AREsp 2915594 - DECISAO
Demonstrado que o acórdão recorrido apresentou fundamentação compatível com a tese do Tema 339 do STF e que o pedido de afastamento das qualificadoras exigiria revolvimento de matéria fático-probatória vedado pela Súmula 7 do STJ, negou-se seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, I, a, do...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 October 2025
- Procedural Posture
- Recurso Extraordinário / Negado Seguimento
- Outcome
- Nego seguimento ao recurso extraordinário; agravo regimental improvido.
- Legal Topics
- Soberania Dos Veredictos Do Júri, Súmula 7 Do STJ, Fundamentação Das Decisões (art. 93, IX, Cf), Repercussão Geral (tema 339 Do Stf)
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Procedural Posture
Recurso Extraordinário / Negado Seguimento
Legal Issues
- 1 Se é possível afastar qualificadoras reconhecidas pelo Conselho de Sentença diante do princípio da soberania dos veredictos do júri
- 2 Se a decisão recorrida atende ao dever de fundamentação previsto no art. 93, IX, da Constituição Federal
- 3 Se o pedido de afastamento de qualificadoras exige revolvimento de matéria fático-probatória vedado pela Súmula 7 do STJ
Ratio Decidendi
Demonstrado que o acórdão recorrido apresentou fundamentação compatível com a tese do Tema 339 do STF e que o pedido de afastamento das qualificadoras exigiria revolvimento de matéria fático-probatória vedado pela Súmula 7 do STJ, negou-se seguimento ao recurso extraordinário com fundamento no art. 1.030, I, a, do CPC; concomitantemente, manteve-se o entendimento de que a soberania dos veredictos do júri impede a cassação salvo quando a decisão for manifestamente contrária às provas.
Court Disposition
Nego seguimento ao recurso extraordinário; agravo regimental improvido.
Orders
- Nego seguimento ao recurso extraordinário com amparo no art. 1.030, I, a, do CPC.
- Agravo regimental improvido.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO 1. Trata-se de recurso extraordinário interposto, com fundamento no art. 102, III, a, da Constituição Federal, contra acórdão do Superior Tribunal de Justiça que recebeu a seguinte ementa (fls. 879-880): DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. SOBERANIA DOS VEREDICTOS DO JÚRI. SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que negou provimento a recurso especial, mantendo decisão condenatória proferida pelo Tribunal do Júri. 2. Fato relevante. A parte agravante alegou que o acórdão recorrido desconsiderou provas produzidas em juízo que poderiam afastar as qualificadoras do crime, e sustentou que não há óbice sumular para a análise do recurso especial. 3. Decisões anteriores. O Tribunal de Justiça negou provimento à apelação, mantendo a decisão condenatória nos termos definidos pelo Conselho de Sentença, com base no princípio da soberania dos veredictos e na inexistência de decisão manifestamente contrária às provas dos autos. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 4. A questão em discussão consiste em saber se há fundamento para afastar as qualificadoras reconhecidas pelo Conselho de Sentença, considerando o princípio da soberania dos veredictos e a vedação ao revolvimento de matéria fático-probatória prevista na Súmula 7 do STJ. III. RAZÕES DE DECIDIR 5. O princípio da soberania dos veredictos do júri, previsto no art. 5º, XXXVIII, "c", da Constituição Federal, impede a cassação de decisão do Conselho de Sentença, salvo se manifestamente contrária às provas dos autos, o que não é o caso. 6. A decisão do Conselho de Sentença encontra amparo nas provas produzidas ao longo da instrução processual e em plenário, sendo vedado ao Tribunal cassar a decisão sob pena de violação ao princípio da soberania dos veredictos. 7. O pedido de afastamento das qualificadoras reconhecidas pelo Conselho de Sentença demanda revolvimento de matéria fático-probatória, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ. 8. A simples alegação genérica de revaloração de prova não é suficiente para afastar o óbice sumular e fundamentar o provimento do recurso especial. IV. DISPOSITIVO E TESE 9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido. Tese de julgamento: 1. O princípio da soberania dos veredictos do júri impede a cassação de decisão do Conselho de Sentença, salvo se manifestamente contrária às provas dos autos. 2. O revolvimento de matéria fático-probatória é vedado em recurso especial, conforme Súmula 7 do STJ. 3. A simples alegação genérica de revaloração de prova não afasta o óbice sumular para análise de recurso especial. A parte recorrente alega a existência de repercussão geral da matéria debatida e de contrariedade, no acórdão impugnado, ao art. 93, IX, da Constituição Federal. Nesse sentido, argumenta que o acórdão do Superior Tribunal de Justiça teria negado provimento ao agravo regimental sem fundamentação idônea e concreta para manter a condenação, em afronta ao dever constitucional de motivação das decisões judiciais. Aduz que elementos produzidos em juízo, notadamente relatos de ameaças da vítima contra o recorrente e sua família, teriam sido desconsiderados, afirmando não haver necessidade de revolvimento fático-probatório para o afastamento das qualificadoras. Afirma que as qualificadoras do motivo torpe e do recurso que dificultou a defesa da vítima foram mantidas sem indicação de elementos concretos aptos a justificá-las, defendendo seu afastamento diante do contexto narrado. Requer, assim, a admissão e o provimento do recurso. É o relatório. 2. No julgamento do paradigma vinculado ao Tema n. 339, o Supremo Tribunal Federal apreciou a seguinte questão: .. se decisão que transcreve os fundamentos da decisão recorrida, sem enfrentar pormenorizadamente as questões suscitadas nos embargos declaratórios, afronta o princípio da obrigatoriedade de fundamentação das decisões judiciais, nos termos do art. 93, IX, da Constituição Federal. Na ocasião, firmou-se a seguinte tese vinculante: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Por isso, para que um acórdão ou decisão seja considerado fundamentado, conforme definido pelo STF, não é necessária a apreciação de todas as alegações feitas pelas partes, desde que haja motivação considerada suficiente para a solução da controvérsia. Nesse contexto, a caracterização de ofensa ao art. 93, IX, da CF não está relacionada ao acerto atribuído ao julgado, ainda que a parte recorrente considere sucinta ou incompleta a análise das alegações recursais. No caso dos autos, foram apresentados, de forma satisfatória, os fundamentos da conclusão do acórdão recorrido, como se observa do seguinte trecho do referido julgado (fls. 883-884): O agravo regimental, contudo, não trouxe argumentos suficientes para a reforma da decisão monocrática. Como se sabe, é dever da parte demonstrar a eventual desnecessidade da análise do conjunto fático-probatório para a análise da questão, deixando claro que os fatos foram devidamente consignados no acórdão impugnado, o que não ocorreu na hipótese. Na hipótese dos autos, o Tribunal de Justiça negou provimento à apelação, mantendo a decisão condenatória nos termos definidos pelo Conselho de Sentença, manifestando-se expressamente acerca do objeto do presente recurso (fls. 757-764): "De proêmio, convém registrar que, em observância ao Princípio da Soberania dos Vereditos do Júri, consagrado no art. 5º, inciso XXXVIII, alínea , da"c" Constituição Federal, a decisão do Conselho de Sentença deve ser preservada, somente se admitindo a cassação ou anulação quando manifestamente contrária às provas dos autos (art. 593, III, d, do CPP), ou seja, quando totalmente divorciada do conjunto probatório. Sobre a matéria, o Superior Tribunal de Justiça possui o entendimento de que: "a quebra da soberania dos veredictos é apenas admitida em hipóteses excepcionais, em que a decisão do Júri for manifestamente dissociada do contexto probatório, hipótese em que o Tribunal de Justiça está autorizado a determinar novo julgamento" (AgRg no AREsp 1632897/RS, Rel. Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, julgado em 16/06/2020). No caso em análise, a decisão do Conselho de Sentença encontra sólido amparo nas provas produzidas ao longo da instrução processual e em plenário. O acervo probatório é robusto e coerente, evidenciando a prática do crime qualificado conforme descrito na denúncia. .. Em sendo assim, coexistindo teses opostas e havendo coerência na escolha de uma delas pelo Júri Popular, é vedado ao Tribunal cassar a decisão ad quem proferida pelo Conselho de Sentença, sob pena de ofender o princípio da soberania dos vereditos, previsto no art. 5.º, inc. XXXVIII, alínea , da Constituição Federal. .. Pelo exposto, conclui-se que a decisão do Conselho de Sentença está amparada pelas provas dos autos e, portanto, não há que se cogitar em nulidade por decisão contrária à prova dos autos. Por consequência, não há que se falar em submissão do apelante a novo julgamento pelo Conselho de Sentença." Por outro lado, o próprio pedido do recurso, solicitando a retirada de qualificadoras reconhecidas pelo Conselho de Sentença, demonstra que há clara necessidade de revolvimento fático vedado pela Súmula 7 do STJ. Por fim, a simples assertiva genérica de que se trata de revaloração de prova não é suficiente para o provimento do recurso especial. Assim, fica inviabilizado o exame pretendido nesta insurgência. Com efeito, demonstrado que houve prestação jurisdicional compatível com a tese fixada pelo STF no Tema n. 339 sob o regime da repercussão geral, é inviável o prosseguimento do recurso extraordinário, que deve ter o seguimento negado. 3. Ante o exposto, com amparo no art. 1.030, I, a, do Código de Processo Civil, nego seguimento ao recurso extraordinário. Vale registrar não ser cabível agravo em recurso extraordinário (previsto no art. 1.042 do CPC) contra decisões que negam seguimento a recurso extraordinário, conforme disposto no § 2º do art. 1.030 do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTAÇÃO DO JULGADO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. TEMA N. 339 DO STF. CONFORMIDADE COM A TESE FIXADA EM REPERCUSSÃO GERAL. ART. 1.030, I, A, DO CPC. NEGATIVA DE SEGUIMENTO.