AREsp 2665050 - DECISAO
Diante da fixação da tese pelo rito de recursos repetitivos (Tema 1.140) sobre a aplicação dos limitadores vigentes à época de concessão, determinou-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que adote as medidas previstas no art. 1.040 do CPC/2015, permitindo o esgotamento da instância ordinária antes do...
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- Parties
- Agravante: MARIA APARECIDA DE SOUZA; Tribunal De Origem: TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão Interlocutória (determinação De Devolução Ao Tribunal De Origem)
- Outcome
- Determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que aplique as medidas cabíveis previstas no art. 1.040 do CPC/2015
- Legal Topics
- Revisão De Benefício Previdenciário, Menor Valor Teto, Maior Valor Teto, Adequação Aos Tetos Das Emendas Constitucionais 20/1998 E 41/2003, Recursos Repetitivos, Admissibilidade De Recurso Especial
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Parties
MARIA APARECIDA DE SOUZA
Agravante
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO
Tribunal De Origem
Procedural Posture
Agravo / Decisão Interlocutória (determinação De Devolução Ao Tribunal De Origem)
Legal Issues
- 1 Aplicação do menor e maior valor-teto no cálculo da renda mensal de benefícios concedidos antes da Constituição Federal para efeito de adequação aos tetos das EC 20/1998 e 41/2003
- 2 Natureza jurídica do Menor Valor-Teto (intrínseco ao cálculo ou limitador externo)
- 3 Efeito vinculante de decisões monocráticas do STF (RE 564.354/SE) e necessidade de jurisprudência firme
Ratio Decidendi
Diante da fixação da tese pelo rito de recursos repetitivos (Tema 1.140) sobre a aplicação dos limitadores vigentes à época de concessão, determinou-se a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que adote as medidas previstas no art. 1.040 do CPC/2015, permitindo o esgotamento da instância ordinária antes do reapreciação do recurso especial no STJ.
Court Disposition
Determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem para que aplique as medidas cabíveis previstas no art. 1.040 do CPC/2015
Orders
- Determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com baixa, para que aplique as medidas cabíveis previstas no art. 1.040 do CPC/2015
- Publique-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por MARIA APARECIDA DE SOUZA contra decisão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO, que não admitiu recurso especial fundado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional e que desafia acórdão assim ementado (e-STJ fls. 378/379): PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. EMENDAS CONSTITUCIONAIS 20/98 E 41/2003. MENOR VALOR TETO. CÁLCULO ZERO. DESCABIMENTO. RECURSO PROVIDO. 1. A pretensão da parte autora de revisar o salário-de-benefício de seu benefício previdenciário, readequando-o para o valor do teto estabelecido pelas EC nº 20/1998, e nº 41/2003, já foi questão submetida a julgamento definitivo no Supremo Tribunal Federal que, em 08.09.2010, julgou o RE 564.354/SE interposto pelo INSS. 2. O segurado tem direito ao valor do salário-de-benefício original, calculado por ocasião de sua concessão, ainda que perceba quantia inferior por incidência do teto. Ou seja, entendeu-se que o limite-máximo dos benefícios previdenciários é um elemento externo à estrutura jurídica do benefício previdenciário, de forma que sempre que alterado, haverá a possibilidade de adequação do valor dos benefícios já concedidos. 3. Remetidos os presentes autos ao NUCAJ para elaboração de cálculos sobre a adequação do benefício da parte autora aos novos tetos estabelecidos nas Emendas Constitucionais nº 20/98 e 41/2003, concluiu-se pela inexistência de diferenças. 4. Ressalte-se que tais cálculos gozam de presunção iuris tantum de veracidade, cabendo à parte interessada opor contraprova convincente, o que não logrou fazer. Não basta, para este desiderato, lançar ilações de incorreção. 5. Não merece prosperar, também, o argumento de que o benefício em questão foi limitado pelo Menor Valor Teto, e que a tese manifestada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 564.354/SE também implicaria a necessidade de afastamento desse limitador. Ressalte-se que não há, ainda, qualquer precedente proferido por órgão colegiado do STF sobre o tema (apenas decisões monocráticas), de maneira que não é possível falar em jurisprudência firme daquela corte. 6. O chamado Menor Valor Teto consistia em regra de cálculo específica, que se incorporava ao salário-de-benefício, e cujo objetivo principal era limitar o valor da RMI de segurados que tiveram períodos de contribuições mais elevadas concentradas em data próxima à DIB e, consequentemente, ao PBC. Portanto, não há que se falar que o Menor Valor Teto configurasse um limitador externo, como é o limite máximo do salário-de-benefício, senão em elemento intrínseco do cálculo da RMI para os benefícios anteriores à Lei nº 8.213/91. 7. Há que se pontuar que eventual pleito de revisão dessa regra de cálculo, ao contrário do que ocorre com a readequação em função dos valores do teto previdenciário estabelecido pelas EC nº 20/1998, e nº 41/2003, estaria sujeito à incidência do prazo decadencial. 8. Considerando que a sentença recorrida foi proferida após 18 de março de 2016, já sob a vigência do CPC/2015, condene-se a parte sucumbente ao pagamento de honorários advocatícios, fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor atualizado da causa até o patamar de duzentos salários-mínimos e de 8% (oito por cento) no patamar entre duzentos e um e dois mil salários-mínimos, nos termos do art. 85, caput e § 2º e §3º, I e II do CPC/2015. 9. Majore-se em 1% o valor da condenação dos honorários fixados pelo juízo a quo a título de honorários recursais, nos termos do art. 85, § 11, CPC/15, devendo ser observados os limites previstos nos §§ 2º e 3º. 10. Mantém-se, contudo, a suspensão da exigibilidade dos referidos honorários, ante a concessão do benefício da gratuidade da justiça em favor da parte autora. 11. Apelação provida, nos termos do voto. No recurso especial obstaculizado, a parte recorrente alega que o acórdão recorrido deu interpretação divergente dos arts. 3º e 5º da Lei n. 5.890/1973, da que havia dado outros tribunais e o STJ, ao argumento de que, "na prática, fica evidente que o Menor e o Maior Valor-Teto sa o limitadores do salário de benefício e, portanto, devem ser afastados com a consequente readequac a o aos novos tetos constitucionais, conforme assegurado pelo Supremo Tribunal Federal no quando no julgamento RE 564.354/SE, que deve ser assegurada a manutenção da média contributiva" (e-STJ fl. 397). Contrarrazões às e-STJ fls. 406/409. O apelo nobre recebeu juízo negativo de admissibilidade pelo Tribunal de origem, tendo sido os fundamentos da aludida decisão atacados no recurso ora em exame. Passo a decidir. A presente controvérsia diz respeito à definição, para efeito de adequação dos benefícios concedidos antes da Constituição Federal aos tetos das Emendas Constitucionais ns. 20/1998 e 41/2003, da forma de cálculo da renda mensal do benefício em face da aplicação, ou não, dos limitadores vigentes à época de sua concessão (menor e maior valor-teto). A questão, objeto do apelo extremo, foi submetida à Primeira Seção dessa Corte Superior para ser julgada pela sistemática dos recursos repetitivos (Tema 1.140), que fixou a tese de que, "para efeito de adequação dos benefícios previdenciários concedidos antes da Constituição Federal aos tetos das Emendas Constitucionais n. 20/1998 e 41/2003, no cálculo devem-se aplicar os limitadores vigentes à época de sua concessão (menor e maior valor teto), utilizando-se o teto do salário de contribuição estabelecido em cada uma das emendas constitucionais como maior valor teto, e o equivalente à metade daquele salário de contribuição como menor valor teto. " (REsp 1.957.733/RS, de minha relatoria, Dje 27/08/2024). Nesse contexto, julgado o tema pela sistemática dos recursos repetitivos, esta Corte Superior orienta que os recursos que tratam da mesma controvérsia devem retornar ao Tribunal de origem para que este faça o juízo de conformação, nos termos do que dispõe o art. 34, XXIV, do RISTJ, o qual estabelece, in verbis: Art. 34. Compete ao Relator: .. XXIV - determinar a devolução ao Tribunal de origem dos recursos especiais fundados em controvérsia idêntica àquela já submetida ao rito de julgamento de casos repetitivos para adoção das medidas cabíveis. Após realizada essa providência, que representa o exaurimento da instância ordinária, é que o recurso especial deverá ser encaminhado para esta Corte Superior, para serem analisadas as questões jurídicas nele suscitadas e que não ficaram prejudicadas pelo novo pronunciamento do Tribunal a quo. Ante o exposto, DETERMINO a devolução dos autos ao Tribunal de origem, com a respectiva baixa, para que aplique a s medidas cabíveis previstas no art. 1.040 do CPC/2015, conforme o caso. Publique-se. Intimem-se. EMENTA