RHC 205395 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o pedido de revogação da prisão domiciliar não foi especificamente apreciado pelo juízo ou pelo tribunal de origem, inexistindo causa julgada que autorize o conhecimento direto pelo STJ; conhecer da matéria implicaria indevida supressão de instância.
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- Parties
- Agravante: HERLON EDUARDO SOUZA E SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Nos Embargos De Declaração No Recurso Em Habeas Corpus / Acórdão / Julgamento
- Outcome
- AgravO regimental não provido; negar provimento ao agravo regimental.
- Legal Topics
- Revogação De Prisão Domiciliar, Supressão De Instância, Competência Do Superior Tribunal De Justiça
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Parties
HERLON EDUARDO SOUZA E SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental Nos Embargos De Declaração No Recurso Em Habeas Corpus / Acórdão / Julgamento
Legal Issues
- 1 Revogação de prisão domiciliar não analisada pelo juízo a quo
- 2 Ausência de causa julgada que autorize conhecimento direto pelo STJ
- 3 Risco de supressão de instância se o STJ conhecer da matéria
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o pedido de revogação da prisão domiciliar não foi especificamente apreciado pelo juízo ou pelo tribunal de origem, inexistindo causa julgada que autorize o conhecimento direto pelo STJ; conhecer da matéria implicaria indevida supressão de instância.
Court Disposition
AgravO regimental não provido; negar provimento ao agravo regimental.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Decisão mantida nos termos do voto do Relator.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 21/11/2024 a 27/11/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Antonio Saldanha Palheiro e Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. REVOGAÇÃO DE PRISÃO DOMICILIAR. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O tema trazido na inicial do recurso não foi, especificamente, analisado pela Corte de origem no ato apontado como coator, evidenciando-se a ausência de "causa julgada" a justificar a inauguração da competência do Superior Tribunal de Justiça. Não pode esta Corte Superior, portanto, conhecer diretamente da matéria, sob pena de inadmissível supressão de instância. 2. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ: HERLON EDUARDO SOUZA E SILVA interpõe agravo regimental contra decisão de fls. 403-404, que não conheceu do recurso em habeas corpus. Posteriormente, foram rejeitados os embargos declaratórios (fls. 415-418). Em suas razões, a defesa insiste n a revogação da prisão domiciliar "foi devidamente questionada no tribunal de origem" (fl. 432), de modo que dever ser conhecida a impetração e concedida a ordem. Requer, assim, a reconsideração do decisum ou o julgamento do recurso pelo órgão colegiado. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. REVOGAÇÃO DE PRISÃO DOMICILIAR. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O tema trazido na inicial do recurso não foi, especificamente, analisado pela Corte de origem no ato apontado como coator, evidenciando-se a ausência de "causa julgada" a justificar a inauguração da competência do Superior Tribunal de Justiça. Não pode esta Corte Superior, portanto, conhecer diretamente da matéria, sob pena de inadmissível supressão de instância. 2. Agravo regimental não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ (Relator): Em que pesem os argumentos despendidos pela defesa, entendo que não lhe assiste razão. Mantenho, assim, a decisão agravada por seus próprios fundamentos. Conforme explicitado anteriormente, a Corte local assim não conheceu do tema, verbis: Noutro giro, no que concerne ao pleito de revogação da prisão domiciliar, como bem exposto pela d. PGJ sem eu parecer de ordem nº 20, a autoridade dita coatora requereu a realização de perícia médica indireta, a fim de reanalisar a necessidade da manutenção da segregação do paciente. Assim, o pedido sequer foi apreciado pelo Juízo a quo. Nesse contexto, impossível a manifestação deste e. Tribunal sobre o tema, sob pena de incorrer em indevida supressão de instância (fl. 379, grifei). Logo, quanto ao pleito feito na inicial do recurso, verifico que o tema não foi, especificamente, analisado pela Corte de origem no ato apontado como coator, evidenciando-se a ausência de "causa julgada" a justificar a inauguração da competência do Superior Tribunal de Justiça. Não pode esta Corte Superior, portanto, conhecer diretamente da matéria, sob pena de inadmissível supressão de instância. Ilustrativamente: .. 2. Inviável a apreciação, diretamente por esta Corte Superior de Justiça, dada sua incompetência para tanto e sob pena de incidir-se em indevida supressão de instância, das teses de nulidade da sentença por ausência de análise de tese defensiva apresentada nas alegações finais e o consequente excesso de prazo na custódia, tampouco de imposição de regime inicial mais gravoso que o permitido ou de possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, tendo em vista que tais questões não foram analisadas pelo Tribunal impetrado no aresto combatido, em razão da inadequação da via eleita, pendente de julgamento, ainda, apelação já interposta. .. 8. Habeas corpus não conhecido. (HC n. 347.010/SP, Rel. Ministro Jorge Mussi, 5ª T., DJe 12/4/2016) Ainda: em consonância com o entendimento jurisprudencial desta Corte Superior: "é assente nesta Corte Superior de Justiça que o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a r. decisão vergastada pelos próprios fundamentos" (AgRg no HC n. 749.888/RS, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), 5ª T., DJe 26/8/2022). À vista do exposto, nego provimento ao agravo regimental.