REsp 1882592 - ACORDAO
Aplicando a tese firmada no REsp 1.339.313/RJ (Tema 565/STJ), entendeu-se que a legislação aplicável autoriza a cobrança integral da tarifa de esgotamento sanitário quando a concessionária presta atividades como coleta, transporte e escoamento dos dejetos, mesmo na ausência do tratamento final, e que não cabe...
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- Parties
- Agravante: LIONCIO RODRIGUES DA SILVA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Acórdão Da Primeira Turma
- Outcome
- Agravo interno a que se nega provimento
- Legal Topics
- Tarifa De Esgoto, Serviço Parcialmente Prestado, Tema 565/stj, Cobrança Integral Da Tarifa
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Parties
LIONCIO RODRIGUES DA SILVA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Acórdão Da Primeira Turma
Legal Issues
- 1 Possibilidade de cobrança da tarifa de esgotamento sanitário mesmo na ausência do tratamento final dos dejetos
- 2 Inviabilidade de redução proporcional da tarifa de esgotamento conforme etapas do serviço efetivamente prestadas
- 3 Aplicação da tese firmada no REsp 1.339.313/RJ (Tema 565/STJ)
Ratio Decidendi
Aplicando a tese firmada no REsp 1.339.313/RJ (Tema 565/STJ), entendeu-se que a legislação aplicável autoriza a cobrança integral da tarifa de esgotamento sanitário quando a concessionária presta atividades como coleta, transporte e escoamento dos dejetos, mesmo na ausência do tratamento final, e que não cabe redução proporcional da tarifa; por isso, negou-se provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Agravo interno a que se nega provimento
Orders
- Nega-se provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa e Gurgel de Faria votaram com o Sr. Ministro Relator. EMENTA ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. TARIFA DE ESGOTO. SERVIÇO PARCIALMENTE PRESTADO. POSSIBILIDADE DE COBRANÇA DA TARIFA EM SEU VALOR INTEGRAL. TEMA 565/STJ. PROVIMENTO NEGADO. 1. No julgamento do Recurso Especial 1.339.313/RJ, sob o rito de recursos repetitivos (Tema 565), a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou o entendimento de que a legislação aplicada à matéria enseja a possibilidade de cobrança da tarifa de esgotamento sanitário, ainda que não haja o cumprimento de todas as etapas do serviço. Naquela ocasião, ficou consignado, também, a inviabilidade de redução proporcional da tarifa de acordo com as etapas do serviço efetivamente prestado. 2. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por LIONCIO RODRIGUES DA SILVA da decisão de minha relatoria de fls. 673/677. A parte agravante alega que fere os princípios da isonomia, da moralidade, da legalidade e da igualdade o fato de os cidadãos que não usufruem do serviço de maneira integral serem cobrados da mesma forma que aqueles que possuem a totalidade do serviço a seu dispor. Requer a reconsideração da decisão agravada ou a apresentação do processo ao órgão colegiado competente. A parte adversa apresentou impugnação (fls. 696/708). É o relatório. EMENTA ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. TARIFA DE ESGOTO. SERVIÇO PARCIALMENTE PRESTADO. POSSIBILIDADE DE COBRANÇA DA TARIFA EM SEU VALOR INTEGRAL. TEMA 565/STJ. PROVIMENTO NEGADO. 1. No julgamento do Recurso Especial 1.339.313/RJ, sob o rito de recursos repetitivos (Tema 565), a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou o entendimento de que a legislação aplicada à matéria enseja a possibilidade de cobrança da tarifa de esgotamento sanitário, ainda que não haja o cumprimento de todas as etapas do serviço. Naquela ocasião, ficou consignado, também, a inviabilidade de redução proporcional da tarifa de acordo com as etapas do serviço efetivamente prestado. 2. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO Na origem, trata-se de ação ordinária ajuizada pela parte ora agravante com o objetivo de que sejam cessadas imediatamente as cobranças a título de tratamento de esgoto ao argumento de que esse serviço não é prestado. A sentença em que os pedidos foram julgados parcialmente procedentes foi mantida no acórdão recorrido. Conforme demonstrado na decisão agravada, o entendimento firmado pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 1.339.313/RJ, julgado sob o rito de recursos repetitivos (Tema 565), é o de que a legislação possibilita a cobrança da tarifa de esgotamento sanitário ainda que não haja o cumprimento de todas as etapas do serviço. Foi afirmado no julgamento, também, ser inviável a redução proporcional da tarifa de acordo com as etapas do serviço efetivamente prestadas. Por oportuno, cito a ementa do julgado em que foi fixada a tese quanto ao Tema 565: ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SERVIÇO DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE COLETA E TRANSPORTE DOS DEJETOS. INEXISTÊNCIA DE REDE DE TRATAMENTO. TARIFA. LEGITIMIDADE DA COBRANÇA. 1. Não há violação do artigo 535 do CPC quando a Corte de origem emprega fundamentação adequada e suficiente para dirimir a controvérsia. 2. À luz do disposto no art. 3º da Lei 11.445/2007 e no art. 9º do Decreto regulamentador 7.217/2010, justifica-se a cobrança da tarifa de esgoto quando a concessionária realiza a coleta, transporte e escoamento dos dejetos, ainda que não promova o respectivo tratamento sanitário antes do deságue. 3. Tal cobrança não é afastada pelo fato de serem utilizadas as galerias de águas pluviais para a prestação do serviço, uma vez que a concessionária não só realiza a manutenção e desobstrução das ligações de esgoto que são conectadas no sistema público de esgotamento, como também trata o lodo nele gerado. 4. O tratamento final de efluentes é uma etapa posterior e complementar, de natureza socioambiental, travada entre a concessionária e o Poder Público. 5. A legislação que rege a matéria dá suporte para a cobrança da tarifa de esgoto mesmo ausente o tratamento final dos dejetos, principalmente porque não estabelece que o serviço público de esgotamento sanitário somente existirá quando todas as etapas forem efetivadas, tampouco proíbe a cobrança da tarifa pela prestação de uma só ou de algumas dessas atividades. Precedentes: REsp 1.330.195/RJ, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 04.02.2013; REsp 1.313.680/RJ, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, DJe 29.06.2012; e REsp 431121/SP, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 07/10/2002. 6. Diante do reconhecimento da legalidade da cobrança, não há o que se falar em devolução de valores pagos indevidamente, restando, portanto, prejudicada a questão atinente ao prazo prescricional aplicável as ações de repetição de indébito de tarifas de água e esgoto. 7. Recurso especial provido, para reconhecer a legalidade da cobrança da tarifa de esgotamento sanitário. Processo submetido ao regime do artigo 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ. (REsp n. 1.339.313/RJ, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 12/6/2013, DJe de 21/10/2013.) No mesmo sentido, colaciono os seguintes julgados: ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONCESSIONÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO. TARIFA DE ESGOTO. SERVIÇO PARCIALMENTE PRESTADO. TEMA 565/STJ. POSSIBILIDADE DE COBRANÇA DA TARIFA EM SEU VALOR INTEGRAL. AGRAVO INTERNO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp 1.339.313/RJ (Tema 565/STJ), julgado sob o rito dos recursos repetitivos, firmou o entendimento de que a legislação aplicada à matéria enseja a possibilidade de cobrança da tarifa de esgotamento sanitário, ainda que não haja o cumprimento de todas as etapas do serviço. Naquela ocasião, ficou consignado, ainda, a inviabilidade de redução proporcional da tarifa de acordo com as etapas do serviço efetivamente prestado. 2. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no REsp n. 1.953.489/RJ, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 29/2/2024.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. SERVIÇO DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO. PRESTAÇÃO DE ALGUMAS ETAPAS. COLETA E ESCOAMENTO DE DEJETOS. LEGITIMIDADE DA COBRANÇA. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. .. II - O tribunal de origem, ao admitir a cobrança parcial da tarifa de esgoto, divergiu do entendimento firmando nesta Corte Superior no REsp 1.339.313/RJ, sob o rito dos recursos representativos da controvérsia (Tema 565) de que há suporte legal para a cobrança da tarifa de esgoto, mesmo ausente o tratamento final dos dejetos, especialmente porque estabelece que o serviço público de esgotamento sanitário não prescindiria de atuação em todas as etapas para legitimar a cobrança, ainda que prestadas apenas uma ou algumas dessas atividades. III - A ausência de tratamento dos efluentes não enseja nem sequer a redução proporcional da tarifa. .. VI - Agravo Interno improvido. (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.872.431/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 9/8/2021, DJe de 12/8/2021.) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. SERVIÇO DE FORNECIMENTO DE ÁGUA E ESGOTO. TARIFA DE ESGOTO. PRESTAÇÃO PARCIAL DE SERVIÇOS. LEGITIMIDADE DA COBRANÇA INTEGRAL. TESE FIRMADA EM RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO. RESP. 1.339.313/RJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Necessário consignar a Primeira Seção do STJ, no julgamento do Recurso Especial Repetitivo 1.339.313/RJ (Tema 565) firmou compreensão no sentido de possível a cobrança integral da tarifa de esgoto, ainda quando detectada a ausência do tratamento dos resíduos coletados, se outros serviços, caracterizados como de esgotamento sanitário, foram disponibilizados aos consumidores. 2. Restou incontroverso que o serviço de esgotamento sanitário é prestado de forma parcial, havendo a coleta e transporte dos dejetos através das Galerias de Águas Pluviais (GAP), que se prestam ao encaminhamento dos efluentes sanitários despejados pelos imóveis da região. 3. O acórdão recorrido destoa do Recurso Especial Repetitivo nº 1.339.313/RJ, razão pela qual não merece prosperar a irresignação para reformar a decisão agravada. 4. Agravo interno ao qual se nega provimento. (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.912.231/RJ, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 30/8/2021, DJe de 2/9/2021.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.