. 1.881.960/RJ, da relatoria do Ministro Raul Araújo. IV - Nesse contexto, a Corte Especial, em julgamento datado de 5/12/2023, decidiu, por unanimidade, afetar o REsp n. 2.005.469/RJ ao rito dos recursos repetitivos para consolidar entendimento acerca da referida questão jurídica (Tema Repetitivo n. 1.225/STJ - Tema Principal: Possibilidade de redirecionamento da execução à pessoa jurídica de direito público, em razão da insolvência de concessionária de serviço público, ainda que aquela não tenha participado da fase de conhecimento e não conste do título executivo judicial; II. Tema Subsidiário: Termo inicial do prazo prescricional quinquenal para fins de redirecionamento da execução contra o ente público) . V - Dessa forma, assiste razão ao recorrente, tendo em vista a necessidade de pronunciamento acerca da matéria articulada nos embargos declaratórios relativa à afetação do Tema n. 1.225/STJ. VI - Torna-se impositiva a suspensão dos feitos pendentes, quanto ao ponto, que tratem da mesma matéria, nos termos do art. 1.036 do CPC/2015. VII - Os arts. 1.040 e 1.041, ambos do CPC/2015, dispõem sobre a atuação do Tribunal de origem após o julgamento do recurso extraordinário submetido ao regime de repercussão geral ou do recurso especial submetido ao regime dos recursos repetitivos. De acordo com tais dispositivos, há a previsão da negativa de seguimento dos recursos, da retratação do órgão colegiado para alinhamento das teses ou, ainda, a manutenção da decisão divergente, com a remessa dos recursos aos tribunais correspondentes. Nesse panorama, cabe ao ministro relator, no Superior Tribunal de Justiça, determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que, após o julgamento do paradigma, seja reexaminado o pronunciamento recorrido. Precedentes. VIII - Embargos de declaração acolhidos, para tornar sem efeito as decisões proferidas nesta Corte, bem como para determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a devida baixa nesta Corte, a fim de que, após o julgamento do REsp n. 2.005.469/RJ (Tema n. 1.225), proceda ao juízo de conformidade, nos termos da fundamentação, declarando prejudicadas as demais insurgências recursais.
RELATÓRIO Na origem, cuida-se de agravo de instrumento interposto pelo Município do Rio de Janeiro contra decisão proferida nos autos de cumprimento de sentença, que incluiu o ente público no processo de execução, para responder subsidiariamente por débitos de ex permissionária de serviço público de transporte, oriundos de ação indenizatória originariamente proposta por Sônia Maria Gazoni Pereira contra Feital Transportes e Turismo Ltda., em decorrência de danos provocados por acidente de trânsito, na data de 13/10/2004. Julgados os pedidos procedentes em parte na ação indenizatória, o autor iniciou a execução da verba devida em desfavor da ré originária. Em razão de alegada dificuldade em receber o crédito, o Município do Rio de Janeiro foi incluído diretamente na fase de cumprimento de sentença para responder subsidiariamente, embora não tenha participado do processo de conhecimento. O município então apresentou impugnação ao cumprimento de sentença, tendo sido rejeitada, dando origem ao agravo de instrumento que foi improvido pelo Tribunal de origem, nos seguintes termos (fl. 103): RESPONSABILIDADE CIVIL EM FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - DECISÃO QUE REJEITOU A QUESTÃO PREJUDICIAL DE PRESCRIÇÃO SUSCITADA PELO EXECUTADO - REDISCUSSÃO ACERCA DA INCLUSÃO DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO NO POLO PASSIVO DA EXECUÇÃO, COMO RESPONSÁVEL SUBSIDIÁRIO, QUE ENCONTRA ÓBICE NO JULGAMENTO PROFERIDO EM ANTERIOR AGRAVO DE INSTRUMENTO, JÁ TRANSITADO EM JULGADO - INOCORRÊNCIA DA ALEGADA PRESCRIÇÃO - PRETENSÃO DE RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO ENTE MUNICIPAL QUE SURGE NO MOMENTO EM QUE EXAURIDOS TODOS OS MEIOS DE EXECUÇÃO DOS BENS DA CONCESSIONÁRIA - PRINCÍPIO DA ACTIO NATA - DESPROVIMENTO DO RECURSO. Ao referido acórdão, foram opostos embargos de declaração pelo município, os quais foram rejeitados, em acórdão assim sumariado (fl. 132): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - RECURSO DE CONTORNOS NÍTIDOS,QUE NÃO SE PRESTA À REDISCUSSÃO DO JULGADO - RECURSO QUE NÃO SE CONHECE. Ainda inconformado, nas razões do recurso especial, interposto por ambas as alíneas do permissivo constitucional, a parte recorrente alega que o acórdão violou o art. 489, § 1º I a IV e 1.022, II, do CPC (dever de fundamentação das decisões judiciais); art. 513, § 5º, 515, I, 783, 786, 803, I, todos do CPC (ausência de título executivo e ilegitimidade passiva do município); arts. 7º, 9º, 10 e 506, do CPC (violação do contraditório, ampla defesa e aos limites subjetivos da coisa julgada); art. 1º do Decreto n. 20.910/1932; arts. 189, 202, ambos do Código Civil (prescrição da pretensão de responsabilização subsidiária); art. 71 da Lei n. 8.666/1993; arts. 25, 29 e 38, § 6º, da Lei n. 8.987/1995; art. 779 do CPC (não cumprimento dos requisitos para eventual pretensão de responsabilização subsidiária); art. 38, § 3º, Lei n. 8.987/1995; art. 71 da Lei n. 8.666/1993; art. 927, I e III, do CPC (inexistência de falha fiscalizatória, pressuposto para o redirecionamento, conforme os precedentes vinculantes e obrigatórios ADC n. 16 e RE n. 760.931 - Repercussão Geral do STF); art. 7º, 9º, 10, 17, 18, 75, III, 183, 280, 282, 506 e 937, CPC (violação das garantias processuais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, tendo em vista que o município não participou do Agravo de Instrumento n. 0023004-71.2017.8.19.0000); e arts. 948 a 950 do CPC (violação do procedimento do incidente de arguição de inconstitucionalidade) e violação da Súmula Vinculante n. 10 do STF. Nesta Corte, decisão de fls. 457-463 conheceu em parte do recurso especial, e, nessa extensão, negou-lhe provimento. Na sequência, a Segunda Turma negou provimento a agravo interno, mantendo a decisão que conhecera parcialmente de recurso especial, para, nessa parte, negar-lhe provimento, nos termos da seguinte ementa (fls. 497-499): PROCESSUAL CIVIL. DIREITO ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL DA ADMNISTRAÇÃO. INDENIZAÇÃO POR DANO MATERIAL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. PRESCRIÇÃO. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. PRINCÍPIO ACTIO NATA. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 7 E 83 DO STJ. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação indenizatória em função de suposto acidente de trânsito sofrido pela ora agravada. No julgamento do agravo de instrumento, interposto contra decisão que rejeitou a alegação de prescrição, negou-se provimento ao recurso. Nesta Corte, a pretensão recursal obteve seu provimento negado. II - De início, como cediço, "Refoge à competência do STJ examinar, em sede de recurso especial, violação de matéria constitucional, sob pena de usurpação da competência da Suprema Corte, a ser exercida, in casu, por ocasião da análise do recurso extraordinário". (AgInt no AREsp n. 2.133.276/SP, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 21/8/2023, DJe de 24/8/2023.) III - Quanto à alegada negativa de prestação jurisdicional, verifica-se que o acórdão recorrido não incorreu em omissão ou falta de fundamentação, como ora alega a parte agravante, uma vez que o voto condutor do julgado apreciou, fundamentadamente, todas as questões necessárias à solução da lide, dando-lhes, contudo, solução jurídica diversa da pretendida pelo agravante. Assim, o acórdão de 2º Grau conta com motivação suficiente e não deixou de se manifestar sobre a matéria cujo conhecimento lhe competia, permitindo, por conseguinte, a exata compreensão e resolução da controvérsia, não havendo falar em descumprimento ao art. 1.022 do CPC/2015. Nesse contexto, "a solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015". (STJ, REsp 1.669.441/PE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 30/6/2017). Vale ressaltar, ainda, que não se pode confundir decisão contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional. Nesse sentido: STJ, REsp 801.101/MG, relatora Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, DJe de 23/4/2008. Descaracterizada a alegada omissão, tem-se de rigor o afastamento da suposta violação do art. 1.022, II, do CPC/2015, conforme pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: AgInt no REsp n. 1.625.513/SC, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 2/2/2017, DJe 8/2/2017; EDcl no AgRg no AgRg no REsp n. 958.813/RS, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 2/2/2017, DJe 13/2/2017.) IV - Com efeito, não de hoje, a jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que "o Poder concedente é responsável subsidiariamente quando o concessionário ou o permissionário não possuírem meios para arcar com as indenizações em decorrência dos prejuízos a que derem causa". (AgInt no REsp n. 2.000.843/RJ, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 18/10/2023.) No mesmo sentido, em hipóteses como tais: AgInt no AgInt no AREsp n. 1.932.679/RJ, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 4/9/2023, DJe de 8/9/2023; AgInt no AREsp n. 1.946.245/RJ, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 19/5/2023; AgInt no REsp n. 1.842.210/RJ, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 8/5/2023, DJe de 11/5/2023; AgInt no AREsp n. 2.033.473/RJ, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 14/11/2022, DJe de 30/11/2022.) V - Demais disso, no caso, o Tribunala quo, com base nos fatos e provas dos autos, concluiu pela responsabilidade do Estado concedente ante o esgotamento dos meios de execução contra a concessionária prestadora do serviço público. Rever tal conclusão demandaria, necessariamente, o revolvimento do mesmo conjunto fático-probatório, o que é inviável na instância especial diante do óbice da Súmula n. 7 do STJ. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 2.000.843/RJ, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 16/10/2023, DJe de 18/10/2023. VI - Como se não bastasse, quanto à alegada violação da coisa julgada, em hipótese análoga, já decidiu esta Corte: AgInt no AgInt no AREsp n. 1.881.960/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 14/2/2022, DJe de 17/2/2022; AgInt no REsp n. 1.937.616/RJ, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 14/11/2022, DJe de 17/11/2022.) VII - Por fim, em relação à prescrição, igualmente sem razão o agravante, uma vez que, nos termos da jurisprudência desta Corte, "No que tange à alegada ofensa ao art. 1º, do Decreto 20.910/32, mostra-se improcedente a tese de contagem da prescrição desde o evento danoso, vez que os autos revelam que a demanda foi originalmente intentada em face da empresa concessionária do serviço público, no tempo e no modo devidos, sendo que a pretensão de responsabilidade subsidiária do Estado somente surgira no momento em que a referida empresa tornou-se insolvente para a recomposição do dano. Em apreço ao princípio da actio nata que informa o regime jurídico da prescrição (art. 189, do CC), há de se reconhecer que o termo a quo do lapso prescricional somente teve início no momento em que se configurou o fato gerador da responsabilidade subsidiária do Poder Concedente, in casu, a falência da empresa concessionária, sob pena de esvaziamento da garantia de responsabilidade civil do Estado nos casos de incapacidade econômica das empresas delegatárias de serviço público". (REsp n. 1.135.927/MG, relator Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 10/8/2010, DJe de 19/8/2010.) Ao que se observa, portanto, a pretensão recursal esbarra, inarredavelmente, no óbice da Súmula n. 83 do STJ. VIII - Agravo interno improvido. Opostos embargos de declaração, o Município do Rio de Janeiro aponta vícios no aresto recorrido, conforme se extrai dos seguintes excertos (fls. 515-519): Na origem, cuida-se de ação indenizatória originariamente proposta pela ora exequente em face de FEITAL TRANSPORTES E TURISMO LTDA., em função de suposto acidente de trânsito sofrido pela exequente, na data de 13/10/2004. Julgados os pedidos procedentes em parte, a autora iniciou a execução da verba devida em face da ré originária. Ocorre que, em razão de alegada dificuldade em ultimar o crédito, decorridos mais de treze anos dos fatos, o Município do Rio de Janeiro foi incluído diretamente na fase de cumprimento de sentença para responder subsidiariamente, embora não tenha participado do processo de conhecimento. Posteriormente, o Município apresentou Recurso Especial, que fora inadmitido peloE. Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Sobreveio, então, Agravo em Recurso Especial, que foi negado por este E. Superior Tribunal de Justiça. Irresignado, o Município apresentou Agravo Interno onde expressamente apontou a necessidade de suspensão do processo até que fosse julgado o Tema 1225 deste Superior Tribunal de Justiça. Em recente decisão de 06/12/2023, a Corte Especial do STJ julgou a Proposta de Afetação do REsp 2027163, reconhecendo a afetação do Tema 1225/STJ, referente a:"I. Tema Principal: Possibilidade de redirecionamento da execução a pessoa jurídica de direito público, em razão da insolvência de concessionária de serviço público, ainda que aquela não tenha participado da fase de conhecimento e não conste do título executivo judicial; II. Tema Subsidiário: Termo inicial do prazo prescricional quinquenal para fins de redirecionamento da execução contra o ente público". No referido julgamento, o STJ determinou a suspensão da tramitação de todos os processos (e, obviamente, recursos) pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a mesma matéria e tramitem em todo o território nacional (art. 1.037, II, do CPC/15). Tem-se, pois, que caso reconhecida a impossibilidade de redirecionamento ao Concedente, ter-se-ia a sua legitimidade passiva para o processo de conhecimento, sendo sua participação condição inarredável para eventual responsabilização como obrigado subsidiário, na fase de cumprimento de sentença. Por outro lado, caso reconhecida a possibilidade de redirecionamento da execução ao Concedente, consequentemente, restaria evidenciada a ilegitimidade do ente público para figurar como réu no processo de conhecimento, o qual seria, em relação a este, extinto. Apesar desse ponto constar expressamente no recurso de Agravo Interno, o acórdão ora embargado não se manifestou sobre a determinação de suspensão do processo até o final do julgamento do Tema. Dessa forma, como o presente caso se amolda perfeitamente ao tema acima descrito, requer seja cumprida a determinação do STJ, com a suspensão do presente processo até o advento da tese a ser fixada. Intimada, a parte embargada apresentou impugnação (fls. 522-526). É o relatório. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. INSOLVÊNCIA DA CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO. POSSIBILIDADE DE REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO A ENTE PÚBLICO QUE NÃO PARTICIPOU DA FASE DE CONHECIMENTO. TERMO INICIAL DA PRESCRIÇÃO. TEMA N. 1.225/STJ. DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM PARA REALIZAR O JUÍZO DE CONFORMAÇÃO DA MATÉRIA. I - Na origem, cuida-se de agravo de instrumento interposto pelo Município do Rio de Janeiro contra decisão proferida nos autos de cumprimento de sentença, que incluiu o ente público no processo de execução, para responder subsidiariamente por débitos de ex permissionária de serviço público de transporte, oriundos de ação indenizatória originariamente proposta por Sônia Maria Gazoni Pereira contra Feital Transportes e Turismo Ltda., em decorrência de danos provocados por acidente de trânsito, na data de 13/10/2004. No Tribunal a quo, a decisão foi mantida. II - Nesta Corte, o recurso especial do ente público foi conhecido em parte, e, nessa extensão, desprovido, sendo a decisão mantida após apreciação de agravo interno, julgado na sessão virtual de 2/4/2024 a 8/4/2024. III - A controvérsia dos autos, relativa à possibilidade de redirecionamento da execução ao ente público que não participou da fase de conhecimento, tem sido decidida de modo divergente pelas Turmas integrantes da Primeira e Segunda Seções do STJ. Em decorrência de tanto, a Corte Especial admitiu o EAREsp n. 1.881.960/RJ, da relatoria do Ministro Raul Araújo. IV - Nesse contexto, a Corte Especial, em julgamento datado de 5/12/2023, decidiu, por unanimidade, afetar o REsp n. 2.005.469/RJ ao rito dos recursos repetitivos para consolidar entendimento acerca da referida questão jurídica (Tema Repetitivo n. 1.225/STJ - Tema Principal: Possibilidade de redirecionamento da execução à pessoa jurídica de direito público, em razão da insolvência de concessionária de serviço público, ainda que aquela não tenha participado da fase de conhecimento e não conste do título executivo judicial; II. Tema Subsidiário: Termo inicial do prazo prescricional quinquenal para fins de redirecionamento da execução contra o ente público) . V - Dessa forma, assiste razão ao recorrente, tendo em vista a necessidade de pronunciamento acerca da matéria articulada nos embargos declaratórios relativa à afetação do Tema n. 1.225/STJ. VI - Torna-se impositiva a suspensão dos feitos pendentes, quanto ao ponto, que tratem da mesma matéria, nos termos do art. 1.036 do CPC/2015. VII - Os arts. 1.040 e 1.041, ambos do CPC/2015, dispõem sobre a atuação do Tribunal de origem após o julgamento do recurso extraordinário submetido ao regime de repercussão geral ou do recurso especial submetido ao regime dos recursos repetitivos. De acordo com tais dispositivos, há a previsão da negativa de seguimento dos recursos, da retratação do órgão colegiado para alinhamento das teses ou, ainda, a manutenção da decisão divergente, com a remessa dos recursos aos tribunais correspondentes. Nesse panorama, cabe ao ministro relator, no Superior Tribunal de Justiça, determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que, após o julgamento do paradigma, seja reexaminado o pronunciamento recorrido. Precedentes. VIII - Embargos de declaração acolhidos, para tornar sem efeito as decisões proferidas nesta Corte, bem como para determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a devida baixa nesta Corte, a fim de que, após o julgamento do REsp n. 2.005.469/RJ (Tema n. 1.225), proceda ao juízo de conformidade, nos termos da fundamentação, declarando prejudicadas as demais insurgências recursais. VOTO Os embargos merecem acolhimento. Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais devia pronunciar-se o juiz de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. No caso, ao que se tem dos autos, a decisão singular, da minha relatoria, fora proferida em 29/11/2023. Combatendo a referida decisão, o Município do Rio de Janeiro interpôs agravo interno, em 5/2/2024, fazendo referência à afetação do Tema n. 1.225/STJ. O referido agravo interno acabou sendo julgado na sessão virtual de 2/4/2024 a 8/4/2024. Nesse sentido, assiste razão ao recorrente, tendo em vista a necessidade de pronunciamento acerca da matéria articulada nos embargos declaratórios relativa à afetação do Tema n. 1.225/STJ. A controvérsia dos autos, concernente à possibilidade de redirecionamento da execução ao ente público que não participou da fase de conhecimento, tem sido decidida de modo divergente pelas Turmas integrantes da Primeira e Segunda Seções do STJ. Em decorrência de tanto, a Corte Especial admitiu o EAREsp n. 1.881.960/RJ, da relatoria do Ministro Raul Araújo. Nesse contexto, a Corte Especial, em julgamento datado de 5/12/2023, decidiu, por unanimidade, afetar o REsp n. 2.005.469/RJ ao rito dos recursos repetitivos para consolidar entendimento acerca da referida questão jurídica (Tema Repetitivo n. 1.225), conforme ementa a seguir reproduzida: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS REPRESENTATIVOS DE CONTROVÉRSIA. PROPOSTA DE AFETAÇÃO. INSOLVÊNCIA DA CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO. POSSIBILIDADE DE REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO A ENTE PÚBLICO QUE NÃO PARTICIPOU DA FASE DE CONHECIMENTO. TERMO INICIAL DA PRESCRIÇÃO. CRITÉRIOS DE AFETAÇÃO PREENCHIDOS. RECURSO AFETADO AO REGIME DOS RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS. 1. Temas propostos para afetação ao rito dos recursos especiais repetitivos: I. Tema Principal: Possibilidade de redirecionamento da execução a pessoa jurídica de direito público, em razão da insolvência de concessionária de serviço público, ainda que aquela não tenha participado da fase de conhecimento e não conste do título executivo judicial; II. Tema Subsidiário: Termo inicial do prazo prescricional quinquenal para fins de redirecionamento da execução contra o ente público. 2. Recurso Especial submetido ao regime dos recursos especiais repetitivos (afetação conjunta: REsp 2.005.469/RJ, REsp 2.027.163/RJ, REsp 2.085.625/RJ, REsp 2.091.784/RJ, REsp 2.014.924/RJ e REsp 2.050.880/RJ). (ProAfR no REsp n. 2.005.469/RJ, relator Ministro Raul Araújo, data do julgamento 6/12/2023.) Na ocasião, deliberou-se no sentido de suspender a tramitação de todos processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre idêntica questão jurídica, inclusive, os recursos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça. Nesse panorama, torna-se impositiva a suspensão dos feitos pendentes que tratem da mesma matéria, nos termos do art. 1.036 do CPC/2015. Por sua vez, os arts. 1.040 e 1.041, ambos do CPC/2015, dispõem sobre a atuação do Tribunal de origem após o julgamento do recurso extraordinário submetido ao regime de repercussão geral ou do recurso especial submetido ao regime dos recursos repetitivos. De acordo com os referidos dispositivos, há a previsão da negativa de seguimento dos recursos, da retratação do órgão colegiado para alinhamento das teses ou, ainda, a manutenção da sentença divergente, com a remessa dos recursos aos Tribunais correspondentes. Com efeito, cabe ao Ministro Relator, no Superior Tribunal de Justiça, determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que, após o julgamento do paradigma, seja reexaminada a decisão recorrida e realizada a superveniente admissibilidade do pedido de uniformização de interpretação de lei. A propósito, confiram-se: AgInt no REsp n. 2.002.884/MG, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, 3/5/2023; REsp n. 1.993.008/MG, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, 3/5/2023; REsp n. 179.004/CE, relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, 2/5/2023; AgInt no AREsp n. 2.243.886/RS, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, 24/4/2023; AgInt no REsp n. 193.541/SC, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, 24/4/2023. No mesmo sentido, destacam-se os seguintes julgados: AGRAVO INTERNO EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECONHECIMENTO DE REPERCUSSÃO GERAL QUANTO AO TEMA VERSADO NO APELO ESPECIAL. SOBRESTAMENTO DESTE ÚLTIMO COM DEVOLUÇÃO À CORTE DE ORIGEM PARA EVENTUAL E OPORTUNO JUÍZO DE CONFORMAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. Podendo a ulterior decisão do STF, em repercussão geral já reconhecida, afetar o julgamento da matéria veiculada no recurso especial, faz-se conveniente que o STJ, em homenagem aos princípios processuais da economia e da efetividade, determine o sobrestamento do especial e devolva os autos ao Tribunal de origem para que ali, em se fazendo necessário, seja oportunamente realizado o ajuste do acórdão local ao que vier a ser decidido na Excelsa Corte. 2. A parte agravante não logrou demonstrar, no caso concreto, a ausência de similitude entre o tema trazido em seu especial e o tema pendente de julgamento no STF com repercussão geral, pelo que se impõe a manutenção do sobrestamento ora combatido. 3. Agravo interno a que se nega provimento (AgInt no AgInt no REsp1603061/SC, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/06/2017, DJe 28/06/2017.) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. RECONHECIMENTO DE REPERCUSSÃO GERAL QUANTO AO TEMA. SOBRESTAMENTO DO RECURSO ESPECIAL COM DEVOLUÇÃO À CORTE DE ORIGEM PARA EVENTUAL E OPORTUNO JUÍZO DE CONFORMAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. A análise dos autos denota que a pretensão da recorrente, embora envolva a incidência de imposto de renda sobre depósitos judiciais, diz respeito à discussão relacionada ao que foi decidido nos autos do REsp 1.089.720/RS, no sentido de que, se a verba principal for isenta do imposto de renda, o seu assessório também o seria. 2. A controvérsia relacionada à incidência do imposto de renda sobre juros de mora teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (Tema 808). 3. É irrelevante o fato de os juros de mora em questão não decorrem das mesmas verbas a que se refere o recurso extraordinário afetado, pois juros de mora são "juros de mora" em qualquer circunstância. Precedente: REsp 1.223.268/PR, de minha relatoria, Segunda Turma, DJe 21/6/2017. 4. Encontrando-se a matéria com repercussão geral reconhecida, por medida de economia processual e para evitar decisões dissonantes entre a Corte Suprema e esta Corte Superior, os recursos que tratam da mesma controvérsia no STJ devem aguardar, no Tribunal de origem, a solução no recurso extraordinário afetado, viabilizando, assim, o juízo de conformação, hoje disciplinado pelos arts. 1.039 e 1.040 do CPC/2015. Precedentes: AgInt no AREsp 707.487/RJ, Rel. Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe 13/10/2017 AgInt no AgInt no REsp 1.603.061/SC, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 28/6/2017. 5. Somente depois de realizada essa providência, a qual representa o exaurimento da instância ordinária, é que o recurso especial deverá ser encaminhado, em sua totalidade, a este Tribunal Superior, a fim de que possam ser analisadas as questões jurídicas nele suscitadas e que não ficaram prejudicadas pelo novo pronunciamento da Corte a quo. 6. Agravo interno a que se nega provimento (AgInt no AgInt no REsp n. 1.473.147/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 27/2/2018, DJe 8/3/2018.) Ante o exposto, acolho os embargos de declaração, para tornar sem efeito as decisões de fls. 457-463 e 497-499, e determinar a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a devida baixa nesta Corte, a fim de que, após o julgamento do REsp n. 2.005.469/RJ (Tema n. 1.225), proceda ao juízo de conformidade, de acordo com a previsão do art. 1.040 do CPC, declarando prejudicadas as demais insurgências recursais. É o voto.