REsp 2142653 - DECISAO
Conheceu-se do recurso especial e negou-se provimento com fundamento no entendimento dominante do STJ de que o termo inicial dos efeitos financeiros da Retribuição por Titulação é a data do requerimento administrativo, aplicando-se o Enunciado Administrativo n. 3/STJ e a Súmula n. 568/STJ, além do art. 255, § 4º,...
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- Parties
- Recorrente: Louvain Rocha Ayres Filho; Apelado: ente público
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 June 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- recurso especial conhecido e negado provimento
- Legal Topics
- Retribuição Por Titulação (rt), Reconhecimento De Saberes E Competências (rsc), Termo Inicial Dos Efeitos Financeiros, Progressão Funcional Por Titulação
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Parties
Louvain Rocha Ayres Filho
Recorrente
ente público
Apelado
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento No Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Aplicação da nova forma de cálculo da Retribuição por Titulação (Lei 12.772/2012) a aposentados
- 2 Termo inicial dos efeitos financeiros das diferenças salariais: data do requerimento administrativo
- 3 Prescrição do fundo do direito quanto à pretensão de alteração do cálculo da RT
Ratio Decidendi
Conheceu-se do recurso especial e negou-se provimento com fundamento no entendimento dominante do STJ de que o termo inicial dos efeitos financeiros da Retribuição por Titulação é a data do requerimento administrativo, aplicando-se o Enunciado Administrativo n. 3/STJ e a Súmula n. 568/STJ, além do art. 255, § 4º, II, do RISTJ, que autoriza decisão monocrática diante de entendimento dominante.
Court Disposition
recurso especial conhecido e negado provimento
Orders
- Conheço do recurso especial
- Nego-lhe provimento
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por Louvain Rocha Ayres Filho com fundamento no art. 105, III, da Constituição Federal. Na origem, a parte autora, em 1/12/2022, ajuizou ação ordinária com valor da causa atribuído em R$ 90.149,33 (noventa mil, cento e quarenta e nove reais e trinta e três centavos), objetivando a extensão ao Autor, para fins de percepção da Retribuição por titulação (RT), a equivalência da titulação exigida com o Reconhecimento de Saberes e Competências - RSC - I, de que trata o art. 18, § 2º, III, da Lei n. 12.772/2012, desde a entrada em vigor da referida lei. Após sentença que julgou procedente o pedido, o TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO deu parcial provimento à apelação do ente público, para excluir da condenação o pagamento referente ao período anterior ao requerimento administrativo. O referido acórdão foi assim ementado, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. PROFESSOR. RETRIBUIÇÃO POR TITULAÇÃO. LEI 12.772/12. NOVA FORMA DE CÁLCULO. EXTENSÃO AOS INATIVOS. POSSIBILIDADE. PRESCRIÇÃO DO FUNDO DO DIREITO. INOCORRÊNCIA. INÍCIO DO BENEFÍCIO. REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. 1. Hipótese em que se discute o direito de professor aposentado à aplicação da nova forma de cálculo da Retribuição por Titulação - RT por ele percebida, nos moldes do art. 18, da Lei nº 12.772/12, ou seja, considerando-se a equivalência da titulação exigida com o Reconhecimento de Saberes e Competências- RSC; 2. Não há que falar em prescrição do fundo do direito, uma vez que não objetiva a parte autora a revisão do seu ato de aposentadoria, mas sim o reconhecimento de que preenche os requisitos legais para a percepção do Reconhecimento de Saberes e Competência (RSC), instituído em 2013, que não se trata de nova gratificação ou vantagem, mas tão somente de alteração na forma de cálculo da Retribuição por Titulação - RT; 3. Não se tratando de nova gratificação ou vantagem, mas tão somente de nova forma de cálculo do valor da RT, vantagem esta que já é percebida pela parte autora, deve ser a mesma aplicada aos seus proventos; 4. Desprovida de fundamento a alegação de que a parte autora não teria demonstrado fazer jus ao que pede, eis que sua aposentadoria teria ocorrido antes da vigência da Lei n. 12.772/2012 e que não teria ela comprovado o preenchimento dos requisitos necessários à paridade. Trata-se de verba que a própria lei regulamentadora (Lei n. 12.772/2012) estendeu aos aposentados de pensionistas, sendo desnecessária, portanto, demonstração de direito a paridade; 5. Contudo, considerando que para fazer jus à nova forma de cálculo da RT o servidor tem que demonstrar à administração que preenchera os requisitos necessários a tanto, aquela somente é devida a partir do requerimento administrativo (que no caso presente se deu em 04/11/2022), e não desde dez/2017, como deferido na sentença; 6. Apelação parcialmente provida, para julgar o pedido parcialmente procedente, excluindo da condenação o pagamento em questão relativamente ao período anterior ao requerimento administrativo. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. Foi interposto o presente recurso especial, apontando violação dos arts. 17, § 1º, e 18 da Lei n. 12.772/2012; dos arts. 1ºe 3º do Decreto n. 20.910/1932; e do art. 884 do Código Civil. Apresentadas contrarrazões. É o relatório. Decido. O presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo n. 3/STJ: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC." Nos termos da jurisprudência desta Corte, o termo inicial do pagamento das diferenças salariais referentes à progressão funcional por titulação é a data do requerimento administrativo, uma vez que é nessa ocasião que a Administração toma conhecimento do fato ensejador do benefício. Confira-se: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR. LEI 11.784/2008. PERÍODO ANTERIOR À REGULAMENTAÇÃO. PROGRESSÃO POR TITULAÇÃO. ALEGADA OFENSA AOS ARTS. 458 E 535 DO CPC/73. INEXISTÊNCIA. TERMO INICIAL DOS EFEITOS FINANCEIROS. REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno aviado contra decisão que julgara Recurso Especial interposto contra acórdão publicado na vigência do CPC/2015. II. Não há falar, na hipótese, em violação aos arts. 458 e 535 do CPC/73, porquanto a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, de vez que os votos condutores do acórdão recorrido e do acórdão proferido em sede de Embargos de Declaração apreciaram fundamentadamente, de modo coerente e completo, as questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo, solução jurídica diversa da pretendida. III. "Segundo o entendimento desta Corte, o termo inicial do pagamento das diferenças salariais referentes à progressão funcional por titulação é a data do requerimento administrativo, uma vez que é nessa ocasião que a Administração toma conhecimento do fato ensejador do benefício" (STJ, AgInt no REsp 1.820.686/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 12/02/2020). Nesse mesmo sentido: STJ, AgInt no REsp 1.958.528/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 15/03/2022; REsp 1.791.826/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 30/05/2019, AgInt no REsp 1.406.603/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 07/03/2018. Ainda, monocraticamente, dentre outros: STJ, REsp 2.041.245/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe de 21/03/2023; REsp 2.021.209/RN, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, DJe de 10/03/2023; REsp 2.008.001/PB, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, DJe de 02/08/2022; REsp 1.997.440/RN, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, DJe de 17/05/2022. IV. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 1.924.116/SC, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 23/5/2023.) ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO. SERVIDOR PÚBLICO. PROGRESSÃO FUNCIONAL. TERMO INICIAL DOS EFEITOS FINANCEIROS. DATA DO REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. 1. Não há ofensa aos arts. 489, § 1º, e 1.022, II, do CPC/2015, pois o Tribunal de origem fundamentadamente rejeitou a tese recursal e explanou o porquê dos efeitos financeiros serem contabilizados até a data em que implementado o interstício devido. 2. Com efeito, a posição firmada no acórdão recorrido não destoa da jurisprudência dominante do STJ de que o termo inicial dos efeitos financeiros da progressão funcional é a data do requerimento administrativo. 3. "No mais, o entendimento manifestado pela Corte de origem se alinha à diretriz desta Corte Superior, de que o termo inicial do pagamento das diferenças salariais referentes à progressão funcional por titulação é a data do requerimento administrativo, uma vez que é nessa ocasião que a Administração toma conhecimento do fato ensejador do benefício (REsp 1.791.826/RN, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30.5.2019). 4. "Segundo o entendimento desta Corte, o termo inicial do pagamento das diferenças salariais referentes à progressão funcional por titulação é a data do requerimento administrativo, uma vez que é nessa ocasião que a Administração toma conhecimento do fato ensejador do benefício. Precedente: AgInt no REsp. 1.406.603/SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 7.3.2018" (AgInt no REsp 1.820.686/RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 12.2.2020). 5. Agravo Interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.958.528/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 21/2/2022, DJe de 15/3/2022.) Dessa forma, aplica-se, à espécie, o enunciado da Súmula n. 568/STJ: "O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". Ante o exposto, com esteio no art. 255, § 4º, II, do RISTJ, conheço do recurso especial para negar-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA