AREsp 2740701 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque o recorrente não comprovou que, no período de 03/03/1995 a 03/03/1998, esteve exposto de forma habitual e permanente a agente nocivo (tensão elétrica superior a 250 volts ou fumos de solda), sendo insuficiente o mero registro da função de eletricista na CTPS; eventual...
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- Parties
- Agravante: Vanderley Rosa dos Santos
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 November 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Mérito
- Outcome
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Tempo De Serviço Especial, Eletricidade, Insalubridade, Prequestionamento, Rol Exemplificativo, Súmula 7/stj
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Parties
Vanderley Rosa dos Santos
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Mérito
Legal Issues
- 1 Reconhecimento de tempo de serviço especial por exposição à eletricidade
- 2 Relevância do registro da profissão/atividade na CTPS para enquadramento como especial
- 3 Necessidade de prova de exposição habitual e permanente (art. 57, §3º da Lei 8.213/91)
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque o recorrente não comprovou que, no período de 03/03/1995 a 03/03/1998, esteve exposto de forma habitual e permanente a agente nocivo (tensão elétrica superior a 250 volts ou fumos de solda), sendo insuficiente o mero registro da função de eletricista na CTPS; eventual redimensionamento das provas dependeria de reexame fático, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo em recurso especial.
Orders
- Nego provimento ao agravo em recurso especial.
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por Vanderley Rosa dos Santos, contra decisão que não admitiu recurso especial, com fundamento no art. 105, III, a e c, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado (fl. 603): PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO. TRABALHO EM CONDIÇÕES ESPECIAIS. TENSÃO ELÉTRICA SUPERIOR A 250 VOLTS. PRÉVIA FONTE DE CUSTEIO. PREQUESTIONAMENTO. AGRAVOS DESPROVIDOS. - Agravos internos conhecidos, eis que observados os pressupostos processuais de admissibilidade recursal. - A exposição a tensão elétrica superior a 250 volts permite que a atividade seja reconhecida como tempo especial. - Não há falar em violação ao princípio do equilíbrio atuarial e financeiro e da prévia fonte de custeio, pois cabe ao Estado verificar se o fornecimento de EPI é suficiente a neutralização total do agente nocivo e, em caso negativo, como o dos autos, exigir do empregador o recolhimento da contribuição adicional necessária a custear o benefício a que o trabalhador faz jus, haja vista que o não recolhimento da respectiva contribuição não pode ser atribuído ao trabalhador, mas sim à inércia estatal no exercício do seu poder de polícia. - Relativamente ao prequestionamento de matéria ofensiva a dispositivos de lei federal e de preceitos constitucionais, tendo sido o recurso apreciado em todos os seus termos, nada há que ser discutido ou acrescentado aos autos. - Não assiste razão ao autor quanto ao período de 03/03/1995 a 03/03/1998, pois não comprova que no desempenho da atividade de eletricista esteve exposto a agente nocivo à sua saúde ou integridade física. - A função de eletricista é prevista como insalubre no item 1.1.8 do Decreto nº 53.831/64, desde que demonstrada a exposição à tensão elétrica acima de 250 volts, sendo insuficiente, ainda que o exercício da atividade tenha se desenvolvido até 28/04/1995, o mero registro da profissão/atividade de eletricista ou equiparado. - Agravos internos desprovidos. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fl. 744). Aponta o recorrente, nas razões do recurso especial, além de divergência jurisprudencial, violação dos arts. 55 da Lei 9.032/95, 927, III e V, e 932, V, b, do CPC, Decreto nº53.831/64, item 1.1.8 e Decreto 83.080/79 e seus anexos, na medida em que "a nobre Relatora deixou de reconhecer como especial o período de 03/03/1995 a 03/03/1998 - em que o Embargante trabalhou na função de eletricista I junto à empresa Servcater Internacional Ltda" (fl. 775). Aduz que, "o trabalho consistente na operação de solda elétrica, que submete o empregado à ação dos fumos do arco elétrico, compostos por partículas metálicas (chumbo e cádmio), cujo potencial de lesividade à saúde humana é alto, enseja o direito ao pagamento do adicional de insalubridade em grau máximo, nos termos do Anexo 13 da Portaria 3214/78, NR-15" (fl.781). Afirma que, "No caso dos autos, o segurado comprovou QUE AO DESEMPENHAR SUAS ATIVIDADES, UTILIZAVA A SOLDA DE FORMA HABITUAL E PERMANDENTE. Diante disso, mais uma vez a Jurisprudência nos trouxe que DEVE SER RECONHECIDO COMO ESPECIAL O PERÍODO EM QUE O TRABALHADOR UTILIZA SOLDA EM SEU LABOR, conforme Acórdão da 9ª Turma do TRF 3, julgado em 06/02/2020" (fl.784). Alega que, "os períodos devem ser reconhecidos como especiais, na época em que o autor trabalhou nas empresas acima destacadas, estavam vigentes os Decretos 53.831/64 e 83.080/79, os quais preconizavam que NÃO ERAM NECESSÁRIOS FORMULÁRIOS PARA COMPROVAÇÃO DE TRABALHO EXERCIDO SOB CONDIÇÕES ESPECIAIS" (fl. 786). Sustenta que, "da baixa até à alta tensão, a eletricidade tem como principal risco o choque elétrico, podendo ocasionar parada cardíaca, queimaduras (parcial ou total), mutilação ou morte, especificamente ao trabalhador. Tudo depende da situação da ocorrência, do grau de risco e das condições técnicas intrínsecas do sistema elétrico de potência em síntese" (fl. 786). Defende que, "SEMPRE TRABALHOU COMO ELETRICISTA EM CARÁTER INDUSTRIAL, COM EQUIPAMENTOS DE ALTAS TENSÕES" (fl. 789). Enfatiza que, "há a necessidade de procedência pelo enquadramento dos períodos laborados como especiais, uma vez que consta na CTPS do autor o registro em sua que este exercia a função de ELETRICISTA até o fim da vigência dos Decretos regulamentadores" (fl. 790). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO A irresignação não comporta acolhida É mister asseverar que antes da edição da Lei n. 9.032/95, o reconhecimento de trabalho em condições especiais ocorria por enquadramento. Assim, os anexos dos Decretos 53.831/64 e 83.080/79 listavam as categorias profissionais que estavam sujeitas a agentes físicos, químicos e biológicos, considerados prejudiciais à saúde ou à integridade física do segurado. Todavia, após a alteração do art. 57 da Lei n. 8.213/91, promovida pela Lei n. 9.032/95, o reconhecimento do tempo de serviço especial pressupõe a efetiva demonstração de que, no exercício da atividade, o segurado esteve exposto a condições prejudiciais à saúde ou à integridade física de forma habitual e permanente. A matéria já foi decidida pela Primeira Seção deste Tribunal, pelo rito dos recursos repetitivos, nos termos do art. 543 do CPC, no qual foi chancelado o entendimento de que, "À luz da interpretação sistemática, as normas regulamentadoras que estabelecem os casos de agentes e atividades nocivos à saúde do trabalhador são exemplificativas, podendo ser tido como distinto o labor que a técnica médica e a legislação correlata considerarem como prejudiciais ao obreiro, desde que o trabalho seja permanente, não ocasional, nem intermitente, em condições especiais (art. 57, § 3º, da Lei 8.213/1991). " A propósito, eis a ementa do referido julgado: RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA REPETITIVA. ART. 543-C DO CPC E RESOLUÇÃO STJ 8/2008. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ATIVIDADE ESPECIAL. AGENTE ELETRICIDADE. SUPRESSÃO PELO DECRETO 2.172/1997 (ANEXO IV). ARTS. 57 E 58 DA LEI 8.213/1991. ROL DE ATIVIDADES E AGENTES NOCIVOS. CARÁTER EXEMPLIFICATIVO. AGENTES PREJUDICIAIS NÃO PREVISTOS. REQUISITOS PARA CARACTERIZAÇÃO. SUPORTE TÉCNICO MÉDICO E JURÍDICO. EXPOSIÇÃO PERMANENTE, NÃO OCASIONAL NEM INTERMITENTE (ART. 57, § 3º, DA LEI 8.213/1991). 1. Trata-se de Recurso Especial interposto pela autarquia previdenciária com o escopo de prevalecer a tese de que a supressão do agente eletricidade do rol de agentes nocivos pelo Decreto 2.172/1997 (Anexo IV) culmina na impossibilidade de configuração como tempo especial (arts. 57 e 58 da Lei 8.213/1991) de tal hipótese a partir da vigência do citado ato normativo. 2. À luz da interpretação sistemática, as normas regulamentadoras que estabelecem os casos de agentes e atividades nocivos à saúde do trabalhador são exemplificativas, podendo ser tido como distinto o labor que a técnica médica e a legislação correlata considerarem como prejudiciais ao obreiro, desde que o trabalho seja permanente, não ocasional, nem intermitente, em condições especiais (art. 57, § 3º, da Lei 8.213/1991). Precedentes do STJ. 3. No caso concreto, o Tribunal de origem embasou-se em elementos técnicos (laudo pericial) e na legislação trabalhista para reputar como especial o trabalho exercido pelo recorrido, por consequência da exposição habitual à eletricidade, o que está de acordo com o entendimento fixado pelo STJ. (grifo nosso) 4. Recurso Especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ. (REsp 1.306.113/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 7/3/2013) Além disso, na linha do disposto na Súmula 198 do extinto Tribunal Federal de Recursos, consolidou o entendimento de que o rol constante desses decretos é meramente exemplificativo, sendo possível que outras atividades, não relacionadas, sejam reconhecidas como insalubres, perigosas ou penosas, desde que devidamente comprovado nos autos. Confira-se, por pertinente, o seguinte precedente, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL. ENGENHEIRO MECÂNICO. CONVERSÃO. EXPOSIÇÃO A CONDIÇÕES ESPECIAIS PREJUDICIAIS À SAÚDE OU À INTEGRIDADE FÍSICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. 1. O reconhecimento do tempo de serviço especial apenas em face do enquadramento na categoria profissional do trabalhador foi possível até a publicação da Lei n.º 9.032/95. 2. Todavia, o rol de atividades arroladas nos Decretos nos 53.831/64 e 83.080/79 é exemplificativo, não existindo impedimento em considerar que outras atividades sejam tidas como insalubres, perigosas ou penosas, desde que estejam devidamente comprovadas. Precedentes. 3. No caso em apreço, conforme assegurado pelas instâncias ordinárias, o segurado não comprovou que efetivamente exerceu a atividade de Engenheiro Mecânico sob condições especiais. 4. Inexistindo qualquer fundamento relevante que justifique a interposição de agravo regimental ou que venha a infirmar as razões consideradas no julgado agravado, deve ser mantida a decisão por seus próprios fundamentos. 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 803.513/RJ, Rel. Ministra Laurita Vaz, Quinta Turma, DJ 18/12/2006, p. 493) Entretanto, na presente hipótese, o Tribunal de origem, com base no conjunto probatório dos autos, ao solucionar a controvérsia, adotou as seguintes razões de decidir (fls. 608/609): DO AGRAVO INTERNO INTERPOSTO PELO AUTOR Não assiste razão ao autor quanto ao período de 03/03/1995 a 03/03/1998, pois não comprova que no desempenho da atividade de eletricista esteve exposto a agente nocivo à sua saúde ou integridade física. Ademais, a função de eletricista é prevista como insalubre no item 1.1.8 do Decreto nº 53.831/64, desde que demonstrada a exposição à tensão elétrica acima de 250 volts, sendo insuficiente, ainda que o exercício da atividade tenha se desenvolvido até 28/04/1995, o mero registro da profissão/atividade de eletricista ou equiparado. Nesse contexto, a alteração das premissas adotas pela Corte de origem, na forma pretendida pela Autarquia recorrente, demandaria o reexame de matéria de fato, procedimento que, em sede especial, encontra óbice na Súmula 7/STJ. Nesse sentido: PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. TEMPO ESPECIAL. MOTORISTA DE CAMINHÃO. REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO PELA ALÍNEA "A". DISSÍDIO PRETORIANO PREJUDICADO. 1. Trata-se, na origem, de ação previdenciária na qual o ora recorrente, motorista de caminhão de carga, objetiva o reconhecimento de que trabalhou em condições insalubres, com a consequente concessão de Aposentadoria Especial. 2. Hipótese em que o Tribunal de origem concluiu, com base na prova dos autos: "No caso, mesmo se considerados os períodos de atividade especial ora reconhecidos, o autor não atinge 25 anos de tempo em atividade especial, razão pela qual não faz jus à concessão de aposentadoria especial". A revisão desse entendimento implica reexame de fatos e provas, obstado pelo teor da Súmula 7/STJ. .. 6. Agravo conhecido para não conhecer do Recurso Especial. (AREsp 1.546.405/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 11/10/2019.) ANTE O EXPOSTO, nego provimento ao agravo em recurso especial. Publique-se. EMENTA