AREsp 371960 - DECISAO
Conhecer do agravo, admitir em parte o recurso especial e dar-lhe parcial provimento para afastar a conclusão de que a Tabela Price, por si só, determina a capitalização de juros; anular a sentença e o acórdão recorrido e determinar o retorno dos autos à origem para realização de perícia contábil destinada a...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 April 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial / Decisão Que Conheceu Do Agravo E Deu Parcial Provimento Ao Recurso Especial, Com Anulação Da Sentença E Do Acórdão E Determinação De Retorno Dos Autos Para Perícia Contábil
- Outcome
- Conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Sistema Financeiro Da Habitação, Tabela Price, Capitalização De Juros (anatocismo), Amortização Negativa, Perícia Contábil, Aplicação Do Código De Defesa Do Consumidor
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Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Negou Seguimento Ao Recurso Especial / Decisão Que Conheceu Do Agravo E Deu Parcial Provimento Ao Recurso Especial, Com Anulação Da Sentença E Do Acórdão E Determinação De Retorno Dos Autos Para Perícia Contábil
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor aos contratos de financiamento imobiliário
- 2 Se a utilização da Tabela Price implica, por si só, capitalização de juros (anatocismo)
- 3 Necessidade de produção de prova pericial para verificação de capitalização de juros e amortização negativa
Ratio Decidendi
Conhecer do agravo, admitir em parte o recurso especial e dar-lhe parcial provimento para afastar a conclusão de que a Tabela Price, por si só, determina a capitalização de juros; anular a sentença e o acórdão recorrido e determinar o retorno dos autos à origem para realização de perícia contábil destinada a verificar se houve capitalização de juros (anatocismo) ou amortização negativa, com elaboração de nova planilha e posterior prolação de nova sentença.
Court Disposition
Conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso especial.
Orders
- Anular a sentença e o acórdão recorrido
- Determinar o retorno dos autos à origem para realização de perícia contábil nos termos da fundamentação deste voto, com verificação mês a mês da evolução do financiamento e apuração de eventual incorporação de juros ao capital
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DECISÃO Trata-se de agravo contra decisão que negou seguimento ao recurso especial interposto em face de acórdão assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL. SISTEMA FINANCEIRO DA HABITAÇÃO. REVISÃO CONTRATUAL. 1. Aplicam-se as normas do CDC aos contratos de financiamento imobiliário. 2. Inviável a utilização da Tabela Price para a amortização dos contratos de financiamento imobiliário, diante da vedação ao anatocismo. Precedentes. 3. Não tendo sido demonstrada má-fé da instituição financeira ao exigir os valores previstos no contrato firmado entre os litigantes, não há falar em repetição em dobro dos valores pagos a maior (CDC, art. 42, par. único). 4. Verificada a efetiva existência de irregularidade no pacto firmado entre os litigantes, deve ser vedada a inscrição do nome dos mutuários nos órgãos de restrição ao crédito, até que venha a ser definido o valor correto da contraprestação decorrente do financiamento imobiliário. Anoto, de início, que a ora agravante não indicou clara e precisamente as razões pelas quais entende que o artigo 2º do Código de Defesa do Consumidor foi violado, limitando-se a alegações genéricas, o que atrai a incidência da Súmula 284/STF (cf. AgRg no AREsp 189.299/SP, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 28.8.2012, DJe 5.9.2012). Anoto, por outro lado, que, em caso de dissídio notório, situação destes autos, os requisitos para conhecimento do recurso especial pela divergência jurisprudencial comportam temperamento. Nesse sentido: RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CORRETAGEM IMOBILIÁRIA. PREQUESTIONAMENTO E DISSÍDIO NOTÓRIO COM A JURISPRUDÊNCIA FIRMADA NO ÂMBITO DO STJ. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. RELAÇÃO DE CONSUMO. INFORMAÇÃO ADEQUADA E CLARA. DIREITO BÁSICO DO CONSUMIDOR. PACTUAÇÃO DE COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL INTERMEDIADA POR CORRETOR DE IMÓVEIS. DESISTÊNCIA MOTIVADA, ANTES DA ASSINATURA DA ESCRITURA. COBRANÇA DE COMISSÃO DE CORRETAGEM. INVIABILIDADE. ART. 725 DO CC. INTERPRETAÇÃO QUE DEMANDA HARMONIZAÇÃO COM O ART. 723 DO MESMO DIPLOMA, 6º DO CDC E 20 DA LEI N. 6.530/1978. 1. Tratando-se de dissídio notório com a jurisprudência firmada no âmbito do próprio Superior Tribunal de Justiça, admite-se a mitigação dos requisitos exigidos para a interposição do recurso pela alínea "c" do permissivo constitucional, especialmente quando os elementos contidos no recurso são suficientes para se concluir que os julgados confrontados conferiram tratamento jurídico distinto à similar situação fática. (..) (REsp 1364574/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 24/10/2017, DJe 30/11/2017) AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL NOTÓRIO. REQUISITOS FORMAIS. FLEXIBILIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ENUNCIADO N.º 284/STF. MULTA DO ART. 475-J DO CPC. DEVIDA. 1. Possível o conhecimento do recurso especial interposto com arrimo na alínea "c" do permissivo constitucional, quando, além de notório, é perfeitamente inteligível o dissídio jurisprudencial suscitado. (..) (AgInt no REsp 1456140/SP, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 18/08/2016, DJe 23/08/2016) Conheço, pois, do agravo para conhecer, em parte, do recurso especial, e, adianto, a ele dou provimento. Com efeito, a utilização da Tabela Price, para o cálculo das prestações da casa própria, não é proibida pela Lei de Usura (Decreto 22.626/33) e não enseja, por si só, a incidência de juros sobre juros. Nesse sentido: CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SISTEMA FINANCEIRO DA HABITAÇÃO. ATUALIZAÇÃO DE SALDO DEVEDOR. TAXA REFERENCIAL. POSSIBILIDADE. AMORTIZAÇÃO. TABELA PRICE. LEGALIDADE. 1. É firme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de admitir-se, nos contratos imobiliários do Sistema Financeiro da Habitação, a TR como fator de atualização monetária quando este for o índice ajustado contratualmente. 2. Não é ilegal a utilização da tabela Price para o cálculo das prestações da casa própria, pois, por meio desse sistema, o mutuário sabe o número e os valores das parcelas de seu financiamento. Todavia, tal método de cálculo não pode ser utilizado com o fim de burlar o ajuste contratual, utilizando-se de índice de juros efetivamente maiores do que os ajustados. 3. Recurso especial provido. (REsp 755.340/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/10/2005, DJ 20/02/2006, p. 309) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. SISTEMA FINANCEIRO DA HABITAÇÃO. TABELA PRICE. LEGALIDADE. ANATOCISMO. SÚMULAS NS. 5 E 7 DO STJ. 1. A utilização do Sistema Francês de Amortização, Tabela Price, para o cálculo das prestações da casa própria, não é ilegal e não enseja, por si só, a incidência de juros sobre juros. 2. Na hipótese de o valor da prestação ser insuficiente para cobrir a parcela relativa aos juros, estes deverão ser lançados em conta separada sobre a qual incidirá apenas correção monetária, a fim de evitar a prática de anatocismo. 3. Contudo, esta Corte, por ocasião do julgamento de recurso submetido ao regime do art. 543 do CPC, assentou a impossibilidade de o STJ analisar a existência de capitalização de juros com a utilização da Tabela Price, em razão da incidência das Súmulas ns. 5 e 7 do STJ (REsp n. 1.070.297/PR, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 9/9/2009, DJe 18/9/2009). 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1411490/SC, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 06/09/2012, DJe 13/09/2012) Ocorre que, nos contratos do sistema financeiro da habitação, em que o critério de reajuste monetário das prestações for diferente do critério de atualização do saldo devedor, do que é exemplo emblemático o hoje extinto Plano de Equivalência Salarial, há um desequilíbrio decorrente da histórica defasagem entre o reajuste dos salários e o índice de inflação adotado contratualmente para a correção do saldo devedor. Assim, no decorrer da relação contratual, frequentemente o valor da prestação mensal está tão aviltado que não paga sequer a parcela de juros vencidos no período. Nessa hipótese, ocorrerá amortização negativa, com os juros vencidos integrando o saldo devedor, sobre o qual haverá nova incidência de juros. O mesmo sucederá em caso de inadimplência do mutuário. Não sendo pagas as prestações, os juros e a correção monetária serão incorporados ao saldo devedor, sobre o qual incidirão novos juros. Acontecerá, então, o anatocismo - cobrança de juros sobre juros - vedado pelo art. 4º do Decreto 22.626/33. A amortização negativa não é, pois, consequência do mero emprego da fórmula Tabela Price, mas do descompasso entre a correção do encargo mensal e do saldo devedor, ou da inadimplência do mutuário ou de ambos os motivos. Nem todo o valor da amortização negativa resultará na incorporação de juros vencidos e não pagos ao capital, pois é possível que nem o valor da correção monetária seja quitado pela prestação mensal. Nesse caso, não constituirá anatocismo a incidência de juros sobre a correção monetária não paga incorporada ao saldo devedor. O Plano de Equivalência Salarial, gerador de tão significativa distorção, não é mais adotado, mas subsiste em grande número de antigos contratos ainda vigentes. A solução que a jurisprudência encontrou para afastar a capitalização de juros nesses casos, e em quaisquer outros em que haja juros vencidos não pagos, foi a determinação de que os juros vencidos não quitados pela prestação mensal sejam contabilizados em conta separada, sujeita apenas à correção monetária. Nesse sentido, entre muitos outros: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO. LANÇAMENTO DOS JUROS NÃO-PAGOS EM CONTA SEPARADA, COMO FORMA DE SE EVITAR A COBRANÇA DE JUROS SOBRE JUROS. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA PETITA. NÃO-OCORRÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO-PROVIDO. 1. O inconformismo diz respeito à solução jurídica adotada pelo aresto impugnado, que, ao constatar a existência de anatocismo decorrente da amortização negativa, determinou que a parcela dos juros não-paga seja acumulada em conta apartada, sujeita à correção monetária pelos índices contratuais, sem a incidência de novos juros. 2. Tal determinação é legítima e não ultrapassa os limites da lide; tão-somente explicita a fórmula para o afastamento da capitalização decorrente das amortizações negativas, não incidindo o acórdão em julgamento extra-petita. Precedente: AgRg no REsp 954.113/RS, Rel. Ministra Denise Arruda, DJe 22.9.2008. 3. Agravo regimental não-provido. (AgRg no REsp 1069407/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2008, DJe 11/02/2009) RECURSO ESPECIAL. SISTEMA FINANCEIRO DA HABITAÇÃO. SFH. CAPITALIZAÇÃO ANUAL DE JUROS. POSSIBILIDADE. ENCARGOS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO. ART. 354 CC 2002. ART. 993 CC 1916. 1. Interpretação do decidido pela 2ª Seção, no Recurso Especial Repetitivo 1.070.297, a propósito de capitalização de juros, no Sistema Financeiro da Habitação. 2. Segundo o acórdão no Recurso Repetitivo 1.070.297, para os contratos celebrados no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação até a entrada em vigor da Lei 11.977/2009 não havia regra especial a propósito da capitalização de juros, de modo que incidia a restrição da Lei de Usura (Decreto 22.626/33, art. 4º). Assim, para tais contratos, não é válida a capitalização de juros vencidos e não pagos em intervalo inferior a um ano, permitida a capitalização anual, regra geral que independe de pactuação expressa. Ressalva do ponto de vista da Relatora, no sentido da aplicabilidade, no SFH, do art. 5º da MP 2.170-36, permissivo da capitalização mensal, desde que expressamente pactuada. 3. No Sistema Financeiro da Habitação, os pagamentos mensais devem ser imputados primeiramente aos juros e depois ao principal, nos termos do disposto no art. 354 Código Civil em vigor (art. 993 Código de 1916). Entendimento consagrado no julgamento, pela Corte Especial, do Recurso Especial nº 1.194.402-RS (Relator Min. Teori Albino Zavascki), submetido ao rito do art. 543-C. 4. Se o pagamento mensal não for suficiente para a quitação sequer dos juros, a determinação de lançamento dos juros vencidos e não pagos em conta separada, sujeita apenas à correção monetária, com o fim exclusivo de evitar a prática de anatocismo, encontra apoio na jurisprudência atual do STJ. Precedentes. 5. Recurso especial provido. (REsp 1095852/PR, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 14/03/2012, DJe 19/03/2012) A Corte Especial no julgamento do RESP 1.124.552/RS, pelo rito do art. 543-C, decidiu pela necessidade de produção de prova pericial para a verificação da existência de capitalização de juros decorrente do emprego da Tabela Price. Eis a ementa do acórdão da lavra do eminente Ministro Luis Felipe Salomão: DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C DO CPC. RESOLUÇÃO STJ N. 8/2008. TABELA PRICE. LEGALIDADE. ANÁLISE. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. APURAÇÃO. MATÉRIA DE FATO. CLÁUSULAS CONTRATUAIS E PROVA PERICIAL. 1. Para fins do art. 543-C do CPC: 1.1. A análise acerca da legalidade da utilização da Tabela Price - mesmo que em abstrato - passa, necessariamente, pela constatação da eventual capitalização de juros (ou incidência de juros compostos, juros sobre juros ou anatocismo), que é questão de fato e não de direito, motivo pelo qual não cabe ao Superior Tribunal de Justiça tal apreciação, em razão dos óbices contidos nas Súmulas 5 e 7 do STJ. 1.2. É exatamente por isso que, em contratos cuja capitalização de juros seja vedada, é necessária a interpretação de cláusulas contratuais e a produção de prova técnica para aferir a existência da cobrança de juros não lineares, incompatíveis, portanto, com financiamentos celebrados no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação antes da vigência da Lei n. 11.977/2009, que acrescentou o art. 15-A à Lei n. 4.380/1964. 1.3. Em se verificando que matérias de fato ou eminentemente técnicas foram tratadas como exclusivamente de direito, reconhece- se o cerceamento, para que seja realizada a prova pericial. 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, na extensão, provido para anular a sentença e o acórdão e determinar a realização de prova técnica para aferir se, concretamente, há ou não capitalização de juros (anatocismo, juros compostos, juros sobre juros, juros exponenciais ou não lineares) ou amortização negativa, prejudicados os demais pontos trazidos no recurso. (REsp 1124552/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, CORTE ESPECIAL, julgado em 03/12/2014, DJe 02/02/2015) Consolidou-se, portanto, a jurisprudência do STJ no sentido de que havendo discussão acerca da "legalidade da utilização da Tabela Price - mesmo que em abstrato" - será imprescindível facultar-se às partes a prova pericial, não cabendo ao Juiz escolher a seu nuto entre uma teoria matemática ou outra sem valer-se da prova técnica. No tocante à capitalização de juros, conforme já exposto, não decorre ela da mera pactuação da Tabela Price como método de amortização. Competiria aos autores da ação provar que, ao longo da evolução do contrato, em determinado período, a prestação mensal não foi suficiente para cobrir os juros vencidos, de modo que teriam eles sido incorporados ao capital para a incidência de novos juros. Assim, conhecido o recurso especial, deve o STJ julgar a causa, aplicando o direito à espécie, sendo a ele devolvido o conhecimento das questões suscitadas pelas partes, a fim de evitar cerceamento de defesa (Regimento Interno, art. 257 e Súmula 456 do STF). Afastada a premissa do acórdão recorrido de que a capitalização de juros é inerente à Tabela Price, cumpre, aplicando o entendimento consagrado pela Corte Especial no REsp. 1.124.552/RS, anular a sentença e o acórdão recorrido e determinar o retorno dos autos à origem para que seja facultada aos autores a produção da prova pericial. Com efeito, ficou decidido no REsp. 1.124.552/RS que, "em contratos cuja capitalização de juros seja vedada, é necessária a interpretação de cláusulas contratuais e a produção de prova técnica para aferir a existência da cobrança de juros não lineares (..)" Caberá ao perito, na origem, tendo em conta os termos do contrato, verificar se foram corretamente aplicados todos os encargos pactuados. Deverá, analisando a evolução do financiamento mês a mês, observar se em algum momento o valor da prestação paga não foi suficiente para a quitação dos juros do período e se, nesse caso, houve a incorporação de juros vencidos e não pagos ao capital, para o efeito de incidência de novos juros. Caso tal tenha ocorrido, deverá elaborar nova planilha em que os juros de cada período não cobertos pela prestação sejam contabilizados em apartado, sobre eles incidindo apenas correção monetária. Merece prosperar, pois,o recurso especial, para o efeito de afastamento da premissa de que a Tabela Price, em si mesma, encerra a capitalização de juros vedada pela Lei de Usura, facultando-se aos autores a realização da prova pericial a ser requerida na origem. Em face do exposto, conheço do agravo e dou parcial provimento ao recurso especial para afastar a conclusão da ilegalidade do sistema de amortização mediante a aplicação da Tabela Price, adotada sem a necessária perícia, determinando que os autos retornem à origem para a realização de perícia contábil a ser elaborada nos termos descritos na fundamentação do presente voto, após o que deverá ser proferida nova sentença. Intimem-se.