HC 1061973 - ACORDAO
O conhecimento do habeas corpus foi inviabilizado porque a decisão impugnada foi prolatada monocraticamente e terminativamente pelo Tribunal de origem, não tendo sido interposto agravo regimental ou interno que permitisse o exame colegiado na instância ordinária, requisito para a competência desta Corte; assim, o...
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- Parties
- Agravante: EDUARDO SANDRO MENDANHA; Agravante: DEBORA QUEIROZ DE CAMARGO ROSA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Habeas Corpus / Sessão Virtual (julgamento) Agravo Regimental Negado Provimento
- Outcome
- Agravo regimental não provido; negar provimento ao recurso.
- Legal Topics
- Revogação De Medida Cautelar, Proibição De Contratar Com O Poder Público, Competência Do STJ, Agravo Regimental, Vácuo Jurisdicional
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Parties
EDUARDO SANDRO MENDANHA
Agravante
DEBORA QUEIROZ DE CAMARGO ROSA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Habeas Corpus / Sessão Virtual (julgamento) Agravo Regimental Negado Provimento
Legal Issues
- 1 Cabimento de habeas corpus contra decisão monocrática terminativa
- 2 Necessidade de exaurimento da instância ordinária com decisão colegiada para inauguração da competência do STJ
- 3 Pedido de revogação da medida cautelar de proibição de contratar com o Poder Público
Ratio Decidendi
O conhecimento do habeas corpus foi inviabilizado porque a decisão impugnada foi prolatada monocraticamente e terminativamente pelo Tribunal de origem, não tendo sido interposto agravo regimental ou interno que permitisse o exame colegiado na instância ordinária, requisito para a competência desta Corte; assim, o agravo regimental foi desprovido e mantida a decisão agravada.
Court Disposition
Agravo regimental não provido; negar provimento ao recurso.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Manter a decisão agravada que indeferiu a Petição Criminal n. 5897007-15.2025.8.09.0051
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 16/04/2026 a 22/04/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Carlos Pires Brandão, Og Fernandes e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Antonio Saldanha Palheiro. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PEDIDO DE REVOGAÇÃO DA MEDIDA CAUTELAR DE PROIBIÇÃO DE CONTRATAÇÃO COM O PODER PÚBLICO. HABEAS CORPUS IMPETRADO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA DE CARÁTER TERMINATIVO PROFERIDA NA ORIGEM. NÃO CABIMENTO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. "A competência desta Corte para a análise de habeas corpus, consoante o disposto no art. 105, I, alínea c, da Constituição Federal, somente se inaugura após o exaurimento prévio da instância ordinária, com prolação de decisão colegiada" (RCD no HC n. 1.048.716/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 17/12/2025, DJEN de 23/12/2025). 2. A decisão atacada no habeas corpus foi prolatada por Desembargador, que, monocraticamente, em caráter terminativo, indeferiu a Petição Criminal n. 5897007-15.2025.8.09.0051. Não houve a interposição de agravo regimental ou interno, de modo a oportunizar o debate do tema pelo respectivo órgão colegiado e posterior impetração de habeas corpus perante esta Corte Superior, ônus do qual a parte não se desincumbiu. Dessa forma, em crédito às instâncias ordinárias, que primeiro devem conhecer da controvérsia, para, então, ser inaugurada a competência do Superior Tribunal de Justiça, fica inviabilizado o conhecimento da impetração. 3. No caso, não houve vácuo jurisdicional diante da possibilidade de a defesa haver interposto agravo regimental contra a decisão monocrática terminativa proferida na origem nos autos da petição criminal. 4. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ: EDUARDO SANDRO MENDANHA e DEBORA QUEIROZ DE CAMARGO ROSA agravam de decisão em que indeferi liminarmente o habeas corpus impetrado em seu favor. Neste regimental, a defesa alega o seguinte (fl. 541): 1. Cabimento do Habeas Corpus. Manifesta ilegalidade por excesso de prazo e desproporcionalidade de medida cautelar diversa da prisão. Precedente: "As medidas cautelares criminais diversas da prisão são onerosas ao implicado e podem ser convertidas em prisão se descumpridas. É cabível a ação de habeas corpus contra coação ilegal decorrente da aplicação ou da execução de tais medidas" (STF, HC 147.303, 2ª T., Rel. Min. GILMAR MENDES, DJe 27/02/18). 2. Vácuo jurisdicional. Subsistente controvérsia sobre a competência. Inexistência de órgão colegiado competente para discussão da matéria. Impossibilidade de exame da medida pelo d. Juízo Federal. Recurso em Sentido Estrito em fase de admissibilidade do Recurso Especial. 3. Constrangimento ilegal constatável de plano. 4. Pedido de reconsideração da r. decisão agravada ou, então, que seja o presente recurso submetido à apreciação colegiada e provido, com a ulterior concessão da ordem para que seja revogada a cautelar de proibição de contratar com o Poder Público ou, subsidiariamente, para que a medida persista apenas em relação às empresas I9 TECNOLOGIA E SERVIÇOS EIRELI, I9 TECNOLOGIA E SERVIÇOS SCP NESTOR E I9 TECNOLOGIA E SERVIÇOS SCP, supostamente envolvidas nos fatos denunciados. Pede a reconsideração da decisão agravada ou a submissão do feito ao órgão colegiado. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PEDIDO DE REVOGAÇÃO DA MEDIDA CAUTELAR DE PROIBIÇÃO DE CONTRATAÇÃO COM O PODER PÚBLICO. HABEAS CORPUS IMPETRADO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA DE CARÁTER TERMINATIVO PROFERIDA NA ORIGEM. NÃO CABIMENTO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. "A competência desta Corte para a análise de habeas corpus, consoante o disposto no art. 105, I, alínea c, da Constituição Federal, somente se inaugura após o exaurimento prévio da instância ordinária, com prolação de decisão colegiada" (RCD no HC n. 1.048.716/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 17/12/2025, DJEN de 23/12/2025). 2. A decisão atacada no habeas corpus foi prolatada por Desembargador, que, monocraticamente, em caráter terminativo, indeferiu a Petição Criminal n. 5897007-15.2025.8.09.0051. Não houve a interposição de agravo regimental ou interno, de modo a oportunizar o debate do tema pelo respectivo órgão colegiado e posterior impetração de habeas corpus perante esta Corte Superior, ônus do qual a parte não se desincumbiu. Dessa forma, em crédito às instâncias ordinárias, que primeiro devem conhecer da controvérsia, para, então, ser inaugurada a competência do Superior Tribunal de Justiça, fica inviabilizado o conhecimento da impetração. 3. No caso, não houve vácuo jurisdicional diante da possibilidade de a defesa haver interposto agravo regimental contra a decisão monocrática terminativa proferida na origem nos autos da petição criminal. 4. Agravo regimental não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ (Relator): Os recorrentes foram denunciados por crimes contra a administração pública. O Tribunal de origem, por meio de decisão monocrática do Desembargador relator, indeferiu o pleito formulado na Petição Criminal n. 5897007-15.2025.8.09.0051. Apesar dos esforços dos ora agravantes , não constato fundamentos suficientes para reformar a decisão agravada, cuja conclusão mantenho. A decisão atacada no habeas corpus foi prolatada por Desembargador, que, monocraticamente, em caráter terminativo, indeferiu a Petição Criminal n. 5897007-15.2025.8.09.0051 (fls. 17-19). Deve-se frisar que não houve a interposição de agravo regimental ou interno, de modo a oportunizar o debate do tema pelo respectivo órgão colegiado e posterior impetração de habeas corpus perante esta Corte Superior, ônus do qual a parte não se desincumbiu. Dessa forma, em crédito às instâncias ordinárias, que primeiro devem conhecer da controvérsia, para, então, ser inaugurada a competência do Superior Tribunal de Justiça, fica inviabilizado o conhecimento da impetração. Ilustrativamente: PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO RECEBIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PRISÃO TEMPORÁRIA. HABEAS CORPUS ORIGINÁRIO JULGADO PREJUDICADO EM FACE DA DECRETAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA. NÃO CABIMENTO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A competência desta Corte para a análise de habeas corpus, consoante o disposto no art. 105, I, alínea c, da Constituição Federal, somente se inaugura após o exaurimento prévio da instância ordinária, com prolação de decisão colegiada, o que não é o caso dos autos. Precedentes. 2. Agravo regimental desprovido. (RCD no HC n. 1.048.716/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 17/12/2025, DJEN de 23/12/2025, grifei) Ressalto, por oportuno, que não houve vácuo jurisdicional diante da possibilidade de a defesa haver interposto agravo regimental contra a decisão monocrática terminativa proferida na origem nos autos da petição criminal. Por fim, ausentes fatos novos ou teses jurídicas diversas que permitam a análise do caso sob outro enfoque, deve ser mantida a decisão agravada. À vista do exposto, nego provimento ao agravo regimental.