REsp 2202518 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido por falta de atendimento ao requisito do art. 105, III, a, da CF (não se pode substituir dispositivo de lei por enunciado de tribunal), por ausência de prequestionamento de matérias relativas aos arts. 85 e 86 do CPC e Decreto nº 20.910/1932 (obstáculo da Súmula 282/STF) e porque...
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- Parties
- Recorrente: Marlucia Barreto Aguiar; Recorrida: Universidade Federal do Ceará
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 April 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Não conheço do recurso especial
- Legal Topics
- Retribuição Por Titulação, Reconhecimento De Saberes E Competências RSC, Aposentadoria, Paridade, Justiça Gratuita, Processo Administrativo, Comissão Especial Avaliadora
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Parties
Marlucia Barreto Aguiar
Recorrente
Universidade Federal do Ceará
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade da Lei 12.772/2012 aos servidores inativos aposentados antes de 01/03/2013
- 2 Exigência de avaliação por Comissão Especial para implantação do RSC
- 3 Revogação dos benefícios da justiça gratuita
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido por falta de atendimento ao requisito do art. 105, III, a, da CF (não se pode substituir dispositivo de lei por enunciado de tribunal), por ausência de prequestionamento de matérias relativas aos arts. 85 e 86 do CPC e Decreto nº 20.910/1932 (obstáculo da Súmula 282/STF) e porque a controvérsia central foi decidida com fundamento constitucional, matéria cuja eventual reforma compete ao Supremo Tribunal Federal, vedando o exame pelo STJ.
Court Disposition
Não conheço do recurso especial
Orders
- Não conheço do recurso especial
- Condeno a parte recorrente ao pagamento de honorários advocatícios equivalentes a 20% do valor já fixado no processo (art. 85, § 11, CPC)
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial manejado por Marlucia Barreto Aguiar com fundamento no art. 105, III, a e c, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, assim ementado (fls. 238/239): CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. PROFESSORA DO ENSINO BÁSICO, TÉCNICO E TECNOLÓGICO. RETRIBUIÇÃO POR TITULAÇÃO. REVISÃO DOS PROVENTOS DE APOSENTADORIA. JUSTIÇA GRATUITA. REVOGAÇÃO. SENTENÇA EXTRA PETITA. NÃO CONFIGURAÇÃO. NÍVEL DE RECONHECIMENTO DE SABERES E COMPETÊNCIAS - RSC. APOSENTADORIA CONCEDIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI N.º 12.772/2012 E COM DIREITO À PARIDADE. INEXISTÊNCIA DE DISTINÇÃO NA FORMA DE CÁLCULO, ENTRE ATIVOS E INATIVOS, PARA A PERCEPÇÃO DA RT, COM BASE NA RSC. IMPLANTAÇÃO IMEDIATA. DESCABIMENTO. TÍTULOS E COMPETÊNCIAS DA AUTORA AINDA NÃO AVALIADOS ADMINISTRATIVAMENTE. NECESSIDADE DE INSTAURAÇÃO DE COMISSÃO ESPECIAL AVALIADORA. 1. Recurso de apelação interposto pela autora e pela Universidade do Ceará em face de sentença que julgou parcialmente procedente o pedido inicial do demandante para condenar a universidade a, diante de pedido administrativo a ser eventualmente formulado pela parte autora com a finalidade de obter o Reconhecimento de Saberes e Competências - RSC, abster-se de indeferi-lo com fundamento no fato de a inatividade da demandante ser anterior à Lei nº 12.772/2012, devendo o pedido ser processado e submetido à Comissão Especial instituída para tal fim. 2. Impugnação à concessão dos benefícios da justiça gratuita concedidos à demandante acolhida. A autora aufere renda que atinge o valor de R$ 9.925,13 (nove mil, novecentos e vinte e cinco reais e treze centavos). Convém acentuar que a demandante não fez qualquer menção na réplica ou nas contrarrazões à apelação à existência de outras despesas que comprometessem seus rendimentos, razão pela qual não restou caracterizada situação em que o pagamento de custas processuais comprometa o sustento da autora ou de suas famílias. Revogam-se, portanto, os benefícios de justiça gratuita anteriormente concedidos à autora. 3. Não assiste razão à recorrente (autora) quanto à nulidade da sentença por julgamento "extra petita", tendo em vista que o Juiz de Primeiro Grau decidiu o mérito nos limites propostos pelas partes, a saber, a implantação da RT. 4. Com o advento da Lei nº 12.772/2012, a estrutura remuneratória do Plano de Carreiras e Cargos do Magistério Federal foi alterada, passando a Retribuição por Titulação, que já era prevista na Lei n.º 11.784/2008, a ser paga com base em equivalência de Reconhecimento e Saberes de Competências - RSC, que abrange os conhecimentos e habilidades reconhecidos ao professor ao longo de sua carreira docente. 5. Infere-se que não houve exclusão dos aposentados e pensionistas da forma de cálculo prevista na Lei n.º 12.772/2012, como alega a recorrente, mas apenas modificação dos critérios de fixação dos valores da RT, com a possibilidade de majoração de acordo com o título acadêmico apresentado (diplomas de aperfeiçoamento, especialização, mestrado e doutorado). 6. Para a percepção da vantagem pelos aposentados, consta apenas a exigência de que o "certificado ou o título tenham sido obtidos anteriormente à data da inativação", nos termos do art. 17, § 1º da Lei n.º 12.772/12. 7. "Com efeito, ambas as Turmas componentes da Primeira Seção desta Corte Superior firmaram entendimento no sentido de que a vantagem referente ao Reconhecimento de Saberes e Competências - RSC não corresponde à retribuição por produtividade alcançada durante o exercício da função, mas a uma verba paga de modo linear e genérico aos professores em atividade, de modo que deve ser reconhecido o direito dos servidores inativos - ainda que aposentados antes da vigência da Lei n. 12.772/2012. Assim, não deve haver impedimentos para que os substituídos do recorrente sejam submetidos à avaliação, visando a obtenção do RSC". (STJ - REsp: 1838193 ES 2019/0276234-3, Relator: Francisco Falcão, Data de Julgamento: 22/11/2022, T2 - Segunda Turma, Data de Publicação: DJe 28/11/2022). 8. A demandante, professora aposentada do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico da Universidade Federal do Ceará, alega que a universidade tem indeferido o pedido administrativo, sob o argumento de que o Reconhecimento de Saberes e Competência não contempla os servidores inativos, cujas aposentadorias ocorreram antes da vigência da Lei n.º 12.772/2012, que ocorreu em 01/03/2013. 9. Como a Lei n.º 12.772/2012 e a Resolução CPRSC n.º 1/2017 não fizeram qualquer distinção na forma de cálculo para a percepção da RT, com base na RSC, em razão da circunstância de o docente se encontrar na ativa ou aposentado, imperioso concluir que o Juízo "a quo" agiu corretamente ao determinar que o IFRN proceda à análise do requerimento apresentado pelo autor, nos autos do processo administrativo 23421.001039.2023-93. 10. Reforça esse posicionamento, o fato de os servidores que se aposentaram, nos termos do art. 40, § 4º, da Constituição Federal ou de acordo com a regra de transição prevista no art. 6º da EC n.º 41/2003, terem direito à paridade com os servidores da ativa. 11. Acerca da exigência de instauração de processo avaliativo para implantação da RSC, conduzido por Comissão Especial instituída no âmbito de cada IES, a Quarta Turma desta Corte assentou que é necessária a avaliação pela Comissão Especial. Precedente: PROCESSO: 08163206020234058100, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL ANDRÉ CARVALHO MONTEIRO, 4ª TURMA, JULGAMENTO: 28/05/2024. 12. Recurso de apelação da autora desprovido. Apelação interposta pela UFC parcialmente provida, para revogar os benefícios da justiça gratuita concedidos à autora. Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 293/303). A parte recorrente aponta violação aos arts. 117, § 1º da Lei nº 11.784/2008; 17, § 1º e 18 da Lei nº 12.772/2012; 85 e 86, parágrafo único, do CPC; e a Súmula 85/STJ. Sustenta, em síntese, que "a previsão contida nos arts. 17 e 18 da Lei 12.772/2012 assegura a obtenção do nível do RSC aos docentes que se aposentaram antes de 1º/03/2013, condicionando, tão somente, que o certificado ou o título tenham sido obtidos anteriormente à data da inativação .. Depreende-se da previsão de regência supracitada que a definição do nível de Reconhecimento de Saberes e Competência - RSC, foi assegurada aos servidores ativos e inativos, exigindo-se, apenas, que o certificado ou o título tenham sido obtidos anteriormente à data da inativação, ou seja, será levada em consideração a experiência profissional e a titulação verificadas até a data da aposentadoria. .. Todavia, o TRF-5 entendeu contrariamente aos precedentes supracitados, haja vista que manteve a sentença de primeira instância para condicionar a concessão do RSC ao processo avaliativo, o qual a própria recorrida rechaça em sua tese recursal, haja vista que defende a impossibilidade da composição de banca para a avaliação dos títulos referentes aos servidores aposentados." (fls. 336/338) Aduz que "desde março de 2013, a recorrente já preenchia os requisitos para a obtenção da RSC-II, restando apenas a UFC proceder à regulamentação do RSC, o que veio a ocorrer apenas no ano de 2019, ou seja, 06 (seis) anos após a previsão legal (através da Resolução ad referendum nº 06/consuni, de 16 de abril de 2019), e após a regulamentação do Ministério da Educação através da resolução nº 01, de 20 de fevereiro de 2014, que em seu art. 15 determinou que os seus efeitos retroagiram a 1ª de março de 2013." (fl. 342) É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. A irresignação não comporta acolhida. Inicialmente, esta Corte firmou entendimento de que enunciado ou súmula de tribunal não equivale a dispositivo de lei federal, restando desatendido o requisito do art. 105, III, a, da CF. Nesse sentido, sobressaem os seguintes precedentes: AgInt no AREsp n. 2.581.025/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16/12/2024, DJEN de 23/12/2024; AgInt no REsp n. 2.165.387/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 16/12/2024, DJEN de 20/12/2024; e AgInt no AREsp n. 1.399.920/SP, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Segunda Turma, julgado em 4/12/2024, DJEN de 10/12/2024. Por sua vez, as matérias pertinentes aos arts. 85 e 86, parágrafo único, do CPC e 1º do Decreto nº 20.910/1932 não foram apreciadas pela instância judicante de origem, tampouco foram opostos embargos declaratórios para suprir eventual omissão quanto a este particular. Portanto, ante a falta do necessário prequestionamento, incide o óbice da Súmula 282/STF. Quanto ao mais, colhe-se do acórdão o seguinte trecho, verbis (fls. 232/235): Da análise dos artigos acima mencionados, infere-se que não houve exclusão dos aposentados e pensionistas da forma de cálculo prevista na referida Lei, como alega a universidade recorrente, mas apenas modificação dos critérios de fixação dos valores da RT, com a possibilidade de majoração de acordo com o título acadêmico apresentado (diplomas de aperfeiçoamento, especialização, mestrado e doutorado - art. 18 da Lei nº 12.772/12). Para a percepção da vantagem pelos aposentados, consta apenas a exigência de que o "certificado ou o título tenham sido obtidos anteriormente à data da inativação", nos termos do art. 17, § 1º da Lei n.º 12.772/12. .. No caso em exame, a demandante, professora aposentada do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico da Universidade Federal do Ceará, alega que a universidade tem indeferido o pedido administrativo, sob o argumento de que o Reconhecimento de Saberes e Competência não contempla os servidores inativos, cujas aposentadorias ocorreram antes da vigência da Lei n.º 12.772/2012, que ocorreu em 01/03/2013.Desta forma, como a Lei n.º 12.772/2012 e a Resolução CPRSC n.º 1/2017 não fizeram qualquer distinção na forma de cálculo para a percepção da RT, com base na RSC, em razão da circunstância de a docente se encontrar na ativa ou aposentada, imperioso concluir que o Juízo "a quo" agiu corretamente ao determinar que a UFC se abstenha de indeferir o requerimento administrativo com a finalidade de obter o RSC, com fundamento no fato de a inatividade da demandante ser anterior à Lei nº 12.772/12. Reforça esse posicionamento, o fato de os servidores que se aposentaram, nos termos do art. 40, § 4º, da Constituição Federal ou de acordo com a regra de transição prevista no art. 6º da EC n.º 41/2003, terem direito à paridade com os servidores da ativa. .. Registre-se que o Juízo de Primeiro Grau acertadamente reconheceu que o pedido administrativo eventualmente formulado pela autora para implantação de RSC deve ser processado e submetido à Comissão Especial instituída para tal fim. Acerca da exigência de instauração de processo avaliativo para implantação da RSC, conduzido por Comissão Especial instituída no âmbito de cada IES, a Quarta Turma desta Corte assentou que é necessária a avaliação pela Comissão Especial. Com efeito, observa-se que a controvérsia se correlaciona, verdadeiramente, com o fundamento constitucional levantado pelo acórdão recorrido, matéria insuscetível de ser examinada em sede de recurso especial. A propósito, confira-se: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. SERVIDOR PÚBLICO APOSENTADO. DOCENTE DO MAGISTÉRIO FEDERAL DE ENSINO BÁSICO, TÉCNICO E TECNOLÓGICO. RETRIBUIÇÃO POR TITULAÇÃO. RECONHECIMENTO DE SABERES E COMPETÊNCIAS. LEI 12.772/2012. INATIVAÇÃO ANTERIOR A 1º.3.2013. DIREITO À PARIDADE. ACÓRDÃO RECORRIDO COM FUNDAMENTO EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME DA QUESTÃO EM RECURSO ESPECIAL. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. Constata-se que não se configura a alegada ofensa ao artigo 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou, de maneira amplamente fundamentada, a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. 2. Ainda que o recorrente tivesse infirmado todos os argumentos do voto condutor, como se observa, o Tribunal a quo dirimiu a controvérsia sob enfoque exclusivamente constitucional, visto que o deslinde da controvérsia se deu à luz das ECs 20/1998, 41/2003 e 47/2005 (garantia constitucional da paridade entre ativos e inativos), competindo ao Supremo Tribunal Federal eventual reforma do acórdão recorrido, sob pena de usurpação de competência inserta no art. 102 da Constituição Federal. No mesmo sentido, recentes decisões monocráticas: REsp 1.733.321/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 24.6.2019; REsp 1.791.260/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 26.2.2019; REsp 1.816.133/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 8.8.2019; REsp 1.836.284/RS, Rel. Ministra Regina Helena Costa, DJe 11.9.2019; AREsp 1.541.490/RS, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, DJe 13.9.2019; AREsp 1.541.499/RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJe 27.9.2019. 3. Agravo conhecido para se conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação ao art. 1.022 do CPC/2015, e, nessa parte, não provido. (AREsp 1558777/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/10/2019, DJe 05/11/2019) ANTE O EXPOSTO, não conheço do recurso especial. Levando-se em conta o trabalho adicional realizado em grau recursal, impõe-se à parte recorrente o pagamento de honorários advocatícios equivalentes a 20% (vinte por cento) do valor a esse título já fixado no processo (art. 85, § 11, do CPC). Publique-se. EMENTA