REsp 2116968 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o Tribunal a quo afastou a aplicação da Lei n. 9.873/1999 por se tratar de hipótese relativa à apuração do emprego de recursos públicos em contrato administrativo, fundamento não impugnado que atrai a Súmula 283/STF; reconhecer prescrição intercorrente demandaria reexame...
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- Parties
- Agravante / Autor: JOSÉ AURÉLIO MARQUES; Ré / Recorrida: UNIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 August 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Recurso Especial / Julgado Agravo Interno Improvido
- Outcome
- Agravo interno improvido
- Legal Topics
- Ressarcimento Ao Erário, Prescrição Intercorrente, Cerceamento De Defesa, Fiscalização De Contrato, Súmulas Do STJ E STF
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Parties
JOSÉ AURÉLIO MARQUES
Agravante / Autor
UNIÃO
Ré / Recorrida
Procedural Posture
Agravo Interno Em Recurso Especial / Julgado Agravo Interno Improvido
Legal Issues
- 1 Incidência da prescrição intercorrente prevista na Lei n. 9.873/1999 sobre processo administrativo de apuração de emprego de recursos públicos na execução de contrato administrativo
- 2 Alegado cerceamento de defesa e observância do art. 44 da Lei n. 9.784/1999
- 3 Responsabilidade do fiscal do contrato nos termos do art. 67 da Lei n. 8.666/1993
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o Tribunal a quo afastou a aplicação da Lei n. 9.873/1999 por se tratar de hipótese relativa à apuração do emprego de recursos públicos em contrato administrativo, fundamento não impugnado que atrai a Súmula 283/STF; reconhecer prescrição intercorrente demandaria reexame do conjunto fático-probatório (óbice da Súmula 7/STJ); e não se demonstrou cerceamento de defesa, pois as instâncias de origem entenderam que o processo administrativo estava devidamente instruído e que foram oportunizadas justificativa, contraditório e ampla defesa.
Court Disposition
Agravo interno improvido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manutenção da decisão recorrida
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 13/08/2024 a 19/08/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DIREITO ADMINISTRATIVO. ATOS ADMINISTRATIVOS. RESSARCIMENTO AO ERÁRIO. PREGÃO N. 04/2011. FISCALIZAÇÃO DE CONTRATO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. DESCARACTERIZAÇÃO DO CERCEAMENTO DE DEFESA. INCIDÊNCIA DOS ÓBICES SUMULARES N. 5 E 7 DO STJ E 283 DO STF. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação, com pedido liminar, contra a União, pleiteando, em síntese, que o ente federado se abstenha de cobrar judicial ou administrativamente quaisquer valores referentes à multa e outras quantias relacionadas à condenação a ressarcimento ao erário, decorrente de fiscalização promovida pela Controladoria Geral da União no Hospital Federal dos Servidores do Estado. Na sentença, julgaram-se os pedidos improcedentes. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - Inicialmente, quanto à alegação de infringência aos arts. 1º, § 1º, e 2º, da Lei n. 9.873/1999, vinculada à tese de prescrição intercorrente, verifica-se que, ao dirimir a controvérsia, o Tribunal Regional Federal afastou a aplicação da referida legislação, que disciplina a tempestividade da ação punitiva da administração no exercício do poder de polícia, com base na compreensão de que a hipótese versada é distinta, pois diz respeito à apuração do emprego de recursos públicos na execução de contratos administrativos, fundamento não infirmado nas razões do recurso especial, a atrair, por analogia, o óbice da Súmula n. 283/STF. Nesse sentido: "A subsistência de fundamento inatacado apto a manter a conclusão do aresto impugnado impõe o não-conhecimento da pretensão recursal, a teor do entendimento disposto na Súmula nº 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles."" (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.317.285/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 19/12/2018.) III - Ainda que assim não fosse, conforme ressaltado pelo Parquet: " .. para concluir pela incidência de prescrição por falta de impulso ao procedimento administrativo por período superior a 3 anos, seria imprescindível rever o conjunto fático-probatório dos autos, uma vez que não constam do julgado as informações sobre o trâmite do procedimento administrativo, o que esbarra no óbice da Súmula 7/STJ." IV - Por outro lado, relativamente à arguição de inobservância ao art. 44 da Lei n. 9.784/1999, amparada na tese de violação do direito de defesa, convém acentuar que os princípios da livre admissibilidade da prova e da persuasão racional autorizam o julgador a determinar as provas que entende necessárias à solução da controvérsia, assim como o indeferimento daquelas que considerar prescindíveis ou meramente protelatórias. Assim, "não há cerceamento de defesa no julgamento da causa sem a produção da prova solicitada pela parte quando devidamente demonstrado pelas instâncias de origem que o processo se encontrava suficientemente instruído" (REsp n. 1.874.635/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 8/8/2023, DJe de 15/8/2023.) V - No caso, modificar a conclusão das instâncias de origem, soberanas quanto à análise da necessidade ou não de se produzir outras provas além daquelas já produzidas, demandaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos e das cláusulas contratuais, providência vedada em recurso especial tendo em vista os óbices, no caso, das Súmulas n. 5 e 7/STJ. Nesse sentido, no que tange à insurgência relativa ao descumprimento do art. 67 da Lei n. 8.666/1993, que contempla a discussão sobre a responsabilidade do recorrente pelos prejuízos decorrentes da função de fiscal do contrato, observa-se que o conhecimento da pretensão recursal implicaria análise do acervo probatório, bem como das cláusulas do contrato administrativo, para que fosse afastado o fundamento que lastreou a imputação da penalidade de ressarcimento, razão pela qual, quanto ao ponto, incidem os óbices das Súmulas n. 5 e 7/STJ. A propósito, confiram-se: AgInt no AREsp n. 2.175.899/RJ, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 11/9/2023, DJe de 15/9/2023; AgInt no AREsp n. 1.730.421/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 1º/07/2021. VI - Por fim, ressalte-se, ainda, que a incidência do Enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. VII - Agravo interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão que julgou recurso especial com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal. Na origem, trata-se de ação, com pedido liminar, contra a União, pleiteando, em síntese, que o ente federado se abstenha de cobrar judicial ou administrativamente quaisquer valores referentes à multa e outras quantias relacionadas à condenação a ressarcimento ao erário, decorrente de fiscalização promovida pela Controladoria Geral da União no Hospital Federal dos Servidores do Estado. Narrou o agravante que é servidor público federal lotado no aludido nosocômio há 22 anos e que, em 5/2011, foi designado pelo Diretor do Hospital, juntamente com outra servidora, como fiscais do Contrato n. 17/2011, firmado com a empresa Berkeley Equipamentos Ltda., com o encargo de acompanhar e fiscalizar a contratação da referida empresa especializada para locação, com manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos para o Centro Cirúrgico Geral, CTI Geral e Unidade Coronariana do referido hospital. Nesse contexto, destacou que, em 8/2011, foi novamente designado para fiscalizar o mesmo contrato, porém, juntamente a um grupo de servidores, com a revogação da portaria anterior, ressaltando que não lhe foi dada oportunidade de recusa à designação nem tampouco promovido treinamento técnico para exercício da fiscalização em questão. Pontuou que, em 10/7/2018, foi surpreendido com o Ofício n. 410/2018/ CGAUD/DENASUS/SGEP/MS, no qual foi informado que, diante de irregularidades constatadas pela Controladoria Geral da União nos hospitais federais do RJ, com prejuízos financeiros para a administração, o DENASUS, por determinação do TCU, promoveu auditoria (n. 13050) e Visita Técnica (n. 5910) no HFSE, com a finalidade de apontar a correta identificação dos responsáveis e quantificar os danos causados, sendo inserido no rol de responsáveis. Alegou que a sua justificativa/defesa prévia foi enviada dentro do prazo legal, não tendo recebido qualquer resposta da administração aos seus apontamentos, mas somente um ofício já contendo sua responsabilização e proposta de devolução da importância de R$ 157.658,69 (cento e cinquenta e sete mil, seiscentos e cinquenta e oito reais e sessenta e nove centavos). Acrescentou que, em 6/4/2019, recebeu Ofício n. 18/2019/DITCE/FNS/CCONT/CGEOFC/FNS/SE/MS comunicando a conclusão da existência de sua responsabilização nas impropriedades apuradas, tendo sido encaminhados o relatório e visita técnica ao FNS para prosseguimento dos atos de cobrança e concedendo-lhe o prazo de 15 dias para quitação do débito apurado, de R$ 274.446,189 (duzentos e setenta e quatro mil, quatrocentos e quarenta e seis reais e cento e oitenta e nove centavos). Ponderou que não pode ser responsabilizado, ainda que constatadas irregularidades na instalação dos equipamentos para o Centro Cirúrgico Geral, CTI Geral e Unidade Coronariana do Hospital dos Servidores do Estado, pois o encargo de fiscal do contrato se deu após o prazo de vigência previsto no próprio Contrato n. 17/2011, e durante seu encargo adotou todas as rotinas, providências e cautelas recomendadas, em total alinhamento com as boas práticas, com o objetivo de assegurar-se quanto à adequada implantação de todos os equipamentos sem qualquer prejuízo ao erário e aos pacientes ali internados, não tendo sido, em nenhum momento, omisso, negligente, imprudente ou imperito para ser condenado a ressarcir ao erário. Sustentou, ainda, a incidência da prescrição intercorrente sobre a cobrança do montante, pois o processo administrativo ficou sem movimentação por mais de 4 anos, sendo que o mero encaminhamento entre setores não tem o condão de interrompê-la. A sentença julgou os pedidos improcedentes (fls. 2.730-2.732). O Tribunal Regional Federal da 2ª Região manteve a sentença, nos termos assim ementados (fls. 2.885-2.886): ADMINISTRATIVO. RESSARCIMENTO AO ERÁRIO. PREGÃO 04/2011. FISCALIZAÇÃO DE CONTRATO. FALHAS NA INSTALAÇÃO DE EQUIPAMENTOS LOCADOS E ENTREGAS COM ATRASO E SEM INSTALAÇÃO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA. RESPONSABILIZAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. AUSÊNCIA DE IRREGULARIDADES E DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA MANUTENÇÃO DA SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. -Trata-se de recurso de apelação interposto por JOSÉ AURÉLIO MARQUES em face de sentença que julgou improcedentes os pedidos, com requerimento de antecipação de tutela, que consistiam na declaração de inexequibilidade do valor de R$ 274.446,18, cobrado pela parte ré ao autor, eis que fulminado pela prescrição, bem como na declaração de nulidade do processo administrativo, tendo vista o cerceamento de defesa ocorrido, sem observar o contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Além disso, em não sendo declarado nulo o processo administrativo, requer o autor, sucessivamente, seja anulada a decisão no processo administrativo que o responsabilizou, determinando o pagamento, a título de ressarcimento ao erário, de R$ 274.446,18. -Merece ser rejeitada a alegação de nulidade da sentença, ante a inocorrência do alegado cerceamento de defesa, eis que cabe ao Magistrado, destinatário final das provas, dirigir a instrução probatória e determinar a produção das que entender relevantes e necessárias à formação de seu convencimento, podendo indeferir as que entender serem inúteis ou meramente protelatórias, considerando o conjunto probatório já carreado aos autos. -No caso vertente, verifica-se que a produção de prova testemunhal requerida pela parte autora foi considerada prescindível ao deslinde da controvérsia pelo Il. Magistrado a quo, tendo em vista que as testemunhas arroladas no evento 16, REPLICA1, não foram as que atestaram o cumprimento do serviço de locação/manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos para o Centro Cirúrgico Geral, CTI Geral e Unidade Coronariana do Hospital Federal dos Servidores do Estado, objeto do Pregão nº 04/2011, à época do fato, valendo ressaltar que a solução da lide passa, apenas, pela análise do processo administrativo que resultou na penalidade questionada, a qual é suficiente para verificação da procedência ou não das alegações da parte autora. -Ademais, no que diz respeito à prescrição intercorrente, consoante bem demonstrado pelo Juízo a quo "A prescrição intercorrente é regulada pela Lei 9.873/99, que se aplica, segundo seu art. 1º, para regular a tempestividade da "ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia". Este caso não tem qualquer relação com prática do poder de polícia, mas sim com a apuração do emprego de recursos públicos na execução de contratos administrativos. Esse prazo extintivo não regula a situação aqui discutida" (JFRJ, Evento 34, SENT1). -No mais, adota-se, como razões de decidir, a bem lançada sentença que, detalhadamente, apreciou as questões suscitadas no recurso de apelação. -Em relação à suposta nulidade do procedimento administrativo, insta salientar que o apelante atuou como fiscal do contrato nº 17/2011, decorrente do Pregão nº 04/2011, firmado entre o Hospital dos Servidores do Estado/RJ, e a empresa Berkeley Equipamentos LTDA., assinado em 1º.04.2011, no valor anual de R$ 5.448.000,00, estabelecendo que os equipamentos deveriam ser instalados num prazo máximo de 30 dias corridos da assinatura, ao passo que, decorridos 120 dias do prazo limite de instalação, parte dos equipamentos ainda não estava instalada e alguns sequer foram localizados no nosocômio e, ainda assim, a Administração do HFSE efetuou, integralmente à contratada, o pagamento das notas fiscais referentes às competências de abril a agosto de 2011. -De acordo com os termos da Constatação 29906, do Relatório da Auditoria 13050, emitido pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS - DENASUS, em atendimento à determinação do Tribunal de Contas da União - TCU, o apelante foi solidariamente responsabilizado, "por deixar de acompanhar e zelar pelo efetivo cumprimento das obrigações contratuais por parte da empresa contratada e atestara prestação de serviços de locação referente a equipamentos que não foram entregues e/ou não instalados, quando deveria propor a glosa dos valores correspondentes aos equipamentos não disponibilizado", tendo sido consignado, ainda, que "A falta do acompanhamento do efetivo cumprimento das obrigações contratuais por parte da empresa e o atesto da prestação de serviços de locação de equipamentos não realizados resultou no pagamento indevido, em prejuízo da administração na importância de R$157.658,69, conforme está detalhado no Módulo PROPOSIÇÃODE DEVOLUÇÃO, do citado Relatório Complementar da Auditoria 13050, por meio dos seguintes Ressarcimentos: 138786; 138783; 138784; 138785 e 138787", e, ainda, que "Deveria o responsável, na condição de fiscal do contrato, conforme cópias de portarias constantes do Anexo XII, fls. 2 e 3, acompanhar e zelar pelo efetivo cumprimento das obrigações contratuais por parte da empresa contratada, bem como proceder glosas em face dos equipamentos não fornecidos, em vez de se omitir das obrigações de fiscalizar e de proceder aos atestos". -Conforme se depreende do Ofício nº 410/2018/CGAUD/DENASUS/SGEP/MS, de 28.06.2018, o autor foi notificado de que estava inserido no rol dos responsáveis pela malversação dos recursos do SUS e decorrentes de prejuízos financeiros suportados pelo Erário, nos termos da Auditoria 13050 e da Visita Técnica 591, esta última com a finalidade específica de apontar a correta identificação dos responsáveis e a quantificação dos danos constatados pela ação da CGU, tendo sido instado, no prazo de 10 dias, a teor do que dispõe o art. 44 da Lei 9.784/1999, a se justificar. No entanto, não há provas nos autos de que o autor dirigiu as justificativas, de forma tempestiva, para análise da ré, considerando a ausência de protocolo ou qualquer outro modo de confirmação de envio no documento acostado no anexo 10 do evento 1. -Noutro eito, o FNS notificou o apelante, através do Ofício nº18/2019/DITCE/FNS/ CCONT/CGEOFC/FNS/SE/MS, para que promovesse a quitação do débito apurado pelo DENASUS, por meio do recolhimento do montante de R$ 274.446,18, no prazo de 15 dias, tendo sido informado, no aludido documento, que, "Em respeito às disposições dos artigos 26 a 28 da Lei nº 9784, de 29 de janeiro de 1999, o DENASUS promoveu o encaminhamento daqueles Relatórios e Visita Técnica" ao FNS, "para prosseguimento dos atos de cobrança, concluindo que foram devidamente oportunizadas a ampla defesa e o contraditório em face das constatações". -Caberia ao apelante, fiscal do contrato, nos termos do art. 67 da Lei 8.666/93 e do art. 5º da Portaria TCU 297, de 12.11.2012, a obrigação de acompanhar e zelar pelo efetivo cumprimento da prestação contratada, bem como proceder a glosas em face dos equipamentos não fornecidos, o que não ocorreu. -Dessa forma, tendo em vista a apuração, em processo administrativo regular, analisado sob crivo do contraditório e da ampla defesa, da responsabilidade do autor, ora apelante, bem como da inexistência de prova de irregularidade trazida aos autos ou de tentativa de comunicação à Administração das dificuldades e/ou impossibilidades de realização imediata do objeto do contrato, à época em que ocorreu, impõe-se a manutenção da improcedência dos pedidos. -Nessa mesma linha decidiu esta Colenda Sexta Turma Especializada, em caso análogo: TRF2, AC5044414-62.2019.4.02.5101, data da sessão 21/09/2021. -Recurso de apelação do autro desprovido, com a majoração da verba honorária anteriormente fixada em 1%, na forma do disposto no art. 85, § 11, do CPC/2015. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 2.928-2.933). Interpôs, o agravante recurso especial, com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, alegando, além de dissídio jurisprudencial, a violação do art. 67 da Lei n. 8.666/1993, sob o argumento de que cumpriu adequadamente as atribuições concernentes à função de fiscal de contrato, ressaltando que o termo de referência não estabeleceu cronograma para recebimento dos equipamentos contratados, de modo que não deu causa às irregularidades e aos danos apurados. Aduziu, ainda, a negativa de vigência aos arts. 1º, § 1º, e 2º, da Lei n. 9.873/1999, sustentando a consumação da prescrição intercorrente, visto que, entre janeiro de 2014 e março de 2018, portanto durante aproximadamente quatro anos, o processo administrativo foi mantido inerte, dado que o mero impulsionamento ou encaminhamento físico do processo administrativo de um setor para outro não teria o condão de interromper a prescrição intercorrente. Por fim, indica a ofensa ao art. 44 da Lei n. 9.784/1999, por cerceamento de defesa, em razão da ausência de concessão de prazo para exercício do referido direito, além da falta de resposta ao único pronunciamento apresentado. Foram apresentadas contrarrazões (fls. 3.008-3.018). O Ministério Público Federal opinou pelo não conhecimento do recurso especial, nos termos a seguir sumariados (fls. 3.061-3.069): PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. FISCALIZAÇÃO DE CONTRATO. RESSARCIMENTO AO ERÁRIO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. ACÓRDÃO QUE AFASTOU A LEI Nº 9.873/99 POR NÃO SE APLICAR AO PROCESSO. RAZÕES DISSOCIADAS. SÚMULA 284/STF. CERCEAMENTO DE DEFESA. REEXAME. SÚMULA 7/STJ. APLICÁVEL AO DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE CRONOGRAMA E RESPONSABILIDADE PELOS PREJUÍZOS. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. PELO NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. A decisão recorrida tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do RISTJ, não conheço do recurso especial." No agravo interno, a parte recorrente traz, resumidamente, os seguintes argumentos: .. Nobre Relator e demais Ministros do Colendo Superior Tribunal de Justiça, o Recurso Especial não envolve o reexame de fatos já analisados na origem, posto que objetiva apenas que o Recurso Especial, data máxima vênia,"corrija" um decisum proferido pelo Tribunal a quo, que vai em total desencontro a legislação em vigor e a jurisprudência pacificada dos tribunais brasileiros, em especial esse Egrégio Superior Tribunal de Justiça. .. Nesse sentido, percebe-se que o julgamento deste Recurso Especial não busca o reexame de provas, mas sim a aplicação dos dispositivos infraconstitucionais e da jurisprudência dos tribunais brasileiros ao caso em tela, visto que o Tribunal a quo vem negando a aplicação da mesma. Já decidiu o STJ1que não incide o óbice da Súmula nº 7, quando se discute no Recurso Especial apenas questão de direito. .. Mostra-se inequívoco, portanto, que a Súmula nº 7 do STJ não incide ao caso concreto, merecendo reforma a decisão recorrida, eis que não há óbice para o seguimento do recurso. .. A matéria deduzida neste recurso é exclusivamente de direito e visa a discutir a inexequibilidade do valor de R$ 274.446,18 (duzentos e setenta e quatro mil, quatrocentos e quarenta e seis reais e dezoito centavos) cobrado pela Recorrida ao Agravante, dado que fulminada pela prescrição intercorrente, conforme §1º do art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.873 de 23 de novembro de 1999, e a declaração da nulidade do débito apurado no âmbito da auditoria 5.910 e cobrado através do 18/2019/DITCE/FNS/CCONT/CGEOFC/FNS/SE/MS recebido em 06/04/2019, vista a observância do devido processo legal, contraditório e ampla defesa. .. Ressalta-se que o Agravante não pretende o reexame nem a alteração do conjunto fático-probatório dos autos, o objeto do presente recurso é a reforma do v. acórdão do Evento 28, pois proferido em total afronta a dispositivos infraconstitucionais e em divergência ao entendimento dos tribunais brasileiros. .. É pacífico o entendimento de que os incisos acima apresentados se aplicam tanto nos casos de interrupção da prescrição normal, prevista no caput do art. 1º da Lei 9.873/1999, como da prescrição intercorrente, prevista no parágrafo primeiro do mesmo artigo. .. Ora, é nítida a PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE presente no processo administrativo, visto que entre janeiro de 2014 e março de 2018, portanto, durante aproximadamente mais de 4 (quatro) anos, o processo foi mantido inerte, dado que o mero impulsionamento ou encaminhamento físico do processo administrativo de um setor para outro não tem o condão de interromper a prescrição intercorrente. A inocorrência de atos inequívocos que importassem apuração do fato infracional ou de atos dotados de qualquer conteúdo decisório ocasionou, portanto, a PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE do processo. Dessa forma, a partir de minuciosa análise dos autos do presente processo administrativo e da observância do pacífico entendimento doutrinário e jurisprudencial dos tribunais federais, é inevitável reconhecer que o débito, no valor de R$ 274.446,189 (duzentos e setenta e quatro mil, quatrocentos e quarenta e seis reais e dezoito centavos), cobrado pela Recorrida ao Agravante é INEXIGÍVEL, em razão da PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE, prevista pelos §1º do art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.873 de 23 de novembro de 1999, que incidiu sobre este processo administrativo a partir do momento em que foi mantido inerte por período de tempo superior a 3 (três) anos. .. No caso em tela, o processo administrativo que entendeu por responsabilizar o Agravante cometeu flagrante cerceamento ao direito de defesa, ao não conceder qualquer tipo de prazo para uma apresentação de defesa propriamente dita, além de não conceder qualquer resposta a única oportunidade concedida ao Agravante de se manifestar, que foi através da denominada "justificativa", violando, portanto, frontalmente o artigo 44 da Lei nº 9.784/99. Após a apresentação dessa "justificativa" não foi proferido qualquer decisão/despacho sobre as alegações apresentadas, bem como não foi oportunizado ao Agravante prazo ou direito a recurso, uma vez que em todos os ofícios enviados pela União Federal ao Agravante, esta não se manifesta sobre uma vírgula do que o foi apresentado na dita "justificativa", não concede qualquer prazo recursal conforme preceitua a Lei nº 9.784/99, em seu artigo 56, e ainda no ofício nº 18/2019/DITCE/FNS/CCONT/CGEOFC/FNS/SE/MS informa que já havia sido oportunizado o contraditório e ampla defesa e que não compete ao FNS realizar qualquer tipo de análise de justificativas atribuídas às fases que precedem a notificação. Resta evidente a flagrante cerceamento ao direto constitucional do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, conforme previsão legal contida na Lei nº 9.784/99. .. Ocorre que no caso dos autos tais princípios constitucionais foram completamente violados, assim como o artigo 44 da Lei nº 9.784/99, visto que apenas foi oportunizado um prazo denominado "justificativa", que não ensejou qualquer despacho/decisão sobre as alegações apresentadas, bem como não houve concessão de qualquer prazo recursal previsto no artigo 56 da Lei nº 9.784/99, quando da responsabilização do Agravante por danos ao erário como fiscal do contrato nº 17/2011 para viabilização de defesa e/ou recurso, e ainda quando da notificação para pagamento do montante entendido como devido pela responsabilidade atribuída ao Agravante pelas impropriedades detectadas, foi informado que o notificante não é competente para realizar qualquer tipo de análise de justificativas atribuídas às fases que precedem a notificação. .. Ora, é evidente que a Recorrida não oportunizou ao Agravante quaisquer meios para sua ampla defesa, meios para contraditar as alegações apresentadas, violando frontalmente a Lei nº 9.784/99. Além da violação a legislação infraconstitucional há ainda clara dissidência jurisprudencial entre o acórdão proferido pelo TRF2 no caso em comento e o entendimento emanado pelos Tribunais brasileiros que consideram nulos de pleno direito, os processos administrativos que a Administração Pública cerceou o direito de defesa do administrado. .. O Fiscal de contratos administrativos tem a incumbência de se certificar que as condições estabelecidas no ato convocatório e na proposta vencedora estejam sendo cumpridas durante a execução do contrato, para que os objetivos da licitação sejam materialmente concretizados. .. In casu, frisa-se que o Agravantecumpriu seu papel de fiscal do contrato, assim como os demais colegas que faziam parte da fiscalização, uma vez que o termo de referência elaborado pela gestão do Dr. Leslie Aloan não estabelecia um cronograma lógico para o recebimento de cerca de 60 m3de volume e cerca de 6 (seis) toneladas de peso de equipamentos, o que dificultou o recebimento de uma única vez pelo HFSE/RJ, que não tinha espaço físico adequado para o recebimento de equipamentos nessa condição de uma só vez. Ademais, a retirada dos equipamentos instalados e em utilização no HFSE/RJ, referentes ao contrato nº 05/2007, oriundo do Pregão nº 35/2007, que também eram de propriedade da empresa Berkeley, deveria ser realizada de forma gradual e conforme a liberação dos leitos com pacientes críticos, visando, sobretudo e principalmente, a segurança dos pacientes que deles dependiam para a manutenção de suas vidas. É importante observar que os equipamentos considerados como subutilizados pelos auditores da Controladoria Geral da União nas visitas técnicas que ensejaram a responsabilização ao autor, estavam, de fato, aguardando a troca por equipamentos novos, em estrita obediência contratual, mas que foi necessário estabelecer uma entrega equalizada pelo fato de a unidade hospitalar estava em funcionamento e os equipamentos estavam conectados a pacientes por razões de suporte à vida. Eméritos Julgadores, não pode um equipamento que está garantindo a vida de um paciente em estado grave ser retirado e trocado, simplesmente porque o contrato tem prazo de vigência, visto que não deve o contrato se sobrepor a vida de qualquer ser humano. Desta forma, uma vez que o paciente liberava o leito o equipamento era alterado segundo o Contrato nº 17/2011. Logo, o contrato em questão não era de simples execução, eis que para ser possível instalar os equipamentos contratados era necessário que os leitos estivessem desocupados, de uma só vez, posto que os equipamentos a serem substituídos encontravam-se conectados a pacientes graves. .. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. DIREITO ADMINISTRATIVO. ATOS ADMINISTRATIVOS. RESSARCIMENTO AO ERÁRIO. PREGÃO N. 04/2011. FISCALIZAÇÃO DE CONTRATO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. DESCARACTERIZAÇÃO DO CERCEAMENTO DE DEFESA. INCIDÊNCIA DOS ÓBICES SUMULARES N. 5 E 7 DO STJ E 283 DO STF. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação, com pedido liminar, contra a União, pleiteando, em síntese, que o ente federado se abstenha de cobrar judicial ou administrativamente quaisquer valores referentes à multa e outras quantias relacionadas à condenação a ressarcimento ao erário, decorrente de fiscalização promovida pela Controladoria Geral da União no Hospital Federal dos Servidores do Estado. Na sentença, julgaram-se os pedidos improcedentes. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - Inicialmente, quanto à alegação de infringência aos arts. 1º, § 1º, e 2º, da Lei n. 9.873/1999, vinculada à tese de prescrição intercorrente, verifica-se que, ao dirimir a controvérsia, o Tribunal Regional Federal afastou a aplicação da referida legislação, que disciplina a tempestividade da ação punitiva da administração no exercício do poder de polícia, com base na compreensão de que a hipótese versada é distinta, pois diz respeito à apuração do emprego de recursos públicos na execução de contratos administrativos, fundamento não infirmado nas razões do recurso especial, a atrair, por analogia, o óbice da Súmula n. 283/STF. Nesse sentido: "A subsistência de fundamento inatacado apto a manter a conclusão do aresto impugnado impõe o não-conhecimento da pretensão recursal, a teor do entendimento disposto na Súmula nº 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles."" (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.317.285/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 19/12/2018.) III - Ainda que assim não fosse, conforme ressaltado pelo Parquet: " .. para concluir pela incidência de prescrição por falta de impulso ao procedimento administrativo por período superior a 3 anos, seria imprescindível rever o conjunto fático-probatório dos autos, uma vez que não constam do julgado as informações sobre o trâmite do procedimento administrativo, o que esbarra no óbice da Súmula 7/STJ." IV - Por outro lado, relativamente à arguição de inobservância ao art. 44 da Lei n. 9.784/1999, amparada na tese de violação do direito de defesa, convém acentuar que os princípios da livre admissibilidade da prova e da persuasão racional autorizam o julgador a determinar as provas que entende necessárias à solução da controvérsia, assim como o indeferimento daquelas que considerar prescindíveis ou meramente protelatórias. Assim, "não há cerceamento de defesa no julgamento da causa sem a produção da prova solicitada pela parte quando devidamente demonstrado pelas instâncias de origem que o processo se encontrava suficientemente instruído" (REsp n. 1.874.635/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 8/8/2023, DJe de 15/8/2023.) V - No caso, modificar a conclusão das instâncias de origem, soberanas quanto à análise da necessidade ou não de se produzir outras provas além daquelas já produzidas, demandaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos e das cláusulas contratuais, providência vedada em recurso especial tendo em vista os óbices, no caso, das Súmulas n. 5 e 7/STJ. Nesse sentido, no que tange à insurgência relativa ao descumprimento do art. 67 da Lei n. 8.666/1993, que contempla a discussão sobre a responsabilidade do recorrente pelos prejuízos decorrentes da função de fiscal do contrato, observa-se que o conhecimento da pretensão recursal implicaria análise do acervo probatório, bem como das cláusulas do contrato administrativo, para que fosse afastado o fundamento que lastreou a imputação da penalidade de ressarcimento, razão pela qual, quanto ao ponto, incidem os óbices das Súmulas n. 5 e 7/STJ. A propósito, confiram-se: AgInt no AREsp n. 2.175.899/RJ, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 11/9/2023, DJe de 15/9/2023; AgInt no AREsp n. 1.730.421/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 1º/07/2021. VI - Por fim, ressalte-se, ainda, que a incidência do Enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. VII - Agravo interno improvido. VOTO O agravo interno não merece provimento. A parte agravante repisa os mesmos argumentos já analisados na decisão recorrida. Inicialmente, quanto à alegação de infringência aos arts. 1º, § 1º, e 2º, da Lei n. 9.873/1999, vinculada à tese de prescrição intercorrente, verifica-se que, ao dirimir a controvérsia, o Tribunal Regional Federal afastou a aplicação da referida legislação, que disciplina a tempestividade da ação punitiva da administração no exercício do poder de polícia, com base na compreensão de que a hipótese versada é distinta, pois diz respeito à apuração do emprego de recursos públicos na execução de contratos administrativos, fundamento não infirmado nas razões do recurso especial, a atrair, por analogia, o óbice da Súmula n. 283/STF. Nesse sentido: "A subsistência de fundamento inatacado apto a manter a conclusão do aresto impugnado impõe o não-conhecimento da pretensão recursal, a teor do entendimento disposto na Súmula nº 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles."" (AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.317.285/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 19/12/2018.) Ainda que assim não fosse, conforme ressaltado pelo Parquet: " .. para concluir pela incidência de prescrição por falta de impulso ao procedimento administrativo por período superior a 3 anos, seria imprescindível rever o conjunto fático-probatório dos autos, uma vez que não constam do julgado as informações sobre o trâmite do procedimento administrativo, o que esbarra no óbice da Súmula 7/STJ." Por outro lado, relativamente à arguição de inobservância ao art. 44 da Lei n. 9.784/1999, amparada na tese de violação do direito de defesa, constata-se que a Corte local concluiu pela regularidade do processo administrativo, considerando-o analisado sob crivo do contraditório e da ampla defesa, consoante seguintes fundamentos: Conforme se depreende do Ofício nº 410/2018/CGAUD/DENASUS/SGEP/MS, de 28.06.2018, o autor foi notificado de que estava inserido no rol dos responsáveis pela malversação dos recursos do SUS e decorrentes de prejuízos financeiros suportados pelo Erário, nos termos da Auditoria 13050 e da Visita Técnica 591, esta última com a finalidade específica de apontar a correta identificação dos responsáveis e a quantificação dos danos constatados pela ação da CGU, tendo sido instado, no prazo de 10 dias, a teor do que dispõe o art. 44 da Lei 9.784/1999, a se justificar. No entanto, não há provas nos autos de que o autor dirigiu as justificativas, de forma tempestiva, para análise da ré, considerando a ausência de protocolo ou qualquer outro modo de confirmação de envio no documento acostado no anexo 10 do evento 1. Noutro eito, o FNS notificou o apelante, através do Oficio nº 18/2019/DITCE/FNS/CCONT/CGEOFC /FNS/SE/MS, para que promovesse a quitação do débito apurado pelo DENASUS, por meio do recolhimento do montante de R$ 274.446,18, no prazo de 15 dias, tendo sido informado, no aludido documento, que, "Em respeito às disposições dos artigos 26 a 28 da Lei nº 9784, de 29 de janeiro de 1999, o DENASUS promoveu o encaminhamento daqueles Relatórios e Visita Técnica" ao FNS, "para prosseguimento dos atos de cobrança, concluindo que defesa foram e devidamente oportunizadas a das ampla o contraditório em face constatações". Dessa forma, tendo em vista a apuração, em processo administrativo regular, analisado sob crivo do contraditório e da ampla defesa, da responsabilidade do autor, ora apelante, bem como da inexistência de prova de irregularidade comunicação trazida aos autos ou das de tentativa de à Administração dificuldades e/ou impossibilidades de realização imediata do objeto do contrato, à época em que ocorreu, impõe-se a manutenção da improcedência dos pedidos - fls. 2.882/2.883. Nesse panorama, convém acentuar que os princípios da livre admissibilidade da prova e da persuasão racional autorizam o julgador a determinar as provas que entende necessárias à solução da controvérsia, assim como o indeferimento daquelas que considerar prescindíveis ou meramente protelatórias. Assim, "não há cerceamento de defesa no julgamento da causa sem a produção da prova solicitada pela parte quando devidamente demonstrado pelas instâncias de origem que o processo se encontrava suficientemente instruído" (REsp n. 1.874.635/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 8/8/2023, DJe de 15/8/2023.) No caso, modificar a conclusão das instâncias de origem, soberanas quanto à análise da necessidade ou não de se produzir outras provas além daquelas já produzidas, demandaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos e das cláusulas contratuais, providência vedada em recurso especial tendo em vista os óbices, no caso, das Súmulas n. 5 e 7/STJ. Nesse sentido, no que tange à insurgência relativa ao descumprimento do art. 67 da Lei n. 8.666/1993, que contempla a discussão sobre a responsabilidade do recorrente pelos prejuízos decorrentes da função de fiscal do contrato, observa-se que o conhecimento da pretensão recursal implicaria análise do acervo probatório, bem como das cláusulas do contrato administrativo, para que fosse afastado o fundamento que lastreou a imputação da penalidade de ressarcimento, razão pela qual, quanto ao ponto, incidem os óbices das Súmulas n. 5 e 7/STJ. A propósito, confiram-se: AgInt no AREsp n. 2.175.899/RJ, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 11/9/2023, DJe de 15/9/2023; AgInt no AREsp n. 1.730.421/RS, relator Ministro Herman Benjamin, segunda Turma, DJe 1º/7/2021. Por fim, ressalte-se, ainda, que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. Ante o exposto, não havendo razões para modificar a decisão recorrida, nego provimento ao agravo interno. É o voto.