AREsp 3117172 - DECISAO
Não conhecer do agravo porque a peça recursal misturou espécies distintas de agravo (art. 1.021 e art. 1.042 do CPC), violando o princípio da taxatividade recursal previsto no art. 994 do CPC; a fungibilidade não se aplica por ausência dos seus pressupostos; determinou-se, ainda, a majoração dos honorários em 15% se...
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- Parties
- Recorrente: BRUNO MEDEIROS HENRIQUES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 January 2026
- Procedural Posture
- Agravo / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço do recurso.
- Legal Topics
- Taxatividade Recursal, Agravo Interno, Agravo Em Recurso Especial, Fungibilidade Recursal, Honorários Advocatícios
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Parties
BRUNO MEDEIROS HENRIQUES
Recorrente
Procedural Posture
Agravo / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Confusão quanto à espécie recursal interposta (art. 1.021 vs art. 1.042 do CPC)
- 2 Aplicação do princípio da taxatividade recursal (art. 994 CPC)
- 3 Inaplicabilidade da fungibilidade recursal nas hipóteses do caso
Ratio Decidendi
Não conhecer do agravo porque a peça recursal misturou espécies distintas de agravo (art. 1.021 e art. 1.042 do CPC), violando o princípio da taxatividade recursal previsto no art. 994 do CPC; a fungibilidade não se aplica por ausência dos seus pressupostos; determinou-se, ainda, a majoração dos honorários em 15% se houver fixação prévia, nos termos do art. 85, §11, do CPC.
Court Disposition
Não conheço do recurso.
Orders
- Não conhecer do recurso.
- Caso exista prévia fixação de honorários advocatícios, determinar a majoração em desfavor da parte recorrente no importe de 15% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, §11, do CPC, observados os limites dos §§2º e 3º e eventual concessão da gratuidade da justiça.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Agravo interposto por BRUNO MEDEIROS HENRIQUES à decisão que inadmitiu Recurso Especial com fundamento no art. 105, III, da Constituição Federal. É o relatório. Decido. Mediante análise dos autos, observa-se que a feitura do Agravo de fls. 235/239 incorreu em equívoco considerado intransponível. Isso porque o Código de Processo Civil, em seu art. 994, consagrou o Princípio da Taxatividade, segundo o qual são cabíveis somente os recursos expressamente previstos em Lei Federal. No caso, percebe-se nítida confusão da parte recorrente, pois, embora o recurso tenha sido interposto com fundamento no art. 1.021 do CPC, nominado como "Agravo Interno", ao qual novamente foi feito referência nas razões recursais quanto ao seu cabimento, observa-se, na formulação do pedido, que a parte requereu fosse o presente recurso, agora nominado como "Agravo em Recurso Especial", conhecido e provido, nos termos do art. 1.042 do CPC. A partir disso, por se tratarem de espécies diversas do recurso de Agravo, não foi possível identificar, a partir da leitura da peça recursal, qual espécie recursal o recorrente pretendia manejar para, assim, dar prosseguimento ao feito. Rememore-se, por oportuno, que o recurso previsto no art. 1.021 do Código de Processo Civil se refere ao Agravo Interno, cabível, no que aqui interessa, nas hipóteses em que é realizado o juízo de conformação e, assim, negado seguimento ao Recurso Especial com base em entendimento fixado sob a sistemática dos recursos repetitivos. Por outro lado, o Agravo em Recurso Especial, previsto no art. 1.042 do CPC, é cabível nas outras hipóteses em que são proferidos juízos negativos de admissibilidade, sendo manejados, portanto, em situações absolutamente distintas. Portanto, não há como conhecer do presente recurso, porquanto violaria o Princípio da Taxatividade Recursal, já que não existe previsão no ordenamento jurídico para sua interposição nos citados moldes. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. PROCESSUAL CIVIL. CONSTITUCIONAL. DECISÃO RECLAMADA PROFERIDA PELO PRÓPRIO STJ. NÃO CABIMENTO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. .. 2. Segundo os princípios da legalidade e da taxatividade, respectivamente: (I) não há recursos sem que a Lei Federal ou a Constituição Federal os estabeleça; e (II) só existem os recursos que forem previstos por essas vias. 3. O fato de o ordenamento jurídico não vedar expressamente o uso de determinado meio de impugnação não autoriza que o jurisdicionado possa dele se valer, à míngua de expressa prescrição. 4. Agravo interno não provido. (AgInt na Rcl 36414/AM, Rel. Ministro Raul Araújo, Segunda Seção, DJe de 5.6.2019) A propósito, não há sequer como aplicar o princípio da fungibilidade, pois a sua aplicação, pressupõe dúvida objetiva a respeito do recurso a ser interposto, inexistência de erro grosseiro e observância do prazo do recurso correto, o que não ocorre na espécie. Nesse sentido: AgInt nos EDcl no REsp 1857915/PR, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe 04.05.2020. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte recorrente, no importe de 15% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão da gratuidade da justiça. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do recurso. Publique-se. Intimem-se. EMENTA