AREsp 1924053 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque o Tribunal de origem examinou de forma fundamentada as questões suscitadas (não havendo omissão prevista no art. 1.022 do CPC/2015), manteve-se a conclusão de que houve falha na prestação do serviço e dano moral com base nas provas dos autos (impedindo reexame em recurso especial...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 16 December 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Em Turma (decisão Colegiada)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Seguro Saúde Coletivo Empresarial, Dano Moral, Recursos Especiais E Agravo Interno, Manutenção De Cobertura De Plano De Saúde, Súmula 7 Do STJ, Art. 1.022 Do Cpc/2015, Portabilidade E Ofertas De Plano Individual
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Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Em Turma (decisão Colegiada)
Legal Issues
- 1 Alegada violação do art. 1.022 do CPC/2015 por omissão
- 2 Possibilidade de manutenção da cobertura de plano coletivo para beneficiário em estado grave após o decurso do prazo legal previsto no art. 30, §1º, da Lei nº 9.656/1998
- 3 Obrigação da operadora de ofertar plano individual quando não comercializa essa modalidade
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque o Tribunal de origem examinou de forma fundamentada as questões suscitadas (não havendo omissão prevista no art. 1.022 do CPC/2015), manteve-se a conclusão de que houve falha na prestação do serviço e dano moral com base nas provas dos autos (impedindo reexame em recurso especial por força da Súmula 7 do STJ), e afastou-se a obrigação de a operadora ofertar plano individual quando não o comercializa, reconhecendo, porém, o dever de manter a cobertura enquanto perdurar o tratamento do beneficiário em estado grave.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Conhecer do agravo e dar parcial provimento ao recurso especial para afastar a obrigação da operadora de ofertar plano individual, reconhecendo o dever de manutenção da cobertura até a conclusão do tratamento do beneficiário.
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Luis Felipe Salomão, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Marco Buzzi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Luis Felipe Salomão.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno (e-STJ fls. 628/640) interposto contra decisão desta relatoria (e-STJ fls. 619/625) que deu parcial provimento ao recurso especial. Em suas razões, aagravantesuscitaviolação do art. 1.022 do CPC/2015, considerando omisso o Tribunal de origem por não se pronunciar acerca das teses de impossibilidade de continuidade no contrato após o prazo legal e deinexistência de danos morais. Reitera que seria lícita a rescisão do convênio por ela operada. Sustenta, ainda, que há jurisprudência consolidada no âmbito do STJ quanto ao prazo máximo de permanência do empregado demitido sem justa causa (24meses). Nesse contexto, considera que "a orientação do tribunal não se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida, pelo contrário, a decisão agravada vai em sentido contrário à determinação do tribunal"(e-STJ fl. 634). Alega a inexistência de danos morais, defendendoa impossibilidade de aplicação daSúmulan. 7 do STJ. Busca, em suma, seja provido o agravo interno, a fim de(e-STJ fl. 638): .. reconsiderar o r. despacho agravado, de modo a dar provimento ao recurso especial da ora agravante. Caso, porém, assim não se entenda, o que se admite para efeitos de argumentação, pede-se seja submetido o presente agravo interno à Terceira Turma desse Eg. Tribunal, que certamente lhe dará provimento para os fins declinados Ao final, pedea reconsideração da decisão monocrática ou a apreciação do agravo pelo Colegiado. O agravadoapresentou contrarrazões (e-STJ fls. 643/664), requerendo a aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, bem como a majoraçãodoshonorários sucumbenciais. É o relatório. EMENTA PROCESSO CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SEGURO SAÚDE COLETIVO EMPRESARIAL. APRECIAÇÃO DE TODAS AS QUESTÕES RELEVANTES PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE AFRONTA AO ART. 1.022 DO CPC/2015.DANO MORAL. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ.FALHA NO SERVIÇO PRESTADO. OCORRÊNCIA. BENEFICIÁRIO EM ESTADO GRAVE DE SAÚDE. SÚMULA N. 83 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. 1. Inexiste afronta ao art. 1.022 do CPC/2015 quando o acórdão recorrido pronuncia-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas nos autos, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. 2. O Tribunal de origem, ao dirimir a controvérsia, mediante o exame dos elementos informativos da demanda, entendeu queteria ocorrido o dano moral. Tal conclusão não se desfaz sem o reexame das provas produzidas nos autos, o que é vedado em recurso especial (Súmula n. 7 do STJ). 3. "O plano de saúde coletivo pode ser rescindido ou suspenso imotivadamente (independentemente da existência de fraude ou inadimplência), após a vigência do período de doze meses e mediante prévia notificação do usuário com antecedência mínima de sessenta dias (artigo 17 da Resolução Normativa ANS 195/2009). Nada obstante, no caso de usuário em estado de saúde grave, independentemente do regime de contratação do plano de saúde (coletivo ou individual), deve-se aguardar a conclusão do tratamento médico garantidor da sobrevivência e/ou incolumidade física para se pôr fim à avença" (AgInt no AREsp 1.433.637/SP, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 16/5/2019, DJe 23/5/2019). 4. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO A insurgência não merece ser acolhida. A agravantenão trouxenenhum argumento capaz de afastar os termos da decisão agravada, motivo pelo qual deve ser mantida por seus próprios fundamentos (e-STJ fls. 619/625): Trata-se de agravo nos próprios autos interposto contra decisão que inadmitiu recurso especial por: (i) inexistência de violação do art. 1.022 do CPC/2015 e (ii) aplicação das Súmulas n. 5 e 7 do STJ (e-STJ fls. 533/538). O TJRJ negou provimento ao recurso da parte recorrente, conforme ementa a seguir (e-STJ fls. 431/432): SEGURO SAÚDE COLETIVO EMPRESARIAL. BENEFICIÁRIO. DEMISSÃO SEM JUSTA CAUSA. CANCELAMENTO DO CONTRATO APÓS PRORROGAÇÃO TEMPORÁRIA SEM OFERTA DE MIGRAÇÃO PARA PLANO INDIVIDUAL. FALHA NO SERVIÇO PRESTADO. PORTABILIDADE POSSÍVEL. DANO MORAL. DEVER DE INDENIZAR. Ação proposta pelo recorrido, beneficiário de seguro saúde empresarial que permaneceu no plano por aproximadamente seis meses após sua demissão sem justa causa, com o fito de compelir a apelante a manter o serviço nos moldes até então disponibilizados ou a lhe fornecer um contrato individual ou familiar, tendo em vista que a mesma cancelou o contrato após o transcurso do prazo legal sem lhe informar que poderia exercer o direito à portabilidade. A sentença de parcial procedência deve ser mantida como prolatada. 1. A falta de informação sobre a portabilidade restou incontroversa, na medida em que a operadora deixou implícito que não fizera qualquer oferta nesse sentido ao sustentar que cumpria à parte contrária, por sua própria iniciativa, fazer tal solicitação. 2. Ocorre que a Resolução CONSU nº 19/99, em seu art. 1º, dispõe que as administradoras dos planos coletivos, em caso de cancelamento, deverão disponibilizar plano ou seguro de assistência à saúde na modalidade individual ou familiar ao universo de beneficiários, sem necessidade de cumprimento de novos prazos de carência. 3. E em atenção à função social do contrato de saúde, nos moldes do art. 421 do Código Civil, e para evitar o desamparo do empregado demitido e de seus dependentes após o término do prazo de prorrogação temporária do plano coletivo empresarial, a Agência Nacional de Saúde Suplementar assegurava então, nos termos do art. 7º-C da RN nº 186/2009, a portabilidade especial de carências para no plano de saúde individual ou familiar ou coletivo por adesão, na mesma ou em outra operadora desde que a transferência seja requerida durante o período de manutenção da condição de beneficiário garantida pelos artigos 30 e 31 da Lei nº 9.656/1998 4. Além disso, o art. 3º, §3º, da referida resolução nº 186/2009, impunha à operadora do plano de origem o deve r comunicar a data inicial e final do período de portabilidade. A atual RN nº 438/18, em seu art. 8º, inc. III, §1º, dispõe no mesmo sentido. 5. Ao se manter inerte, a apelante surpreendeu o autor, que de forma abrupta viu -se ameaçado de não poder mais contar com o tipo de proteção à saúde indispensável à continuidade do tratamento da paralisia cerebral diplégica espástica que o acomete, situação que deixa patente a falha no serviço prestado. 5. O dano moral encontra-se in re ipsa. 6. O arbitramento da satisfação pecuniária deve ser mantido, posto que realizado em consonância com as peculiaridades do caso concreto, segundo os parâmetros fornecidos pelos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Recurso desprovido. Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ fls. 488/490). No recurso especial (e-STJ fls. 492/507), interposto com fundamento no art. 105, III, "a", da CF, a parte suscitou violação do art. 1.022 do CPC/2015, alegando indevida omissão sobre tema relevante. Apontou afronta dos arts. 30, § 1º, da Lei n. 9.656/1998 e 478 do CC/2002, argumentando, em síntese, que o prazo máximo de permanência do empregado demitido sem justa causa é de 24 (vinte e quatro) meses, o que inviabiliza a oferta de plano na modalidade individual. Sustenta, nesse contexto, que a operadora não comercializa plano individual, não podendo ser obrigada a ofertar tal modalidade. Por fim, alegou ofensa aos arts. 186, 188, I, e 927 do CC/2002, aduzindo a inexistência de dano moral indenizável, pois não foi praticado nenhum ato ilícito. Foram oferecidas contrarrazões (e-STJ fls. 520/531). No agravo (e-STJ fls. 557/562), foram refutados os fundamentos da decisão agravada. Foi apresentada contraminuta (e-STJ fls. 571/583). É o relatório. Decido. O recurso merece acolhida. I - Negativa de prestação jurisdicional Inicialmente, afasta-se a alegação de negativa de prestação jurisdicional. Não se verifica ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015, quando o Tribunal decide, de modo claro e fundamentado, as questões essenciais ao deslinde do feito. Ademais, não se deve confundir decisão contrária aos interesses da parte com negativa de prestação jurisdicional. Nesse sentido, os seguintes precedentes do Superior Tribunal de Justiça: AgInt no REsp 1750080/MG, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/08/2020, DJe 21/08/2020; AgInt no AREsp 1507690/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 15/06/2020, DJe 01/07/2020. II - Falha na prestação do serviço No mérito, cinge-se a controvérsia ao período de manutenção de plano de saúde de empregado demitido sem justa causa, após o prazo de 24 (vinte e quatro) meses previsto no art. 30, § 1º, da Lei n. 9.656/1998. A Corte de origem considerou que (e-STJ fls. 434/436): O autor afirmou que durante o período posterior a sua demissão sem justa causa, no qual permaneceu temporariamente segurado por força do regramento contido no art. 30, §1º, da Lei nº 9.656/98, não foi informado sobre a possibilidade de migração para um plano de saúde individual ou familiar. Tal fato restou incontroverso, na medida em que a operadora deixou implícito que não fizera qualquer oferta nesse sentido ao sustentar que cumpria à parte contrária, por sua própria iniciativa, fazer tal solicitação. De qualquer modo, equivoca -se a recorrente ao sustentar essa tese defensiva. A Resolução CONSU nº 19/99, em seu art. 1º, dispõe que as administradoras dos planos coletivos, em caso de cancelamento, deverão disponibilizar plano ou seguro de assistência à saúde na modalidade individual ou familiar ao universo de beneficiários, sem necessidade de cumprimento de novos prazos de carência. Assim, mesmo que não comercialize plano de saúde individual aberto, a operadora tem o dever de ofertar essa modalidade de contratação para atendimento dos casos especificados nesse ato normativo, sob pena de violação do direito à saúde e da dignidade da pessoa humana. Em atenção à função social do contrato de saúde, nos moldes do art. 421 do Código Civil, e para evitar o desamparo do empregado demitido e de seus dependentes após o término do prazo de prorrogação temporária do plano coletivo empresarial, a Agência Nacional de Saúde Suplementar assegurava então, nos termos do art. 7º-C da RN nº 186/2009, a portabilidade especial de carências para no plano de saúde individual ou familiar ou coletivo por adesão, na mesma ou em outra operadora desde que a transferência seja requerida durante o período de manutenção da condição de beneficiário garantida pelos artigos 30 e 31 da Lei nº 9.656/1998 .. Assim, à luz desses regramentos, cumpria à recorrente oferecer ao beneficiário a possibilidade de migrar para o plano de saúde na modalidade individual ou familiar. Ao manter-se inerte, surpreendeu o autor, que de forma abrupta viu-se ameaçado de não poder mais contar com o tipo de proteção à saúde até então propiciada, situação que deixa patente a falha no serviço prestado. O demandante foi submetido à intensa angústia decorrente da incerteza quanto à continuidade da cobertura indispensável ao tratamento da paralisia cerebral diplégica espástica que o acomete. O ocorrido não pode ser considerado um mero aborrecimento. Por tais motivos, considerou devida a migração/portabilidade para plano individual, ainda que a operadora não comercialize planos nessa modalidade. Divergiu, todavia, da jurisprudência desta Corte Superior, no sentido de que a operadora não pode ser obrigada a ofertar contrato individual quando não comercializa planos dessa natureza. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PLANO DE SAÚDE EMPRESARIAL COLETIVO. MANUTENÇÃO PROVISÓRIA DE EMPREGADA DEMITIDA SEM JUSTA CAUSA NA CONDIÇÃO DE BENEFICIÁRIA. OBRIGAÇÃO DA OPERADORA DE DISPONIBILIZAR PLANO INDIVIDUAL APÓS O PERÍODO DE PERMANÊNCIA. INEXISTÊNCIA. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL QUANTO À UMA DAS OBRIGAÇÕES COMINATÓRIAS RECONHECIDAS NA ORIGEM. CABIMENTO. RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE DO QUANTUM ARBITRADO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. O plano de saúde coletivo pode ser rescindido ou suspenso imotivadamente (independentemente da existência de fraude ou inadimplência), após a vigência do período de doze meses e mediante prévia notificação do usuário com antecedência mínima de sessenta dias (artigo 17 da Resolução Normativa ANS 195/2009). .. 5. No caso dos autos, a usuária, após ser demitida sem justa causa, tinha direito de ser mantida no plano de saúde coletivo por seis meses. Em razão de tratamento médico decorrente de procedimento cirúrgico coberto, considerou-se correta a extensão provisória do prazo de sua manutenção na condição de beneficiária do plano coletivo. Contudo, após encerrado o tratamento médico pós-operatório, não há falar em obrigação da operadora em proceder à migração da usuária para plano de saúde individual ou familiar. Isso porque não ocorrida a hipótese de cancelamento do plano coletivo pelo empregador (§ 2º do artigo 26 da Resolução ANS 279/2011) e, ademais, independente de seus motivos, a operadora não comercializa planos de saúde individuais. .. 8. Agravo interno provido para admitir o agravo a fim de conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, dar-lhe parcial provimento, negando a pretensão autoral voltada ao fornecimento de plano individual substituto pela operadora, mantida a decisão atacada quanto ao mais. (AgInt no AREsp 885.463/DF, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 09/03/2017, DJe 08/05/2017.) Contudo, no caso dos autos, o Tribunal local afirmou expressamente que a parte autora encontra-se em tratamento de doença grave (paralisia cerebral diplégica espástica). Em tais situações, a jurisprudência desta Corte Superior tem afirmado a impossibilidade, por exemplo, de rescisão imotivada do contrato coletivo, devendo ser mantido até a conclusão do tratamento. Confiram-se: AgInt no REsp 1903727/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/03/2021, DJe 25/03/2021; AgInt no REsp 1890669/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 08/03/2021, DJe 26/03/2021. Em outra hipótese, quando o plano era custeado exclusivamente pelo exempregador, esta Corte afirmou: "ainda que o ex-empregado aposentado não tenha direito à permanência no plano de saúde, deve ser mantida a cobertura enquanto submetido a tratamento de doença grave" (AgInt no REsp n. 1.882.719/SP, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 12/04/2021, DJe 15/04/2021). O mesmo entendimento tem sido aplicado aos casos de empregado demitido sem justa causa após o prazo de 24 (vinte e quatro) meses. Veja-se: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. TEMA AFETADO AO JULGAMENTO DE RECURSO ESPECIAL REPETITIVO, SEM DETERMINAÇÃO DE SUSPENSÃO DE PROCESSOS. DECURSO DO PRAZO FIXADO NO ART. 30, § 1º, DA LEI Nº 9.656/1998. OBRIGAÇÃO DA OPERADORA DO PLANO DE SAÚDE DE ASSEGURAR A DISPONIBILIDADE DE UM PLANO NA MODALIDADE INDIVIDUAL OU FAMILIAR ENQUANTO PERDURAR A NECESSIDADE DE TRATAMENTO MÉDICO DE EMERGÊNCIA OU DE URGÊNCIA, SEM NOVOS PRAZOS DE CARÊNCIA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo nº 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. A Segunda Seção, aos 18/2/2020, afetou o REsp nº 1.836.823/SP ao rito dos recursos especiais repetitivos delimitando a controvérsia nos seguintes termos: definir a (im)possibilidade de prorrogação do prazo de cobertura previsto no § 1º do art. 30 da Lei nº 9.656/98 na hipótese de o beneficiário continuar precisando de constante tratamento médico para a moléstia que o acomete. 3. Na oportunidade, não foi determinada a suspensão, em âmbito nacional, do andamento dos processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão afetada. 4. A resilição unilateral do plano de saúde, mediante prévia notificação, não obstante seja em regra válida, revela-se abusiva quando realizada durante o tratamento médico que possibilite a sobrevivência ou a manutenção da incolumidade física do beneficiário ou dependente. 5. Referida conclusão se impõe mesmo quando esgotado o prazo a que se refere o art. 31, § 1º, da Lei nº 9.656/98. Súmula nº 83 do STJ. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1903742/SP, Rel. Ministro MOURA RIBEIRO, TERCEIRA TURMA, julgado em 12/04/2021, DJe 15/04/2021.) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE COLETIVO EMPRESARIAL. EMPREGADO DEMITIDO SEM JUSTA CAUSA. DESLIGAMENTO. POSSIBILIDADE. BENEFICIÁRIO EM TRATAMENTO. EXCEÇÃO. BOA-FÉ. PRECEDENTES. NÃO PROVIMENTO. 1. A operadora de plano de saúde pode encerrar o contrato de assistência à saúde do trabalhador demitido sem justa causa após o exaurimento do prazo legal de permanência temporária no plano coletivo, em razão da extinção do direito assegurado pelo art. 30 da Lei nº 9.656/1998. 2. "Nada obstante, no caso de usuário internado, independentemente do regime de contratação do plano de saúde (coletivo ou individual), dever-se-á aguardar a conclusão do tratamento médico garantidor da sobrevivência e/ou incolumidade física para se pôr fim à avença" (AgInt no AREsp 885.463/DF, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, Rel. p/ acórdão Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 9/3/2017, DJe 8/5/2017). 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1824569/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 30/03/2020, DJe 02/04/2020.) Assim deve ser afastada a obrigação de migração para plano individual, pois não comercializado, porém reconhecendo a obrigação de manter a cobertura até a conclusão do tratamento a que está submetida a parte autora. III - Dos danos morais No que tange ao dano moral, o recurso especial encontra óbice na Súmula n. 7 do STJ. Registre-se que, apesar do provimento no tópico anterior, manteve-se a conclusão da impossibilidade de encerramento da cobertura durante o tratamento do beneficiário. Esse foi, justamente, o fundamento utilizado pela Corte de origem para considerar presente o dano moral. Veja-se (e-STJ fl. 436): O demandante foi submetido à intensa angústia decorrente da incerteza quanto à continuidade da cobertura indispensável a o tratamento da paralisia cerebral diplégica espástica que o acomete. O ocorrido não pode ser considerado um mero aborrecimento. A operadora deve ser responsabilizada pelo atingimento da sua dignidade. O dano moral encontra-se in re ipsa, e o arbitramento da satisfação pecuniária foi feito de forma razoável e proporcional, mostrando -se, ainda, suficiente para sinalizar a reprovação da conduta da recorrente, sem propiciar uma fonte indevida de lucro. Como se vê, diante do conteúdo fático-probatório constante dos autos, o órgão julgador concluiu ter sido demonstrado o dano moral indenizável. Derruir as conclusões a que chegou o Tribunal de origem e acolher a pretensão recursal ensejaria o necessário revolvimento das provas constantes dos autos, providência vedada em sede de recurso especial, ante o óbice estabelecido pela Súmula n. 7 do STJ. Em face do exposto, CONHEÇO do agravo e DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial, a fim de afastar a obrigação da operadora de ofertar plano individual, reconhecendo, todavia, o dever de cobertura até a conclusão do tratamento. Publique-se e intimem-se. De acordo com a jurisprudência do STJ, não há ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível, soluciona integralmente a controvérsia, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confiram-se: AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.094.857/SC, TERCEIRA TURMA, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, DJe de 2/2/2018, e AgInt no AREsp n. 1.574.278/RS, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, DJe de 13/2/2020. O acórdão recorrido decidiu, fundamentada e expressamente, acerca da possibilidade de continuidade do contrato após o prazo legal, bem como da existência de danos morais. Assim, não há falar em violação do art. 1.022 do CPC/2015. Ademais, consoante consta da decisão agravada, a pretensão da parte agravante, quanto à inexistência de danos morais,esbarraria na Súmula n. 7 do STJ. O Tribunal de origem, dadas as particularidades do caso concreto, reconheceu o dano moral, tendo em vista a impossibilidade de encerramento da cobertura durante o tratamento do beneficiário. Confira-se trecho do acórdão recorrido nesse sentido (e-STJ fl. 436): O demandante foi submetido à intensa angústia decorrente da incerteza quanto à continuidade da cobertura indispensável a o tratamento da paralisia cerebral diplégica espástica que o acomete.O ocorrido não pode ser considerado um mero aborrecimento. A operadora deve ser responsabilizada pelo atingimento da sua dignidade. O dano moral encontra-se in re ipsa, e o arbitramento da satisfação pecuniária foi feito de forma razoável e proporcional, mostrando -se, ainda, suficiente para sinalizar a reprovação da conduta da recorrente, sem propiciar uma fonte indevida de lucro. Embora a parte alegue que a pretensão não demanda nova análise de prova, seu acolhimento, na verdade, seria possível apenas mediante reexame fático-probatório. Isso porque a apreciação das alegações do presente agravo, a fim de afastar as conclusões do TJRJe reconhecer a inexistência de danos morais, exigiria o revolvimento das provas carreadas aos autos, atraindo a Súmula n. 7 do STJ. Por fim, oacórdão da Corte de origem encontra-se em consonância com o atual entendimento do STJ, segundo o qual "o plano de saúde coletivo pode ser rescindido ou suspenso imotivadamente (independentemente da existência de fraude ou inadimplência), após a vigência do período de doze meses e mediante prévia notificação do usuário com antecedência mínima de sessenta dias (artigo 17 da Resolução Normativa ANS 195/2009). Nada obstante, no caso de usuário em estado de saúde grave, independentemente do regime de contratação do plano de saúde (coletivo ou individual), deve-se aguardar a conclusão do tratamento médico garantidor da sobrevivência e/ou incolumidade física para se pôr fim à avença" (AgInt no AREsp 1.433.637/SP, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 16/5/2019, DJe 23/5/2019). No caso, o Tribunal a quo reconheceu expressamente que a parte autora encontra-se em tratamento de doença grave (e-STJ fl. 436). Além disso, contra o referido entendimento, a agravante alegou que a orientação presente na decisão agravada vai em sentido contrário à determinação do entendimento majoritário doSTJ, colacionando julgado que nemsequer diz respeito à controvérsia em questão. Não prosperam, portanto, as alegações constantes no recurso, incapazes de alterar os fundamentos da decisão impugnada. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. Deixo de aplicar a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, uma vez que a parte agravante apenas exerceu seu direito de petição, o que não constitui ato protelatório a ensejar a sanção processual prevista no referido dispositivo. Quanto ao pedido da parte agravada, nos termos da jurisprudência desta Corte, não haverá majoração de honorários recursais prevista no art. 85, § 11, do CPC/2015 no julgamento de agravo interno e de embargos de declaração. É como voto.