HC 967013 - DECISAO
A Lei n. 14.843/2024, ao tornar mais gravosa a execução da pena ao vedar as saídas temporárias para crimes hediondos ou cometidos com violência ou grave ameaça, não pode ser aplicada retroativamente a fatos ocorridos antes de sua vigência, por configurar novatio legis in pejus e violar o princípio da...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: DIEGO DA SILVA SCHULZE; Paciente: Wagner Luiz da Rocha; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA (Agravo em Execução n. 8000980-23.2024.8.24.0033)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 December 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Ordem Concedida
- Outcome
- Ordem concedida para cassar o acórdão hostilizado e restabelecer a decisão de primeiro grau que concedeu saídas temporárias.
- Legal Topics
- Saída Temporária, Irretroatividade Da Lei Penal Mais Gravosa, Novatio Legis in Pejus
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
DIEGO DA SILVA SCHULZE
Paciente
Wagner Luiz da Rocha
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA (Agravo em Execução n. 8000980-23.2024.8.24.0033)
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Ordem Concedida
Legal Issues
- 1 Aplicação retroativa do § 2º do art. 122 da Lei de Execução Penal com redação dada pela Lei n. 14.843/2024
- 2 Se a vedação de saídas temporárias prevista na Lei n. 14.843/2024 pode ser aplicada a condenações anteriores à sua vigência
Ratio Decidendi
A Lei n. 14.843/2024, ao tornar mais gravosa a execução da pena ao vedar as saídas temporárias para crimes hediondos ou cometidos com violência ou grave ameaça, não pode ser aplicada retroativamente a fatos ocorridos antes de sua vigência, por configurar novatio legis in pejus e violar o princípio da irretroatividade da lei penal mais gravosa; assim, a ordem foi concedida para cassar o acórdão que aplicou a lei retroativamente e restabelecer a decisão de primeiro grau que deferiu as saídas temporárias.
Court Disposition
Ordem concedida para cassar o acórdão hostilizado e restabelecer a decisão de primeiro grau que concedeu saídas temporárias.
Orders
- Conceder a ordem para cassar o acórdão hostilizado e restabelecer a decisão de e-STJ fls. 12/13.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em favor de DIEGO DA SILVA SCHULZE apontando como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA (Agravo em Execução n. 8000980-23.2024.8.24.0033). Depreende-se dos autos que o paciente obteve benefício de saídas temporárias (e-STJ fls. 12/13). Interposto agravo em execução na origem, o Tribunal a quo deu provimento ao recurso ministerial para cassar o benefício concedido (e-STJ fls. 40/53). Daí o presente writ, no qual alega a defesa não ser retroativa a vedação às saídas temporárias para delitos hediondos com lastro na Lei n. 14.483/2024 (e-STJ fl. 5). Requer, liminarmente e no mérito, o restabelecimento da decisão de primeiro grau que deferiu saídas temporárias ao paciente (e-STJ fl. 7). É o relatório. Decido. Esta Sexta Turma entende que não retroage a Lei n. 14.843/2024 para obstar a concessão de saídas temporárias por delitos cuja condenação seja anterior à referida norma. Confira-se: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. SAÍDA TEMPORÁRIA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N. 14.843/2024. IMPOSSIBILIDADE. NOVATIO LEGIS IN PEJUS. CONSTRANGIMENTO ILEGAL. ORDEM CONCEDIDA. I. CASO EM EXAME 1. Habeas corpus impetrado em favor de Wagner Luiz da Rocha contra decisão da Quinta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina que, ao dar provimento ao agravo em execução ministerial, revogou as saídas temporárias concedidas ao paciente, com fundamento na aplicação retroativa da Lei n. 14.843/2024. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em verificar a possibilidade de aplicação retroativa do § 2º do art. 122 da Lei de Execução Penal, com redação dada pela Lei n. 14.843/2024, que torna mais gravosa a execução da pena, pois veda o gozo das saídas temporárias. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A Lei n. 14.843/2024, ao modificar o § 2º do art. 122 da Lei de Execução Penal, recrudesce a execução da pena ao vedar a concessão de saídas temporárias para condenados por crimes hediondos ou cometidos com violência ou grave ameaça contra pessoa. 4. A aplicação retroativa dessa norma constitui novatio legis in pejus, vedada pela Constituição Federal (art. 5º, XL) e pelo Código Penal (art. 2º). 5. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF) firmou entendimento de que normas mais gravosas não podem retroagir para prejudicar o executado, conforme a Súmula 471/STJ e precedentes correlatos. 6. No caso concreto, os crimes pelos quais o paciente foi condenado ocorreram antes da vigência da Lei n. 14.843/2024, o que impede a aplicação retroativa das novas restrições à saída temporária. IV. DISPOSITIVO E TESE 7. Ordem concedida. Tese de julgamento: 1. O § 2º do art. 122 da Lei de Execução Penal, com redação dada Lei n. 14.843/2024, torna mais restritiva a execução da pena, restringindo o gozo das saídas temporárias aos condenados por crimes hediondos ou cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, não pode ser aplicado retroativamente a fatos ocorridos antes de sua vigência, em respeito ao princípio da irretroatividade da lei penal mais gravosa. Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, XL; CP, art. 2º; LEP, art. 122, § 2º, com redação dada pela Lei n. 14.843/2024. Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmula 471; RHC n. 200.670/GO, Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 23/8/2024; HC n. 373.503/SP, Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe de 15/2/2017; STJ, AgRg no REsp n. 2.011.151/SC, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 13/9/2022. (HC n. 932.864/SC, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 10/9/2024, DJe de 13/9/2024.) No mesmo sentido, o seguinte julgado da Suprema Corte: HABEAS CORPUS. DECISÃO INDIVIDUAL DE MINISTRO DO STJ. SUBSTITUTIVO DE AGRAVO REGIMENTAL. MATÉRIA NÃO APRECIADA PELO ÓRGÃO APONTADO COMO COATOR. DUPLA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INADEQUAÇÃO DA VIA. EXECUÇÃO PENAL. SAÍDA TEMPORÁRIA E TRABALHO EXTERNO. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA (LEI Nº 14.843, DE 2024). IRRETROATIVIDADE DA LEI PENAL MAIS GRAVOSA (ARTS. 5º, INC. XL, DA CRFB E 2º, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CP). PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA NA FASE EXECUTÓRIA. ILEGALIDADE MANIFESTA. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. CONCESSÃO DA ORDEM, DE OFÍCIO. (STF, HC 240.770 MG, Min. Rel. ANDRÉ MENDONÇA, DJe 28/5/2024) No caso em tela, lastreada a cassação do benefício com espeque na retroação da lei em comento, de rigor o restabelecimento da saída temporária conforme exposto alhures. Ante todo o exposto, concedo a ordem para cassar o acórdão hostilizado e restabelecer a decisão de e-STJ fls. 12/13. Publique-se. Intimem-se. EMENTA