REsp 2210745 - DECISAO
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem decidiu integralmente a lide sem omissão passível de aclaratório; a Caixa Econômica Federal manifestou interesse apenas quanto a contratos do Ramo 66/SFH específicos, os quais devem ser remetidos à Justiça Federal, enquanto o contrato da autora Nilsa...
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- Parties
- Recorrente: TRADITIO COMPANHIA DE SEGUROS; Autora: NILSA SALDANHA BRUCH; Terceira Interessada / Litisconsorte: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL; Autora (mencionada): ILDA KRAUSE; Autor (mencionado): JOÃO BORGES PINTO; Autor (mencionado): JOÃO MARIA DE SOUZA; Autor (mencionado): LUIS CARLOS MATOSO DOS SANTOS; Autora (mencionada): MARIA FERREIRA GUIMARÃES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 June 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Sistema Financeiro Da Habitação (sfh), Apólice Pública Vs Apólice Privada, Competência Da Justiça Federal, Intervenção Da Caixa Econômica Federal, Tema 1.011/stf, Embargos De Declaração E Art. 1.022 CPC, Súmulas 5 E 7 Do STJ
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Parties
TRADITIO COMPANHIA DE SEGUROS
Recorrente
NILSA SALDANHA BRUCH
Autora
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Terceira Interessada / Litisconsorte
ILDA KRAUSE
Autora (mencionada)
JOÃO BORGES PINTO
Autor (mencionado)
JOÃO MARIA DE SOUZA
Autor (mencionado)
LUIS CARLOS MATOSO DOS SANTOS
Autor (mencionado)
MARIA FERREIRA GUIMARÃES
Autora (mencionada)
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Se há competência da Justiça Federal para causas que discutem contrato de seguro vinculado à apólice pública quando a Caixa Econômica Federal manifesta interesse
- 2 Se o acórdão do Tribunal de origem padeceu de omissão, contradição ou obscuridade nos termos do art. 489, §1º, IV e VI e art. 1.022 do CPC
- 3 Se é possível o reexame de cláusulas contratuais e prova em recurso especial
Ratio Decidendi
O recurso especial não foi conhecido porque o Tribunal de origem decidiu integralmente a lide sem omissão passível de aclaratório; a Caixa Econômica Federal manifestou interesse apenas quanto a contratos do Ramo 66/SFH específicos, os quais devem ser remetidos à Justiça Federal, enquanto o contrato da autora Nilsa Saldanha não foi identificado como apólice pública e, por isso, permanece na Justiça Estadual. A revisão exigiria reexame de prova e de cláusulas contratuais, vedado em recurso especial à luz das Súmulas 5 e 7 do STJ, justificando o não conhecimento com fundamento no art. 255, § 4º, I, do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
recurso especial não conhecido
Orders
- Não conheço do recurso especial com fundamento no art. 255, § 4º, I, do Regimento Interno do STJ
- Intimem-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por TRADITIO COMPANHIA DE SEGUROS, com fundamento no art. 105, III, "a", da Constituição Federal, contra acórdão da 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná, assim ementado (fls. 674): JUÍZO DE RETRATAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL CÍVEL. SEGURO HABITACIONAL SFH TEMA 1011/STF. CONTROVÉRSIA RELATIVA A COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. CASO CONCRETO EM QUE PARTE DOS CONTRATOS SÃO DO RAMO PÚBLICO. INTERESSE DA CAIXA ECONÔMICA. MANIFESTAÇÃO EXPRESSA NOS AUTOS DA EMPRESA PÚBLICA. MANUTENÇÃO NA JUSTIÇA ESTADUAL SOMENTE COM RELAÇÃO AO CONTRATO FORA DA APÓLICE PÚBLICA. JUÍZO DE RETRATAÇÃO EXERCIDO PARA DAR PARCIAL PROVIMENTO AO AGRAVO REGIMENTAL CÍVEL. Nas razões recursais, alega-se violação ao disposto no art. 489, § 1º, IV e VI, e 1.022do Código de Processo Civil, porque "não sanou as omissões expressamente indicadas nas razões de aclaratórios (mov. 1.1 - 0049996-09.2024.8.16.0000 ED), no que toca à aplicação da tese 1.1 do TEMA STF 1011 e à ausência de desinteresse da CEF em intervir na lide em relação à autora NILSA SALDANHA BRUCH, pois que a mesma apenas informou que não logrou em localizar informações acerca da autora, uma vez que o imóvel trazido na exordial difere do imóvel cujo CADMUT foi localizado" (fl. 927). Reclama, também, de contrariedade ao art. 3º da Lei n. 13.000/2014. Para tanto, argumenta que "considerando que o feito discute coberturas do contrato de Seguro Habitacional do Sistema Financeiro da Habitação e que a seguradora indicou por diversas vezes o interesse da CEF nesta demanda, este processo deve ser imediatamente remetido de forma INTEGRAL para a Justiça Federal para processamento e julgamento, na forma definida no recente acórdão do STF destacado nesta petição" (fl. 944). Requer, ao final, o provimento do recurso especial. O recurso especial foi admitido na origem (fls. 1005/1006). É o relatório. Decido. Inicialmente, o agravante alega violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC. No entanto, a Corte local, assim se manifestou (fl. 679/680): À luz das teses firmadas, conclui-se que será da Justiça Federal a competência para o processamento das causas "em que se discute contrato de seguro vinculado à apólice pública" e que a Caixa Econômica tenha manifestado interesse em intervir na causa. No caso concreto, foi determinada a intimação da Caixa para manifestar eventual interesse nos contratos discutidos, ocasião em que se manifestou pela remessa dos autos à Justiça Federal, para o caso dos contratos firmados no Ramo 66 (mov. 48.1): .. Especificamente quanto ao ramo dos contratos, infere-se da própria manifestação da Caixa que os contratos que possui interesse são relativos aos autores: Ilda Krause, João Borges Pinto, João Maria de Souza, Luiz Carlos Matoso dos Santos e Maria Ferreira Guimarães. Portanto, diante do inequívoco interesse da empresa pública nos contratos mencionados, eis que integrantes do Ramo 66-SFH, entendo que a retratação é cabível no caso, uma vez que somente quanto a autora Nilsa Saldanha, por não ter sido identificado vínculo ao Ramo 66, o feito deverá ser julgado na Justiça Estadual. Verifica-se que não há a alegada violação aos artigos 489, § 1º, incisos IV e VI, e 1.022, inciso II, ambos do Código de Processo Civil, na medida em que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. Não se trata de omissão, contradição ou obscuridade, tampouco de correção de erro material, mas, sim, de inconformismo direto com o resultado do acórdão, que foi contrário aos interesses do insurgente. Nesse aspecto, insta salientar que o simples descontentamento da parte com o resultado do julgamento não tem o condão de tornar cabíveis os embargos de declaração, visto que a pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no acórdão embargado, consubstanciada na mera insatisfação com o resultado da demanda, é incabível na via dos embargos de declaração. Além do mais, o fato de o Tribunal de origem haver decidido a contenda de forma contrária à defendida pela recorrente, elegendo fundamentos diversos daqueles por ela propostos, não configura omissão ou qualquer outra causa passível de exame mediante a oposição de embargos de declaração. Ainda, a motivação contrária ao interesse da parte ou mesmo omissa em relação a pontos considerados irrelevantes pelo decisum não autoriza o acolhimento dos embargos declaratórios e nem o reconhecimento de violação ao disposto no art. 1.022 do CPC, razão pela qual o órgão julgador não está obrigado a se pronunciar acerca de todo e qualquer ponto suscitado pelos litigantes, mas apenas sobre aqueles considerados suficientes para fundamentar sua decisão, como ocorrera in casu. Posto isto, verifico que o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o RE n. 827.996/PR, julgado sob o regime de repercussão geral, Tema 1.011/STF, definiu que " .. há competência da Justiça Federal nas causas em que se discute contrato de seguro vinculado à apólice pública, na qual a CEF atue em defesa do FCVS; ao revés, caso seja vinculado à apólice privada, em razão da inexistência de interesse da CEF (como administradora do FCVS), a competência é da Justiça Estadual". Neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SISTEMA FINANCEIRO DA HABITAÇÃO. APÓLICE PÚBLICA. COBERTURA DO FCVS. INTERESSE DA CEF. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A controvérsia recursal reside no interesse jurídico da Caixa Econômica Federal para ingressar em demanda relativa a contrato vinculado ao Sistema Financeiro da Habitação - SFH com cobertura do Fundo de Compensação de Variações Salariais - FCVS, para fins de fixação da competência da Justiça Federal. 2. O Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento do RE n. 827.966/PR, precedente com repercussão geral reconhecida (Tema 1.011), pacificou a "controvérsia relativa à existência de interesse jurídico da Caixa Econômica Federal para ingressar como parte ou terceira interessada nas ações envolvendo seguros de mútuo habitacional no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação e, consequentemente, à competência da Justiça Federal para o processamento e o julgamento das ações dessa natureza". 3. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça já asseverou, em sua Súmula n. 150, que "compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas". 4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.537.156/RS, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 17/6/2024, DJe de 19/6/2024.) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO. AÇÃO INDENIZATÓRIA. RESPONSABILIDADE DA SEGURADORA. LITISCONSÓRCIO CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. COMPETÊNCIA JUSTIÇA FEDERAL. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - O entendimento jurisprudencial não prevê a substituição do polo passivo com o ingresso da CEF na lide, de sorte que a seguradora segue dotada de legitimidade passiva nos feitos em que os mutuários pretendem a cobertura securitária, ainda que se trate de contrato de seguro vinculado à apólice pública e acobertado pelo FCVS. III - A ação originária foi ajuizada em 02.06.2011, sendo imprescindível a inclusão da Caixa Econômica Federal, como litisconsorte, juntamente com a seguradora Recorrente, o que justifica a competência da Justiça Federal para o conhecimento e processamento do feito, nos termos do art. 109, I, da Constituição da República.. IV - O acórdão recorrido adotou entendimento consolidado nesta Corte, segundo o qual a seguradora tem legitimidade para figurar no polo passivo de ação relativa a contrato de seguro habitacional regido pelas regras do Sistema Financeiro de Habitação. V - Não apresentação de argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VI - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. VII - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.111.114/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 10/6/2024, DJe de 13/6/2024.) Assim, considerando que a Corte local, analisando as cláusulas contratuais e as provas contidas nos autos, entendeu pela impossibilidade de se afirmar que o contrato da autora Nilsa Saldanha seja uma apólice pública, e, em razão disso, firmou a competência da Justiça Estadual para o julgamento do processo, não é possível rever esse entendimento pois demandaria o revolvimento do conjunto fático probatório e a análise de clausulas contratuais, o que é vedado em sede de recurso especial, atraindo a incidência dos enunciados 5 e 7 da Súmula do STJ: "a simples interpretação de cláusula contratual não enseja recurso especial" "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial" Neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E DIREITO ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. CONTRATO ADMINISTRATIVO. REEXAME DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS, DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5/STJ E 7/STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. FIXAÇÃO EQUITATIVA. IMPOSSIBILIDADE. PROVIMENTO NEGADO. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que é alegada a ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil de forma genérica, sem a indicação específica dos pontos sobre os quais o julgador deveria ter-se manifestado, o que inviabiliza a compreensão da controvérsia. Incide no caso em questão, assim, o óbice previsto na Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal, por analogia. 2. O Tribunal de origem, ao analisar a matéria, interpretou o contrato e seu aditamento, chegando à conclusão de que é devido pela parte agravante o valor cobrado, em razão do estabelecido no termo aditivo do contrato. A inversão do julgado, tal como requerido, demandaria necessariamente o revolvimento do mesmo conjunto fático-probatório, o que é inviável na instância especial ante o óbice da Súmula 5 do STJ, que preceitua "a simples interpretação de cláusula contratual não enseja recurso especial", e da Súmula 7 do STJ, segundo a qual "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 3. Os honorários advocatícios foram arbitrados em conformidade com a jurisprudência firmada nesta Corte, em especial quanto ao contido no Tema 1.076/STJ e com base nos critérios do art. 85, §§ 2º e 3º, I, do CPC, sendo, assim, impossível a sua redução. 4 . Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.642.175/AP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 11/9/2023, DJe de 14/9/2023.) Pelo exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do recurso especial. Intimem-se. Publique-se. EMENTA ADMINISTRATIVO. SEGURO HABITACIONAL. SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC. INOCORRÊNCIA. TRIBUNAL QUE JULGOU INTEGRALMENTE A LIDE. LEGITIMIDADE DA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL PARA FIGURAR NO POLO PASSIVO DA DEMANDA. APÓLICES PÚBLICAS. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. REEXAME DE FATOS E CLÁUSULAS CONTRATUAIS. IMPOSSIBILIDADE. SÚM. 5 E 7 DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.